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Full text of "Jornal de sciencias mathematicas, physicas e naturaes"

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COMPARATIYE ZOÕLOGY, 

AT HARVARD COllEGB, CAMBRIDGE, MASS. 



The gift of Jitl '^^^ édl^yr^u^cu 

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JORNAL 

DE 

SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

PHYSIGAS E NATURAES 



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JORNAL 



DE 



SCIENCIAS MATHEMATICAS 

PHYSICAS E NATURAES 



PUBLICADO SOB OS AUSPÍCIOS 
DA 

ACADIIA REAL DAS MM DE LISBOA 



TOMO II 

AtiOSTO DE 1868-DEZEMimO DE I8G9 




LISBOA 

TVPOGRAPHIA DA ACADEMIA 
''"1870 



I, MATHEMATICA 

I. i\()!a sohre uma proposição ile slalica 

pi>r, 
FRANCISCO DA PONTE HORTA 



Demonstra-sc em mechanica no equilíbrio (l"um fio flexível e inex- 
teiisivel — que se as forças que actuarem o fio forem normaes á curva de 
equilíbrio, os seus valores nos diversos pontos d'esta, variarão inversa- 
mente com os respectivos raios osculadores. A generalisacão doesta pro- 
posição para o caso de forças de quaesquer dli^ecrões, consistindo em 
que, a tensão varia sempre na razão composta do raio osciilador e 
componente normal das forças, ainda a não vimos demonstrada em rie- 
nlium tratado de mcchanica, excepto no Curso de mechanica applicada 
de M. Bresse, onde effectivamente se encontra, a pag. 410 do 1.° vol., 
uma demonstração geométrica multo elegante da referida generalisacão; 
declarando o auctor n'esse mesmo logar que a respectiva demonstração 
anal}11ca seria notavelmente mais diííicil. Entretanto, a que vamos ex- 
por, e que já ensinámos na Escola Polytccbnica de Lisboa ha mais de 
dezescis annos, é o mais simples possível, contrariamente á asserção de 
M. Bresse. 

Começaremos pela demonstração do caso particular, para se ver que 
a alludida generalisacão nem exige combinações novas, nem é mais com- 
plicada que a .do caso particular. 

As equações de equilíbrio do fio são : 

Xds = d(T^) = ^-^dr+Td~ 
as as as 



(I) 











Yds = 




dT+Td% 










Zds^ 


dz 
'í/s 


dTV 


-^% 


IN. UE 


SCIENC. 


MATH. 


PHYS 


1. E NÂT 




■N. Y. 





^ JORNAL DE 5CIENCIAS MATHEMATICAS 

Multiplicando estas equações ORlenadamente por ^r'Y'T ^ ^^^' 
mando as equações resultantes, teremos : 

\dx-\-)dy + Zdz = [ ^, )dT-^^j{ ^, ) 

ou 

Xdx + Ydy -i-Zdz^dT (2) 

Se a força dada N for normal á curva teremos 

Xdx-i-Ydy + Zdz = o: 
logo 

dT=o, e r=const. 

Os primeiros termos dos segundos membros das equações (1) se- 
rão nullos na mesma hypothesc, c teremos, quadrando e sommando as 
mesmas equações : 



e por tanto 



<í'á'+ 



ds' J 






d 'onde 



iV= — , ou r=A>. 



Para se obter a generalisação proposta, designem A^e S as compo- 
nentes normal e tangencial da força ; ter-se-ha : 

F2 = A2 + S\ e Xdx -\- Ydy + Zdz = Sds ; 

logo, em virtude da equação (2) será Sds = dT. 

Conservando todos os termos ás equações (1), obteremos, depois 
de quadradas e sommadas, 



d'onde 



PHYSICAS E NATURAES 



S2 + iY2_S2-f ^^ 



T 

iv=~, ou r=iV 
p 



JORNAL DE SniE.XCIAS MATHEMATICAS 



2. M'à sobre um prolileoia ile gooraelria 



FRANCISCO DA PONTE HORTA 



A solução (lo i)roblema quo tem por objecto determinar qualquer 
diâmetro d'uma liyperbole definida por suas asymptotas e eixo real, 
pôde obter-se mui facilmente, bastando para isso o recorrer ao me- 
ihodo geral da determinação dos pontos duplos de duas divisões ho- 
mographicas sobre a mesma recta. A applicação d'este metbodo ao caso 
em questão é mui fácil, visto que se dão dois grupos de pontos liomo- 
logos, bem como o ponto médio dos pontos duplos. 




Fig. 1 



Com effeito, pelos pontos o, n', fig. 1, extremos do eixo real, li- 
rem-se as rectas oL, oM, o'L', o'M', parallelas ás asymptotas, e seja 
aa' a direcção do diâmetro pedido. Os raios dirigidos de o, o' para os 
differentes pontos da curva, determinam por suas intersecções com a 
recta aa' duas divisões homographicas (a, b,. . .)=(^'» ^'»- • •)> d^ Q^^ 
são pontos duplos e, f (intersecções d'esta recta com a curva). 

Ora, as duas divisões (a, b, e, f. .) e (a', b', e, f) são homogra- 



PHYSICAS E iNATl UAi:S O 

phifas, e por lanlu lambem o são as duas {a, b, e, f) e (h', a', f, e), e 
logo estão em involução os tres systemas de pontos conjugados a, b'; 
b, a'; e, f: d^onde se conclue que as circumferencias tfaçadas sobre os 
diâmetros ab', ba', ef, teem uma corda commnm. Traçadas, pois, as 
duas semicircumferencias ab', ba', estas determinarão o ponto g\ e des- 
crevendo emfim uma circumferencia do centro O com o raio Og, os 
pontos c, f, em que esta cortar a recta aa', serão os pontos pedidos. 

O sr. Motta Pegado, dignissimo professor da Escola Polytechnica, 
apresenta uma solução não menos fácil d"este problema, fundada na se- 
guinte propridade da hyperbole. — Os dois segmentos exteriores d' uma 
seccante a um ramo de hyperbole, comprehetididos entre a curva e as 
asymptotas, são cgiiaes; reduzindo-se a questão, no caso proposto, a 
determinar a direcção que se deve dar â seccante, conduzida pelo vér- 
tice da curva de modo que o segmento que vae do dito vértice até uma 
das asymptotas, seja egual ao que vae da outra asymptota até o diâme- 
tro dado. Posta assim a questão pelo sr. Motta Pegado, o problema 



-Wl,^,^ 




Fig. 2 



proposto deverá enunciar-se do seguinte modo: —Dadas tres rectas 
concorrentes situadas no mesmo plano Sa, Sb, Sc, fig. Í2, conduzir uma 
seccante por um ponto dado O do dito plano, de modo que o segmento 



D JORNAL DE SCIENCIAS MATilEMATIGAS 

que vae cresse ponto a uma das rectas seja egiial ao segmento compre- 
prehendido pelas outras duas. A solução do sr. Pegado é a seguinte : 

Pelo ponto o tirem-se as rectas op, od, respectivamente paralle- 
las a sa; se, e pelo ponto e a recta eq parallela a sa. Supponha-se, pois, 
que a recta ac resolve o problema, sendo ao=bc: 

O feixe saobc cortado pelas rectas ac, de, offerecerá as duas divi- 
sões homographicas (a, o, b, c)=^{d, o, e, oo); logo 

oa _ ha od ^ eii od 

oc ' bc oo ■ 00 ' ed ' 

mas sendo por hypothese ao = bc, também será oc=ba, e por tanto 

oa od 

e visto que op e cq são parallelas a as, também será 



logo 



mas 



logo 



od 


sq' 


2 




oa 


sq 


-2 


„ 


oa 


«P". 


"^' 


— -2 ' 

sr 


2 




sr = 


sp.sq. 



Consequentemente: descreva-se uma circumferencia sobre o diâ- 
metro sq ; levante-se em /> a perpendicular pm ; e fazendo centro em 
s, com o raio sm, descreva-se o arco mr; e finalmente tirando a recta 
rb parallela a sa a sua intersecção com o raio se dará o segundo ponto 
b da seccante pedida. 



PHYSICAS E NATURAKS 



II. BOTÂNICA 



{. Flora Fóssil do terreno carbonífero 

(las visinlianças do Porío, serra do Bnssaco, 

e Moinho dOrdeni próximo a Alcácer do Sal —por B. A. Gomes 

Apontamentos pelo úv. H. 0. Geiíiilz 



A Flora Fóssil das formações do carvão de pedra em Portugal, ob- 
jecto de uma publicação nossa que a Commissão Geológica aceitou en- 
tre as suas, foi particularmente attendida pelo professor de Dresde, o 
dr. H. B. Geinitz, o qual no valioso archivo que redige (Neues Jahrbuch 
fur Mineralogie, Gcologie und Palaeontologie) dá d'esta obra circumstan- 
ciada noticia, acompanhando-a de numerosas observações que muito 
concorrem para esclarecer o objecto, e que são de tanto maior apreço, 
quanto o seu auctor tem sobre elle toda a auctoridade que resulta de 
estudos extensos especialmente feitos sobre este assumpto. Com os es- 
clarecimentos do professor Geinitz, determinações que para nós foram 
duvidosas, ficam deixando de o ser; outras ha, que consideradas menos 
duvidosas são por elle contestadas ou postas em duvida; além d'isso 
exprime este auctor sobre outras determinações mais geralmente re- 
cebidas na sciencia e por nós assim indicadas, muitas observações e 
opiniões que lhe são próprias; o que tudo jul^^amos muito útil para nós 
de conhecer e de assignalar, para mais perfeito juizo a fazer da maté- 
ria que nos propozemos tratar. Para os entendidos no assumpto não é 
que se torna preciso notar, quanto é espinhoso o empenho de fazer de- 
terminações especificas em palaeontologia, especialmente a palaeontolo- 
gia vegetal, e quanto por isso variam os juizos a este respeito, feitos pe- 
los differentes observadores, e ainda por cada um em particular nas diíTe- 
rentes épocas do seu estudo: as diversas publicações por elles feitas dão 
d'isso amplo testemunho. Para nós acrescem as diíficuldades que resul- 
tam da falta de muitos dos meios de estudo, se o fazemos sobre tudo 



8 JOUXAL DF. SCIENCIÂS MATHIv\rAT]CAS 

sem sair do paiz e aproveitar os meios de comparação que n"elle fal- 
tam, como succeden para o trabalho de que se trata. 

Alguma coisa conseguimos porém no que verificámos e na conti- 
nuação dos esclarecimentos que promovemos, e n'esse sentido podemos 
confiar lioje, que não foi inútil o nosso trabalho, apesar da insufficien- 
cia dos meios, e mesmo da insuíTiciente competência do que o empre- 
liendeu. 

A revista critica do dr. Geinitz vem inserida no num. 3 do anno 
de 1867 do jornal que referimos, a pag. 273-282, com o titulo de Apon- 
tamentos á Flora Fóssil da formarão carbonífera em Portmjal, por B. 
A. Gomes. Precede-os um curto proemio que consideramos útil aqui 
transcrever. É o seguinte. 

«Havendo tomado por base, diz Geinitz, os trabalhos até então 
existentes sobre o assumpto, na obra sobre as formações carboníferas 
da Alemanha e mais paizes da Europa, por H. B. Geinitz, H. Fleck e 
E. Harting, Munich 1865, no vol. I, a pag. 340-3Í4, havíamos apresen- 
tado uma resumida descripção dos districtos carboníferos de Portugal. 
É para nós motivo de muita satisfação poder agora annunciar que a opi- 
nião por nós então formada, especialmente a pag. 606, sobre a edade 
d'esses depósitos carboníferos que considerámos serem da quarta zona 
principal da época carbonífera, zona das Annularias, recebera de recentes 
investigações nova confirmação. Em memoria da Commissão Geológica 
de Portugal com o titulo de Flora Fóssil do terreno carbonífero de Por- 
tugal, dá-se noticia muito circumstanciada de todas as plantas fosseis 
até hoje encontradas nos differentes districtos carboníferos de Portugal; 
sentimos só que não acompanliasse o texto maior numero de estampas, 
que permittissem a verificação de todas as determinações, impossível 
sem ellas ou sem os exemplares originaes. Embora transpareça bem cla- 
ramente o cuidado com que o auctor cuidou sempre de achar a verdade, 
nem por isso em muitos casos se pôde ter a certeza que elle a podesse 
alcançar. A importância do assumpto de que se occupou Gomes na sua 
memoria, levou-nos a traçar mais detidamente a noticia que d'ella va- 
mos dar.» 

«As formações geológicas onde foram achados estes fosseis vegetaes 
são em Portugal limitadas ás immediações do Porto, Bussaco, e ao Moi- 
nho d'Ordem no Alemtejo junto a Alcácer do Sal. As mais ímpoilantes 
em relação á quantidade de carvão são as da proximidade do Porto, 
sobre tudo no concelho de Gondomar, aonde constituem a bacia carbo- 
nífera de S. Pedro da Cova, a qual foi minuciosamente descripta por 
Carlos Ribeiro.» 



PHYSICAS E NATURAES 9 

«Nu Bussaco o caivão existente é em quaiitiilade iiisigniílcante, são 
todavia alii numerosos os fosseis vegetaes, os quaes haviam já sido de- 
terminados' por Ch. Bunbury. No Moinho dOrdem a serie de camadas 
pertencentes ás formações carboniferas, assim como o numero dos fos- 
seis ah encontrados, são muito hmitados, o carvão falta mesmo quasi 
completamente, talvez por effeito da denudação do terreno. A descri- 
pção e as condições em que existem os depósitos encontrados, indica- 
das por Gomes, são as que resultam dos trabalhos de Carlos Ribeiro, a 
quem se devem egualmente as communicações especiaes que se referem 
aos outros districtos carboníferos em Portugal.» 

Em seguida percorre Geinitz todas as espécies que enumerámos na 
nossa Flora Fóssil, fazendo a revista critica de cada uma em relação ao 
nosso próprio trabalho e aos da sciencia em geral, e a final conclue pe- 
las observações que entendeu resumirem do melhor modo a expressão 
dos factos por nós revelados. É o que passamos ainda a expor textual- 
mente. 

«Das fiO espécies da Flora Fóssil de Gomes, diz Geinitz, admittida 
a sua exacta determinação, só a do num. 35 (Knorria imhricata), e tal- 
vez a do num. 52 (Stigmaria fícoides var. inacqualis) indicariam a zona 
mais antiga da formação do carvão de pedra, ou a zona principal das 
Lycopodiaceas. Ambas provém de S. Pedro da Cova, d onde foram tam- 
bém extraídas três das formas observadas no Dyas inferior, a saber o 
Calamites decoratus Bgl., Calamites Gigas Bgl,, e Hemitelites gigantea 
As duas Walchias (num. 56 e num. 57), tão espalhadas no Dyas infe- 
rior, provieram de outra localidade.» 

«A Walchia piíiifonnis Sclil. que demonstrámos seguramente exis- 
tir na nossa quarta zona ou zona principal das Annularias, é aliás fácil 
de confundir com os ramos novos, quando enfolhados, das Sagenarias 
e de outras Lycopodiaceas; e a sua existência na formação do carvão 
de pedra só pôde em geral admittir-se com segurança, quando as esca- 
mas da sua fructificação se encontram com o eixo d'onde procederam 
ou na proximidade d'elle. (Geinitz, Dyas 2, pag. 14li, Taf. XXIX f. 5-6; 
Taf. XXXI f. 5-10}.» 

«A falta já notada por Bunbury, e confirmada por Gomes, de Si- 
gillârias nos districtos do carvão de pedra em Portugal^ é uma prova 
negativa da ausência da segunda zona, ou da zona principal das Sigil- 
larias, com quanto a Sagenaria acideata e a Sagenaria obovata (num. 33 
e num. 54) amem precisamente esse horisonte.» 

«Foi já por Gomes formulada a opinião de que as floras fosseis das 
trcs regiões carboniferas por elle consideradas, não offereciam ao todo 



10 JORNAL DE SClENflAS MATHEMATICAS 

differença bastante importante para que possam referir-se a zonas di- 
versas, e que em todas três a ílora differia das floras das formações 
mais antigas do carvão de pedra, ou da zona principal das Lycopodiaceas. 
Com esta opinião concordamos nós inteiramente, aconseliiando ao mesmo 
tempo uma revisão da forma designada pelo nome de Knorria imbri- 
ca ta. » 

«Se com este esclarecimento se reconhecer também a falta da se- 
gunda zona ou da zona principal das Sigillarias, teremos a referir-nos 
a uma das zonas mais modernas da formação do carvão de pedra, for- 
mação que já fora por nós assignalada em terceira, quarta e quinta zo- 
nas, ou zona principal dos Calamites, das Annularias e dos Fetos, 
(V. 1865, Versteinerungen der Steinkohknformation in Sachsen, 1865, 
die Steinkohlen Detitschlands nnd anderer Lãnder Etiropas 1). 

Entre estas zonas a principal dos Calamites parece ter tido uma 
distribuição muito mais circumscripta do que as outras duas que se 
lhe seguiram, talvez porque com o tempo da sua formação coincidiriam 
differentes erupções dos porphyros antigos, cujo apparecimento muito 
particularmente se torna evidente pelas investigações feitas na Saxonia. 
O caracter petrographico d'esta zona principal dos Calamites é o pre- 
domínio de uma huilla fuliginosa ou fibrosa, quasi exclusivamente for- 
mada de Calamites, caracter este que de modo nenhum existe no car- 
vão portuguez. Os filões de anthracite que apparecem nas camadas car- 
boníferas da Saxonia provem principalmente de Sigillarias e de Lycopo- 
diaceas, que não são raras nesta zona.» 

«Partindo pois de todas estas considerações é natural referir os de- 
pósitos carboníferos em Portugal á zona principal das Annularias, indi- 
cando as plantas descriptas por Gomes, na grande maioria, uma das zonas 
superiores. A circumstancia porém de haver entre essas plantas algu- 
mas que se encontram mais ordinariamente na segunda e terceira zona, 
ao passo que outras mais pertencem á quarta e quinta e chegam mesmo 
ao Dyas, acha natural explicação em ser considerada precisamente a 
zona das Annularias e não a zona principal dos Fetos o seu verdadeiro 
jazigo, ao qual também pertencem os depósitos anthraciferos da Sarde- 
nha, Córsega e Jano na Toscana, ou a formação carbonífera do terreno 
de Plauen junto a Dresde. Assim como o andar inferior da formação 
carbonífera productiva, rico em Sigillarias, termina com a formação da 
zona dos Calamites, sempre que o seu desenvolvimento não foi impe- 
dido ou perturbado pela formação de rochas plutonicas, assim o andar 
superior da formação carbonífera productiva começou com a zona das 
Annularias e devia successivamente ter chegado á zona dos Fetos.» 



PHVSICAS K NATURAl^S 11 

«As nossas investigações levaram-nos a adoptar a seguinte classi- 
ficação com relação ás formações, carboniferas, e tudo parece ir confir- 
mando a idéa que a este respeito primeiro fizemos.» 

1.-'' Zona principal das Lycopodiaceas. Formação mais antiga do carvão 

de pedra (Cuim). 

^^ „ • • 1 j o- -11 ■ [ Andar superior da formação pro- 

2."^ Zona prmcipal das SigiUarias. . . . y , .• , - . ". 

„ , ,, • • I j /- ? •. / ductiva do carvão de pedra, ou 

3.=" Zona principal dos Calamites j „ _ ,. 

^ ^ [ formação media. 

, , „ • • , , i , • ( Andar superior da formação pro- 

4.^ Zona principal das Annularias ...\ ,,•. -i , 

„,^ • • 1 , r. l ductiva do carvão de pedra, ou 

5.* Zona principal dos fetos ) . 

^ ^ ( formação superior. 

6.* Zona principal das Walchias Dyas inferior. 

Aproveitando ainda as observações de Geinitz a respeito de cada 
uma das espécies que mencionámos na nossa Flora Fóssil, reproduzi- 
remos a enumeração d ellas, ampliada como fica d'esse modo e com 
algumas rectificações de que precisava. 



Calamiteae. 

1. Calamites Suckowii, Bgt. S. Pedro da Cova, Povoa e Moinho d'Or- 

dem. 

Esta espécie, diz Geinitz, parece pertencer ao Dyas, pelo menos 
existe ella no banco arenoso do Niederworrcsbach no Birkenfeld 
que pertence a esta formação. A respeito do Calamites commimis, 
Ettings, e da opinião que sobre elle forma este auctor, remette- 
nos ao Jb. 1866, pg. 766. 

2. Calamites iindidatus. St. S. Pedro da Cova. 

É uma forma, segundo Geinitz, de C. Cannaeformis, Scbi. 

3. Calamites Cannaeformis, Schl. Bgt. S. Pedro da Cova. 

4. Calamites Cistii. Bgt. S. Pedro da Cova. 

o. Calamites Gigas. Bgt. S. Pedro da Cova. 

Esta espécie, diz Geinitz, só se tem achado até hoje no Dyas in- 
ferior. 

Aster ophy Uitae . 

6. Volkmania gracilis, St. S. Pedro da Cova. 

Esta espécie de Sternberg, segundo Geinitz, é pela proeminen- 



1^ JORNAL DE SCIENC1AS MATIIKMATICAS 

cia das articulações antes um Asterophyllites, e que se aproxima do 
Asterophijllites granais, St. 

7. Asterophyllites tnberculata, Gomes, p. 4, est. IV, f. ■I.,S. Pedro da 

Cova. 

Parece ser pela estampa, diz Geinitz^ a espiga fructifera de um 
Asterophyllites ou de uma Annularla, de que não c todavia segura 
a procedência. A estampa 180 que foi por nós citada da Fóssil 
Flora de Lindley e Hutton, julga Geinitz dever referir-se ao As- 
terophyllites foliosus, Lindl., e Bruckmannia tnberculata. St.; é 
porém, segundo o mesmo auctor a espiga fructifera da Annularia 
loncjifolia, Bgt. A estampa que nós demos, parece ao auctor indi- 
car mais determinadamente o Asterophyllites Granais, St. ou o As- 
terophyllites rifjidus. St. (V. Geinitz, d. Verst. d. Stcinkohlenfor- 
mation in Sachsen 1855, taf. XVII). 

8. Asterophyllites rigida, Bgt. S. Pedro da Cova. 

Mais certo, segundo Geinitz, o Asterophyllites rigidus, St. 

9. Asterophyllites tenuifolia, Bgt. S. Pedro da Cova. 

10. Annularia longi folia, Bgt. Bussaco. 

H. Annularia brevi folia, Bgt. S. Pedro da Cova. 

Diz Geinitz, que será provavelmente a Annularia sphenophyl- 
loides, Zenker. » 

12. Beckera dúbia, St. S. Pedro da Cova e Bussaco. 

Observa Geinitz, que o exemplar de Sternberg pertence verda- 
deiramente ao Asterophyllites foliosus, Lindl., rectificação que ha- 
veria a fazer a respeito do nosso, se os dois são idênticos, como a 
estampa de Sternberg me fez acreditar. 

13. Sphenophyllum Schloteimii, Bgt. S. Pedro da Cova. Bussaco. 

O mesmo, segundo Geinitz, que o Sph. emarginattim, Bgt. 

Filioes. 

14. Nevropteris cordata, Bgt. Bussaco. 

15. Nevropteris Scheuchzeri, HoíTm. Moinho d'Ordem. 

16. Nevropteris acuti folia, Bgt. Moinho d'Ordem. 
n / Nevropteris flexuosa, St. S. Pedro da Cova. 



PHVSICAS E NATURAES 13 

18. Nevroplcris Loshii, Bgt. S. Pedro da Cova. 

19. Nevroplcris Brogniartíi, St. S. Pedro da Cova. 

i20. Nevropíeris auriculata, Bgt. S. Pedro da Cova, Moiíiiio d"Ordem. 

21. Cydoptcris dilatata, L. et H. S. Pedio da Cova. 

22. Odontopteris Brardii, Bgt. Bussaco. 

23. Odontopteris obtusa, Bgt. S. Pedro da Cova. 

24. Sphenopteris cristata, St. S. Pedro da Cova. 

25. Sphenopteris chaerophyUoides, Gòp. S. Pedro da Cova. 

26. Sphenophijllum erosum, L. et II. S. Pedro da Cova. 

Por engano de escripta foi mencionado por nós como Sphenopte- 
ris erosum (pag. 13), engano que a descripção que ajuntámos da 
espécie, permittia facilmente rectificar. 

27. HymenophyUites Costae, Gomes (fig. 13, lab. Y, f. 1, 2). S. Pedro 
da Cova. 

Geinitz julga que esta forma, como a representámos, pelo modo 
das pinnulas e nervuras simples que mostra, será o Cyatheites ar- 
horescens, e deveria ser referida antes a esta espécie do que a 
um HymenophyUites. Convencido quanto façam lembi'ar as pinnulas 
do Cyatheites arborescens as da nossa estampa, comtudo as fru- 
ctificaçtjes ali figuradas que são muito mais — Sori subrotundi lobo- 
rum laciniarum apicibus incidentes, do que — Sori inclusiati rotundi, 
nervorum divisurae insidentcs, biseriales; e além d'isso as nervu- 
ras lateraes que são antes — solitarii rarius dichotomi, do que 
— dichotomi, rectiusculi, ramulis plerumque simplicibus raro fur- 
catis, justificariam a meu ver o juizo feito de que o nosso exem- 
plar possa representar um HymenophyUites mais do que o Cyathei- 
tes; e nos auctorisará isto a deixar correr ainda a espécie com o 
nome que lhe ligámos do nosso amigo, o dr. Costa, salvo ulterior 
juizo que tudo fixe de modo mais definitivo e seguro. 

28. Diplacites longi folia, Gôp. Bussaco. 

29. Diplacites emarginata, Gõp. S. Pedro da Cova. 

É comnosco de accordo Geinitz, que as duas espécies se deverão 
reunir n'uma, como já Unger o indicara. 

30. Alethopteris lonchitides. St. S. Pedro da Cova. 



14 ■ JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

31. Aleí/wpíeris Dourmsii, Bgt. S. Pedro da Cova. 
.32. Alethopleris Grandini, Bgt. S. Pedro da Cova. 

33. Akthopteris urophylla, Bgt. S. Pedro da Cova. 

34. Akthopteris muricata, Gõp. S. Pedro da Cova. 

Geinitz considera esta espécie ser antes um Sphcnoptem. 

35. Alethopteris Bucklandi, Bg. S. Pedro da Cova. 

36. Alethopteris Brognartii, Gòp. S. Pedro da Cova. 

37. Cyatheites Schlotcimii, Gòp. S. Pedro da Cova, Bussaco, Moinho 
d'Ordem. 

38. Cyatheites arhorescens, Sclil. S. Pedro da Cova, Bussaco, Moinho 
d^Ordem. 

39. Cyatheites lepidorachis , Bgt. S. Pedro da Cova. 

É, segundo Geinitz, o mesmo que o Cyatheites Caudolleana. 

40. Cyatheites oreopterides, Bgt. S. Pedro da Cova, Bussaco. 

41. Cyatheites Miltoni, Artis, Gop. S. Pedro da Cova. 

42. Hemitelites gigantea, Bgt. Gôp. S. Pedro da Cova, Bussaco. 

Segundo Geinitz o Pecopteris gigantea e Pecopteris pimctulata 
hão de vir provavelmente a confundir-se com o Cyatheites confer- 
tus. St. Observa mais este auctor que o Hemitelites gigantea per- 
tence principalmente ao Dyas inferior. 

43. Polypodites elegans, Gõp. S. Pedro da Cova, Bussaco. 

Considèra-o Geinitz idêntico ao Cyatheites argutus, Bgt., que se 
encontra também no Bussaco, conforme notou Bunbury. 

44. Aspidites Pliicknetii, Gõp. S. Pedro da Cova. 

O mesmo, diz Geinitz, que o Alethopteris Plucknetii, Schl. 

4o. Pecopteris leplophylla, Bunb. Quart. Journ. of the Geol. Soe. of 
London, vol. 9, p. 144-145, taf. 7, f. 2, a, b; Gomes, p. 22, tab. 
3.^ f. 2, a, b, c, 3. 

Geinitz opina que esta espécie deve ser levada ao género Sphe- 
7iopteris ou ao Hymenophyllites, e é conduzido a isso pela obser- 
vação que fizemos descrevendo-a — pinnulis fructiíicantibus sori 
inferiorem frondis paginam omnino obtegentibus. Na Flora Fóssil 
(pag. 23 e 24) dissemos as razões que tinhamos para approxi- 



PHVSICAS E NATURAES 15 

mar anles esta forma dos Diplaziles, Beiuerlia e actual Gymno' 
gramme. 

46. Pecopteris plumosa, Bgt. S. Pedro da Cova. 

O mesmo, diz Geinitz, que o Cyalheites plumosa, Artis. 

47. Pecopteris delicatula, Bgt. S. Pedro da Cova. 

Segundo Geinitz a mesma espécie que o Cyatheites delicatula, 
Bgt., mas sem duvida para elle distincta do Cyatheites plumosus. 

48. Pecopteris obliqua, Bgt. S. Pedro da Cova. 

A forma com este nome é considerada por Geinitz um Aletho- 
pteris. 

49. Pecopteris unita, Bgt. S. Pedro da Cova. 

50. Pecopteris lanceolala, St. S. Pedro da Cova. 

Esta forma é considerada por Geinitz uma das que constituem o 
Cyatheites arborescens. 

31. Pecopteris abbreviata, Bgt. 

Considera Geinitz pertencer esta espécie de Brongniart ao Cya- 
theites Miltoni, Bgt., e do mesmo modo a que representámos na 
Flora Fóssil, tab. 3, f. \. Ahi dissemos (p. 2i) as razões que ti- 
nhamos para approximar antes esta ultima forma das do género 
Beinertia e do actual Gymnogramme. 

Selagines 

52. Stigmaria ficoides, Bgt. S. Pedro da Cova. 

A existência da forma ou variedade vulgaris d'esta espécie, que 
dissemos ser a que mais representa o nosso exemplar, ganha, diz 
Geinitz, em probabilidade pela falta de Sigillarias. Quanto á va- 
riedade inaequalis, Gôp., a que egualmente nos referimos (p. 27), 
diz o mesmo auctor pertencer a uma Sagenaria, á Sagenaria Vel- 
theimiana. St., com a qual em outros paizes frequentemente appa- 
rece, podendo então considerar-se ser as raizes d'esta Sagenaria. 
Em forma inteiramente análoga de Stigmaria apparecem as raizes 
da Sagenaria dichotoma, constituindo então a Stigmaria ficoides, 
var. minor. Gein. 

53. Sagenaria aculeata. St. S. Pedro da Cova. 

54. Sagenaria ovata. St. S. Pedro da Cova. 



10 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

íi"). Knorria imhrkala. St. S. Pedro da Cova. 

Sendo a determinação das três ultimas espécies, diz Geinilz, in- 
teiramente segura, seria isso prova de uma edade mais antiga de 
algumas das camadas pelo menos da bacia de S. Pedro da Cova, 
poi'que ambas essas Sagenarias apparecem nas zonas mais antigas 
da formação carbonífera, encontrando-se a Knorria imbricata só 
na zona a mais antiga de todas, juntamente com a Sagenaria Wel- 
theimiana e o Calamites transitionis, da existência dos quaes não 
ha todavia noticia nas formações carboníferas de S. Pedro da Cova 
ou n'oulras em Portugal. A determinação do exemplar que referi- 
mos á Knorria imbricata, único da coUecção e mau, confessamos 
não ter sido a que mais nos satisfez; não diremos outro tanto das 
outras duas determinações, especialmente a que se refere á Sage- 
naria aculeata, de que ha lambem um único exemplar, mas esse 
bem caracterisado. Por tudo que vem exposto deve porém ser este 
objecto novamente considerado, e é o que sem duvida eu ou al- 
gum outro não deixaremos de fazer, pois pende d'ahi a solução, 
como vimos, de uma questão geológica importante. 

[)Cf. Lycopodites piniformis, Bgt. Bussaco. 

O mesmo, diz Geinitz, que a Walchia piniformis, Schl. A exis- 
tência das duas Walchias provam a do Dyas inferior, pelo menos 
a presença das zonas mais superiores da formação carbonífera. 

o7. Lycopodites afjinis, Bgt. S. Pedro da Cova. 

O mesmo, diz Gpínitz, que a Walchia filiciformis, Schl. 



Palmae 

.■i8. Cordaites borassifoliiis. St. 

Resta fixar bem, segundo Geinitz, se será esta espécie, se o Cor- 
daites principalis, Gesmar, a de que se trata, por depender d'ahi 
a mais exacta determinação da zona que lhe serve de jazigo. 

59. Endogenites striata, L. et H. Bussaco. 

Reputa Geinitz ser esta forma, primeiro assignalada por Lindley 
e Hutton, a do eixo de um ramo, cuja determinação se não pôde, 
ter por segura, como não o é a do Angiodendron orientale, Eich- 
wald, a que também nos referimos (p. 31) deduzindo a observação 
da Lethaea Rnssica. 



PHYSICAS E NATURAES i 7 

60. Âsplenites elegans, Ett. S. Pedro da Cova. 

Noeggerathia, sp. Gomes, Fl. Foss., p. 32, tab. 2.^ f. 1 e 2. 

É também o Sphenopteris âsplenites, Giitbier, segundo Geinilz. 

Esta espécie que não podemos determinar e nos pareceu ter a 
forma das Noeggerathias, pela estampa que demos foi por Geinitz 
fixada do modo que fica indicado. 

61. Flahellaria Sternbergii, Ett. Abband der K. K. geol. Reicbsanst Bd. 
2. Steinkoble nflora von Radnitz, p. 59, tab. 24. f. 1, 2. S. Pedro 
da Cova, Bussaco. 

? Cijpcrites, species? Gomes, Fl. Foss. p. 32, tab. I, fig. 1, 2, 
3 ; tab. V, Og. 3. 

É a forma que na nossa collecção tem um bello exemplar que 
reproduzimos pela estampa, mas de que nos fora difíicil determi- 
nar a espécie. Muitas vezes tivemos presente a estampa de Eltin- 
gshausen sem nos occorrer que fosse a do nosso exemplar; mas é 
que esta estampa representa apenas alguns maus fragmentos de 
folha, e nós tínhamos presente um individuo muito mais completo; 
é todavia fora de duvida que os caracteres assignalados por Ettin- 
gshausen são os das folhas da nossa espécie, e que podemos bem 
acceitar para ella a determinação de Geinitz. 



Fructos 

62. Trigonocarpon Noeggerathi, Bgt. Tab. IV, f. 4 a, b. S. Pedro da 
Cova. 

63. Carpolithes, sp. Gomes, tab. IV, f. 2. Moinho d'Ordem. 

64. Rabdocarpos amygdalaeformis, Gõp. e Be. 1848. Moinho d'Ordem. 

Carpolithes sp. Gomes, tab. IV, f. 3. 

6o. Cyclocarpon, sp. Geinitz. S. Pedro da Cova. 
Carpolithes sp. Gomes, tab. IV, f. o. 

Ficando ainda d'este modo auxiliada por Geinitz a determinação 
das formas 64 e 65. 

As espécies assim assignaladas pelas 65 formas por nós enumera- 
das representam, segundo o nosso auctor, verdadeiramente 60 espécies, 
por quanto o Calamites tmdulatiis e o Calamites caimaeformis repu- 
ta-os a mesma espécie, o Diplazites longifolia e Diplazites emarginata 

JORN. DE SCIENC. MATH. PHYS. E flAT. — N. V. 2 



18 JORNAL DF. SCIEXriAS MATIIEMATICAS 

O são egualmenle, e porque refere o Cijathcites Schlolheimii em parte 
ao Cyatheites Candolleana e em pai'le ao Cijathcites arboresceiís, fuu- 
dindo-se além d'isso o Pecoptcris abbreviata no Cyatheites Miltoni, e o 
AsterophyUites tuherciilata em oulra espécie das indicadas pela forma 
que foi dito. 

É pois a revista critica que reproduzimos, um valioso additamento 
ao trabalho que fizemos, e um auxilio importante para os que hajam 
de continuar o estudo que emprehendemos da flora fóssil dos terrenos 
de carvão de pedra em Portugal. Por nossa parte não pôde senão li- 
songear-nos muito a attenção que mereceu ao auctor a publicação, tor- 
nando-se-nos de svil)ido apreço a abundância dos esclarecimentos e o 
modo benévolo por que nos foram dados. Receba por tudo o distineto 
professor de Dresde a expressão do nosso reconhecimento. 

DR. BERNARDINO ANTÓNIO GOMES 



PHYSICAS E xNATURAES 19 

2. Cala!o«o melliodico das plantas observadas em Porlngal 

POR 

CARLOS MAR]A GOMES MACHADO 

(CorilÍDuailo do pag. 300 do num. 4) 



Oíd. 5. (1\PPARÍDACE\E 

1. Cleomc L. 

1. C. violácea L. sp. 940; Vand. spn. 45; Brot. fl. lus. I. 589.— 
Trifolium Lusitanicnm corniciilatum, flore rubro Park. Theatr. H03. 
— T. Lusitanicnm bivalve flore rubro Moris. hist. Oxon. II. 289. — T. 
siiiquosum flore violáceo lusitanicum Barr. ic. 886. — Sinapistrum lu- 
sitanicum, triphyllum, flore rubro, siliquis corniciilatis Tourn. inst. 232. 
— Sclik. liand. t. 189 f. b. — Welw. it. lus. (1851) n.° 34; Macli. exs. 
n." 1082. 

InvineisagriOlisip. pr. Cacilhas (Wehv.!); insabulosistranstagum(Brot.); 
ad Mundae ripas arenosas (Brot. , Mach.). Ann, Âest. 

Capparis spinosa L. sp. 720; Vand. spn. 35; Brot. fl. lus. II. 256; 
Fig. fl. pharm. 290. — Rclib. ic. III. t. 19, f. 4487. —Mach. exs. 
n.° 1315. —[Alcaparras]. 

Colitur in liortis. Peren. Âest. 



0(1. 0. RESEDACEAE 

1. Reseda L. 

1. R. lutea L. sp. 645; Brot. fl. lus. II. 305. — Rchb. ic. II. t. 100, 
f. 4446. —Welw. it. lus. (1851) n." 55; Mach. exs. n.° 1346. 

In collibus c. Tavira! Faro! in arvis pr. Olisip. (Welw.!). Bisann. Maj. 
-Jul. 

2. 



20 JORNAL DE SCIEXCIAS MATHEMATICAS 

2. /?. macrosperma Rchb. in Flora (1830) pg. 130; Seub. fl. azor. 
44 n." 324. —R. phijteiímaNmá. spn. 31; Brot. íl. lus. II. 306; Fig. 
fl. pharm. 235. — Erucago apula Grisl. V. Lus. n.° 473. — Phyteuma 
lusitanica foliis asperis Tourn. hb. — Welw. un. it. (1840) n.'' 534; 
Mach. exs. n.° 67. 

In sabulosis Algarbiorum Tavira! pr. Olhão (Welw.!); c. 01isip.(Brot.); 
Conimbr.! et alibi. Peren. Apr.-Jun. 

3. R. cristalUna Webb et Berth. phyt. can. 102, t. 9. —Welw. 
un. it. (1840) n." 515. 

Inter segetes pr. Faro (Welw.). Bissann? Maj. 

4. R. 'alba L. sp. 645; Vaiul. spn. 31. —Rchb. 1. c. t. 100, 
f. 4447. 

In arenosis maritimis transtaganis a Tróia usque ad Comporta (Welw.). 
Bisann. 

5. R. glauca L. sp. 644; Bfol. fl. lus. II. 307 (ex Hofl"m.). — 
Fluk. Almag. 317, t. 107, f. 2. 

In montosis pr. Bragança et Mogadouro (HoíTm.). Peren. Jun.-Jul. 

6. R. luteola L. sp. 643; Vand. spn. 31; Brot. fl. lus. lí. 305; 
Fig. fl. pharm. 234; Lowe man. fl. of Mad. 42; Drouet cat. de la 
fl. des Açores 78. — Lutea hcrha sivc Luteola Grisl. V. Lus. n.° 914. 
—Rchb. 1. c. t. 99, f. 4442. —Mach. exs. n.° 68. — [Lirio dos tintu- 
reiros]. 

(3 crispata. — Sesamoides parvum flore luteo Grisl. V. Lus. n.° 
1317. — Luteola lusitanica, pumila, crispa Tourn. inst. 424. — Reseda 
undata\'ànà. spn. 31. — R. crispata Link en. alt. II. 8, n.° 52. — 
Bourg. exs. n.° 1782. 

In agris et segetibus c. Olisip. (Brot.); Conimbr.! et alibi in Extremadura 
et Beira (Brot.): var j3 in arvis Algarbiorum pr. Tavira! Faro (Welw., Bourg.! 
Mach.!). Bisann. Mart.-Jun. 



2. Astrocarpus Neck. 

1. A. Clusii Gay in aixh. fl. fr. et ali. F. Schutz (1842) pg. 33. — 
Sesamoides parvum Salmanticiim Clus. hist. I. 295; Grisl. V. Lus. 
n.° 1316. —Reseda purpurascens L. sp. 644; Vand. spn. 31; Brot. 



PHYSICAS K NATURAES 21 

n. lus. II. 307; Fig. fl. pharm. 236. —DC. ic. gall. l. 40. — Bourg. exs. 
n.° 1781 ; Mach. exs. n.° 09. 

|3 spatulae folia. — Astrocarpus cochlearifoUus Nyman in Ofvers. 
af K. Vet.-akad. Fõrh. (1861) n.° 4, pg. 191, t. 4. —Mach. exs. 
n.» 1374. 

In arenosis maritimis pr. Lagos (Bourg.!); Villa do Bispo (Welw.!); ad 
aggeres sabulosos c. Olisip. (Brot.); Conimbr.! etc: var. ,3 in arenosis mariti- 
mis pr. Sines (Welw., Sjogren.) ; in cabo Mondego (Carv.!). Peren. Maj.-Jun. 



Ord. 7. CISTACEAE 

1. Cistus Tourn. 

1. C. alhidus L. sp. 735; Vand. spn. 36; Brot. fl. lus. II. 258. — 
C. mas I. Clus. hist. I. 68; Grisl. V. Lus. n.° 360. — Rchb. ic. III. t. 39, 
f. 4565; Willk. ic. pi. Eur. Austr. Occ. II. t. 77. —Mach. exs. n.° 52. 
— [Roselha]. 

In collibus calcareis c. Olisip. (Brot.); serra da Arrábida (Welw.); al- 
deia dos Mouros pr. Setúbal (Link); serra de Cintra (Hochst.); pr. Souzel- 
las c. Conimbr.! etc. Peren. Apr.-Jun. 

2. C. albido-crispus Delil. et Gren. et Godr. fl. de fr. I. 163.— 
Welw. un. it. (1840) n." 437. 

In serra da Arrábida (Welw.). Peren. Maj. 

3. C. crispas L. sp. 737; Vand. spn. 36; Brot. fl. lus. II. 258. — 
C. mas V. Clus. hist. L 69. —Rchb 1. c. t. 38, f. 4564; Willk. 1. c. t. 78. 
—Welw. un. it. (1840) n.° 427 ; Mach. exs. n.'' 53. 

In montosis apricis fere totae Lusitaniae praecipue australis et centra- 
lis. Peren. Apr.-Jun. 

4. C. monspeliensis L. sp. 737 ; Brot. fl. lus. II. 260. - C. ledo?i V. 
Clus. hist. I. 79; Grisl. V. Lus. n." 370. —Willk. 1. c. t. 86. —Welw. 
un. it. (1840) n.*' 432; Mach. exs. n.'' 1351. 

In ericetis froquens praecipue australis et centralis. Peren. Apr.-Jun. 

5. C. hirsutus Lamk. ene. II. 17; Brot. fl. lus. II. 260. — C. ledon 
IV. Clus. hist. I. 78; Grisl. V. Lus. n.° 369. —C. laxus Brot. phyt. 



22 JORNAL DE SC]E.\C1\S .MATHEMATICAS 

iLis. I. 185, t. 73. — Willk. 1. c. t. 90. — Welw. un. il. (1840) n."425; 
Mach. e.KS. n.° 54. 

Ad margines silvarum in serra da Arrábida (Wclw.); in frulicelis et sil- 
vis ad Cintram (Hochst.); c. Conimbr. ! etc. Peren. Apr.-Jul. 



6. C. salviaefolms L. sp. 738; Vancl. spn. 36; Brot. 11. lus. II. 
239.— C. foemi?ia Clus. hist. I. 70; Grisl. V. Lus. n.° 361. —Willk. I. 
c. t. 91 et 92. —Hochst. pi. lus. exs. n.° 288; Mach. exs. n.° 63. 

In collibus totae Lusitaniae. Peren. Vère. 

7. C. popuUfoUus L. sp. 736; Brot. fl. lus. II. 260. —[Estevão]. 

a major. — C. leclon latifolium IL majus Clus. hist. 1. 78; 

Grisl. V. Lus. n.° 368. —Willk. 1. c. t. 94. f. 3. 
[3 minor. — C. ledon latifolium II. minor Clus. hist. I. 78. — 
, Willk. 1. c. t. 94, f. 1. — Bourg. exs. n.*' 1778; Mach. 

exs. D.° 1332. 

In serra da Grândola (Link bb. Berol.): var. minor in serra de Monclii- 
que (Link, Bourg.! Macb.!); inter Serpa et Mertola (Link); inter Cojam et 
Mundam (Brot.). Peren. Vère. 

8. C. ladaniferus L. sp. 737; Vand. spn. 36; Brot. fl. lus. II. 261; 
Fig. fl. phai™. 291. — C. ledon I. angustifoliiim Clus. hist. I. 77; Grisl. 
V. Lus. n." 367. —Willk. 1. c. t. 96 A. —Bourg. exs. n." 1779 et 1780; 
Mach. exs. n.° 33. —[Esteva, Xará]. 

In Lusitânia australe etccntrale freq. Peren. Yère. 

9. C. Bonrfjaeanus Coss. not. pi. crit. 30; Willk. 1. c. pg. 48, 
t. 99. — Bourg. exs. n." 1774; Mach. exs. n.° 143. 

In pinetis pr. Faro! (Welw., Bourg.!). Peren. Apr.-Maj. 

10. C. umbeUatus L. sp. 739; Vand. spn. 36. — Halimiim umbel- 
lattimV^ahh it. hisp. 70; Willk. 1. c. pg. 32, t. 100. 

X vulgare. — C. umbeUatus Brot. fl. lus. II. 263. — C. ledon 
rorismarim folio, flore albo Grisl. V. Lus. n.° 371. — 
Willd. hb. n.° 10193. 

{ò viscosim. —W\M. hb. n." 10193. 

'/ verticillatum.—C. ledon X. Clus. hist. I. 80. — C. verti- 



PHYSICAS E NATLRAES 23 

cillatus Biol. fl. Iiis. 11. 2G-2. — Welw. un. it. (1840) 
n." 428 et it. Iiis. (1831) n.° 36; Boiírg. oxs. ii.° 1777; 
Mach. exs. n.*" 64. 

In silvis et ericelis Extremadurae (Schousboe lib. Wilkl.); in cacumine 
do Gerez (Link hh. Berol., Brot.), var, vise. in montosis Extremadurae 
(Schousboe hb. Willd.):var. verticUlatnm in collibus arenosis Algarbiae pr. 
Faro (Link) et Loulé (Bourg.); in collibus aridis Transtaganis pr. Seixal et 
Arrentella (Welw.). Peren. Maj.-Jul. 

11. C. Ubanolis L. sp. 739; Vantl. spn. 36; Brot. 11. liis. II. 261. 
— C. ledon VIII. Clus. hist. l. 80; Grisl. V. Lus. n."^ 370. — Willk. 1. 
c. t. 101.— Welw. un. it. (1840) n." 429; Bourg. exs. n.° 1773; 
Mach. exs. n.° 914. 

In pinetis pr. Faro (Bourg.! Macli.!); transtagum (Link, HoUni., Brot., 
Wehv.! Mach.!). Peren. Apr.-Jul. 

■12. C. oajmoides Lamk. ene. II. 18; Brot. 11. lus. II. 263. —C. 
folio sampsuci Cius. hist. I. 72; Grisl. ^^ Lus. n.° 365. — C. algarbien- 
sis Bot. Mag. t. 627.— Willk. 1. c. t. 102. —Welw. un. it. (1840) 
n."' 431 et 434, et it. lus. (1831) n.° 43; Boui^g. exs. n.'' 1773; Mach. 
exs. n." 39. 

In Algarb. c. Monchique (Bourg.! Mach.!); in ericetis transtaganis pr. al- 
deia dos Mouros (Link); serra da Arrábida (Welw.!); c. Conimbr.! pr. Aveiro 
(Link). Peren. Yère et Aest. 

13. C. ali/ssoides Lamk. ene. II. 20. — Cistus scabrosifs Ail. h. kew. 
II. 236 ; Brot. íl. lus. II. 263. — HalimUm occideiiíale Willk. 1. c. pg. 39, 
t. 103 et lOi. —Mach. exs. n." 62. 

|3. cheiranthoides. — Cistus folio halimi sccundus Clus. hist. I. 71 ; 
GrisK V. Lus. d." 362. — C. cheirantoides Lamk. ene. II. 19; Bi^ot. 11. 
lus. ÍI. 264.— Mach. exs. n." 948. 

In dumetis glareosis Lusitaniae borealis: c. Porto (Link, Brot.); c. Ca- 
beceiras de Basto (Henr.!); in serra do Gerez (Link, HoíTm., Brot.): var. Ç^ 
in serra da Estrella! in depressioribus montosis Gerez (Link, Brot.!). Peren. 
Jun.-Jun. 

14. C. lasianthiis Lamk. ene. 11. 19; Brot. íL lus. lí. 264. —He- 
lianlhemiun humilius lusitanicum, halimi folio mgriorc, magno flore 
Ititeo Tourn. inst. 230. — H. Álgarviense halimifolio flore liileo, macula 



Z^ JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

punicante insignito Toiírn. 1. c. — Willk. 1. c. t. 105. — Welw. un. it. 
(1840) n.° 424. 

In ericetis transtaganis pr. Vendas Novas, Pegões, etc. (Link, HofTm.); in 
silvaticis pr. Olisip. (Hochst.); pr. cabo de Espichel (Welw.); in Exlrema- 
dura et Beira (Brot.). Peren. Maj.-Jul. 

15. C. halimifolius L. sp. 738;Vand. spn. 36; Brot. íl. lus. II. 
263. — C. folio halimi I. Chis. hist. I. 71; Grisl. V. Lus. n.° 362. — 
Willk. 1. c. t. 107. —Welw. un. it. (1840) n." 424 c, et it. lus. (1851) 
n.° 44; Bourg. exs. n.^ 1776; Mach. exs. n.° 915. — [Sargaça]. 

In littore Algarbiensi pr. Lagos (Bourg.!); in pinetis transtaganis (Welw.l 
Brot.); pr. Olisip. (Link); et in glareosis maritimis usque ad Aveiro (Brot., 
Mach.!). Peren. Jun.-Jul. 

16. C. involucratiis Lamk. ene. II. 20; Brot. íl. lus. II. 265.— 
Willk. 1. c. t. 108. 

In dumetis glareosis c. Yizcu, Vouzella, e alibi in Beira (Juss., Brot.) 
Peren. Jun.-Jul. 

2. Heliauthemum Tourn. 

1. H. tuheraria Mill. dict. n.° 10. —Cistus humilis plantaginis 
folio Grisl. Y. Lus. n.° 363. —C. tuheraria L. sp. 741 ; Vand. spn. 36; 
Brot. íl. lus. II. 268. —Willk. 1. c. t. 110. —Welw. un. it. (1840) 
n.° 439, et it. lus. (1851) n.° 50; Bourg. exs. n." 1766; Mach. exs. 
n.° 57. —[Alçar]. 

In ericetis Algarbiorum ad cabo de S.Vicente (Bourg. 1), serra da Foia 
(Link); in dumetis c. Setúbal 1 Cintra (Welw.t); cabo Mondego! c. Conimbr.l 
Bussaco! Cabeceiras de Basto (Henr.l). Peren. Apr.J-un. 

2. H. globulariaefolium Pers. ench. II. 77. — H. lusitanicmi, glo- 
bulariae folio Tourn. inst. 250. — Cistus globulariaefolius Lamk. ene. 
II. 22; Brot. íl. lus. II. 267. —Willk. 1. c. t. 11. —Bourg. exs. 
n." 1767; Mach. exs. n.° 573. 

In silvis montosis pr. Loulé (Bourg.!); inter Bemposta et Arouca (Brot.); 
pr. Cabeceiras de Basto (Henr.!); serra do Gerez (Link, Brot.). Peren. Apr.- 
Jul. 

3. H. guttatum^\\\\. dict. n.° 18. — Cistus annuuiis //Clus. hist. I. 
11.— C. giittattis L. sp. 742; Brot. íl. lus. II. 268. —Willk. I. c. 



. PllYSlCAS E NATURAES 20 

l. 11-2-114.— Welw. un. it. (1840) 426 et 433; Bourg, exs. n.^ 1768 
et 1769; Macli. exs. ii.° 58. 

ín tota fere Lusitânia! Ann. Vére. 

4. H. buphmrifolium Dun. in DC. Prod. I. 270. — H. Ivsitani- 
cum hiiple uri folio flore muculato Tourn. inst. 250. — Cistus btipleiíri- 
folius Lamk. ene. II. 22. — Willk. 1. c. t. 115. — Bourg. exs. n.° 1770. 

In Algarbiis pr. Leulé (Bourg. !); iranstag. pr. Fornos deEl-Rei (Welw.). 
Peren. Apr.-Maj. 

5. H. niloticum Pers. ench. II. 78. — Cistus annuus 1. Clus. hist. I. 
76; Grisl. V. Lus. n.° 358. —C. ledifolim L. sp. 742; Brot. fl. lus. II. 
271. —C. niloticus L. mant. 246. —Willk. 1. c. t. 120 et 121. — 
Welw. un. it, (1840) n.° 430; Bourg. exs. n.'' 1772; Mach. exs. n.° 1358. 

lo incultis Algarbiorura pr. Farol Lagos (Bourg. I); in collibus c. Olisip. 
(Link, Welw.); inter Carnaxide et Bellas (Brot.). Ann. Yére. 

6. H. intermedium Thib. in DC. Prod. I. 272. — Cistus salicifo- 
lius Cav. ic. II. 35, t. 144; Brot. íl. lus. II. 272? —Willk. l. c. t. 123 B. 
—Welw. it. lus. (1851) n.° 37; Mach. exs. n.° 1051. 

In Algarbiis (Link); in agro Olisip. (Link, Welw.!). Ann. Vére. 

7. H. aegtjptiacum Mill. dict. n." 23. — Cistus aegyptiacus L. sp. 
742; Brot. fl. lus. II. 272 (ex Link). —Willk. l. c. t. 124 B. 

In Algarbiis et ericetis transtaganis pr. Alcácer do Sal (HoíTm., Link). 
Ann. Vére. 

8. H. pilosum Pers. ench. II. 79. — Cistus pilosus L. sp. 744. — 
Willk. l. c. t. 132 et 133. 

In Lusitânia (HoíTm.). Peren. Maj-Jul. 

9. //. apeiminum DC. fl. fr. IV. 824. — Cistus apenmnus L. sp. 
744.— Willk. 1. c. t. 137 et 138 A. —Welw. it. lus. (1851) n." 38; 
Mach. exs. n." 1050. 

In pinetis aridis transtaganis inter Coina cl Vendas (Welw.l). Peren. Jun. 

10. //. viilgare Gaertn. fruct. et sem. pi. I. t. 76. — Cistus humi- 
lis sampsuchi folio Grisl. V. Lus. n." 364. — C. helianthenmm L. sp. 744; 
Vand. spn. 36; Brot. fl. lus. II. 269. — Rchb. l. c. t. 30, f. 4547. 

In collibus inter Bussaco et Vizeu ; c. serra da Estrella (Brot.); pr. 
Porto (Link). Peren. Jun.-Jul. 



2G JORXAL DE SClEiXCIAS ilATIlEMATICAS 

11. H. gluncum Pers. ench. II. 78. — Cisliis staecliadifulius Brot. 
fl. lus. II. 270. — Willk 1. c. t. 144, f. 2. 

In sabulosis translaganis pr. Sines (Brot.); inter Alcácer do Sal et Grân- 
dola (Link, Brot.); ad cabo de Espiche! (Linli). Peren. Yére. 

12. //. hlítum Pers. ench. II. 79. — Cistns hirltis L. sp. 744; Cav. 
ic. II. 37, t. 146. —Willk. 1. c. t. 147. 

In Lusitânia (Schrader hb. Berol.). Peren. Mart-Jun. 
Obs. Willk. 1. c. pag. 131 considera o Cistns hispidiis Brot. fl. 
lus. 271 como uma forma hybrida. 

13. lí. marifoliiim Dun. in DC. Prod. I. 277. — CistKs marifo- 
lius L. sp. 741 ; Brot. fl. lus. II. 2G0. — Barr. ic. t. 441; Willk. 1. c. 
t. 138. — Welw. it. lus. (1851) n.° 35; Mach. exs. n." 1052. 

In dumetis Algarb. pr. Moncarrapaxo (Welw.!); in serra da Arrábida 
(Brot.). Peren. Yère. 

14. H. origanifolium Pers. ench. II. 7G. —Cistns origcmifolius 
Lamk. ene. II. 20; Cav. ic. III. 31, t. 262, f. 1; Brot. fl. lus. II. 266 
(ex Lamk.). 

In cabo de S. Vicente (Juss.). Peren. 

15. H. fnmana Mill. dict. n.° 6. — Chamaecistns 6. Clus. hist. I. 
75. —Cistus fnmana L. sp. 740; Brot. fl. lus. 11. 267. — Rchb. 1. c. 
t. 26, f. 4531. 

In collibus pr. Antanhol c. Conimbr. (Brot.). Peren. Aest. 

16. H. laevipes Pers. ench. II. 76. — Cistus laevipes L. sp. 739; 
Brot. fl. lus. II. 267. —Rchb. 1. c. t. 29, f. 4540. —Welw. it. lus. 
(1851) n." 46; Mach. exs. n.° 1043. 

In montosis pr. Faro! Tavira (Welw.!); serra da Arrábida (Welw.I); in 
Transmontana (Brot.). Peren. Apr.-Maj. 

47. H. thymifoUum Pers. ench. II. 79. —Cistus thymifolius L. sp. 
743; Vand. spn. 36; Brot. fl. lus. II. 269. —Rchb. 1. c. t. 30, f. 4544. 
—Welw. it. lus. (1851) n.° 47; Mach. exs. n.° 1049. 

In collibus siccis c. Faro! serra da Arrábida (Welw.!); ad Antanhol c. 
Conimbr. (Brot.). Peren. Maj.-Jun. 



THVSICAS K .NATURAES 27 

Oixl. 8. VIOLACEAE 

1. Viola L. 

1. V. palustris Giisl. V. Lus. ii.*^ 1486; L. sp. 1324; Vand. spn. 57 ; 
Drouet cat. de la fl. des Açores 79. — Rclib. ic. II. t. 2, f. 4491. — 
Mach. exs. n.'^ 1030. 

In Cabeceiras de Baslo (Henr.!). Peren. Jul. 

2. ]'. idigiiíosa Sclirad. n. journ. 4. 80?— Wehv. hb. acad. 
n.° lolo. 

In sponiíiosis da serra da Estrella pr. lagoa do cântaro gordo fru([. 
(Wehv.). Peren. Aug. 

3. V. hirta L. sp. 1324; Brot. fl. lus. I. 305. —V. jnressi Link 
iii Sclirad. n. journ.? 

In serra do Gerez ad ri[)as rivorum freq. (Brot.). Peren. Jun. 

4. V. odorata L. sp. 1324; Vand. spn. 57; Brot. fl. lus. I. 305; 
Fig. fl. pharm. 83; Seub. fl. azor. 44 n.° 325. — F. martia viilgaris et 
flore albo Grisl. V. Lus. n.'' 1478 et 1479. — Rchb. I. c. t. 8, f. 4498. 
— Welw. hb. acad. n.° 1513; Mach. exs. n.° 873. — [Violas, violettas]. 

In castanetis de Monchique (Brot.); serra de Cintra, Collares (Welw.!) ; 
c. Conimbr. ! Peren. Mart.-Maj. 

5. V. sj/lveslris Lamk. fl. fr. II. 680. — V. montana inodora Grisl. 
V. Lus. n.° 1480. — F. canina Vand. spn. 57; Brot. fl. lus. I. 305; Fig. 
fl. pharm. 87. —Rchb. 1. c. t. 12, f. 4503. —Wehv. hb. acad. n.° 1514; 
Mach. exs. n.*' 65. —[Violetas bravas, Beneffes]. 

In castanetis pr. Monchique! (Wehv.); in silvis umbrosis da serra da Ar- 
rábida et Cintra (Welw.); c. Conimbr.! Peron. Mart.-Jun. 

6. V. lancifolia Thore Chi. Land. 357. — V. lusitana Brot. fl. 
lus. 1. 30G; et phyt. lus. I. 39, t. 17. — F. rupii Brot. fl. lus. I. 305 
(ex Link). —Welw. hb. acad. u." 1516; Mach. exs. n.° 242. 

In ulicetis uliginosis pr. Grândola (Welw.); c. Conimbr. (Brot.); et in 
Beira boreali pr. Gerez (Link). Peren. Apr.-Maj. 

7. F. arborescens L. sp. 1325; Vand. spn. 57; Brot. fl. lus. I. 
306 (ex Iloffm.). — Barr. ic. t. 508. 

In cabo de S. Vicente (Hoffm.). Peren. Vére. 



28 JORNAL DE SCIFNCIAS MATHEMATICAS 

8. V. tricolor L. sp. 1326; Vand. spn. 57; Drouel cat. de la fl. des 
Açores 79. — Rchb. 1. c. t. 21, f. 4517. — Welw. hb. acad. n." 1512. 
— [Amor perfeito]. 

a tricolor. — V. tricolor hertemis Lusitana et major Bélgica 

Grisl. V. Lus. n.° 1482-3. —V. tricolor Brot. íl. lus. I. 

306; Fig. fl. pharm. 85. 
j3 arvensis. — F. tricolor vineanim, Transtagana Grisl. V. 

Lus. n.° 1485. —V. arvensis Brot. fl. lus. I. 306. 
y trimestris. — F. tricolor trimestris variorum coloriim elegans 

Grisl. V. Lus. n.° 1484. — F. Demetria Boiss. voy. 73. 
In arvis totae fere Lusitaniae! Ann. Apr.-Jun. 

9. F. lutea Smith brit. I. 248. — F. tricolor var. flore omnino lu- 
íeo Herminii Brot. I. c. —Rchb. 1. c. t. 23, f. 4519. —Welw. hb. acad. 
n.° 1512. 

Ad rupes da serra da Estrella pr. Sabugueiro sparsim (Brot., Welw.). 
Peren. Jun.-Jul. 



Ord. 9. POLYGALACEAE 

1. Polygala L. 

1. P. rupestris Pourr. act. Toul. III. 325. (1788). —P. saxatilis 
Desf. fl. atl. II. 128, t. 175 (1799); Webb. it. hisp. 66. —Rchb. 
ic. XVII, t. 1351, f. 1. 

Inter arbusta arenae auriferae trans Tagum (Webb). Peren. 

2. P. vulgaris L. sp. 986; Brot. fl. lus. II. 29; Fig. fl. pharm. 
388; Hoffm. et Link fl. port. L 277; Seub. fl. azor. 46 n." 344. — 
Rchb. 1. c. t. 1344. —Mach. exs. n.° 71. —[Polygala]. 

ín dumetis et montosis c. Conimbr.I et alibi in Lusitânia boreali (Brot.). 
Peren. Mart.-Jun. 

3. P. nicoeensis Risso ex Kock Synop. 98. — Welw. un. it. (1847) 
n.° 64. 

In serra da Picota pr. Monchique (Welw.). Peren. Jun. 

4. P. monspeliaca L. sp. 987; Vand. spn. 47; Brot. fl. lus. II. 
29; et phyt. lus. II. 216, t. 175 (copiata); Hofí"m. et Link fl. port. I. 



PHYSICAS E NATURAES 29 

278, t. 55. — Rchb. I. c. t. 1345, f. 1. — Welw. il. lus. (1851) 
n.° 5-2; Mach. exs. n.° 1044. 

In collibus c. Olisip. (Link, Brot.); serra de Cintra (Welw.); Caldas 
da Rainha (Link); Conimbr.l Ourentã (Carv.!), et alibi. Ann. Maj.-Jun. 

5. P. microphylla L. sp. 989; Vand. spn. 47; Brot. íl. lus. II. 30; 
et phyt. lus. II. 214, t. 175 (copiata); Hoffm. et Link íl. port. I. 279, 
t. 56;\Yebb it. hisp. 66. — P. seu fios ambervaUs Lusit. Grisl. V. Lus. 
n.° 1172. — P. lusilanica frtitesccm, magno flore foliis minimis Touro, 
inst. 175, — Macli. exs. n." 72. 

In ericetis pr. Vendas Novas (Link); inter Lousã et Corvo, c. Poiares, 
Torres (Brot.); c. Conimbr. ! Braga et alibi in Minho (Link). Peren. Mart.- 
Jun. 

Or.l. 10. FRA^kE\IA(]EAE 

1. Frankenla L. 

1. F. pulverulenta L. sp. 474; Brot. íl. lus. I. 556 (ex Hoffm.); 
Seub. íl. azor. 44 n.° 326 ; Lowe man. íl. of Mad. 48. —AnthijlUs va- 
lentina Clus. hist. II. 186, f. 2. — EngL bot. t. 2222. —Welw. hb. 
acad. ri.*^ 1507. 

In salinis pr. Faro (Welw.!); insulis taganis et ad salinas de Barroca 
d'Alva (Welw.!); in fonte salso pr. Rio Maior (Hoíím.). Ann. Maj.-Jul. 

2. F. Boissieri Reut. in Boiss. voy. suppl. 721. — F. glomerulata 
Coss. not. pi. crit. 30. — Bourg. exs. n.° 1784; Mach. exs. n.° 916. 

In maritimis pr. Faro! (Bourg.!). Peren. Jul. 

3. F. hirsuta L. sp. 474. —F. laevis L. sp. 473; Vand. spn. 22; 
Brot. fl. lus. I. 556; Lowe man. íl. of Mad. 48. —F. capitata 'Wehh 
et Berth. phyt. Can. 131, t. 16. — Herniaria marina Lusitana Grisl. 
V. Lus. n." 728. — Polygonum serpilU folio Loh. Grisl. I. c. n.° 1177. 
—Welw. hb. acad. n.° 1509-11; Mach. exs. n." 73 et 1064. 

Ad salinas Al garb. pr. Olhão, Faro, Villa Nova de Portimão (Welw.!); freq. 
ad Tagum! (Welw.!): pr. Figueira! etc. Peren. Aest. 



30 JORNAL DE SCISNCIAS MATFIKMATíCAS 

Od. ll.SILEMCEAE 

Trib. I. Sileneae 

1. Velezia L. 

1. V. rígida L. sp. 474; Brot. íl. lus. I. 413. — Rchb. ic. VI. l. 246, 
f. 3007. — Wehv. it. lus. (1851) n.° C8; Mncb. exs. n.° 80. 

In monlosis c. Faro! inter segetes pr. Olisip. (Wclw.!); pr. coenobium 
Thereziarum ad Conimbr. (Brot.). Ann. Ma].-Jul. 

2. Dianlhns L. 

•1. D. prolifer L. sp. 387; Yand. sp. 29; Brot. fl. lus. II. 176?; 
Lowe man. íl. of Mad. 30. —Rchb. 1. c. t. 247, f. 3009. — Mach. exs. 
n.'' 1339. 

In Algarbiis pr. Faro! (Bourg.). Ann. Vòre. 

2. D. velutimis Guss. ind. sem. hort. Bocc. 1823, et pi. rar. 166, 
t. 32. —Rchb. 1. c. t. 247, f. 5010. —Mach. exs. n.'' 95. 

In viis, arvis, ele. freq. c. Conimbr.! Ann. Vère. 
Obs. Brotero na sua flora lusltanica confundiu sem duvida estas 
duas espécies, que aliás são mui similhantes. 

3. I). toletanus Boiss. et Reut. Diagn. pi. nov. n.*' 8; Willk. 1. c. 
19, t. 11 A. —Mach. exs. n.° 1360. 

In serra do Bussaco! Peren. Aest. 

4. /). cintranus Boiss. et Reut. pug. 20; Willk. 1. c. 18, t. 10. 
—Wehv. un. it. n.° 223. 

In glareosis rupestribus lateris meridionalis da serra de Cintra (Welw.!). 
Peren. 

5. D. lusitanicns Brot. fl. lus. II. 177; et phyt. lus. I. 173, 1. 70; 
Willk. I. c. 8, t. 2. —Caryophylhis montanus minor, elegans Grisl. 
V. Lus. n." 290. —Mach. exs. n.° 96. 

In serra da Lousã c. Vizeu (Brot.); in serra da Estrella! Peren. Jun.- 
Jul. 



PIIYSICAS E NATURAEí 



31 



6. D. Broteri Boiss. et Reut. piig. 2^2. —D. fmhrialm Brot. fl. 
lus. II. 177. —D. serrulalns Boiss. voy. 84, t. 22. —CarijophyUiis 
mantanus major Grisl. V. Lus. n.° 289. — Wehv. it. lus. (1831) n.° 67; 
Bourg. exs. n." 1793. 

In asperis Algarb. pr. Villa Nova de Portimão (Wehv.!) ; pr. Loulé 
(Bourg.!); in Extreraadura pr. Monlagraço (Brot.). Peren. Jun.-Jul. 

7. D. gallicus Pers. encli. I. 495; Webb it. hisp. 62. —DC. ic. 
gall. rar. 12, t. 41. 

In montosis do cabo da Roca (Webb). Peren. 

^. Tiinica Scop. 

1. T. saxi fraga Scop. fl. carn. I. 300. —Dianthus montanus ca- 
pillari folio Grisl. V. Lus. n." 291. —D. saxífragm L. sp. ed. I. 413. 
—D. fíliformis Lamk. fl. fr. 11. 537; Brot. fl. lus. II. 177. — Rclib. 1. 
c. t. 247, f. 5006 b. — Mach. exs. n.° 94. 

In collibus et agris pr. Porto et alibi in Duriminia ot Transmontana 
(Brot.). Peren. Aest. 

4. Saponaria L. 

4. S. officimdis L. sp. 384; Vand. spn. 29; Brot. fl. lus. II. 175; 
Fig. fl. pliarm. 218. —Saponaria Grisl. V. Lus. n.° 1262. — Rchb. 1. 
c. t. 245, f. 4993. — Macb. exs. n." 93. — [Saboeira]. 

In umbrosis humidis c. Conimbr. ! pr. Lamego! etc. Peren. Maj.-Jun. 

2. S. vaccaria L. sp. 585; Bi^ot fl. lus. II. 175. — Lychnis segetim 
sive vaccaria Grisl. V. Lus. n.° 918. — L. perfoliata, foUiculo pentagojio 
Grisl. 1. c. n." 929. —Vaccaria flore rubro Lob. Grisl. 1. c. n.° 1453. — 
Rchb. 1. c. t. 245, f. 4991. —Macb. exs. n.° 1221. 

,3 granai flora. — Vaccaria grandi flora Jaub. et Spach lUustr. 
pi. Or. III. t. 231. — Welw. un. it. n." 450. 

In Algarbiis! c. Olisip.! Conimbr., Condeixa et alibi in Beira (Brot.); in 
Bussacol var. (3 inter segetes pr. Moncarrapaxo (Welw.). Ann. Vère. 

5. Silene L. 

1. S. inflata Smith brit. 467; Seub. fl. azor. 45 n.° 335; Lowe 
man. fl. of Mad. 52 (var. y). — Lychnis segetum sive Polemonitim Dod. 



32 JORNAL DE SCIEXCIAS MATHEMATICAS 

Grisl. V. Liis. n.° 919. — Cucubalus hehen L. sp. 591; Brot. fl. lus. n. 
180. — Rchb. 1. c. t. 299, f. 5120. — Mach. exs. n.'' 75. — [Herva tra- 
queira]. 

In agris, sep. silvis per totam Lusitaniam freq.l Peren. Vère el Aest. 

2. S. maritimaWiih. bot. arrang. 414; Webb it. hisp. 63. — S. 
inflata y Lowe man. fl. of Mad. 53. — Cucubalus hehen fi L. sp. 591. — 
a hehen Brot. 1. c. in obs. —Rchb. 1. c. t. 299, f. 5119. 

In arena maris ad ostia Durii (Webb). Peren. 

3. S. vespertina Retz. obs. bot. III, pg. 31. — S. hispidaBesí. fl. 
atl. I. 248; Moris fl. sard. I. 257 t. 19. — Willk. 1. c. t. 29 A. — Welw. 
it. lus. (1851) n.°69; Mach. exs. n." 1279. 

Inter segetes pr. Porcalhota (Welw.); in arvis Yaccaricae (A. de Carv.!) 
Ann. Jun. 

4. S. gallica L. sp. 595. — S. lusitanka L. sp. 184; Brot. fl. lus. I. 
184. — Viscago hirsuta lusitanica stellato flore Dill. Eltli. 420, t. 311, 
f. 401.— Rchb. 1. c. t. 272. — Bourg. exs. n." 1789; Mach. exs. 
n.° 76. 

In incultis pr. Faro! (Bourg.!); in agris, sabulosis, etc. c. Olisip.! Go- 
nimbr. ! etc. Ann. Apr.-Jun. 

5. S. tridentnia Desf. fl. atl. 1. 349; Willk. 1. c. I. 51, t. 36. —Ly- 
chnis sylvestris VI. Clus. hist. I. 290. — W'ehv. un. it. n.° 505. 

In segelibus pr. Olhão (Welw.!). Ann. Maj. 

6. S. nocturna L. sp. 595; Brot. fl. lus. II. 183; Willk. l. c. 68, 
t. 50; Lowe man. fl. of Mad. 51. —Rchb. 1. c. t. 274, f. 5059. —Welw. 
it. lus. (1851) n.° 72; Mach. exs. n." 1028. 

In sterilibus Algarb. pr. Faro (Welw.!); in agris et ad vias c. Olisip. 
(Welw.) ; c. Conimbr. et alibi in Extremadura et Beira (Brot.). Ann. Vére. 

7. S. Mrs2/ía Lag.Varied. ann. 2 n.°22, pg. 212;etGen. etsp. 15 
n.° 189; Boiss. voy. 89, —S. laxifLora Brot. fl. lus. II. 188. — S. sa-^ 
huletorum Link in Spreng. nov. prov. 39. —Willk. 1. c. t. 29. — 
Welw. it. lus. (1851) n.° 74; Bourg. exs. n.° 1890; Mach. exs. n." 78. 

In arvis sabulosis pr. Faro! (Bourg.!); in pinetis aridis transtaganis pr. 
Fornos d'El-Rei (Welw.); inter segetes pr. Cellas c. Conimbr.! in serrada Es- 
irella! Ann. Vère. Aest. 



PHYSIGAS E NATURAES 33 

8. S. micropetala Lag. Varied. ann. 2 n." 22. pg. 212; et Gen. 
et sp. pi. 15 n.° 190. — S. micrantha Link. — S. vestita Soy-Will. et 
Godr. Silen. Alg. 20 (1851); et Exp. se. en Algerie (botan.) t. 81, f. 2. 
— Bourg. exs. n.*' 1792; Mach. exs. n.° 1062. 

In arvis arenosis c. Faro! (Welw.! Bourg.!); pr. Ourentã (A. de Carv.!). 
Ann. Vère. 

9. S. pendida L. sp. 599? — S. scabrijlora Brol. íl. lus. II. 184; 
et phyt. lus. I. 177, t. 72. 

In inacris et sabulosis transtaganis; ad ripas Mundae etDurii, et alibi 
in Beira et Extremadura (Brot.). Ann. Yòrc. 

10. S. littorea Brot. íl. lus. II. 186; Willk. 1. c. 49, t. 34.— 
S. villúsa '^ nana Cambess. Bal. t. 13; Boiss. voy. 90. — S. Cambes- 
sedesii Boiss. et Beut. pug. pi. riov. 18 et 130. — Lijchnis sylvestris 
marina flore purpiireo ptdcherrimo Grisl. V. Lus. n.° 67. — L. mariti- 
ma, amiua, hispânica, salicis folio Tourn. inst. 338. — Macli. exs. 
M." 77. 

In arenosis mariíimis ad Tagum pr. Alfeite (Holl.); Barreiro! Figueira! 
Ann. Vère. 

11. S. lasiostyla Boiss. Diagn. pi. or. 9. 79; et pug. pi. nov. 17; 
Willk. I. c. 40, t. 26. — S. villosa Boiss. voy. 90. 

In arenosis montosis (Guthnikc). Ann. Maj.-Juj. 

12. S. bipartita Desf. ,6 lasiocalyx Soy. Will. et Godr. Silen. 
Alg. 26. — S. distachya Brot. íl. lus. II. 189; et phyt. lus. I. 175, 
t. 71. — S. vespertina Salzm. It. ting. fase. III; Webb it. hisp. 63; Boiss. 
voy. 98. —Willk. 1. c. t. 30 C. D. —Bourg. exs. n.° 1788; Mach. exs. 
n.° 979. 

In incultis pr. Faro! (Bourg.!); Tavira! c. Portalegre! ad sepes et inoli- 
\etis pr. Coniinbr. et alibi in Beira (Brot.). Ann. Vêre. 

13. S. longicaulis Pourr. in Elench. hort. reg. Mad. 1803; Willk. 
1. c. 61, t. 44 B. —Bourg. exs. n." 1790; Mach. exs. n.° 1061. 

In arenosis maritimis pr. Faro (Bourg.!); in arvis pr. Barreiro! inter se- 
geies agri Olisip. rarior (Welw. bb. Coss.). Ann. Mart.-Apr. 

14. S. apetalamm. sp. pi. II. 307; Willk. 1, c. 53, t. 38 B. — 
Bchb. 1. c. t. 275, f. 5060. —Mach. exs. n.'' 1353. 

JORJÍ, DE SCIENC. MATH. PHYS. E NAT. — N. V. 3 



34 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

(5 grandiflora. — S. pallidiflora Link. — S. Lagascae Boiss. in Welw. 
pi. lus. exs. 

Insterilibus Algarb. pr. Farol (Welw.I Bourg.!); inagroOlisip. (Welw.) : 
var. j3 ia arvis transtaganis pr. Cacilhas (Welw. hb. Coss.). Ann. Apr.-Maj. 

15. S. elegans Link in Brot. íl. lus. II. 185; Willk. 1. c. 71, 
t. 52 A. — Mach. exs. n.° 952. 

In serra da Estrella pr. Cântaros (Link, Welw., Mach.I). Peren. Jun.- 
Aug. 

16. S. foetida Link. — S. fimata var. Brot. íl. lus. II. 187. — 
S. macrorhiza Gay. 

In rupibus da serra da Estrella et Gerez (Brot.). Ann. 

17. S. ramosissima Desf. íl. alt. I. 354; Willk. 1. c. 54, t. 39 A. 

— Welw. un. it. n.° 216. 

In arenosis pr. Villa Nova de Portimão (Welw.). Poren.? Maj. 

18. S. nicoeemis Ali. fl. ped. II. 81, t. 44, f. 2; Brot. Q. lus. n. 191. 

— S. aremriaDesf. £1. atl. I. 354. — Lychnis sylvestris marina hirsuta, 
flore alho Grisl. V. Lus. n.° 921. — Rchb. 1. c. t. 278, f. 5065. —Bourg. 
exs. n." 1791; Mach. exs. n." 131. 

In arenosis maritimis pr. Faro! (Welw.I Bourg.!); translagum (Brot.). 
Ann. Maj.-Jun. 

19. S. fiiscata Link in Brot. íl. lus. II. 187; Moris íl. sard. L 
250, t. 15; Wilk. 1. c. 65, t. 48 A. — Hochst. pi. lus. exs. n.° 270. 

Inter segetes agri Olisip. freq. (Hochst., Welw.I); c. Óbidos et alibi in 
Exlremadura (Brot.). Ann. Vère 

20. S. nibella L. sp. 600; Vand. spn. 29; Brot. fl. lus. II. 188; 
Willk. 1. c. 66, t. 48 B. — Lychnis stjlvestris flosculo rubro vix con- 
spícuo Grisl. V. Lus. n." 927. — Viscago liisitanica flore riibello vix con- 
spicuo Dill. Elth. 442, t. 313, f. 403. —Rchb. 1. c. t. 284, f. 5078.— 
Hochst. pi. lus. exs. n.° 269. 

In Algarb. pr. Loulé (Bourg.! hb. Coss.); inter segetes pr. Olisip. 
(Hochst.); transtagura (Brot.). Ann. Vère. 

21. S. portensis L. sp. 600; Vand. spn, 29; Brot. fl. lus. IL 192. 



PHYSICAS E NATURAES 35 

— Rchb. 1. c. t. 28í:J, f. 5074. — Welw. it. lus. (1851) n.*' 70; Bourg. 
exs. n.° 1786; Mach. exs. n.° 79. 

In arenosis pr. Faro! (Bourg. I); inter segetes Extremadurae pr. Caldas 
da Rainha (Welw.!); pr. Cellas c. Coninibr.! Porto et alibi (Brot.). Ann. Vere 
et Aest. 

22. S. inaperta L. sp. 600; Vand. spn. 29; Brot. fl. lus. II. 188; 
Lowe man. fl. of Mad. 54; Willk. 1. c. 53, t. 38 A. — Rclib. 1. c. 
t. 281, f. 5073. 

Ad ripas Durii pr. Porto, et alibi in Lusit. boreali (Brot.). Ann. Jun.- 
Jul. 

23. S. cretica L. sp. 601. —Rchb. 1. c. t. 282 b, f. 5076 b. — 
Mach. exs. n." 1167. 

Inter linos pr. Abrunheira (A. de Carv. I). Ann. Apr. 

24. S. muscipiila L. sp. 601 ; Vand. spn. 29. — LycJmis sylvestris 
III. Clus. hist. I. 280. —Rchb. 1. c. t. 283, f. 5077. —Welw. it. lus. 
(1851) n.° 73; Mach. exs. n.° 1350. 

Inter segetes pr. Faro! (Welw.!); in calcareis argillosis pr. Ourentã 
(A. de Carv.!). Ann. Maj.-Jun. 

25. 5. stricta L. sp. 599; Brot. fl. lus. II. 187 (exLÍDk). —S.pte- 
ropleura Boiss. et Reut. pug. pi. nov. 18; Wiilk. 1. c. 56, t. 40. 

In agris pr. Bemfica c. Olisip. (Link). Ann. Vère. 

26. S. mellifera Boiss. et Reut. diagn. pi. nov. 8 ; Welw. 1. c. 63, 
t. 46. —Bourg. exs. n.*» 1787. 

In serra de Monchique (Bourg.!). Peren. Jun.-Jul. 

Obs. A S. viridiflora L. sp. 597 dada por L. como indígena não 
me consta tenha sido encontrada por alguém em Portugal. A espécie 
precedente, pela sua affinidade, podia talvez ter dado logar a qualquer 
confusão. 

27. S. longicilia Otth. in DC. Prod. I. 377. — Lychnis sylvestris 
viscosa flore alho perennis Grisl. V. Lus. n.° 930. — Cucubalus longi- 
cilius Brot. fl. lus. II. 180. —Welw. it. lus. (1851) n.° 71 ; Mach. exs. 
n.° 81. 

Ad aggeres c, Olisip. (Brot.); in serra de Cintra (Welw.!); inter segetes 
c. Gonimbr.I Peren. Apr.-Jun. 

3» 



36 JORNAL DE SCIENGIAS MATHEMATíCAS 

28. S. nutans L. sp. 596; Brot. íl. lus. II. 193, —Lychnis sylves- 
tris IX. Clus. hist. I. 291. — Rchb. l. c. t. 295, f. 5108. — Mach. exs. 
n.'' 82. 

In montosis silvaticis Lusit. borealis; ad Durium c. Porto (Brot.). Peren. 
Maj.-Jul. 

G. Cucubaliis L. 

1. C. bacciferus L. sp. 591. — Alsine repens major Clus. hist. II. 
183, f. 2. — A. máxima Grisl. V. Lus. n.^ôG. — SUene baccifera Brol. 
f\. lus. II. 183. —Rchb. 1. c. t. 302, f. 5122. —Mach. exs. n.° 74. 

In umbrosis silvaticis, sepibus et ad ripas Mundae inVilla Franca pr. Co- 
nimbr.! pr. Cabeceiras de Basto (Henr.!). Peren. Jun.-Jnl. 

7. lychnis L. 

4. L. vespertina Sibth. fl. oxon. 146. — L. dioica L. sp. 626 
var. j3; Vand. spn. 30; Brot. £1. lus. II. 222. — L. sylveslris flore albo 
vnlgatissimo Grisl. V. Lus. n." 916. —Rchb. 1. c. t. 304, f. 5125.— 
Mach. exs. n.° 90. 

In sepibus, agris, viis, etc, totae fere Lusitaniae! Peren. Vère et Aest. 

2. L. diiirnaSMh. íl. oxon. 145. — L. dioica L. sp. 626 var. a; 
Brot. fl. lus. II. 222 var. 2. —Rchb. 1. c. t. 304, f. 5126. —Mach. exs. 
II." 89. 

In Lusitânia boreali (Brot.): c. Cabeceiras de Basto (Henr.!). Peren. 
Aest. 

3. L. divarícata Rchb. ic. crit. IV, t. 303. — L. macrocarpa Boiss. 
et Reut. Bibl. univ. gen. 1842; voy. bot. suppl. 722; et diagn. pi. nov. 8. 
— Expl. de TAlg. (botan.) t. 80, f. 1. — Bourg. exs. n.° 1785; Mach. 
exs. n.*' 817. 

In arvis pr. Lagos (Bourg.!). Peren. Maj.-Jun. 

4. L. laeta Ait. h. Kew. II. 118; Brot. phyt. lus. 1. 183, t. 74. — 
L. pahtstris folliculo striato Grisl. V. Lus. n." 928; Tourn. inst. 339. — 
L. palustris Brot. fl. lus. II. 221. — Willk. 1. c. t. 15 B. — Welw. it. lus. 
(1851) n.° 75; Mach. exs. n.° 88. 

In uliginosiset pratisudis: rariustranstagum (Brot.): pr. Cintra (Welw.) ; 
Caparica (Brot.) ;Gellasc. Conimbr.! Porto et alibi in Beira et Duriminia (Brot.), 
Ann. Vère. 



PHYSICAS E NATURAES 37 

5. L. flos-cuculi L. sp. 62o; Brot. íl. lus. II. 221. —Odontitis Pli- 
nii simplicí flore Clus. hist. I. 292. — Rchb. 1. c. t. 306, f. 5129. — 
Mach. exs. n.° 91. 

In humidis et subumbrosis pr. Alcobaça (Brot.) ; Cellas c, Conimbr.! et 
alibi in Extremadura et Beira (Brot.). Peren. Maj.- Jun. 

6. L. coronária Lamk. ene. III. 643. — L. coronária flore rubro, 
alho, cárneo Grisl. V. Lus. n.*' 915. — Agrostemma coronária L. sp. 625; 
Vand. spn. 30; Brot. íl. lus. II. 220. —Rchb. 1. c. t. 308, f. 5133. — 

[Candelária dos jardins, Beijos de freira]. 

Ad ima montium c. Bussaco et alibi in Beira boreali (Brot.). Bisan. Jun. 
-Jul. 

7. L. githago Lamk. ene. III. 643. — L. segeUim sive negeUas- 
trum Grisl. V. Lus. n.° 917 et 818. — Agrostemma githago L. sp. 624; 
Vand. spn. 30; Brot. fl. lus. II. 220; Lowe man. íl. of Mad. 54. — 
Rchb. 1. c. t. 308, f. 5132. —Mach. exs. n.° 92. — [Nigella bastarda, 
Nigeila dos trigos]. 

Inter segetes in tola Lusitânia! Ann. Vère. 

(Conlinua) 



38 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



III. ZOOLOGIA 



Aves das possessões portuguezas dlfrica occideolal 
que existem no Museu de Lisboa 



J. V. BARBOZA DU BOCAGE 



TERCEIRA LISTA * 

São ainda do districto de Mossamedes, porém de duas regiões si- 
tuadas mais no interior, as aves que incluimos na presente lista. Umas 
são o fructo da exploração do sr. Anchieta na Biballa e localidades cir- 
curavisinhas, as outras foram coUigidas pelo mesmo infatigável natura- 
lista no ponto extremo da nossa occupação para o interior, na HtMa, 
que é considerada pela amenidade do seu clima como o paraizo da nossa 
Africa Occidental. 

A. Aves da Biballa e Maconjo 

Das condições topographicas d'esla região diz-nos o sr. Anchieta 
O seguinte: 

«A Biballa está situada n"um plano bastante ondulado contíguo á 
serra de Chella. Sulcado de ribeiros que nascem dos plan'altos d'esta 
serra, este solo de alluvião é revesiido de arvoredo, que nos togares 
mais húmidos se torna frondoso e mui diíQcil de penetrar. A varias dis- 
tancias encontram-se rochedos que se elevam a algumas dezenas de me- 
tros, sommadas porém as suas bases, vê-se que apenas representam uma 
pequena parte d'este fertillissimo terreno, o qual, participando da pe- 

^ Veja-se Jornal de sciencias Mathematicas, Physicas e Naturaes, num. 11, 
pag. 129 e nurn. IV, pag. 324. 



PHYSICAS E NATURAES 39 

riodicidade das chuvas do interior, reúne todas as condições indispen- 
sáveis para a producção das mais valiosas plantas intertropicaes. 

«Esta localidade não cede em importância zoológica ás outras que 
lenho percorrido n'esle concelho; parecendo differir menos nos mammi- 
feros, distingue-se sobre tudo por diversas espécies de aves que por em 
quanto não havia encontrado n'outra parte. A sua erpetologia oíferece 
também espécies que não encontrei nos pontos já explorados. Em pei- 
xes é tão pobre como todas as outras partes d"este concelho. Parece 
ser muito abundante em insectos, porém n'este mez (novembro) ainda 
estão pela maior parte atrasados era seu desenvolvimento.» 

Esta região foi explorada nos mezes de novembro e dezembro de 
1867. 

As espécies que não levam designação de localidade são da Biballa. 

1. Buteo aupralis. Salvadori. (Descr, di ali. nuovi sp. de Uccelli. 1866, 

pag- 7) 

Buteo Delalandii. Bocage. fJorn. de scienc. math., pliysic. e nat., 
num. 2, março de 1867, pag. 130) 

Um exemplar 5 em plumagem de transição. Concorda perfeita- 
mente nos caracteres, bem como o exemplar S juv. que preceden- 
mente descrevemos, com os da espécie recentemente creada por 
Salvadori. 

íris cor de laranja, tarso e cera cor de gemma d'ovo não muito 
viva. Foi capturado no Maconjo onde lhe chamam Kimhanze. 

2. Aqaila BonelHí. La Marm. 

Um exemplar $ perfeitamente adulta. íris amarello-esverdeada. 
Nome vulgar Lucoi. 

3. Circaetns cinereus. Vieill. 

Circaetus fiinereus. Rúpp. ISeiie Wirbellh., pi. 14. 

Um exemplar $. íris cor de gemma d'ovo, tarso achumbado. Ca- 
pturado em Maconjo. Nome vulgar Kingakiadiulo. 

4. Milvns aegyptias. (Gm.) 

Dois exemplares S e $, ambos jovens. íris parda, tarso ama- 
rello. Nome vulgar Kikuambi. 

5. Elanns raelanoplerus. (Dand.) 

Um exemplar S. Nome vulgar Kahahtila. É ave, diz-nos o sr. 



40 JORNAL DE SCIENXIAS MATIIEMATICAS 

Anchieta, de muita coragem, bate-se com vantagem com outras de 
muito maior corpo. 

6. Mjcronisus zonarius. (Tem.) 

Accipiter polyzomis. 0. des Murs. konogr. ornith., pi. 61. 
Um exemplar J. íris amarella; cera, pálpebras e tarso de um 
amarello sujo. 

7. Scops capensis. A. Smith. 

Sc. zorca africamis. Schlegel. 

Dois exemplares $ em mau estado, capturados um em Maconjo 
outro na Biballa. O primeiro traz o nome de Kakoko, o segundo 
de Mimingo. íris cor de gemma d ovo. 

Concorda nas dimensões relativas das pennas da asa e nas cores 
com os caracteres attribuidos geralmente a esta espécie; não apre- 
senta porém o dedo médio vestido de pennas até á segunda pha- 
lange, caracter de que Ilartlaub e Bonaparte fazem menção, e pa- 
recem considerar como distinctivo d'esta espécie. 

8. Semeiophorus vcxillarius. Gould. 

Um exemplar $ em mau estado. Iiis castanho-avermelhado. Nome 
vulgar Sumbamba. 

9. Cypselus apus. L. 

Um exemplar jun. do rio Chimba. 

10. Hirundo Monteirii. Hartl. (Ibis. 18G2, pag. 340) 

Um exemplar J. íris castanho-escuro. 

1 1 . Cotyle fuligula. (Licht.) 

Dois exemplares S e j. íris castanho-escuro. N. vulgar Kapiapia, 

12. Halcyon striolata. (Licht.) 

Dois exemplares J. íris castanho. Rio Chimba, Nome vulgar Simbo, 

13. Apaloderma narina. Swains. 

Dois exemplares. Nome vulgar Kiingamba-muxito e Kiçai. 

14. Ipupa capensis. Swains. 

Um exemplar S. íris castanho escuro. Nome vulgar Luhuihuú 



PHYSICAS E NATURAES 



41 



lo. Nectariuea nalalensis. Jard. 

Um exemplar S do rio Cliimba e outro $ de Maconjo. Nome vul- 
gar Mariapmdo. 

16. NectariDca venusta. (Shaw.) 

Dois exemplares S e $. 

17. Nectariuea Ludovicensis. Nov. sp, 

Nect. Johannae. Verr. similis, sed diversa: supra aurato-viri- 
dis, mento, gula juguloque concoloribus ; faseia stricta pectorali 
violáceo chalihea; pectore et epigastrio sangimieis, fasciculis axil- 
laribus flavis; ventre crissoque cinereis; ifiterscapulio tectricibus- 
que caiidae superioribiis violaceo-chalybeis ; cauda supra nitide ni- 
gra, sub certa luce fasciolata; alis nigricantibus ; rostro elongato 
pedibusque nigris. 

Lorig. tota— 0^116, rostri — 0™,020, alae— 0",062, caudae 
— 0^44, tarsi— 0'",016. 

Um único exemplar 5. Nome vulgar Kanjoi. 

18. Drymoica Anchietae. Nov. sp. 

Supra cum teclricibus alae rufescente-brumiea, nigro maculala; 
superciliis protractis albis; macula auriculari fusca alba lenuiter 
striata; gula alba vitta ntrinque longitudinali nigra; jugulo pe~ 
ct&reque fulvescente-albis, maculis sparsis triangularibus nigris; 
iiropygio, aMomine crissoque cinnamomeis; remigibus brunneis 
rufescente extus Umbatis; cauda valde gradata, rectricibus dua- 
bus mediis olivaceis fusco- fasciolatis, reliquiis nigris, extimis dua- 
bus macula lata opicali rufescente-grisea notatis; subalaribus cin- 
namomeis; maxilla nigra, mandibula albicante; pedibus carneis; 
iride fusca anmilo externo pallidiori. 

Long. tota— O^llO, rostri — 0%017, alae — 0'",070, caudae 
— 0^085, tarsi— 0'",024. 

D'esta notável espécie, que julgo inédita, com quanto se appro- 
xime de outras já conhecidas, como são as D. fortirostris. Jard. o 
D. robusta, D. erythrogenys, D. nacvia. Riipp., recebi apenas um 
exemplar $ com o nome indígena de Kakinakina. É ave de arri- 
bação á Biballa na época em que o sr. Anchieta visitou aquella lo- 
calidade. 



42 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

19. Sylvietta microura. Rúpp. 

Um exemplar era mau estado. íris amarello d'ambar. Nome vul- 
gar Kikuandiata. 

20. Melaniparus leucopterus. (Sw.) 

Muitos exemplares. íris castanho. Nome vulgar Kacelekete, Ki- 
ruamba. A julgar pelo numero dos exemplares que recebemos deve 
abundar muito esta espécie na Biballa e localidades limitrophes. 

21. Lanioturdus torquatus. Waterh. 

Vários exemplares sem nome vulgar. íris amarello muito vivo. 

22. Zosterops senegalensis. Bp. 

Um exemplar í. íris pardo-claro. 

23. Cossipba natalensis. A. Smith. 

Um exemplar J. Nome vulgar Maxoxolo. Ave de arribação do 
interior. 

24. Cossypha. Nov. sp. 

Um exemplar t. Nome vulgar Maxoxolo. Ave de arribação do 
interior. 

Esta espécie, bem distincta por ter a cauda uniformemente rui- 
va, foi enviada em communicação ao dr. Hartlaub, de Bremen, e 
será proximamente descripta por este eminente ornithologista. 



25. Oriolus galbula. L. 

Ura excraplar juv. íris pardo. Norae vulgar Kimuxoco. 

26. Trichophoras flavÍTeníer. Smith. 

Três exemplares. íris cor de chocolate. Nome vulgar Dicole. 

27. Phyllastrephus capensis. Swains. 

Dois exemplares do rio Chimba com o norae de Katete, outros 
dois de Biballa com o de Kipoto. íris pardo. 

28. Tchitrea cristata. (Gm.) 

Vários exemplares em plumagem de transição. íris castanho; ca- 
runcula pendente da pálpebra inferior azul. N. vulgar Katanbuixe. 



PHYSIGAS E NATURAES 43 

29. Platystira pririt. (Vieill.) 

Dois exemplares J e 5. O primeiro com o nome vulgar de Ka- 
loqueio, o segundo com o de Kapongui. 

30. Mnscicapa modesta. Hartl.? 

Três exemplares. íris castanho. Nome vulgar Kaíiétié. 

31. Campephaga nigra. Yieill. 

Um exemplar S (inteiramente negro sem malha escapular cor de 
laranja). íris parda. Nome vulgar Melombe. 

32. Campephaga xanthorQoides. Cab. 

Ura exemplar $ (negro e com a malha escapular cor de laranja), 
íris parda. Nome vulgar Bimbe. 

Gurney, no artigo que publicou no jornal Ibis acerca de algumas 
aves da colónia do Natal (Ibis, 1864, pag. 350), hesita em acceitar 
a identificação proposta por Hartlaub da C. nigra e C. ocanthor- 
noides, que este auctor considera simplesmente como differenças 
sexuaes; e funda-se principalmente em ter examinado dois indivi- 
dues machos inteiramente negros, como os descreve Levaillant. Por 
idêntica razão nos decidimos também a manter distinctas as duas 
espécies. 

33. Ceblepyris phoenicea. Lath. 

Dois exemplares. íris pardo. Nome vulgar Temboandangui. 

34. Enneoctonus collurio. Bóie. 

Dois exemplares $ e 5. íris castanho. Nome Milgar Kitiapi. 

35. Telephonus trivirgatus. Smith. 

Um exemplar S. íris cor de chocolate com um annel interno gre- 
delim. Rio Chiraba. Nome vulgar Kiçuandaçuala. 

36. Laniarins chrysogaster. Sw. 

Um exemplar S. Nome vulgar Dicole. 

37. Dryoscopns gottatus. Hartl. 

Dois exemplares. Nome vulgar Kikacia. 



44 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

38. Dryoscopus cubla. (Siiaw.) 

Vários exemplares em mau estado. Nome vulgar Kikundo. 

39. Pholidauges leucogaster. (Gm.) 

Um exemplar S. íris pardo. Nome vulgar Giroé. 

Comparando-o com outros da mesma espécie mas d'outras loca- 
lidades acho-lhe uma notável superioridade na estatura. Egual re- 
paro tenho feito acerca de outras aves d'esta mesma região, o que 
me faz acreditar que se dão ali condições por extremo favoráveis 
á nutrição e desenvolvimento das espécies ornithologicas. 

40. Plocepasser mahali. Smilh. 

Dois exemplares de Maconjo e de Bibalia. íris castanho-averme- 
lliado. 

41. Estrelda angolensis. I3p. 

Um exemplar 5. íris gredelim claro. Nome vulgar Kaxcxc. 

42. Estrelda quartiuia. Bp.? 

Estr. Dufresnii simillima, supra transversim undulata, abdo- 
mine crissoque flavissimis. Foem. gula alba. 
Dois exemplares S e $. Nome vulgar Raxcquenguc 

43. Pytelia elegans. Strickl. 

l'm exemplar. Nome vulgar Kangunjo. 

44. Fringillaria flaviventris. (Veill.) 

Vários exemplares. íris castanho. Nome vulgar Kixeráu. 

45. Frigillaria septemstriata. (Riipp.) 

Um exemplar em mau estado. íris castanho. Nome vulgar Kan- 
gua. Descem em novembro e dezembro á Bibalia dos plan'allos 
do interior, onde as chuvas começam mais cedo. 

46. Chrithagra chrjsopjga. Sw. 

Quatro exemplares. íris castanho. Nome vulgar Kianja. 

47. Colius caslanolus. Verr. 

Dois exemplares em mau estado. Nome vulgar Xipipi. 



PHYSICAS E NATURAES 



45 



48. Coritliaix Livingstonii. (Gray) 

Três exemplares. íris cor de caffé; pálpebras encarnadas, bico 
cor de coral sujo. Nome vulgar Andua. 

49. Tockus melanoleucus. (Licht.) 

Um exemplar. íris amarello. 

50. Po(joDÍas personalus. Tem. 

Um exemplar. íris vermelho. Raro : vive na proximidade das ri- 
beiras. Nome vulgar Kixibacóle. 

ol. Barbatula chrysocoma. (Tem.) 

Um exemplar. íris gredelim. 

32. Poeoceplialus Mejeri. (Riipp.) 

Um exemplar $ juv. íris cor de chocolate com um annel externo 
mais claro. 

53. Dendrobates nigroguiaris. Bocage. (Jorn. de scienc. malh., physic. e 
nat., tom. I, p. 336) 

Um exemplar S. Nome vulgar Bancjida. 

54. Dendrobates KrucpJ. (Malh.)? 

Chnjsopiciis Brucei. Malh. Monogr. Picidés, tom. II, pi. 93. 

Dendrobates Abingtoni? (Jorn. de scienc. math., phijs. e nat., 
tom. I, pag. 336) 

Referimos primeiro a medo os exemplares que recebemos d'esta 
espécie ao P. Abingtoni. Sraith : o dr. Hartlaub, a quem enviámos 
um d'esses exemplares, crê com razão que condizem melhor nos 
caracteres com o Chrysopiciis Briicei; porém ainda assim não te- 
mos esta diagnose por segura, attenta a deficiência da descripção 
de Mallierbe, que não dispensa a comparação directa com exem- 
plares d'esta espécie. 

55. Dendi-obates fulviscapas. (III.) 

Um exemplar. íris vermelho. Nome vulgar Banqnla. 

56. Cuculus canorus. L. 

Diversos exemplares. Nome vulgar Kinkanja. 



46 JORNAL DE SCIENCIAS i\L\THEMATlCAS 

57. Cuculus clamosus. Lath. 

Dois exemplares S e 5 em mau estado. Nome vulgar Anditdu. 

58. Oxylophus serraíus. Sparm. 

Vários exemplares. íris castanho. Nome vulgar Kimpurulla. 

59. Chrysococcyx Klaasii. Cuv. 

Um exemplar $. íris pardo. Nome vulgar Katendi. 

60. Treron calva. Tern. 

Três exemplares í. íris azul pedrez, mas desmaiado na fêmea; 
cera cor de coral, tarso cor de laranja. Nome vulgar Hutuhuto. 

61. Tortur erythroprhys. Sw. 

Um exemplar. íris castanho com um annel interior avermelhado. 

62. Coturnix histriónica. Hartl. 

Um exemplar $. íris pardo-avermelhado, tarso cor de carne. Do 
rio Chimba, onde vive em logares pedregosos. Nome vulgar Dixo- 
xolo. 

63. Pterocles bicinctus. Tem. 

Três exemplares, um $ e duas 5. íris castanho: bico e tarsos 
amarellos, pálpebras da mesma cor, porém mais viva. Nome vul- 
gar Kanhango, 

64. Ardetta Sturmii. Wagl. 

Um exemplar S. íris vermelho ; espaço nu da face e bico ama- 
rello sujo, maxilla córnea, tarso amarello-esverdeado. Raro na Bi- 
balla, mas abunda mais no exterior. Nome vulgar Tambokitata. 

65. Scopus umbretta. Gm. 

Um exemplar. íris castanho-avermeihado. Nome vulgar Kahumba. 

66. Rhynchaca capensis. L. 

Um exemplar. Nome vulgar Munzoni. 

67. lymnocorax flavirostris. Sw. 

Um exemplar $. Nome vulgar Kakulxixi. 



PHYSICAS E NATURAES 47 

B. Aves da Huilla 

í. Aquila Desnmrsii. J. Verr. 

Um exemplar 5 sem nome vulgar. íris pardo-amarellado com 
um circulo externo gredelim escuro, cera e dedos dum amarello 
esverdeado. 

2. Tinnunculas rupicoins. (Daud.) 

Três exemplares, um S e duas $. íris cor de chocolate, cera e 
tarso amarello vivo. Nome vulgar Katebi. 

3. Elanns melanopterns. (Daud.) 

Um exemplar 5. íris vermelho rutilante, cera e tarso amarello 
desmaiado. Nome vulgar Liicoi. 

4. Erythropns vespertinos. (L.) 

Uma magniflca serie de sexos e edades. Nome vulgar Katebi. 

5. Micronísas moDogrammicns. (Tem.) 

Um exemplar S. Nome vulgar Lucoi. 

6. Circus ranivorns. Viell. 

Um exemplar S imperfeitamente adulto, sem nome vulgar. íris 
amarello, cera escura, tarso amarello sujo. 

7. Otns capensis. Smith. 

Dois exemplares í e $. íris castanho escuro. É vulgar e consi- 
derada de mau agoiro pelos negros. Nome vulgar Éculo. 

8. Hirando capensis. Gm. 

Um exemplar. íris cor de chocolate. 

9. Himndo angolensis. Nov. sp. 

Corpore supra fasciaque pectorali splendide chalibeo-nigris, 
fronte, mento guttureque castaneis; abdomine cinereo- fusco, mé- 
dio albicante; subcatidalibus obsmrioribus, mfescente-albo margi- 
natis et macula parva ante-apicali nigra notatis; subalaribus ni- 
gris vel nigricantibus ; cauda furçata, rectricum pogoniis inter- 



48 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

nis, mediis exccptis, macula magna alba; rostro nlgro: iride. 
fusca. 

H. rusticae et H. cahiricae affinis, sed abdoraiiie fusco-cineras- 
cente et subalaribus nigris distincta. 

Long. tota— 0"',160, alae — 0'",i22, rectr. ext. — 0"\060. 

Um exemplar $ não perfeitamente adulto. Nome vulgar Piapia. 

10. Merops bullockoides. Smith. 

Um exemplar í. íris castanho. Nome vulgar Teanconge. 

41. Pratiiicola rubicola. (L.) 

Um exemplar 5 sem nome vulgar. 

12. Macrony\ flavigaster. Sw. 

Dois exemplares í. Nome vulgar Musango, 

13. Craleropus Hartlaiibii. Nov. sp. 

Stibntfescente-brwmeus, pileo obscuriori, phimis cinerescenle 
limbalis, spatio ante-oculari fusco; gutturis pectorisque plumis 
stria longitudinali brunnea notatis; abdomine, iiropigio crissoque 
rtifescente-albis, illo maculis magnis lanceolatis bnmneis, his im- 
maculatis; remigibiis rufescente-brunneis, marginibus internis pal- 
lidae rups; cauda rufescente-brimnea: iride rubra, rostro,, pedi- 
Imsque validis nigris. 

Long. tota — 0™,240, rostri — O-^.OSS, alae — OriOT, caudae 
O'", 105, tarsi — O^OSS. 

Um exemplar Z adulto. Nome vulgar Eoioi. 

14. l'rolestes cyssoides. (Liclit.) 

Um exemplar S em mau estado e sem nome vulgar. íris casta- 
nho. 

15. Urobracliia axíllarls. Smith. 

Vários exemplares. Nome vulgar Lelc. 

16. Estrelda quartiaia. Bp.? 

Um exemplar J. íris vermelho-escuro. Nome vulgar Titi. 

17. MegalophoQus occideníalis. Hartl. 

Um exemplar $. íris pardo claro. Nome vulgar Kirnle. 



PllYSICAS E NATURAES 49 

Í8. Schizorhis eoHCoIor. Smith. 

Um exemplar. Nome vulgar (que imita o canlo da ave) Quelc. 

19. Pogonias personatus. Tern. 

Dois exemplares. íris vermelho. Nome vulgar Tungula. 

20. Columba Irigonigera. Bp. 

Um exemplar $. íris amarello, pálpebras encarnadas, cera, tarso 
e dedos amarellos. Nome vulgar Valameio. 

21. Pternisíes Sclaterii. Bocage. (Jorn. de se. math., phys. e nat. tom. I, 

pag. 327, est. VI) 

Um exemplar S. Nome vulgar Onguari. 
Tem exactamente as cores da fêmea, mas avantaja-se-lhe um 
pouco na estatura. 

22. Hopioptcrus ai-malus. 

Um exemplar S. íris pardo, tarso preto. Nome vulgar Xikerikeri. 

23. Lobivanellus senegallus. (L.) 

Um exemplar $. íris amarello sujo com um anncl externo pardo 
escuro, carunculas amarellas, tarso e dedos amarello-esverdeado. 
Nome vulgar Xikerikeri. 

24. Rhynchaea capensis. (L.) 

Um exemplar $. 

2o. Gallinago angolensis. Nov. sp. 

Similis quoad colores G. aequatoriali. Riipp., sed major et. ras- 
tro valde longiori; plumis axillaribus uiveis, scapis nigris; rectri- 
cibus tribus externis albis, pogonio externo maculis brmmeis no- 
tatis, extime vix 0"',001 lata. 

Long. tota — 0™,332, alae — O"",!'*!, caudae — 0"\0G3, tarsi 
0'",037, rostri— 0'",092. 

Temos presente um exemplar da G. aeqiiatorialis. Rupp. da 
Abyssinia, e outro da G. nigripemús. Bp. do Cabo da Boa-Espe- 
rança, espécies que Schlegel considera idênticas, e a meu ver com 
bastante fundamento. Comparando o nosso exemplar com estes dois 
encontro-lhe as differenças que ficam apontadas na breve diagnose 

JORN. DE SCIENC. MATH. PIIYS. E NAT. — N. Y. 4 



50 JORNAL DE SCIEXCIAS MATHEMATICAS 

acima transcripta, e das quaes me parece resultar prova sufíiciente 
a favor da sua distincção especifica. 

26. Alias flayirostris. Smith. , 

Um exemplar J sem nome vulgar, íris castanho-claro. 



PHYSICAS E NATURAES 51 



2. Catalogo dos peixes de Porliigal que exisícm no Miimi k Lisboa^ 



FÉLIX DE BRITO CAPELLO 



Fiun. GOBilDAE 

Genus (íobius. Arlédi 

85. Gobius niger. Caboz. 

Cuv. et Vai. Ilisloire naturcUc dcs poíssoiis, XII, 9. 
Yarrell, British fishes, II, .318, fig. (3.* ed.) 
Qlhr. Cat. of Acanlh. fishes, III, M. 

Vulgar. Vários indivíduos dos mares da Ericeira (exploração zooló- 
gica de I8()o). 

86. Gobius capito. Caboz. 

Cuv. et Vai. Wstoire natureUe des poissons, XII, 21. 
Guichenot. Explorai, scient. de VÁlgérie, — poissons, p. 76. 
Glhr. Cat. of Acanlh. fishes, III, 55. 
Raro. Alguns indivíduos obtidos no mercado de Lisboa. 

Genus Callionyiims. L. 

87. Callionymus lyra. Peixe-pau, Peixe-pimcnfa. 

Glhr. Cal. o f Acanlh. fishes, III, 139. 
Cuv. et Vai. Histoire naturelle des poissons, XII, 2G6. 
Yarrell, British fishes, II, 310, fig. (3.^ ed.) 
(Call. dracimciihts auctor.) 

Pouco vulgar. Um individuo de Setúbal enviado em 1863 pelo sr. 
João de Brito; vários exemplares obtidos no mercado em Lisboa. 

' Vid. Jorn. de scioic. math., phys. e nat., tom. I, num. Ill, pag. 233, e 
num. IV, pag. 307. 



52 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEJIATICAS 

Fam. BATRACHIDAE 

Genus Balraclms. Schn. 

88. Batraclius didaotylus. Charrôco. 

Gthr. Cat. of Acanth. fishes, III, 171. 

Bat. AJrjcriensis. Guichenot. Explorai, scient. de VAlgérie, — pois- 
sons, tab. 5. 

Vulgarissimo. 

a. Var. ? flavus. Um individuo totalmente amarello obtido no mer- 
cado de Lisboa. 

89. Batraclius tau. Charrôco. 
(Fide Lowei). 

Fam. PEIHCILATIDAE 

Genus LopliiiiS. Arlédi 

90. Lopliius piscatorius. Tamboril. 

Lacép. I, tab. 13, fig. 1. 

Cuv. et Vai. Ilistoire naliirelle cies poissons, XÍI, 344, tab. 362, 

Bp. Fauna Itálica, — pesei, tab. 21, íig. 4. 

Yarrell, British fishes, II, 388, fig. (3.-'^ ed.) 

Gthr. Cat. o f Acanth. fishes, III, 179. 

Pouco vulgar. 

Fam. BLE^^IIDAE 

Genus Bleiíiiius. 

91. Blennius pholis. Caboz. 

Yarrell, British fishes, II, 366, fig. (3."^ ed.) 
Gthr. Cat. of Acanth. fishes, II, 226. 
Pholis loevis. Cuv. et Vai. Hist. natur. des poissons, XI, 269. 
Vulgarissimo. Vários indivíduos dos mares da Ericeira e de Setú- 
bal (explorações zoológicas de 1865 e 1868). 

92. Blennius pavo. Judia. 

Cuv. et Vai. Histoire naturelle des poissons, XI, 238, tab. 323. 
Gthr. Cat. o f Acanth. fishes, ÍII, 221. 



PIIYSICAS E .\ATURAES 53 

Raro. Dois individues : um enviado de Setúbal pelo sr. Gamitto ; 
o outro proveniente do j^Iontijo. 

93. Blennius tentacula^ris. Cahoz. 

Cuv. et Vai. Histoire Naturelle cies poissons, XI, 212, tab. 319. 

Gthr. Cat. of. Acanth. fishes, III, 213. 

Raro. Um individuo obtido no mercado de Lisboa. 

Fam. ATIIERI^IDAE 

Genus Atlieriíia. Artédi 
94 Atherina presbiter. Peixe-rei. 

Cuv. et Vai. Histoire naturelle des poissons, \, 439, tab. 305. 
Gthr. Cat. of Acanth. fishes, III, 392. 
■ Vulgar. 

93. Atherina Boyerii. 

(Fide Steindachnerij. 

Ainda não alcançámos exemplar algum d'esta espécie que o dr. 
Steindachner diz ter encontrado no Tejo, próximo de Santarém (Ichthyol. 
Bericht iiber eine nach Spanien und Portugal tintem. Reise, I8GG, p. 
21). 

Fam. MLGILIDAE 

Genus Mugil. Artédi 

96. Mug"il cephalus. Tainha (nome genérico vulgar), Fataça 
(individuo de gi'andes dimensões), Mugiieira (nome especial). 

Rp. Fauna itálica, — pesei, tab. 7, fig. 1. 

Cuv. et Vai. Histoire naturelle des poissons, XI, 19, tab. 307. 

Gthr. Cat. of Acanth. fishes, III, 417. 

Vulgar: apparece durante todo o anno. 

97. Mugil capito. Tainha, Fataça, Bicudo. 

Rp. Fauna Itálica, — pesei, tab. 8, fig. 1. 

Cuv. et Vai. Histoire naturelle des poissons, XI, 3G, tab. 308. 

Yarrell, British fiishes, II, 173, fig. (3.^ ed.) 

Gthr. Cat. of Acanth. fishes, IIÍ, 439. 

Vulgar: apparece durante todo o anno. 



54 JORNAL DE SCIEXCIAS MATIIEMATICAS 

98. Miig'il auratus. Tainha, Muge, Garrento. 

Bp. Fauna Itálica, — pesei, tab. 8, fig. 2, 3. 

Ciiv. et Vai. Histoire natureUe des poissons, XI, 43, tab. 308. 

Gthr. Cat of Acantli. fishes, III, 442. 

Vulgar: apparece em abundância durante todo o anno. 

99. Mugil clielo. Tainha, Fatara, Corvéo. 

Bp. Fauna Itálica, — pesei, tab. 7. fig. 2. 

Cuv. et Vai. Histoire natureUe des poissons, XI, 50, tab. 309. 

Gthr. Cat. of Acanth. fishes, III, 4o4. 

Vulgar: apparece durante todo o anno. 

100. Mugil constantiae ? Ilhalvo. 

Cuv. et Vai. Histoire natureUe des poissons, XI, 107. 

Smilh. ///. Zool. South Africa, —fishes, tab. 28. 

Gthr. Cat. of Acanth. fishes. III, 418. 

Um individuo proveniente do mercado de Lisboa. 

N>ste género, talvez mais que em qualquer outro, torna-se bas- 
tante diflicil, senão impossível, reconhecer uma espécie á vista de um 
só individuo. Limitamo-nos pois por agora a registar a possibiUdade da 
existência d'esta espécie nos nossos mares, reservando-nos para quando 
obtivermos mais alguns exemplares, decidir se o iUialvo é uma simples 
variedade, talvez mesmo accidental do M. cephalus, ou se pertence á es- 
pécie do Gabo, 

Diremos comtudo que, além das differenças que notámos entre os 
caracteres do exemplar em questão e os de alguns indivíduos do M. ce- 
phalus, acresce a circumstancia de ser aquelle peixe nomeado e por 
consequência perfeitamente differençado pelos pescadores. 

Fam. TRICHO^OTIME 

Genus Cepola. Lin. 

101. Cepola rubescens. Nom. vulg. ? 

Yarrell, British fishes, II, 305, fig. (3.* ed.) 
Cuv. et Vai. Histoire natureUe des poissons, X, 388, tab. 300. 
Gthr. Cat. of Acanth. fishes, III, 486. 

Raro. Três individuos existem no museu: dois de Lisboa, e um 
do Algarve enviado pelo sr. Júdice dos Santos. 



PHYSICAS E NATURAES 55 

Fam. CE^TRISCIDAE 

Genus CeiltriscuS. Lin. 
102. Centriscus scolopax. Nom. vulg. ? 

Gthr. Cat. of Acanth. fishes, III. 518. 
Yarrell, British fishes, II, 190, fig. (3.^ ed.) 
BI. I, 53, lab, 123, fig. 1. 
Lacép. II, 95; I, tab. 19, fig. 3. 

Raro. Três individuos: dois obtidos no mercado de Lisboa; o ter- 
ceiro proveniente de Setúbal (exploração zoológica de 1868). 



Fam. lABRIDAE 

Genus labrus. Artédi 

103. Labrus bergylta. Mar gota. 

Yarrell, British fishes, I, 482, fig. (3.^ ed.) 

Cuv. et Vai. Histoire naturelíe des poissons, XIII, 20. 

Gthr. Cat. o f Acanth. fishes, lY, 70. 

Vulgar. Apparece durante todo o anno. 

104. Labrus Donovani. Bodião. 

Cuv. et Vai. Histoire naturelíe des poissons, XIII, 39. 
Gthr. Cat. of Acanth. fishes, IV, 71. 

Pouco vulgar. Os exemplares que existem no Museu sâo prove- 
nientes do mercado do Lisboa. 

105. Labrus turdus. Bodião. 

Gthr. Cat. o f Acanth. fishes, IV, 71. 
L. viridis. Cuv. et Vai. XIII, 75, tab. 370. 
Pouco vulgar. Um individuo preparado a secco, fazendo parte das 
collecções antigas do Museu. 

106. Labrus reticulatus. Bodião. 

Lowe, Trans. Zool. Soe. Lond. III, 11; Proceed. Zool. Soe. 1839, 
85. 

Gthr. Cat. of Acanth. fishes, IV, 73. 



56 JORNAL DE SCIEXCIAS MATIIEMATICAS 

Pouco vulgar. Alguns indivíduos provenientes do mei'cado de Lis- 



boa. 



107. Labrus mixtus. Bodião. 



Gthr. Cat of Acatnh. fishes, IV, 74, et synoniniia. 
Vulgar. Vários individues $ e ç (Labrus írimaculatus auctor.) pro- 
venientes do mercado de Lisboa. 

108. Labrus sp.? Bodião. 

O Museu de Lisboa possue alguns individuos pertencentes ao gé- 
nero Labrus, que hesitamos em referir ao L. Donovani: com eíTeito, 
tendo as mesmas i)roporções e numero de raios, apresentam-se cons- 
tante e uniformemente com uma cor amarello-avermelhada, ou carneo- 
arruivada, com uma faxa estreita branca prateada desde o operculo até 
á origem da cauda; em alguns individuos não existe esta faxa, sendo 
constante em todos a existência de uma malha escura na base dos dois 
últimos raios moUes da dorsal. 

Poderiam ser tomados por individuos novos fêmeas do L. mixtus 
se não differissem d'esta espécie pelos números dos raios e pelos oa- 
tros caracteres. 

Reservamos para um estudo minucioso dos nossos bodiões a des- 
cripção d'esta espécie. 

Genus Crenilabrus. Cuv. 

109. Crenilabrus pavo, VcrdeJhão, Bodião. 

Cuv. et Vai. Histoire nalurelle des poissons, XIII, 149, tab. .372. 
Gthr. Cat. of Acanth. fishes, IV, 78. 

Pouco vulgar. Alguns individuos obtidos no mercado de Lisboa em 
1867 e 1868. 

110. Crenilabrus Baillonii. Tentelhão, Bodião. 

Cuv. et Vai. Histoire naturelle des poissons, XIII, 191, tab. 373. 

Gthr. Cat. of Acanth. fishes, IV, 84. 

Pouco vulgar no mercado de Lisboa; vulgarissimo no de Setúbal, 
de cuja procedência temos bastantes exemplares (exploração zoológica 
de 1868). 



FHYSICAS E NATUKAES ' 57 

Genus Jiilis. 
1 i 1 . Julis pavo. Judia. 

Guv. et Vai. Histoire naturelle des poissons, XIII, 377, tab, 386. 

Gthr. Cat. of Acanth. fishes, IV, 179. 

Raro. Dois indivíduos pertencentes á collecção antiga do Museu, 

Genus Coris. Gthr. 

112. Coris julis. Judia. 

Gthr. Cat. of Acanth. fishes, IV, 195. 
Jtilis mediterrânea. Yarrell, Brilish fishes, I, 521. 
» vulgaris. Cuv. et Vai. Histoire naturelle des poissoiis, XIII, 
361, tab. 384 (má pintura). 

Bp. Fauna itálica, — pesei j tab. 35, fig. 1. 
Quatro indivíduos do mercado de Lisboa. 

113. Coris Giofredi. Peixe-piça. 

Gthr. Cat. of Acanth. fishes, IV, 197. 

Julis Giofredi. Cuv. et Vai. Histoire naturelle des poissons, XIII, 
371, tab. 385. 
» » Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 35^ flg. 2 (má pin- 

tura). 

Raro. Um individuo proveniente de Setúbal. Sr. Freire, 1865. 

Fam. GADIDAE 

Genus Gadus. Artédi 

114. Gadus merlangus. Bacalhau. 

Gthr. Cat. of the fishes, IV. 334. 

Merlangus vuhjaris. Yarrell, British fishes, I, 548, fig. (3.^ ed.) 
Raro. Dois indivíduos : um fazendo parte das collecções antigas, o 
outro proveniente do mercado de Lisboa, 1867. 

115. Gadus luscus. Faneca. 

Gthr. Cat. of the fishes, IV, 335. 

Morrhua lusca. Yarrell, British fishes, l, 540, fig. (3.* ed.) 

Vulgarissimo. Vários indivíduos provenientes do mercado de Lisboa. 



58 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

HG. Gadus poutassou. Lacrau do mar. 

Gthr. Cat. of lhe fishes, IV, 338. 

Merlangus olbus. Yarrell, Bril/sh fishes, I, 55 h fig- (3.* ed.) 

Raro. Três indivíduos obtidos no mercado de Lisboa em 4867. 

117. Gadus poUaclims. Badejo. 

Gllir. Cat. of the fishes, IV, 338. 

Merkmgus poUachiiis. Yarrell, British fishes, I, pag. 559, fig. (3.^ed). 

Vulgar. Alguns indivíduos provenientes do mercado de Lisboa, onde 
é pouco vulgar; porém na excursão zoológica de 1868 vimos muitos in- 
divíduos desta espécie em Setúbal. 

Genus Mora. Risse 

118. Mora mediterrânea. Salmonete preto. 

Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 24, fig. 1 (má pintura). 

Lowe, Proceed. Zool. Soe. Lond. 1843, 91. 

Gthr. Cat. of the fishes, lY, 341, et synonimia. 

Pouco vulgar. Dois indivíduos: um do mercado de Setúbal e o 
outro do de Lisboa. 

Um dos indivíduos apresenta uma placa elliptica dentifera na parte 
anterior de cada um dos ossos palatinos; o outro (novo) tem somente 
esta placa cm um dos lados. 

Parece pois que a existência d'aquella placa não constitue um ca- 
racter constante, e por consequência o Asellus canariensis. Vai. e Pha- 
ropteryx benoit. Riipp. são uma e a mesma espécie, a Mora mediter- 
rânea. 

Genus leiiucius. Guv. 

119. Merlucius vulgaris. Pescada. 

Yarrell, British fishes, l, 562, fig. (3.=^ ed.) 

Gthr. Cat. of the fishes, IV, 344. 

Vulgar e abundante em toda a costa de Portugal. 

Genus Plijcis. Guv. 

120. Pliycis blennioides. Abrotea. 
Gthr. Cat. of the fishes, IV, 351. 



PHYSICAS E NATURAES 59 

Phj/cis furcatm. Yarrel, Britis fiches, I, o95, fig. (3.* ed.) 
Pouco vulgar em Lisboa. 

121. Phycis mediterraiieus. Abrotea. 

Glhr. Cat. of the fishes, IV, p. 354. 

Vai. Hist. nat. des iles Cmiar. Ichth., 78, tab. 14. 

Esta espécie é mais vulgar que a anterior no mercado de Lisboa; 
no mercado de Setúbal vimos ambas representadas por bastantes indi- 
vidues. 

Genus Molva. Nilss. 

122. Molva viilgaris. Donzella. 

Gthr. Cat. of the ftshes, IV, 361. 

Lota molva. Yarrell, British fishes, I, 569, fig. (3.^ ed.) 

Raro. Dois indivíduos obtidos no mercado de Lisboa: um medindo 

0^,720 de comprimento acha-se conservado em álcool; o outro de r',670 

foi preparado a secco. 1865-1867. 

123. Molva elongata. JuUanna. 

Gthr. Cat. of the fishes, IV, 362, et synonimia. 

Raro. Um individuo obtido no mercado de Lisboa, 1863. 



Genus MoloIIa. Cuv. 

124. Motella tricirrata. Pico cVel-rei. 

Glhr. Cat. of the fishes, IV, 365. 

Motella mdgaris. Yarrel, British fishes, I, 575, fig. (3.^ ed.) 

Vulgar. Vários indivíduos do mercado de Lisboa. 

125. Motella maculata. Pico cVel-rei. 

Glhr. Cat. of the fishes, IV, 366. 

Raro. Alguns indivíduos provenientes da Ericeira (excursão zoo- 
lógica de 1865). Um de Lisboa, 1868. 

126. Motella quinquecirrata. Nom. vulg.? 

Yarrell, British fishes, I, 583, fig. (3.^^ ed.) 
Motella miistella. Glhr. Cat. of the fishes, IV, 364. 
Raríssimo. Um só individuo proveniente da Ericeira. 



00 JORNAL DE SCIENOIAS MATIIEíMATÍCAS 

Genus Chiasmodoii. Y. Jolmson 

127. Chiasmodon niger. Nom. viilg.? 

J. Y. Jolmson, Proc. Zool. Soe. 18G3, 408; /(/. 1866, tab. 2. 
Raríssimo. Um individuo pescado a grande profundidade. 1868. 

Fam. MACRIRIDAE 

Genus Macriirus. BI. 

128. Macrurus trachyrhynclius. Peixe-lima. 

Gthr. Cat. of the fiskes, IV, 395. 

Raro. Alguns indivíduos obtidos no mercado de Lisboa; um envia- 
do de Setúbal pelo sr. Cunha Freire. 

Fam. PLElROI\ECTIDAE 

Genus Rliombus. Klein 

129. Rliombus maximus. Pregado. 

Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 46, fig. 2. 

Canestr. Areh. per la Zoologia, I, 25, tab. 3, fig. 1. 

Gthr. Cat. of the fishes, IV, 407. 

P seita máxima. Yarrell, British fishes, I, 63 'i, fig. (3.* ed.) 

Vulgar mas pouco abundante. 

130. Rliombus loevis. Rodovalho. Clérigo (Setúbal). 

Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 15, fig. 2. 

Canestr. xirch. per la Zoologia, I, 27, tab. 2, fig. 4. 

Gthr. Cat. of the fishes, IV, 410. 

Psetta rhomhus. Y^arrell, British fishes, I, 641. fig. (3.* ed.) 

Vulgar mas pouco abundante. 

131. Rliombus punctatus. Rodovalho. 

Gthr. Cat. of the fishes, IV, 413. 

Zeugopteriis hirtiis. Yarrell, British fishes, I, 646, fig. (3.^ ed.) 

Raro. Um individuo obtido no mercado de Lisboa. 



PIIYSICAS E NATURAES 



61 



Gemis Ârnogiossiis. Blkr. 

132. Arnoglossus Boscii. Carta. 

Gthr. Cat. of the fishcs, IV. 416. 

Pleuronectes Boscii. Risso, Ichthijol. de Nice, 319, tab. 7, fig. 33. 
» » Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 43, fig. 2. 

» » Canestr. Areh. per la Zoologia, I, 19, tab. 2, 

fig. 2. 

Pouco vulgar. Alguns indivíduos obtidos no mercado de Lisboa; 
dois enviados de Setúbal pelo sr. Cunha Freire. 

133. Arnog-lossus conspersus. Carta. 

Gtlir. Cat. of tJie fishes, IV, 41G. 

Pleuronectes conspersus. Canestr. Areh. per la Zoologia, 1, 10, tal). 
4, fig. 2. 

Raro. Dois individuos enviados de Setúbal pelo sr. Cunha Freire, 
1864. 

Geniis Pleuronectes. Gihr. ex Art. 

134. Pleuronectes flesus. Patnissa, Solha. 

Gthr. Cat. of the fishes, IV, 430. 

Platessa flesus. Yarrell, Bristish fishes, I, 612, fig. (3.''' ed.) 

Vulgar. 

135. Pleuronectes platessa. Nome vulgar? 

Gthr. Cat. of the fishes, IV, 440. 
Platessa vulgaris. Yarrell, British fishes, I, 605. 
Raro. Três individuos provenientes da Ericeira (exploração zooló- 
gica de 1865). 

Geniis Solea. Cuv. ^ 

136. Solea vulgaris. Linguado. 

D. 73-95; A. 61-78. 

Yarrell, British fishes, I, 657, fig. (3.^ ed.) 
Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 17, fig. 1. 
Canestr. Areh. per la Zoologia, V, 41, tab. 4, fig. 2. 
Gthr. Cath. of the fishes, IV, 463. 



62 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

F. Capello, Jornal de sciencias mathematicas, physicas e naluracs, 
num. II, 164 (Extracto, p. M), Lisboa, 1867. 
Vulgarissimo. 

137. Solea azevia. Azevia. 

D. 74-84; A. 61-77; P. d. 7-8; P. s. 6-7. 
L. lat. 118-126; L. transv. 32/38. 

A altura do corpo : o comprimento total : : 1 : 2,97-3,30 

O comprimento da cabeça : » » » : : 1 : 6,70-7,35 

Capello, Jorn. de scinc. math., phys. e nat., num. II, 106 (Extra- 
cto, 13, tab. fig. 2). 

Vulgar nos mercados de Lisboa e Setúbal. 

138. Solea oculata. Linguado. 

Bp. Fauna itálica — 'pesci, tab. 18, fig. 1. 

Vai. Hist. nat. des iles Canaries (Web. et Berthel.) — poiss., 84. 

Canestr. Arch. per la Zoologia, I, 37. 

Solea ocellata. Gthr. Cat. of the fishes, IV, 465. 

Raro. 

139. Solea varieg-ata. Linguado. 

Gthr. Cat. of the fishes, IV, 460. 

Yarrell, British fishes, I, 664, fig. (3.'^ ed.) 

Solea Mangilii. Bp. Fauna itálica — pesci, tab. 18, fig. 3. 

» » Canestr. Arch. per la Zool. I, 29, tab. 3, fig. 3. 

Vulgar. 

140. Solea monoohir. Linguado. 

Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 19, fig. 2. 
Gthr. Cat. of the fishes, IV, 470. 
Raro. 

Geniis Synaptura. Gant. 

141. Synaptura lusitanica. Nova sp. Lingua de vacca. 

A altura do corpo : o comprimento total : : 1 : 3,33-4,00 

O comprimento da cabeça : » » » : : 1 : 6,33-6,80 

Uma das narinas do lado esquerdo é dilatada á maneira de bocca 
^de trompa. 



PHYSICAS E XATURAES 63 

A peitoral direita é maior que a esquerda, e mede apenas '/s da 
sua distancia ao olho. 

Em um artigo especial acompanhando o desenho d^esta espécie, 
daremos a descripção mais minuciosa dos seus caracteres; limilamo-nos 
por agora a citar aquelles que a distinguem da espécie do Mediterrâneo, 
única que se lhe appròxima pela existência da narina do lado esquerdo 
dilatada e franjada. 

Pouco vulgar. Oito indivíduos temos obtido d'esta espécie, seis 
provenientes de Lisboa, e dois de Setúbal; estes foram enviados pelo 
sr. Cunha Freire. 

(Continua) 



64 JORNAL DE SCIEXCIAS MATHEMATICAS 



3. Díoticía acerca de um peixe pouco conhecido 
proveniente do Brasil 



FÉLIX DE BRITO CAPELLO 

Fam. SILIRIDAE 
Sub-fam. Proleropodini 

Trib. HYPOSTOMATINA 

Gen. Chaetostomus. Heckel 

Cliaetoslomus histrix. Nome indígena Uacari-guassúK (Est. VII, fig. 1) 

Syn. Loricaria histrix. Vandelli (ined.) 

Rinelepis histrix. Vai. Histoire naturelle despoissons, XV, 486. 
Acanthiciis. Gúnther, Cat. fish. British. Mus. V, 253. 
Caract. D. 9, P. 7, V. 6. A. 6, C. 16, L. lat. 26. 
Corpo prismático; cabeça mais larga qne alta, comprehendendo-se 
4,5 no comprimento total. Olhos pequenos. Vis do comprimento da ca- 
beça. A boca aclia-se bastante deteriorada, mas pelo que se pôde vêr é 
análoga á de todas as espécies d'este grupo ; isto é, apresenta um véo 
labial bastante largo com um barbilhão de cada lado, e dentes miúdos 

^ Uacary ou Guacary ; Assú, Uassú ou Guaçú. 

Assú, uassú ou guaçú, significa grande ou maior, assim como mirí signi- 
fica menor, na lingua indígena da provinda do Pará. Temos documentos que 
o provam, nos relatórios e relações de remessas de productos da expedição plii- 
losophica do Pará por Alexandre Rodrigues Ferreira; bem como na obra de 
G. Pison, como adiante veremos. Por estes mesmos papeis se vê que deve pro- 
nunciar-se guaçú em vez de guacú, uca e não uca, etc, como escrevem todos os 
naturalistas que tratam de objectos naturaes do Brasil, arrastados naturalmente 



PHYSICAS E XATURAES 65 

em uma só ordem, sendo os da maxilla inferior. divididos em dois gru- 
pos. Interoperculo cora um feixe de espinhos compridos ; não se pôde 
conhecer se era movei, mas é provável que o fosse. 

Duas dorsaes: a 1.% mais alta que comprida, é composta de um 
raio duro, grosso e granuloso, e de oito raios molles também cobertos 
de granulações; a 2/'' consta somente de uma peça prismática, granu- 
losa e denticulada ; não se lhe percebe membrana posteriormente, mas 
é provável que em fresco tenha existido; também é provável que aquella 
peça tenha sido movei como tem logar em todas as espécies d'este gé- 
nero. 

Peiloraes compostas de um espinho e seis raios: este espinho é a 
peça mais notável d'este peixe : com effeito, em todas as espécies d"esle 
grupo apresenta granulações mais ou menos ásperas, ou pequenos es- 
pinhos recurvados; este porém apresenta espinhos muito compridos, 
pois alguns alcançam Va do comprimento da peitoral; estes appendices 



pelos auí^tores que trataram da historia natural d'este paiz. Cora eíTeito, r\^ His- 
toria Naturalis Brasiliae, de Guillierrae Pison e Jorge Marcgrave de Lietistad. 
edição de 1G48, temos o termo guacú, e os outros nomes indígenas sem cedi- 
Iha; exemplos: a pag. 166 -~ Amore guacu, a pag, 167 — Cugupu guacu, a 
pag. 184 — Uca, a pag. 104 e 105 — Aracn, etc. etc. Se consultarmos porém 
a obra Indiae utriusqiie re naturali et medica de G. Pison, edição de 16o8, acha- 
remos a pag. 72 — Amoré guaçú, a pag. 49 — Cunapú gnaçú, a pag. 76 — Ura, 
e finalmente a pag. 152 — Araçd. 

Nas relações de remessa de productos naturaes do Brasil, encontram-se, 
como já dissemos, immensas provas do que acima avançámos. Copiaremos o 
rotulo e a parte que diz respeito ao nosso peixe de uma d'essas relações. 

tRelação dos Productos Naturaes, que vão incluídos nos 10 caixoens de 
«madeira, nas 6 caixas de folha de Flandres, no Barril, e na Frasqueira; que 
«se remetteram por segunda remessa da Yílla de Barcellos Capital do Rio Ne- 
«gro, para o Real Gabinete de Historia Natural. Aos 20 de Abril de 1786.» 

« Caixão 3." Huma Jurará-assú, ou Tartaruga grande 

« Hum peixe Uacary-assú.r> 

De um desenho d'esta espécie feito na própria localidade copiamos o se- 
guinte: 

«Paraensibus Uacary Guacu. — Donum 111. *"' ac Ex.™» Domini Joanuis 
«Pereira Caldas.» 

Em um crustáceo proveniente também do Brasil conserva-se ainda o se- 
guinte rotulo — Uçu guaçú. Este crustáceo é o Cardisoma obesum. Dana. 

Julgamos inútil multiplicar as citações, para mostrar que deve pronuu- 
ciar-se guaçu e não guacu. 

JORN. DE SCIENC. MATH. PHYS. E NAT. — N. Y. 5 



G6 JORXAL DE SCIEXCIAS MATHEiMATICAS 

não são rijos e inflexíveis como espinhos propriamente ditos, apresen- 
tam mais o aspecto de cerdas duras quasi todas de egual espessura em 
todo o seu comprimento e bastantes flexiveis. 

Venlraes collocadas por baixo mas começando um pouco adiante 
da 1.^ dorsai; compostas de um raio duro e cinco moíles, todos cober- 
tos de granulações mais ou menos ásperas. Anal pequena coilocada um 
pouco atrás da vertical baixada do extremo da l.'' dorsal. A caudal consta 
de dezeseis raios, todos granulosos e ásperos; tal como hoje se acha o 
o peixe parecem ter sido proximamente eguaes; porém em um desenho 
antigo que existe no Museu, acha-se representado este peixe com o raio 
inferior da caudal excedendo o superior proximamente metade do seu 
comprimento. 

Cabeça, espaço comprehendido entre a região occipital até á 1.* 
dorsal, região thoracica e ventral cobertas de placas rugosas miúdas e 
distanciadas; as do focinho e faces são mais regulares; três grandes 
placas rugosas existem por detrás da região occular, uma occipital e 



Em relação ao género de crustáceos aos quaes Leach deu o nome indígena 
Uca, julgamos ter também demonstrado á evidencia dever nomear-se Uça; e 
pedimos a todos os naturalistas que se occupam de crustáceos que assim o es- 
crevam de hoje em diante, para não continuar na etymologia carcinologica um 
erro que já tem infelizmente durado bastante. 

Em quanto á signilicação dos termos [ivaçu e mivi, temos na ultima obra 
cilada a prova do que avançámos; com efleito, a pag. 152, lô-se: «Alia ejus- 
«dem generis Araçn reperitur, sed non ita frequens, quae tamen fructum fa- 
«cile praestanliorem procreat, et multo majorem. Quapropterablndigenis^raça 
aguaçu, id est, Araça major, apellatur, etc. etc»; e a pag. 308: «Duplex datur 
^Ahoaij arbor; altera Ahoay-gnaçu, sive major, altera Ahoay-miri, seu minor 
«dieta.» Na primeira das relações de remessa de objectos naturaes acima cita- 
das, achamos o seguinte: «Caixão 1.° Huraa Jurará-assú, ou Tartaruga gran- 
ado. Huma Jurará-miry, ou Tartaruga pequena. 

Escrevemos no começo doesta nota —Uacary como synonymo de — Gua- 
canj. Para o provar é suílicientc referirmo-nos á estampa que Jorge Marcgrave 
de Liebstad e G. Pison apresentam nas obras supracitadas, e ler a descripção 
bastante completa que o primeiro auctor faz d'este peixe. A' vista d'esta des- 
cripção e d'aquelle desenho não resta duvida alguma que pertence ao género 
Ptenjgoplichthys (Gunther, GUI sp.), o qual é muito próximo do género a que 
pertence o nosso peixe. É pois este o Guacary mirí, em opposição ao nosso 
que foi denominado Guacary guaçu. Resta somente averiguar se aquelle é o 
Pt. gibbiceps ou o Pt. duodecimalis, ao qual Valenciennes se acha disposto a re- 
ferilo. 



PIIYSiCAS E NATURAES 67 

duas lateraes. Nos flancos contam-se três carreiras de escudos ásperos 
denticulados nos bordos posteriores e apresentando na linha mediana 
uma aresta denticulada bastante saliente. Estas carreiras de escudos co- 
meçam um pouco atrás das peitoraes e terminam na caudal. Outra car- 
reira começando á mesma altura acha-se acima d'estas três, e é inter- 
rompida entre a 1.^ e 2.* dorsaes, começando de novo no extremo d'esla 
ultima, e terminando na caudal. Entre as dorsaes, correspondendo exa- 
ctamente á interrupção da carreira de escudos de que acabámos de fat- 
iar, existem nove placas transversaes, vindo os seus bordos lateraes a 
tocar de um e outro lado na primeira das três carreiras de escudos dos 
flancos. 

Uma quinta carreira de escudos com sua aresta, menos saliente que 
as outras, forma o angulo de juncção dos flancos com o ventre. Tronco 
da cauda deprimido. 

Estes escudos não formam pela sua união um corpo único ou cou- 
raça, como acontece em muitas espécies d'este grupo; acham-se pelo 
contrario separados por um intervallo de pelle, de modo a parecer que 



Apesar da descri pção de Jorge Marcgrave ser minuciosa bastante e sair 
fora do comnium das dcscripçõos d'aquella época, não é possível determinar 
com certeza a qual das duas espécies pertence o Guacary d'este auctor. 

Duas circurastancias nos levam comíudo a crer, contra a opinião de Va- 
lenciennes, que é a primeira espécie acima citada. 

A primeira consiste na existência de dois exemplares no Museu com o 
nome — Guacary, restos de grande porção d''elles enviados do Rio Negro por 
Alexandre Rodrigues Ferreira, e que se acham citados nas referidas relações 
de remessa. Estes pertencem evidentemente á espécie gibbiceps, apesar de diffe- 
rirem na cor, que a nosso vèr não deve influir na determinação doestas duas 
espécies. Com eífeito, um dos nossos exemplares é castanho escuro por todo o 
corpo, sem manchas de qualidade alguma; o outro tem a mesma cor, com ma- 
lhas pequenas amarelladas por todo o corpo, e a barbatana dorsal com linha;-; 
onduladas da mesma cor, caracter do Pt. lituratus. Os raios d'esta barbatana 
são comtudo quatorze em ambos os exemplares, caracter privativo do Pt. gib- 
biceps. 

A outra circumstancia consiste na identidade de procedência (rio S. Fran- 
cisco) do Pt. duodecimalis (Gthr. Cat, of fishcs, V, 2ol) e de um outro Guacary 
citado por Jorge Marcgrave, pag. 167. 

«Reperitur et bic Guacari magnitudine et figura plane similis priori, qui 
in flumine S. Francisci capitur solo colore differens et bonitatecarnis: estenim 
totus umbrae coloris obscuri et per totum maculis adspersus obrotundis nigris, 
seminis sinapi magnitudine; caro hujus boni est saporis.» 



68 JORNAL DE SCIENCIAS MATHKMATICAS 

este peixe tinha uma liberdade de movimentos e flexibilidade impró- 
prias das outras espécies d'este grupo, como por exemplo nas do gé- 
nero Accuithicus. 

Este peixe foi adquirido em 1786 pelo naturalista Alexandre Ro- 
drigues Ferreira, na grande expedição scienlifica feita por elle no Bra- 
sil. Conta pois oitenta e dois annos de existência no Museu. 

Vandelli, director do museu da Ajuda, estudou-o e denominou-o 
Lorkaria hislrix, enviando por esta occasião desenhos ao especialista 
de peixes d'aquella época, Lacépòde. 

Valenciennes descreveu esta espécie á vista dos desenhos e manu- 
scriptos de Vandelli, os quaes obteve por morte d'aqnelle naturalista. 
Na Historia Natural dos peixes, tomo XV, pag. 486, encontra-se a des- 
cripção d"este peixe,' que Valenciennes denomina Binelepis histrix. 

Gúnther, no Catalogo dos peixes do museu britânico, V, pag. 253, 
tratando do género Acanthictis, cita Valenciennes, referindo-se a este 
peixe, mas não o descreve, o que costuma fazer sempre que está em 
duvida acerca da authenticidade de qualquer espécie; além d'isso ignora 
a sua procedência. 

Eis o que existe, que nos conste, acerca do nosso peixe : descri- 
pção (manuscripta) e desenhos de Vandelli; descripção de Valenciennes 
á vista doestes desenhos e manuscriptos obtidos por morte de Lacépòde; 
citação e collocação no género AcantMcus, sem descripção, por Giinther. 

Collocámos esta espécie no género Chaetostomus por causa da exis- 
tência da segunda dorsal, ou adiposa com raio espinhoso; o que não 
não tem logar nos géneros Rinelepis e AcantMcus. O sr. Giinther col- 
joca-o n'este ultimo, porque não tendo visto o exemplar nem o dese- 
nho, fez obra pela descripção de Valenciennes, onde se acha accusada 
unicamente uma dorsal. 

Estaríamos comtudo ainda em duvida, se não tivéssemos ultima- 
mente recebido um exemplar de Chaetostomus (o spinosus ou uma es- 
pécie affim). Com eífeito, á vista d'este exemplar não nos resta duvida 
alguma acerca da identidade genérica dos dois specimens. É a mesma 
forma de corpo, a mesma forma e posição das barbatanas, a mesma dis- 
posição e numero de carreiras dos escudos, etc. Tem também a adiposa 
com espinho anteriormente. 



Est.lU 







% % 



Utk à yasonss /'■ C^~Ev^ à Cl,miIiiN.'fi 



PHYSICAS E NATURAES 69 

Medidas : 

Comprimento total O^^^JôO 

Da ponta do focinho ás peitoraes •. O ,140 

» 1» » » » ventraes O ,245 

» » » » á primeira dorsal O ,260 

» » » 1) » anal O ,423 

» » » » » segunda dorsal O ,533 

Comprimento da cabeça (a contar da ponta do focinho 

ao extremo da placa occipital) O ,183 

Pátria — Rio Negro, confluente do Amazonas. 

Esta espécie, que se acha representada no mundo scientifico por 
um só exemplar existente no Museu de Lisboa, parece ser muito rara, 
se attendermos ás duas circumstancias de ser devida ao favor do capi- 
tão general d'aquella capitania, João Pereira Caldas, e não ter podido 
obter-se depois mais nenhum exemplar entre milhares de objectos en- 
viados d aquella localidade pelo naturalista Rodrigues Ferreira. 



70 JORNAL DE SClt:N':iAS MATIIE.MATICAS 

IV. BIBLIOGRAPHÁ 

{. Bibliographic botaiiiqiie 

PAR 
EDMO.ND GOEZE 



II y a déjà qnelque temps que nous nous proposions (l'entretenir 
nos lectenrs de plusieurs ouvrages qiii ont paru siir la bolanique pen- 
dant les derniers douze móis ou à peu prés. Mais 11 était presque in- 
iiidisponsable, d'avolr toutes ces publications sous les yeux pour en faire 
un choix convenable. Ne pouvant pas realiser ce desideratum, 11 nous a 
faliu recourir à quelques journaux (Giirdeners' Chronide, Hamhurger 
Gartmzeitung etc), qui donnent chaque seniaine ou chaque móis un 
exposé dos ouvrages les plus remarquables qui sorl(3nt de Fimprime- 
rie. Des amis ont en outre bien voulu nous tcnir au couranl de ce qui 
venait de paraitre. 

Comme dans les autres sciences, il y a beaucoup de spérialités dans 
la bolanique, et nous avons cru qu"il était de notre devoir de les repi'é- 
senter toutes, autant que cela fut possible dans ces lignes. 

L'année passée a été excessivement riche en publications botani- 
qucs, et il serait, certes, diílicile à constater, si c'est aux botanistes an- 
glais, allem.ands ou français que nous devons sous ce rapport le plus 
de remercimonts. Mais il serait encore plus difficile, et pour nous au 
moins, d'une impossibilite absolue, à faire*des conjectures sur le pays 
auquel on doit, quant au mérite de ces ouvrages, accorder la preférence. 

En offrant les notes suivantes au bienveillant lecteur, il ne nous 
reste qu'à exprimer Tespérance, qu'il veuille bien comprendre Tidée 
qui nous a poussée à les écrire, — celle de contribuer avec nos hum- 
bles moyens et malgré notre modesto position, à élargir le gout pour 
Télude de la bolanique dans ce pays. 



riiYSiCAS E -\aturap:s 71 

Flora Aiistraliensis. — A description of lhe plants of lhe Australiún ter- 
ritory. By George Benlloam, F. R. S. T. L. S. assisled by F. Mul- 
ler, M. Dr. F. R. S. London, 1860, III vol. 

L'avancement de ce magnifique ouvrage, qui se recommande par 
la richesse des malières et par I'exactitude des descriplions, el qui nous 
fait connailre toutes ces formes bizarres de la flore auslralienne, cau- 
sera certes une grande satisfaction à tous ceux qui aiment d'en faire 
leur elude, soit comme bolanistes, soit comme amaleurs pour faire des 
essais d'acclimalalion avec un grand nombre d'espèces. 

Cest surlout sous ce dernier rapport que nous recommandons ce 
volume comme les précedents aux lecteurs qui doivent surlout diriger 
leur attention sur la famille des Legumineuses, remarquable par le genre 
Acácia, et sur les Myrlacées, comprenant les belles Melaleucas et Callis- 
temons, les gracieuses Beaufortias, Leptospermums, Bacckeas et avant 
tout les précieux Eucalyplus (Gum Irees), qui, une fois bien inlroduits 
dans le royaume, pourraient devenir une source de grandes richesses 
pour tout le pays. 

Flora Oricntalis ect. auctore Edmond Boissier, vol. I, roy. 8'", p. p. 
1017. Basileae, 1867. 

Voilà le premier volume d'un ouvrage qui, une fois fini, occupera 
une des premières places parmi toutes les flores qui ont paru depuis 
bien long-temps. Cest de la Grèce, de la Turquie européenne, de la 
Crimée, d"une parlie de TEgypte, de TArabie septenlrionale, de TAsie 
mineure, de la Perse et de TAsie occidentale en general que M. Bois- 
sier se propose à nous rendre compte de la végétation, en nous don- 
riant une description technique de tous les genres et de toutes les es- 
pòces qu'on y rencontre. Cette parlie, -^la botanique systemalique, com- 
prendra au moins les trois quarts de Touvrage entier; jnsqu'à ce jour-ci 
il y avait déjà beaucoup de flores sur ces pays; une seule flore qui les 
comprendra tous, facilitera immensement Tetude des plantes de Torient, 
et on ne sait pas rendre trop de grâce à M. Boissier qui a entrepris si 
courageusement une tache dune telle imporlance. 

Mais c'cst des chapitres de Tintroduction, qui traient de la bota- 
nique géographique, en faisant connailre les difl"erents dislricls dans 
lesquels cette flore est divisée, que nous allons nous occuper un peu 
plus specialement. Ce sont: 

La region de TEurope centrale, caracterisée par Toccurrence de la 
pluie pendant toute Tannée, avec une chaleur moderêe d'élé et une 



/■J JORNAL DE SCiENCIAS MATIIEMATICAS 

tempéraliire dliiver souvent au-dessous de zero, sans cepeiidant être 
dun froid considerable. La présence d'un6 atmosphère chargée conti- 
nuellement d"humidité favorise la croissance d'arbres à feiíilles cadu- 
ques et de Conifères. Dans les montagnes du Ponlus, oíi la pluie et les 
hrouillards dominent avec une tempéraUire douce et uniforme, nous ren- 
controns une végétation três riclie, c'est ici ou les Rhododendrons, les 
Azalées, les Vacclniuins e d'autres Ericacées nous laissent voir toule 
leur beauté. Sur les bords meridionales de la Mer Caspienne le cliraat 
est à peu prés le même avec un hiver un peu plus froid et Tété plus 
chaud. La majenre partie de nos arbres fruitiers y croissent spontané- 
ment et constituent avec de la lierre, de la Vigne sauvage et le Sini- 
lax excelsa des grandes forêts. Des chênes, des érables, des frênes et 
tillelus abondent dans des élévalions plus considérables, et en montant 
encore, là ou ratmosphòre est encore plus humide, le myrte, Tolivier, 
le Paliurus aculeatus ect. se présentent à notre vue. 

La region mediterranlenne a des hlvers plus doux et des étés secs 
et três chauds, tandis que la pluie y tombe seulement pendant Tautomne 
et le printemps, deux saisons ou Talmosplière est chargée de beaucoup 
dliumidilé. Des arbres et arbustes à feuillage persistante predominent 
dans ce district. 

La region oricntale propremcnt dite vient ensuile; elle est cara- 
clerisée par un climat extreme, c'est-à-dire par un hiver très-rigoureux, 
par une grande chaleur d'été sans pluie, par un horizon sans nuages et 
par la pluie seulement pendant le printemps et Tautomne. II y a peu 
d"arbres et des forêts manquent complètement à cette region. Les pla- 
teaux dWnatolie, TArmenie, la Syrie, la Perse, rAfghanistan, la Meso- 
polamie, le Tibet et la partie occidcntale de THimalaya sont inclus dans 
ce district, dont la flore, en parlant en general, est la plus i'iche et la 
plus variée de Torient. 

La region du Dattier est la dernière et se trouve caracterisée par 
peu de pluie pendant Tautomne et l'hiver, qui manque presque tout-à-fait 
dans les parties meridionales et plus basses, par une été d une chaleur 
excessivo, et pour un hiver doux, sans cependant exclure la gelée. Cest 
ia region de désert par excellence, qui comprend une zone de 6 à 10 
degrès de latitude, en s'élendant des iles du Cap Vert et de 1'Afrique 
pccidentale jnsqu'à Scinde et le Punjaub. Le Daltier y est Tarbre ca- 
ractcristic, bien souvent associe avec le Palmier Doom (Hyphaene the- 
baica), le Ficus Sycomorus et un grand nombre de plantes annuelles et 
herbacées. Des plantes salines abondent aussi dans certains endroits de 
ce district. 



PHYSICAS E NATURAES 



73 



En qiiittant ces details sur le ctimat, noiís pourrions donner quel- 
ques nolices interessantes sur les idées de M. Boissier qiiant à Tespèce, 
mais craignant que cet exposé nous aie déjà menée trop loin, il ne nous 
reste qu a exprimer nos voeux pour l'heureuse continuation d un ou- 
viage aussi instructif que celui-ci. 

ícones ad Floram Europae novo fundamento instaurandiim spectantes. 
— Auctoribus Alexi Jordan et Júlio Tourreau. 

La publication d'une séiie de planches bien executées et dessinées 
avec soin, aura toujours droit à la reconnaisance du monde botanique, 
quoique, comme dans le cas présent, le regrei s'y mele quelquefois en 
voyant que tant de travail et de talcnt n'ont pas été consacrés aux vé- 
gétaux qui reciament davantage ce genre de travail. Les essais de cul- 
ture de M. Jordan peuveut avoir en eux-mêmes bien du mérite, les 
conclusions qu'il en tire peuvent peut-être même aspircr au titre d'une 
grande exaclitude, il n'en est pas moins vrai, que rillustralion de for- 
mes três peu dilTerentes (si elles diffèrent du tout) d'espèces bien con- 
nues, ne rencontrera qu'un petit nombre d"admirateurs. 

Salices Europeac, recensuil et descripsit dr. Fredericus Wimmer. — 8^'^, 
p. p. 2^28. Breslau, 18G6. 

Une description exacte des espèces du genre Salix, qui abonde sur- 
tout dans le nord de TEurope, nous est donnée dans ce volume, et com- 
ine ce sont des plantes, qui, même pour un botaniste, sont excessive- 
ment difficiles à determiner, Tauteur, en dispersant la confusion qui y 
regnait, a rendu un grand service à la science. En parcourant Touvrage, 
nous y trouverons des lablcs analytiques qui faciliteront beaucoup Té- 
tude, comme aussi des rapports detaillés sur la morphologic, la biolo- 
gie et sur la distribution géograpbiquc des espècos. 

Monographia Salkum, hucmque cognitarum. — Auctore N. J. Ander- 
son, pars I. Holmiae, 1867. 

«Si quelqu'un est ambitieux de rencontrer une diíTiculté, il n'a qu'à 
s'occuper du genre Salix, et il y trouvera certes la plus grande que la 
botanique syslematique oflre» — voilá ce que Linné disait sur les sauies, 
et quoique plus d'un siècle soit passe, Topinion du botaniste suedois est 
encore celle des botanistes de nos jours. Cest donc avec d'autant plus 
de satisfaction que nous devons accueillir la publication de cette mo- 
nographie, écrite par un homme qui a sacrifié presque toute sa vie à 



74 JORNAL DE SCIIÍNCIAS WATIIEMATICAS 

Tétude de ces plantes. De Toiívrage de M. Wimnier sur les saules euro- 
péens M. Anderson parle daiis les termes les plus flatteurs. 

Les SaMces forment un genre comme les Roses ou les Rubus, ou 
il y a tant de formes intermédiaires, que les opinions des botanisles sur 
ce qu'on doit regarder comme veritables espèces différent beaucoup. 
L'auteur reserve toutes observations sur la classification et la biologie 
des Saules pour le second volume, uous avons cru cependant devoir ap- 
peler Tattention sur un ouvrage qui será et est déjà un grand auxiliaire 
à quiconque entreprendra une investigation de ce genre. 

Elémenfs de Bolanique, etc, par P. Duchartre, de Tlnstitut. S*^" partie. 
Paris et London, 18G7. 8^", p. p. 4C3. 

Ce volume traite de Tanatomie des plantes, et commence par la 
description des diverses espèces de fruits et des ciiangements qu'ils 
subissent pendant la transition de Têtat vert jusquà la maturité. L'au- 
teur, dans sa classification des fi'uits, n'adopte point ces arrangements 
ingénieux mais peu pratiques qu'on a proposés; il se contente de deux 
groupes principaux, savoir : des fruits apocarpes, et des fruits syncar- 
pes. En parlant ensuite de la graine, il présent la description des or- 
ganes variées de la plante et de leurs fonctions spéciales. Dans les 
chapitres suivants, M. Duchartre dirige Tattention sur les phenomènes 
générales de végétation ou sur ceux manifestes surtout dans la nutri- 
lion des végétaux, — thème d"une grande importancc et d'un vaste éten- 
due ou mallieureusement les opinions des hommes de science présen- 
lent encore trop de poinls de désaccord. 

(La suile prochainement) 



PIIYSICAS E NATURAES 



VARIEDADES 



75 



l\oticia de alguns maríellos de pedra, e oiiíros objectos. 

que foram descoherfos em (rahallios aníigos da mina de cobre 

de Ruj Gomes no Alemlejo 



F. A. PEREIRA DA COSTA 



O sr. Rodolph Mouat, engenheiro particular da mina de cobre de 
Ruy Gomes, na província do Alemtejo, descobriu, em entulhos de traba- 
lhos muito antigos d"esta mina, cinco instrumentos de pedra, semelhan- 
tes na forma, mas diíTerentes na grandeza. 

A forma commum a estes instrumentos pôde dizer-se em geral ovu- 
lar on elli[).soidal irregular mais ou menos achatada, de modo que po- 
dem considerar-se limitados por duas faces, que se juntam no bordo 
oval ; uma destas faces é irregularmente convexa e um pouco torta, e 
a outra é dividida por uma aresta longitudinal obtusa em duas facetas, 
uma delias plana, que se junta em angulo recto com a face opposta, a 
outra no maior é ligeiramente convexa, no menor também plana jun- 
tando-se com a mesma face opposta em um bordo arredondado pouco 
agudo. O maior d'estes instrumentos que representamos na figura junta, 
tem 0™,237no seu eixo maior, 0"\I2 no menor, tomado entre os bor- 
dos, e O'", 260 de circumferencia, tomada no fundo do sulco annular, 
que o divide transversalmente e quasi pelo meio do eixo maior; este 
sulco tem de largura de um a outro bordo entre 2 e 3 centímetros. 

O mais pequeno, que vimos depois de estar feita a estampa, tem 
apenas 0°,15 de comprimento no eixo maior, 0^,08 no menor ao meio 
do sulco, e O", 26 de circumferencia. 

Ambos estes instrumentos são de schisto cristallino verde, e pare- 
cem ler sido calhaus rolados, cuja forma se aproveitou, fazendo-lhes 
apenas o sulco transversal. 



76 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATIcAS 

O sr. Mouat reservou para si o mais pequeno d estes instrumentos 
que se acha completo, e offereceu o maior, e mutilado pela separação 
de três lascas, ao sr. João Maria Leitão, chefe da Repartição de Minas no 
Ministério d'01jras Publicas, Commercio e Industria. Este distincto en- 
genheiro teve a obsequiosa generosidade de ceder-nos o curioso e inte- 
ressante instrumento, que faz objecto d"esta noticia. 

A perfeita semelhança que estes instrumentos teem com os mar- 
tellos achados em Ilespanha, tanto na mina de cobre dei Milagro, situada 
a C kilomelros do celebre Sanctuario de Covadonga no termo d'Onis, pro- 
víncia d'Asturias, como nas escorias d'anliga lavra de cobre em Cerro 
Muriano, situado a 8 kilometros de Córdova; ainda mais a particulari- 
dade notável de se parecerem estes instrumentos com os martellos de 
pedra, que teem sido extrahidos de trabalhos muito antigos das minas 
de cobre do Lago superior (N. da America), descobertos em 1847, bera 
como com outros achados também em diversos pontos da mesma re- 
gião, tornam a meu ver, muito importante o descobrimento do sr. Mouat, 
e portanto digno de mencionar-se. 

No 1.° caderno dos Estudos prehistoricos do sr. D. Francisco M. 
Tubino, que devemos á benevolência de seu illustre auctor, achámos 
uma excellente memoria com o titulo de Exploracion geologico-archeolo- 
gica de Cerro Muricnio. 

N'esta memoria dão os seus auclores, os srs. Villa Nova e Tubino, 
uma circumstanciada noticia dos objectos d'arte humana ahi achados, e 
vê-se que entre estes objectos figuram martellos semelhantes aos des- 
cobertos pelo sr. Mouat. 

Os martellos de que tratam os auctores da memoria citada, variam 
pouco na forma, que é geralmente ellipsoidal, mas differem considera- 
velmente na grandeza, tendo 18-28 centímetros no seu eixo maior, e 
15—17 centímetros de circumferencia ao meio do seu comprimento. 

Quasi todos estes instrumentos são calhaus rolados de diorite ou 
dioritina, pouco modificados pela mão de homem, que se limitou a pre- 
parar na zona media um sulco ou depressão annular em toda a sua cir- 
cumferencia, com o fim de facilitar o seu uso, por meio de uma corda 
ou corrêa, nos trabalhos para que eram destinados. 

Semelhantes a estes são também outros instrumentos, descobertos 
anteriormente na antiquíssima mina dei Milagro, a respeito dos quaes 
D. Casiano de Prado disse que teem uma forma ovular, mas muito acha- 
tada, e que apresentam um sulco annular de 3 a 4 centímetros ao melo, 
com o fim provavelmente de os cingir com uma corda, para os poder 
manejar melhor, batendo na rocha depois de ter sido atacada pelo fogo. 



PIIYSICAS E NATURAES / / 

Os auctores da mencionaria memoria dizem que os martelios reco- 
lhidos em Cerro Muriano, são do mesmo modo semelhantes a alguns re- 
colhidos em diíTerentes partes, como nas Cavernas de Aurignac e de Pe- 
rigord, Monte d"Or em França, na Suissa no Lago Kranke, em Scania, 
na Groenlândia e na Suécia, e que em Ilespanha se teem recolhido tam- 
bém nas Cavernas de la Rioja, no Cerro de los Mártires, e no termo 
de Fuente Ovejuna; nós podemos acrescentar que na grutta da Casa da 
Moura na Cezareda, se descobriu também um instrumento ou peça de 
pedra, semelhante na forma, mas pequeno, tendo o sulco somente so- 
bre uma das faces, e n'essa mesma alguns lavores; esta peça parece, 
tanto pela grandeza, como pelos desenhos gravados n'ella, ter sido an- 
tes um objecto de adorno de que um martello. 

É para notar além d"isso que os indigenas de Texas empregam ainda 
martellos como os de que temos tratado, adaptando-lhes um cabo de 
vergalho de boi, envolto em um pedaço de pelle do mesmo animal, 
quando está ainda fresca : o cabo cinge-se ao sulco annular e fica forte- 
mente adherente logo que a pelle sécca. 

D. Casiano de Prado, dislincto e infatigável geólogo, cuja perda 
tão sensível foi para o progresso da geologia no paiz visinho, tratando 
da mina dei Milagro nas Astúrias, diz, que o tempo em que esta mina 
começou a aproveitar-se é indubitavelmente muito antigo, e corresponde 
provavelmente ao periodo de transição entre a edade da pedra e a edade 
do bronze. 

O sr. Simonin, fallando desta mina, refere a sua primitiva lavra 
ao periodo em que os utensílios de bronze estavam a ponto de substi- 
tuir os de pau e de silex; porque antes que o metal fosse fundido era 
necessário lavrar o filão, e para isso é que serviram os martellos de pe- 
dra e outros instrumentos achados nos antigos trabalhos d "estes depó- 
sitos. 

Na mesma mina dei Milagro acharam-se alguns craneos humanos. 
O sr. D. Casiano de Prado refere que o sr. Busck vendo um d'elles, que 
se conserva na Escola de Minas, o considerou como pertencente a um 
individuo da raça vascongada, e os auctores da citada memoria acres- 
centam que, segundo outros notáveis anthropologistas, o mesmo craneo 
pertence a uma raça mui brachyccphala, que o sr. Simonin julga ser o 
verdadeiro typo do homem europeu primitivo. 

Os srs. Villa Nova e Tubino consideram a lavra de cobre do Cerro 
Muriano como contemporânea da dei Milagro nas Astúrias, e fundam-se 
para isso em que tanto em uma como em outra d'estas minas se reco- 
nhece que a industria mineral estava na infância, e que o mineiro em- 



78 JORNAL DE scie::cias matiiematicas 

pregava então instrumentos de pedra para separar o mineral das suas 
gangas, não abandonando o uso d'estes' instrumentos senão quando os 
progressos da civilisação, tornando o cobre e o estanho baratos, e tra- 
zendo o uso de ferro, permittiu o emprego dos metaes nos diversos 
usos da vida. 

Por este modo não fica precisamente determinada a época a que 
se refere a lavra destas minas com os martellos de pedra e outros uten- 
sílios, que com elles se acharam, porque pôde, na opinião doestes sá- 
bios, corresponder ao tempo que mediou entre a edade da pedra polida 
e a do bronze, a esta mesma edade ou â época de transição do bronze 
ao ferro; mas em todo o caso refere-se a tempos anteriores aos histó- 
ricos. 

Faltando-nos meios directos para estabelecer a edade a que perten- 
cem os martellos, e por conseguinte a antiga lavra da mina de Ruy Go- 
mes, parece-nos comtudo que podemos referil-os também aos tempos 
prehistoricos, não só por serem muito semelhantes aos do Cerro Mu- 
riano, mas por se acharem nas mesmas condições. 

Pelos esclarecimentos que me foram fornecidos pelo sr. Mouat por 
intermédio do sr. Leitão, os cinco martellos foram achados a uns 3 me- 
tros de profundidade, envolvidos no desmonte e terra dos entulhos, que 
enchem uma escavação oblonga, que é o trabalho mais antigo doesta 
mina. Ha ahi também um poço, e no fundo d'elle uma galeria a 9 me- 
tros de profundidade. 

O sr. Mouat refere a abertura da escavação aos Cellas, e a abertura 
de poço e galeria aos romanos : não fundamenta a primeira d'estas attri- 
buiçijes; mas corrobora a segunda com o facto de ter achado na gale- 
ria, e a pequena distancia da entrada, uma moeda romana de cobreS al- 
guns fragmentos de lanternas de barro, e bocados de aço, cortados em 
forma de cunha. 

Os auctores da memoria citada também acharam cm Cerro Muriano 
indícios de occupação romana; de feito, dizem elles, os restos de cerâ- 
mica achados n'esta mina estão dizendo claramente que o Cerro Muriano 
foi habitado, pelo decurso dos tempos por uma população romana que 
ali deixou signaes evidentes da sua passagem. 

Não nos consta que se achassem com os martellos de pedra ossos 
humanos em Ruy Gomes, mas temos de uma outra mina de cobre do 



^ Esta moeda é de Cláudio, que nasceu 10 annos antes de Jesus Clirisío, 
e morreu Si annos depois. 



//// E.si i 




PHYSICAS E NATURAES 79 

Alemtejo uma ma\illa inferior notável pela forma e pequenas dimensões, 
mas mais ainda pela alteração pathologica que apresenta. 

Tencionamos enviar á terceira sessão do Conjíresso Internacional 
de Archeologia prehistorica, que ha de abrir-se em Norwich a 20 de 
agosto d'es(e anno, modelos dos objectos a que nos temos referido n'esta 
noticia, e aguardaremos pelo juizo dos mais competentes, para fixar de- 
finitivamente o grau d"importancia d'este descobrimento. — (17 de julho 
de 1868) 



80 JORNAL DE SClExXCIAS MATIIEMATICAS 



Livros oíTerecidos á Academia Real das Seíencias de Lisboa 

ou por cila comprados 

desde 7 de março até ]2 de acosto de 1868 



Comptes rendus de Tacadémie des sciences de Tinstitut imperial de 

France, n. 4 à 23 (tables, 2*^ semestre, 1867). 
Archivo da camará municipal de Lisboa, n. 426 a 448. 
Revista de obras publicas, t. 16, n. 5 a 15. 

Hisíoire de la civilisation en Europe, par M. Guizot, 1 v. Paris, 1867. 
Descripção e uso da estadia portugueza, por Augusto Camacho. Porto, 

1868. 
Annuaire de la societé mêtéorologique de France : 

Tableaux méléorologiqucs, t. 13, fls. 12 à 17, t. 14, fls. 1 à 16. 
Bulletin des séances, t. 15, fls. 11 à 31. 
Proceedings of the royal geographical society of London, v. 12, n. 1. 
Jornal de pharmacia, março a julho de 1868. 
Revue des cours scientifiques et littéraires de la France et de Téiran- 

ger, n. 14 à 35. 
Mémoire de géométrie puré sur les surfaces du troisième ordre, par 

Louis Cremona, I v. Berlin, 1868. 
Breve memoria expondo o serviço prestado desde 1834 em diííerentes 

cargos superiores de administração publica, por Francisco de Paula 

de Sousa Villasboas, 1 folheto. Lisboa, 1868. 
The life of princc Henry of Portugal surnamed the navigator, for Richard 

Henry Major, 1 v. London, 1868. 
Reale accademia económico agrário dei georgofili di Firenze, parte sto- 

rica, 1866, dispensa 1 a 4. 
Continuazione degli atti delia reale accademia (Firenze), nuova serie, v. 

13, dispensa 1 e 2. 
Ordens do exercito, n. 12 a 41. 
De rinfluence du choléra sur la production de la folie, par le dr. Henry 

van Holsbeck, 1 folheto. Bruxelles, 1868. 
Un mot sur le câncer du sein par H. ven Holsbeek, 1 folheto. Bruxel- 
les, 1868. 



PHYSICAS E NATURAES 81 

Tratado elemental de química analítica precedido de algunas ideas so- 
bre filosofia química, por D. Lino Peiíuelas y Fornesa, 1 v. Ma- 
drid, 1867. 

Journal des economistes, janvier h juin de 1868. 

Annales météorologiques de Tobservatoíre royal de Bruxelles, févríer à 
juin, 1868. 

Memoirs read before the Boston society of natural history, v. 1. part. 
1 e 2. 

Boston Journal of natural history, v. 6, n. 1 a 4, v. 7, n. 1 a 4. 

Proceedíngs of the Boston society of natural history, v. 6 a 11, n. 1 a 6. 

Condition and doíngs of the Boston society, 2 fls., may, 1865, and. 1866. 

Atti deir accademia pontificia de nuovi lincei, sessione 1 (1863), 2, 3, 
4, 5, 6. 7 (1864), anno 17 ; sessione 1 (1864), 2, 3, 6, 7, 8 (1865), 
anno 18; sessione 1 (1865), 2, 3, 4, 5, 6, 7 (1866), anno 19; ses- 
sione 6 (1854), anno 7. 

Proceedíngs of the essex ínstitute, v. 4. n. 1 a 8; v. 5, n. 1, 2. 

The acts and resolves of the general assembly of the state of Rhodc is- 
land, from 1847 to 1865. 

Annals of Providence — Collections of the Rhode island historícal society, 
V. 3. 

Documentary history of lhe destruction of the Gaspee compiled for lhe 
Providence Journal by Hon : William R. Staples — (Providence 1845). 

Address before the Rhode island historícal society by William Gam- 
mell, 1 folheto. 

Discourse delívered before the Rhode island historícal society by Judge 
Durfee with MM. Wulman's Põem, 1 folheto. 

M. Harard's discourse before the Rhode island historícal society, 1 folh. 

M. Greene's discourse before the Rhode island historícal society, 1 folh. 

An address delívered before the Rhode island historícal society on the 
evening of february nineteenth, 1851, by Elisha R. Potter. 

Usher Parson"s Discourse delívered before the Rhode island historícal 
society, february 16, 1852. 

Lt. Gov. Arnold's discourse before the Rhode island historícal society, 
january, 1853. 

A discourse delívered before the Rhode island historícal society, fe- 
bruary 6, 1855 on the life and times of John Howland, late presi- 
dem of the society by Edward B. Hall D. D. 2 folhetos. 

Archíves du musée Teyler (Harlem), v. 1, fase. 3. 

Annual reports of the board of regents of the smithsonian instítution, 
1864, 1865, Washington, 2 v. 

JORN. DE SCIENC. M^TH. PHYP. ?. NAT. — N. Y. 6 



Oá JORNAL DE SCIEiNClAS MATHEMATICAS 

American academy of arts and science, Boston, v. 6, fls. 39 a 64, v. 7, 
fls. l a 28. 

Journal of the academy of natural science of Philadelphia, nov. ser., 
V. 6, part. I. 

Proceedings of the academy of natural science of Philadelphia, n. 1 a 5 
(1854), n. 1 a 5 (1865), n. 1 a 5 (1866). 

The Transactions of lhe academy of science of St. Louis, v. 2, n. 2. 

Proceedings of the american philosophical society of Philadelphia, v. 9, 
n. 71-72. V. 10, n. 76. 

List of the members of the american philosophical society of Philadelphia. 

List of the surviving members of the american philosophical society Phi- 
ladelphia, january, 1865. 

Catalogue of the american philosophical society library, part. 1, 1863. 

Transactions of the Connecticut academy of arts and science, v. 1, part. 1. 

Procedings of the Chicago academy of sciences, v. 5. 

Ânnals of the astronomical observatory of Harvard college, v. 2, part. 2, 
1854-1855. 

War department Surgeon generaUs oflice Washington, november, 1865. 

Memoirs of the national academy of sciences, Washington, v. 1. 

Annals of the lyceum of natural history of New-York, v. 8, n. 2 a 14. 

Charter, constitulion and by-laws of lhe lyceum of natural history in the 
cily of New York with a list of the members, 1864. 

Journal of the Portland society of natural history, v. 1, n. 1. 

Proceedings of lhe Portland society of natural history, v. 1, part. 1, 
fls. 97 e 128 do v. 1. 

Annual of the national academy of sciences for 1865, Cambridge, 1866. 

Memoirs of the historical society of Pensylvania, v. 1. 

Narralive of sufferings in Rebel military prison, Pensylvania. 

The freedman's friend (journal), v, 1, n. 2, Pensylvania. 

Report of friend's relief association, Pensylvania. 

The Freedmen of.soulh Carolina, Pensylvania. 

Report of Pensylvania relief associalion, Pensylvania. 

A new Chemical nomenclature by S. D. Tulleman, Albany, 1866. 

Revista de los progresos de las ciências exactas, físicas y naturales (Ma- 
drid), t. 18, ns. 1 a 4. 

Soneto do commendador Salvatore Fenícia escrito em 1 de janeiro 
de 1868. 

21 annual report of the public schools of lhe cily of Washington, 1 fo- 
lheto, Washington, 1866. 

Report of the secretary of war, Washington. 



PHYSICAS E NATURAES 83 

38 annual report of the inspectors of the state peiiitentiary for the eas- 

tern district of Pensylvania to lhe senate and house of representa- 

tives of the commonweallh of Pensylvania, march, 1857. 
United States sanitary commission balietin, 1883-1865, New York. 
Documents of the U. S. saniíary commission, v. 1-2 ns. 1 a 95, New 

York, 1866. 
Societá reale dl Napoli. Rendiconto delle tornate e dei lavori deli acca- 

demia di scienze morah e pohtiche, anno 7, janeiro a junho de 

1868. 
Étude sur les raisins, leurs produits et la vinification par S. R. Le Canii. 
Notice statislique sur Tasile des alienes Solimanié à Constantinople pour 

la période de dix ans comprise entre le l^mars 1857 etle 28 fé- 

vrier 1867, par le docteur Louis Mongeri. 
Fungi angolenses by Friedrich Welwitsch and F. Currey, part 1, Lon- 
dres, 18G8. 
Catalog 290 des antiquarischen Biicherlagers von H. W. Schmidit. 
N. 292 Bibliotheca historico-naturalis in universum zoológica, physiolo- 

gica, entomologica. Catalog des antiquarischen biicherlagers von H. 

W. Schmidt. 
Wenthwolle sclirifíen aus den veriage von H. W. Schmidt in Hall 7s i^ia- 

thematik physik, oplik, astronomie meteorologie und feldmes- 

skunde. 
Empfehienswerthe zoologische, bolanische, mineralogische schriften aus 

dem veriage von II. W. Schmidt. 
Nouvelles mctéorologiques de la société météorologique de France, 1868, 

avril n. 4 à aoút n. 8. 
Les fonds de la mer, par Berchon, de Folin, Périer, 3 e 4 livraisons, 

Bordeaux. 
Llnvestigateur (journal de Tinstitut historique de France), livraisons 

398-401. 
Quarterly journal of microscopical science of London, 1868, april, july. 
The annals and magazine of natural hislory, v. 1, n. 4 a 7. 
Leçons cliniques sur les maladies chirurgicales des enfants par M. J. Gi- 

raldes, 2 fascículo. Paris, 1868. 
Jornal da sociedade das sciencias medicas, n. 2 a 7, 1868. 
Relatório sobre o campo de instrucção e manobra na charneca de Tan- 
cos por António de Mello Breyner. 
Précieux et précieuses, caracteres et moeurs httéraires du 17 siècle par 

Ch. L. Livet, 1 v. Paris, 1859. 
Histoire de 1'académie française par Pelisson et d'01ivet avec introdu- 



84 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

ction (les éclaircissemeuts et notes par M. Cli. L. Livei 2 vols. 

Paris. 
La Grammaire française et les grammairiens au 16" siècle par Gh. L. 

Livet, 1 V. Paris. 
Notes and queries, n. 15 a 18. 
Quarterly joiírnal of geological society of London, v. 24, part. 1, n. 03, 

part. 2, n. 94. 
Journal asiatique, Paris, 6""^ série, t. 10, n. 37 a 41. 
Monthly notices of the royal astronomical society of London, v. 28, 

n. 1, 2, 3. 
Gazela de pharmacia e applicações das sciencias, por P. J. da Silva, 

n. 9 a 18. 
Observatório do infante D. Luiz, annaes, v. 5, 1867. 
Revue des questions liistoriques, 2'*'' année, 8*^ livraison, T"" avril. 
MoUusques terrestres et fluviatiles de la cote d'or, par Henri Drouct, 

1 folheto. Paris. 
Catalogo provisório de galeria nacional de pintura existente na academia 

real das bellas artes de Lisboa. 
Correspondance de Napoléon ^^ t. 23". 
Bullctin de la societé de géographie (Paris), 1868, mars a juin. 
A new resolution of the diameters and distances of lhe hoavenly bodies 

by comnion arithmelic by W. Isaacs Loomis, New York, 1868. 
Discovery of the origin of gravitation and the majestic motive force 

which generated the diurnal and yearly revolutions of the heavenly 

bodies in two parts by William Isaacs Loomis, 1866. 
O hospital da santa casa da misericórdia do Porto ou a proposta apre- 
sentada em mesa no dia 2 de janeiro de 1865, por João Mendes 

Osório. 
Jornal da sociedade pharmaceutica lusitana, mai^ço a maio de 1868. 
Monatsbericht der koniglich preussischen academie der Wissenschaften 

zu Berlin, december 1867, januar a april, 1868. 
Revue des deux mondes, t. 73 a 76, janvier a aoút, 1868. 
De la variation des animaux et des plantes sous Faction de la domesti- 

cation, par Charles Darwin, t. l®^ Paris, 1868. 
Journal mensuel des travaux de Facadémie nationale, agricole, manufa- 

cturière et commerciale. Paris, 38® annèe, 1868, mars a juin. 
Boletim do ministério dos negócios da justiça, janeiro a dezembro de 

1866. 
Meíeorologische beobachtungen angestellt in Dorpart.im iahre 1867, von 

dr. Arthur von Oettingen. 



PHYSICAS K NATURAES 85 

Noções históricas e criticas, acerca dos objectos antigos e apreciáveis da 
sé primacial de Braga na exposição archeologica no palácio de cris- 
tal portuense, pelo commendador B. J. Senna Freitas. 

Relazione inédita delia morte di Cario 3.° duca di Savoia, publicata dal 
barone Gaudenzio Claretta. 

Excerptos históricos e collecção de documentos relativos á guerra de- 
nominada da península e ás anteriores de 1801 e do Roussillon e 
Cataluna, por Cláudio de Chaby. 

Resume des observations sur la météorologie et sur la physique du 
globe, 1867, Bruxelles. 

Boletim bibliographico publicado pela viuva More, Porto, 2.^ ser., n. L 

Journal of tlie royal agricultural society of England, 2'' ser., v. 4, part. 
1, n. 7. 

Colombo, poema por Manuel de Araújo Porto Alegre, 2 vols. Rio do 
Janeiro, 1866. 

XI lahres, Bericht des schwcdischen heilgymnastischen institutos in Bre- 
men von dr. Axel Sigfrid Ulrich, Bremen, 1868. 

Atti dei reale istituto d"incoraggiamento alie scienze naturali, cconomi- 
~ che e technologiche di Napoli 2.* ser., t. 4, Napoli, 1867. 

Magnum buUarium romanum. Editio taurinensis, t. 7, 1862. 

Appendix magni bullarii romani editionis taurinensis apostólica benedi- 
ctione erectae SS. D. N. Pii Papae IX auspicante olim fel. memo- 
riíe Francisco Gaudo S. R. E. Cardinali, v. 1, part. 1. 

A antiga escola portugueza de pintura, estudo sobre os quadros atlri- 
buidos a Grão Vasco por J. C. Robinson, publicado por ordem da 
sociedade promotora das bellas artes, pelo marquez de Sousa Hol- 
stein, Lisboa, 1868. 

Ilisloire universelle de César Cantu, tom. 18 et 10. 

O tralamento da angina diphterica pelas flores de enxofre, por António 
Maria Barbosa. 

Theses ex naturali philosophia seleclae quas anno 1868 in Conimbricensi 
Gymnasio propugnabat Hadrianus de Paiva de Faria Leite Brandão. 

Geologia. Apreciação do systema das causas actuaes. Dissertação inau- 
gural para o acto de conclusões magnas na faculdade de philo- 
sophia, por Adrião de Paiva de Faria Leite Brandão, 1 v. Coim- 
bra, 1868. 

Anvers considere sous le rapport de ses Iravaux maritimes d"agrandis- 
sement et de transformation des terrains militaires de la vieille 
enceinte et des quartiers incorpores de M. Th. van Bever ingénieur 
de la \iile, par Victor Fr. SchaíTers, 1 folheto, Anvers, 1868. 



86 



JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



La libéria caííolica (jornal), Nápoles, anrio 2.°, n. 123. 

Transactions and proceedings of lhe royal society of Vicloria, pari. 2, 
V. 8, Melbourne. 

Academia ponlificia de Nuovi Lincei, programma pel premio Carpi, 1868. 

Obras poslhumas de A. Gonçalves Dias, precedidas de uma noticia da 
sua vida e obras, pelo dr. António Henriques Leal, 2 vols. 1868, 
S. Luiz do Maranhão. 

Noticia das colleções da secção mineralógica do museu nacional de Lis- 
boa, por Francisco Augusto Xavier d'Almeida, 1 folheto, Lisboa, 
1868. 

Ephemerides commemorativas da historia de Macau e das relações da 
China com os povos christãos, por A. Marques Pereira, 1 v. Ma- 
cau, 1868. 

Do direito internacional privado. Dissertação inaugural para o acto de 
conclusões magnas na faculdade de direito da universidade de Coim- 
bra, por Lucas Fernandes Falcão, 1 v. Coimbra, 1868. 

Super lucem zodiacalem hypothesis, pelo padre José António da Con- 
ceição Vieira. 

Imprensa académica (jornal dos estudantes de S. Paulo), Brasil, anno 2.**, 
ns. 1 a 4. 

Nota estatislica das grandes operações praticadas no hospital de S. .losé 
de Lisboa, durante os últimos doze annos, a propósito da seguinte 
questão «Des accidents généraux qui entrainent la mort après les 
opéralions chirurgicales» lida no congresso medico internacional de 
Paris em agosto de 1867, por António Maria Barbosa, 1 folheto, 
Lisboa, 1868. 

Indication des travaux et publications de M. le dr. J. L. G. Guyon, 1 fo- 
lheto. Paris, 1868. 

Indication de quelques travaux de M. le dr. Guyon se raltachant à This- 
toire naUirelle et à réconomie rurale plus parliculièrement suivie 
de ses découverles en espèces nouvelles tant en botanique qu'en 
zoologie, 1 folheto. Paris, 1868. 

Essai sur la métaphysique des forces inhérentes à Tessence de la ma- 
tière et introduclion á une nouvelle théorie atomo-dynamique, par 
Alexandre SchyanoíT, lieutenant capitaine de Tarmée russe (mémoire 
premier et second), 2*""® edition, Kiew, 1868, 1 v. 

Description d'une nouvelle espèce de barbu de Fifrique occidentale par 
Jules Verreaux, 1 fl. Paris, 1868. 

Description d'une nouvelle espèce de perdrix, par MM. J. Verreaux et 
0. des Murs, Paris, 1868. 



PHYSICAS E NATURAES 87 

Notice sur le néosébaste, nouveau genre de poissons de la famille des 
scorpénoides et description d'une nouvelle espèce par M. Guiche- 
nol, Paris, 1868. 

Considérations physiologiques sur la question de rideiitité de Ia chaleur 
et de la lumière, par le dr. G. Sous. 

Lettre de M. de Stéfani-Nicolosi à racadémie de législation de Toulouse, 
Catania, I folheto. 

De Torganisation judiciaire en Italie et des reformes dont elle parait sus- 
ceplible, par M. Joseph de Stéfani Nicolosi, 1 folheto, Toulouse, 
1868. 

Journal of the royal asiatic sociely of Great Britain and Ireland, v. 3, 
part. 1. 

Index generum ac specierum anlhiadidurum hucusque in museo pari- 
siensl observatorum, auctore Guichenot. 

Abhandlungen der malhematisch-physikalischen classe derkõniglich baye- 
rischen akadernie der Wissenschaften, v. 10, abtheiking 1. 

Die Entwicklung der ideen in der naturwissenschaft. Rede in der offen- 
tlirhen Siízung der k. akadernie der Wissenschaften am 25 juli 
1866 zur vorfeier des geburts und namensfestes sr. maj: des kõ- 
nigs gehaUen von Justus Freiherrn von Liebig, 1 v., Miinchen, 
1866. 

Die Bedeutung moderner gradraessungen vortrag in der õíTenílichen 
Sitzung der k. akadernie der Wissenschaften am"25 juli 1866 zur 
vorfeier des geburts und namcnsfesles sr. majestàt des kònigs ge- 
haUen von dr. Cari Maxirailian Bauernfeind, 1 folheto, Múnchen, 
1866. 

V Supplementband zu den annalen der miinchener sternwarte verzei- 
chniss von 9ÍI2 aequatorial stefnen zwischen 3" und — 3.** decli- 
nation welche in den miinchener zonen— beobachtungen vorkom- 
men reducirt auf den anfang des iahres 1860 nebst vergleichung 
mit den beobachtungen von Lalande, Bessel, Riimker und Schjel- 
lerup. 

Sitzungsberichte der kõnigl. bayer akadernie der Wissenschaften zu 
Miinchen, 1865, v. 2. heft 3 e 4, 1866, v. 1, hefl 1 a 4, v. 2, 
heft 1 a 4, 1867, v. 1, heft, 1 a 3. 

Ueber die brauchbarkeit der in verschiedenen europaischen staaten ve- 
ruíTentlichten resultate des recruíirungs geschãftes zur beuríheilung 
des entwicklungs-und gesundheits-zusíandes ihrer bevôlkerungen 
von dr. Th. L. W. BischoíT, 1 folheto, Munchen, 1867. 

Ueber die verschiedenheit in der schâdelbildung des gorilla, chimpanzé 



88 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

und orang outang vorziiglich nach Geschlecht und alter iiebst einer 
bemerkung úber die darwinsche theorie von dr. Th. L. BischoíT, 
1 folheto, IMúnchen, 1867. 

Zweulndzwanzig tafeln zu der abhandlungen des prof. Th. Bischofif úber 
die schadel der menschenahnlichen Affen, Múnchen, 1867. 

Revue des spécialités et des innovations médicales et chirurgicales fon- 
dée et dirigée par Vincent Duval, 3 ser., t. 3, 1808. 

Zambezia e paizes adjacentes, mappa coordenado sobre os numerosos 
documentos em que se comprehendem as viagens do dr. Lacerda, 
Monteiro e Gamitto, Montanha e Teixeira, Green, Chapman e ou- 
tros e muito especialmente as do illustre dr. Livingstone, pelo mar- 
quez de Sá da Bandeira, 2. edic, Lisboa, 1867. 

Manual do direito administrativo parochial e Manual do direito ecclesias- 
tico parochial, por António Xavier de Sousa Monteiro, 3 v,, Coim- 
bra, 1866 a 1868. 

Note statistique des grandes opérations faites à Thòpital nnlional et royal 
de Saint-Joseph pendant les douze dernières années, par A. M. Bar- 
bosa, Paris, 1868, 1 folheto. 

Monumentos nacionaes, texto por José da Silva Mendes Leal; photogra- 
phias por Henrique Nunes, Lisboa, 1868, n. 1 a 3, fevereiro a 
abril. 

Estatística dos liospitaes de S. .losé, S. Lazaro e Desterro na primeira 
estação do anno de 1865, feita segundo o plano e debaixo da di- 
recção do dr. Pedro Francisco da Costa Alvarenga, 1 v, Lisboa, 
1867. 

Le Japon, ses institutions, ses produits, ses relations avec TEurope, par 
le comte C. de Montblanc, 1 folheto, Paris, 1867. 

Ilistoire héroique et chevaleresque des Alfonse d'Espagne par le baron 
de Septenville, 1 v. Bruxelles, 1865. 

Découvertes et conquêtes de Portugal dans les deux mondes, par le ba- 
ron de Septenville, 1 v. Paris, 1863. 

A General catalogue of books arranged in classes offcred for sale by 
Bernard Quaritch, 1 v. London, 1868. 

Natuurkundige verhandelingen van de Ilollandsche maatschappij der We- 
tenschappen te Harlem, t. 25, part. 2. 

Archives neerlandaises, t. 2', livraisons 3-4-5, t, 3^"'^ livraisons 1-2. 



PHYSICAS E NATURAES 



89 



I. MATHEMATICA 



Deduccão da fórmula que dú o volume límilado pelo «intradorso» 
d'uma abobada de «aresta», por o plano das Impostas e por os 
planos verticaes que conteem os quatro arcos de testa da mes- 
ma abobada 



LUIZ PORFÍRIO DA MOTTA PEGADO 



O intradorso d'uma abobada d'aresta é formado por dois cylindros 
horisontaes, tendo um por secção recta o semicirculo BND, construido 
sobre o lado BD do rectângulo ABDE, e o outro a semi-ellipse AMB, 
cujos eixos são AB e uma recta egual a BD. O plano das impostas é 
o do rectângulo ABDE. 




O plano vertical AD corta os dois cylindros segundo ellipses eguaes, 
que se confundem, e o mesmo acontece ao plano vertical BE. Estas el- 
lipses formam as arestas da abobada. 

JORN. DE SCIENC. MATH. PHYS. E NAT. — N. VI. 7 



90 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Supprimindo no cylindro, cuja secção recta é BND, as porções das 
geratrizes rectilíneas que se projectam dentro dos triângulos ABF e 
DFE, e no outro as porções das geratrizes que se projectam nos triân- 
gulos AFE e BDF, obtem-se uma superfície mixta, que é a que forma 
o intradorso da abobada d'aresta. 

Trata-se pois de calcular o volume d'um solido limitado por o plano 
horisontal ABDE, por os quatro planos verticaes AB, BD, DE, AE e 
pelas partes não supprimidas dos dois cylindros. Começaremos por cal- 
cular os volumes das porções d'este solido que são limitadas por os 
planos verticaes correspondentes aos lados dos triângulos CBF e DCiF. 

Imagine-se um plano vertical parallelo ao plano do circulo rebatido 
BND : é claro que este plano produz n'aquellas porções do solido duas 
secções eguaes e rectangulares, que tem por bases PPi e ppi e por 
altura a ordenada 3IP da ellipse. Designando por A a somma das áreas 
d'estes dois rectângulos tem-se 



A = 2 .PPiXMP. 

Suppondo que é 

CP = x, AB=-=a, DD = b, 

será 



m=^('4--); 



e portanto 



Representando por ^ a somma dos volumes, que pretendemos ava- 
liar, será V a somma dos volumes que tem por bases os triângulos 
ABF 6 DFE, e ter-se-ha 



x"^ . dx. 




PHYSICAS E NATURAES 91 

OU 



'=^1 (|-^)\/í-*'-''-^- 



Chamando v' á somma dos volumes limitados pelas duas porções 
da superfície cylindrica de revolução que tem por bases AEF e BDF e 
A' á somma das áreas dos dois rectângulos eguaes que se obteem cor- 
tando estes sólidos por planos parallelos ao da ellipse AMB, será 



e suppondo que 
ter-se-ha 



A'=2. QQiXNQ, 
OQ=íh 



e portanto 






+! 



t)' 2a / /d \, /tf , , 



ou 



+4 



-f (l-^)\/í-^-<'^- 



92 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Sendo porém o volume total V egual á somma dos volumes v e v' 
segue-se que será 



+1 _ 



Resta por consequência effectuar estas integrações ou uma só, visto 
que ambas são da mesma forma. Integrando a primeira expressão acha- 
remos 



/(l-^)v/í---'-<^=lM-^-^-''--f'Ví-'- 



Ora 






ou 



fsJ^^^-xKdx^'^ arco. seno ^-^-(-x\J'{-x^+fs/"^^-x^ . de 
Logo 



j V4""^ • 8 ^^CO.senO — +2V4'~ • 

Sendo porém 
segue-se que 



PHYSICAS E NATURAES 93 



/ /« \. /«"' <» j «' 2x , ax. la- „ , 



+ L(t— -2^^)^ + constante 



;H\/^ 






ou 



'^i 



.2 
o 



|_.)^|_.,.,.=.i'(E_|)....(2) 

Substituindo n'esta egualdade a por & e j; por ?/ vem 

' .)s/F^.%=|(l-i)....(a) 

e introduzindo os valores d'estes integraes na equação (1) 
ou 

v=(f+f)(f-*) 

e finalmente 



y* JORNAL DE SCIENCIAS xMATHEMATIGAS 

Quando a=b a abobada tem por base um quadrado e a expres- 
são precedente converte-se em 



'''=«' (1-1)- •••(») 



22 
Dando a tt o valor y acha-se 



^- A = 0,45238 



e as fórmulas precedentes reduzem-se a 

F= 0,45238. rt6=* 
Kl = 0,45238. «3 

Convém nâo deixar esquecer que na primeira d'estas duas fórmu- 
las a representa o lado do rectângulo sobre que se suppoz construída 
a semi-ellipse, e que, sendo esta abatida ou de eixo menor vertical, 
como acontece quasi sempre, é a>&; se a ellipse, porem, for de ponto 
subido, então será a<ib. 

Lisboa, 12 de junho de 1866. 



i 



PHYSICAS E NATURAES 



95 



Deducção da fórmula que dá o volume limitado pelo «intradorso» 
d'uma «abobada de barreie», por o plano das impostas e por os 
quatro planos verticaes correspondentes aos pés direitos da 
«abobada o 

POR 
LUIZ PORFÍRIO DA MOTTA PEGADO 



O intradorso d"uma abobada de barrete diíTere do intradorso de 
uma abobada d^aresta em que as porções dos cylindros que se suppri- 
mem n'esta conservam-se n'aquella, e vice-versa. 

Concebe-se facilmente que cortando a superfície intradorsal d"uma 
abobada de barrete por um plano horisontal, ou parallelo ao das im- 
postas, se obtém um rectângulo semelhante ao rectângulo ABDE sobre 
o qual se suppõe assente a abobada. 



/« 


^^.^ — 


~— -~~,^ 


'7 














\ 


/ 




r 




\ 


B 






9X 


^ 






\ 


y 












/'^ 









^xT 








X 


\v 




n 




s 


It 


\ 


/ 


/ 






\ 


^^^ 


E 








1 





Seja PÇ/ÍS o rectângulo que se aclia quando se emprega um plano 
secante cuja distancia ao plano do rectângulo ABDE é qqQ==rro=z. 



96 JORNAL DE SCIEJXIAS MATHEMATICAS 

O lado RQ do rectângulo pôde calcular-se pela expressão 



RQ = ^.Oro = ^yJj~z'' 



ca qual é b^=DD. 

Suppondo que a = AB será 

ou 
e cumo 



segue-se que 



âreaPei?S = ^«(f-.^ 



logo 



Designando por V o volume, que se quer calcular, lem-se 
/ í -j — -22 j d:; = -^ 2 — ^ -f constante, 



/. 



I 9. 



(^.-^Y^< 



2 " 3.8 



'^2 



(^^^)^-s....(^). 



PHYSICAS E MATURAES 07 

Substituindo este valor na equação (1) 



4a P 



OU 



V=!^-....(3). 



Se a abobada for construída sobre um quadrado será «:=& e 



a* 
V.= 3....(4). 



Observação. É notável que, sendo a^^í? — õ^) o volume corres- 

pondente á abobada d'aresta e -^ o da abobada de barrete, a somma 

dos dois volumes será —^, e portanto egual ao volume do cylindro de 
revolução cujo comprimento é AB=a e a base o circulo de raio egual 
a 2 ou egual ao volume do cylindro que tem de comprimento b e por 

base a ellipse construída sobre eixos eguaes a a e &. 
Vê-se também que sendo 4>7r>'3 será 

4>4 °" 4>3' '^ 4-3>3 ; '°S° «''■(l -3)>ir- 

Querendo, portanto, cobrir um espaço rectangular com uma abo- 
bada d'aresta ou com uma abobada de barrete, devemos empregar a 
primeira sempre que quizermos com o mesmo comprimento e largura 
obter um maior volume de ar dentro da casa que se pretende aboba- 
dar. É evidente que esta conclusão não deixa de ser verdadeira quando 
a casa em vez de ser rectangular for quadrada. 

Lisboa 19 de junho de 1866. 



1)8 JORNAL DE SCIExNClAS MATHEMATICAS 



11. PHYSICA E CHIMICA 



I. Investigações sobre as naplitalínas nitradas 
e bases polyalomlcas derivadas 

POR 

A. A. DE AGUIAR, E E. LAUTEMANN 

(Memoria aprcsenUida á Sociedade Chiinica de Paris por A. Wurlz) 



SEGUNDA PARTE 

(Continuado de pag. 208 do num. 3 o de pag. 112 do num. 2) 

Acção do iodareto de phosplioro sobre a tetranitronaplitalina 

O acido iodhydrico nascente, ou o iodureto de phosphoro em pre- 
sença da agua, transforma a tetranitronaphtalina no iodureto d'uma te- 
tramina. 

A reacção eífectna-se nas mesmas condições, em que a trinitrona- 
phtalina se converte em naphtaltriammonium. 

É necessário empregar iodureto de phosphoro em excesso, que im- 
peça a oxydação do producto. Quando a reacção finaUsa, filtra-se o li-^ 
qiiido rapidamente por amiantho. A dissolução acida deve ficar em re- 
pouso, n'um h)gnr escuro, durante algumas horas, até que tenha depo- 
sitado os crystaes lamellares do iodureto orgânico. Assim que se tenha 
obtido este resultado, poem-se a escorrer dentro d'um funil de vidro, 
e enxugam-&e sobre um tijolo de porcelana crua. O aquecimento final 
deve ser feito n'uma estufa á temperatura de 50 a 60° centígrados, em 
quanto os crystaes emittirem fumos de acido iodhydrico. — Purificados 
por este modo e submettidos á analyse, deram os seguintes resultados: 



, PHYSICAS E NATURAES 90 

ANALYSE DO G K H 

0^'', 478 — matéria 
0^308 — C02 
0"M30 — H^O 

ANALYSE DO Az 

I 

— 0^^656 de substancia produziram 45'' de azote 
p = 7GP'" T^lo^centigr. 

II 
— 0^',320 de matéria deram 37'' de azote 

p = 7Gl,5'°" T-=13° centigr. 

ANALYSE DO lODO 

O""", 150 — matéria 

0?^202 — iodureto de prata 

COMPOSIÇÃO CENTESniAL 

Theorica Experimental 

C — 17,14.... 17,57.... » 

H — 2,28 .... 3,02 .... )> 
Az— 8,00.... 8,02 .... 8,3 i 

1 — 72,58 ■ . . . 72,73 » 

100,00 

Estes resultados concordara com a fórmula 
d'uma tclramina, que appellidâraos naphtaltélrammomum. 



100 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Temos algumas razões para suppor que este iodureto perde acido 
iodhydrico, nas mesmas circumstancias em que isto succede ao iodu- 
reto da triamina, derivada da trinitronaphtalina. A pequena porção de 
matéria de que dispozemos, não chegou para fazer estas determinações. 

Propriedades. — O iodureto de naphtaltétrammonium, em solução 
acida, crystallisa em laminas amarellas e brilhantes. É solúvel na agua 
e no álcool. 

Parece que o iodureto tetratomico, depois de secco, é mais estável 
que o iodureto triatomico. 

Pela acção do calor, n'um tubo de ensaio, desenvolve acido iodhy- 
drico ao principio, e depois iodo: afinal decompõe-se completamente. 

O iodureto de naphtaltétrammonium comporta-se, em presença dos 
reagentes, d'um modo análogo ao iodureto triatomico já descripto. 

Os crystaes do iodureto tetratomico ennegrecem em presença da 
luz. Pela acção do acido sulfúrico, transformam-se em sulfato de naphtal- 
tétrammonium. Este sal e bem assim outros compostos de naphtalté- 
trammonium, hão de ser descriplos n'uma outra Memoria. Entre elles, 
alguns ha que nos parecem importantes â claridade da theoria. 



FIM DA SEGUNDA PARTE 



PHYSICAS E NATURAES 101 

III. BOTÂNICA 

4. Catalogo metliodíco das plantas observadas em Portugal 

POR 

CARLOS MARIA GOMES MACHADO 

(Continuado de pag. 37 do num. 5) 



Trib. II. Alsineae 

8. Holosteum L. 

1. H. umhellattm L. sp. 130; Brot. íl. lus. I. 125. — Rchb. 1. c. 
t. 221, f. 4901. 

In arvis pr. Bragança et alibi in Transmontana [(Brot.). Ann. Mart.- 
Maj. 

9. Cerastium L. 

1. C. viscosiim L. sp. 627; Drouet cat. de la íl. des Açores 80 
n." 55. — C. vulgatum var. (3 Brot. íl. lus. II. 218. — C. glomeratitm 
Thuill. par. 220. —Rchb. 1. c. t. 229, f. 4970. — Welw. it. lus. (1851) 
D.°59; Mach. exs. n.° 103. 

In agris, aggeribus, cultis, etc. freq.! Ann. Mart.-Septr. 

2. C. vulrjattim L. sp. 627; Vand. spn. 30; Brot. íl. lus. II. 218 
var. a; Seub. íl. azor. 45 n.° 334. ~C. triviale Link enum. I. 433; 
Lowe man, íl. of Mad. 00. —Rchb. 1. c. t. 229, f. 4972. 

In pratis, humidis Lusitaniae borealis non freq. Ann. Mart.-Septr. 

3. C. rjlutinosum Fries nov. ed. II. 132, — Rchh. 1. c. t. 229, 
f. 4969. —Mach. exs. n." 1291. 

In monlosis c. Portalegre! Ann. Apr.-Maj. 



102 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

4. C. erectum Coss. et Germ. fl. par. ed. 1. 39. — Sagina erecta 
L. sp. 18o;Vand. spn. 10; Brot. íl. lus. I. 214. — Moenchia erecta F\. 
Wett. I. 219. — Rchb. 1. c. t. 227, f. 4953. — Welw. it. lus. (1851) 
n.° 64; Mach. exs. n.° 1073. 

In Algarb. pr. Muncliique (Bourg. ! lib. Coss.) ; in transtaganis pinetis hu- 
midis pr. Coina (Welw.); in dumetis glareosis c. Conimbr.! et alibi (Brot.). 
Ann. Febr.-Apr. 

10. Stellaria L. 



1. S. media Y\\\. Dauph. III. 615; Lowe man. fl. of Mad. 59. 
— Drouet cat. de la fl. des Açores 80 n." 58. — Alsine minor Dod. 
pempt. 29; Grisl. V. Lus. n.° 66. —A. media L. sp. 389; Vand. spn. 18; 
Brot. fl. lus. I. 476. —Rchb. 1. c. t. 222, f. 4904. —Mach. exs. n.° 100. 
[Morugcm, Orelha de rato]. 

(ò major. —Rchb. 1. c. f. 4905. 
In sepibus, cultis, etc. freq.l var. j3 in serra da Picota (Bourg. hb. Coss.) 
Ann. Fl. fcrè totó anno. 

2. S. holostea L. sp. 603; Brot. fl. lus. II. 195. — Rchl). 1. c. 
t. 223, f. 4908. 

In umbrosis silvaticis ad Durium et alibi in Interamnia e Transmontana 
(Brot.). Peren. Maj.-Jun. 

3. S. graminea L. sp. 604; Brot. fl. lus. II. 195. —Rchb. 1. c. 
t. 224, f. 4911. —Mach. exs. n." 101. 

Ad ripas Mundael Durii (Brot.) ; et alibi in Lusit. boreali (Brot.). Peren. 
Jun.-Jul. 

4. S. nliginosa Murr. prod. Goett. 55 (1770); Brot. fl. lus. II. 196; 
Lowe man. fl. of Mad. 59. — S. graminea y L. fl. Suec. ed. 2, 150. 
— Pohjgonum Alsines folio Grisl. V. Lus. n.° 1178. — Rchb. 1. c. t. 226, 
f. 3669. —Mach. exs. n.° 102. 

In Algarbiis pr. Monchique (Bourg. [hb. Coss.); in uliginosis ad fontes 
do Gato et Castanheira pr. Conimbr. (Brot.); serra daEstrellal Bussacol et 
alibi. Ann. Vère-Aest. 

5. S. aquática Scop. fl. Carn. I. 319. — Alsine Major Cam. epit. 
851; Grisl. V. Lus. n." 66. —Cerastium aquaticimih. sp. 629; Brot. 



PHYSICAS E NATURAES 103 

íl. lus. II. 219. — Malachium aqiiatimm Fries hall. 77. — Rchb. 1. c. 
t. 237, f. 4967. — Mach. exs. n.° 106. 

In umbrosis, aquosis, ripis fluviorum: pr. Conimbr.! et alibi in Beira et 
Lusitânia boreali. Peren. Jun.-Oct. 

M. Arenaria L. 

•1. A. serpylli folia L. sp. 606; Brot. fl. lus. II. 200; Lowe man. 
íl. of Mad. 58. — Alsine mmíma Grisl. V. Lus. n." 66. — Rchb. 1. c. 
t. 216, f. 4941. —Mach. exs. n.« 112. 

In muris siccis glareosis c. Olisip. (Brot.); pr. Geria c. Conimbr.! etc. 
Ann. Jun.-Jul. 

2. A. Algarbiensis Welw. in pi. exs. It. lus. (1851) n.''.61 ; Willk. Ic. 
austr. occ. I. 93. L 61 D. — Bourg. exs. n.° 1795; Mach. exs. n.° 815, 

In arenosis Algarb. pr. Olhão (Welw.); Faro (Bourg.). Ann. Apr.-Maj. 

3. A. conimbr icemis Brnt. fl. lus. II. 200; et phyt. lus. I. 179, 
t. 73; Willk. 1. c. 91, t. 61 A. —Spergida ciUaris Brot. íl. lus. II. 215 
(ex Link). —Welw. it. lus. (1851) n.° 62; Bourg. exs. n.° 1794; Mach. 
exs. n.° 98. 

In Algarbiis pr. serra da Picota (Bourg.); in transtaganis arenosis humi- 
diusculis pr. Vendas (Welw.); in montosis pr. Santo António dos Olivaes! 
(Brot.). Ann. Apr.-Jun. 

4. A. emargimita Brot. íl. lus. II. 202 ; Willk. 1. c. 93, t. 62 B. 
—Bourg. exs. n.'' 1796; Mach. exs. n.'' 801. 

In Algarbiis pr. Faro (Willk., Bourg.!). Ann. Vère. 

5. A. montana L. sp. 606; Brot. íl. lus. II. 199. — Myosotis lu- 
silanica linariac folio, magno flore Tourn. inst. 245. — Rchb. 1. c. t. 218, 
f. 4951. —Welw. it. lus. (1851) n." 65; Mach. exs. n.° 99. 

In serra de Monchique! (Bourg.!); in dumetis editioribus de Cintra 
(Welw!); in serra de Portalegre! in montosis c. Conimbr. (Brot.), pr. Santo 
António dos Olivaes! et alibi in Lusit. boreali (Brot.). Peren. Maj.-Jun. 

6. A. capitfita Lamk. fl. fr. — A. tetraquetra Brot. fl. lus. II. 200. 
— Gypsophila aggregata L. sp. 581. —Gay ann. se. nat. IV. pag. 88, t. 4. 

In montosis subhumidis da serra da Estrella; inter Cea et Sabugueiro 
(Brot.). Peren. Jun.-.íul. 



104 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

7. A. trinervía L. sp. 605; Brot. fl. lus. II. 198. —Moehringia tri- 
nervia Clairv. man. herb. 150. — Rchb. 1. c. t. 216, f. 4943. — Mach. 
exs. n."* 97. 

In Monchique (Bourg.); rar. c. Conimbr., in umbrosis humidis ad serra 
da Estrella et Gerez (Brot.); in Bussaco! Ann. Jun.-Jul. 

8. A. temiifolia L. sp. 607; Brot. fl. lus. II. 202. — Alsine tenui- 
folia Crantz inst. II. 407; Willk. 1. c. 105, t. 69. —Rchb. 1. c. t. 204, 
í. 4910. 

Ad ripas arenosas Durii pr. Porto et alibi in Duriminia et Transmontana 
(Brot.). Peren. Jun.-Jul. 

9. A. verna L. mant. 72. — i. laricifoUa Brot. fl. lus. II. 202. 
—Alsine verna Bartl. beitr. II. 53. —Rchb. 1. c. t. 207, f. 4927-9. — 
Mach. exs. n." 955. 

In Malhão da serra da Estrella (Wolw.; Mach.!). Peren. Jun.-Aug. 

10. A. peploides L. sp. 005; Brot. fl. lus. II. 198. — Honkeneja 
peploides Ehrh. boitr. II. 181. —Rchb. 1. c. t. 213, f. 3670. 

Ad littora maritima pr. Figueira (Brot.). Peren. Jun.-Jul. 



12. Sagina L. 

1 S. apetala L. mant. 559; Lowe man. fl. of Mad. 55. — S.pro- 
cnmhcns var. Brot. fl. lus. I. 213. —Rchb. 1. c. t. 200 f. 4958. — Welw. 
it. lus. (1851) n.° 00; Mach. exs. n.'' 111. 

Ad rivulos in editioribus da serra de Foia (Welw.!); in arenosis humidis 
agri Olisip. (Welw.). Ann. Yére et Aest. 

2. S. maritima Don engl. bot. t. 2195. — S. filiformis^elw. un. 
it. n.° 63 in hb. mus. Par. 

In Lusitânia (Welw.). Ann. Vòre- Aout. 

3. S. procumbens L. sp. 185; Vand. spn. 10; Brot. fl. lus. I. 
213; Seub. fl. azor. 45 n.° 331; Lowe man. fl. of Mad. 55. —Rchb. 
1. c. t. 201, f. 4959. —Welw. it. lus. (1851) n.° 63; Mach. exs. 
n.° 1029. 

In Transtaganis maritimis humidis pr. Seixal (Welw.); in pascuis steri- 
libus murisque frequens (Brot.). Ann. Maj.-Sept. 



PHYSICAS E NATURAIS 105 

4. S. subulata Wimm. íl. Schles. 76. — S. procumbens ,6 L. sp. 
i85. —Spergida subulata Sw. act. Holm.l 789, p. 45, t. 1, f. 3. — S. 
saginoides Brot. íl. lus. II. 213 (ex Link). — Rchb. l. c. t. 202, f. 4963. 

Ad rupes et in sabulosis humidiusculis in Duriminia et alibi in Lusit. 
boreali (Brot.). Ann. Jun.-Jul. 

13. Queria Lôfl. 

1. Q. hispânica Lõfl. It. hisp. 48; L. sp. 132; Brol. íl. lus I. 123 
(ex Hoffln.); Willk. I. c. 102, t. 66 C. 

Ad muros c. Portalegre et Marvão (HoíTm.). Ann. Vère. 

14. Spergula L. 

1. S. arvensis L. sp. 630; Vand. spn. 30; Brot. íl. lus. II. 214; Lowe 
man. íl. of Mad. o6; Drouet cat. de la íl. des Açores 80 n." 49. — 
S. sagina Lob. Grisl. V. Lus. n." 1349. —Rchb. 1. c. f. 3665. — Welw. 
un. it. n.'' 768 et 83; Mach. exs. n.° 107. — [Esparguta]. 

In serra da Foja; in veneis arenosis pr. S. João da Venda (Welw.); in 
arvis inculliscultisque sabulosis c. Olisip. (Brot.); c. Conimbr.! et alibi. Ann. 
Mart.-3Iaj. 

lo. Spergularia Pers. 

1. S. diandra Heldr. pi. exs. et Boiss. íl. orienl. I. 733. —Are- 
naria rubra Vand. spn. 29 ; Brot. íl. lus. II. 201 ; var. {i Bert. fl. 
ital. IV. 683. — A. diandra Guss. Prod. sic. I. 515. — Ledeb. Ic. Ross. 
t. 409. —Mach. exs. n.** 108. 

In arenosis, siccis c. Olisip. (Brot.); freq. c. Conirnbr.! et alibi. Ann. 
Maj.-Jun. 

2. S. media Pers. syn. 504. — Spergula flore purpúreo marina 
Grisl. V. Lus. n.° 1350. — Arenaria media L. sp. 606 (excl. syn.). — 
A. marina Brot. íl. lus. II. 201. —Alsine marina Wahl; Seub. íl. azor. 
45 n.° 332?— Rchb. 1. c. f. 3661-2. 

In arenosis maritimis et salinis pr. Villa Real de Santo António in Algar- 
biis! pr. Olisip.! Figueira! Peren. Apr.-Maj. 



jnRN. DE SCIK.NC. MATH. PlIVS. F. NAT. — N. VI. 



106 JORNAL DE SCIENGIAS MATIIEMATICAS 

Trib. III. Polycarpeae 
16. Poljcarpon Loíl. 

1. P. tetmphyllum L. fil. siippl. M6; Vand. spn. 7; Brot. íl. 
lus. I. 123; Seub. fl. azor. 45 n.° 330. — Barr. ic. t. 534; Engl. bot. 
t. 1931.— Mach. exs. n.° 236. 

In agris, sepibus, etc. freq. pr. Faro (Bourg.! 3Iach.!); c. Olisip.I Co- 
iiimbr.I etc. Ann. Vère-Aest. 

17. Ortegia Lõíl. 

1. 0. hispânica L. sp. 49; Brot. fl. lus. I. 53. — Juncaria salnian- 
íicensis CIus. hist. II. 174, f. 2; Grisl. V. Lus. n.*^ 793. ~Cav. ic. 1. 1. 47. 
In Beira boreali c. Moimenta; in Transmontana (Brot.). Ann. Aest. 

18. LiJflinjjia L. 

1. L. hispânica L. sp. 50; Brot. íl. lus. I. 53. — Cav. ic. 1. 1. 94. 
—Bourg. exs. n.*' 1805; Mach. exs. n.° 818. 

In arenosis maritimis et collinisaridis pr. Faro (Wclw.I Bourg.! Mach.!); 
pr. Vendas (Welw.!); inter Montalvão et Monforte, c. Gollegã (Brot.). Ann. 
Apr.-Jul. 

Ord. 12. PORTlLAdACEAE 

1. Portulaca L. 

1. P. oleracea L. sp. 638; Vand. spn. 30; Brot. íl. lus. II. 257; Fig. 
fl. pharm. 227; Seub. íl. azor. 45 n.° 328. — P. hortensis et silvestris 
Grisl. V. Lus. n.° 1183-4. —DC. pi. grass. t. 123. —[Beldroega]. 

In pratis et arvis humidis; ad ripas Tagi (Brot.); Mundae! Golitur in 
liortis. 

2. Montia Mich. 

1. M. fontana L. sp. 129; Brot. íl. lus. I. 124. —Engl. bot. 
t. 1206. —Welw. un. it. n.° 74. 

Ad rivulos in serra de Monchique (Welw.); c. Conimbr. et alibi (Brot.). 
Ann. Aest. 



PHVSICAS E NATURAES 107 

Oíd. 13. TAMARICACEAE 

1. Tamarix L. 

1, T. africatia Voir. voy. 11. 189. —T. gallicaYaná. spn. 18; Brot. 
íl. lus. I. 475; Fig. íl. pharm. 161. — Tamarisciis Grisl. V. Lus. 
n.° 1375. — Mach. exs. n.° 233. — [Tamargueira]. 

Ad maris littora pr. Figueira! Peren. Jun.-Sept. 



Oíd. 14. HYPERICACEAE 

1. Hypericum L. 

1. H. androsaemum L. sp. 1102; Vand. spn. 51; Brot. 11. lus. II. 
321. — Androsaemum vulgare Grisl. V. Lus. n.° 98. — A. officinale AH. 
fl. ped. II. 47. — Rchb. ic. VII. t. 352 f. 5192. —Mach. exs. n.'' 132. 
— [Androsémo]. 

In humidiusculis pr. Santo António dos Olivaes c. Conimbr.I Bussaco! 
etc. Peren. Aest. 

2. H. humifusum L. sp. 1105; Vand. spn. 51; Brot. íl. lus. II. 
323; Seub. íl. azor. 46 n." 341; Lowe man. íl. of Mad. 79. —H. mi- 
nimttm siipiniim septcntrionaliiim Lob. Grisl. V. Lus. n.° 766. — Rchb. 
1. c. t. 342, f. 5176. — Bourg. exs. n.° 1800; Mach. exs. n.'' 135. 

In humidis da serra da Picota pr. Monchique (Bourg.); Algarbiis! c. Oli- 
sip. (Brot.); Conimbr.I et alibi. Poren. Jun.-Dec. 

3. H. perforatum L. sp. 1105; Vand. spn. 51; Brot. íl. lus. II. 
322; Fig. fl. pharm. 425; Seub. fl. azor. 46 n." 340; Lowe man. fl. oí 
Mad. 79. —H. vulgare Grisl. V. Lus. n.° 764. —Rchb. 1. c. t. 343, 
f. 5177. — Welw. un. it. n.° 802; Mach. exs. n." 133. — [Hypericão, 
Milfurada]. 

In dumetis, sepibus, arvis, etc. freq. in tota Lusitânia: pr. Faro(Bourg.!) ; 
Villa Nova de Portimão! (Welw.); c. Conimbr.! etc. Peren. Jun.- Aug. 

4. H. quadrangtihim L. sp. 1104; Vand. si)n. 51; Lowe man. fl. 

8* 



108 JORNAL DE SCIEXCIAS MATHEMATICAS 

of Mad. 79. — H. qiiadnmgnlare Brot. íl. lus. II. 322; Fig. fl. pharm. 
424. — Rchb. 1. c. t. 344, f. 5179. — Mach. exs. n." 134. 

In humidis, fossis, etc, c. Conimbr.! Bussaco! et alibi. Peren. Aest. 

o. H. iimlulatum Schousb. in Willd. enum. 811. 
In Lusitânia (Boiss. voy. suppl.). Peren. 

0. H. lomenlomm L. sp. IIOC; Brot. fl. lus. II. 324. —H. supi- 
num tomentosum altcrum Clus. liist. II. 181. — H. tomentosiim supi- 
num Clusii Gris!. Y. Lus. n.-^ 768. — Uchb. 1. c. t. 346, f. 5183. — 
Mach. exs. n.° 764. 

In collibus siccis c. Olisip. (Bi'ot.); c. Ourentã! Peren. Maj.-Jun. 

7. //. pukhrum L. sp. 1106; Brot. fl. kis. lí. 323.-/7. minus 
cricetorum LusUanum Grisl. V. Lus. ii." 765. — Bchb. 1. c. t. 347, 
f. 5185. —Mach. exs. n.'' 137. 

In ericetis, et silvaticis niontosis do Bussaco! et alibi in Lusitânia boreali 
(Brot.). Peren. Jun.-Jul. 

8. //. perfoUatum Syst. nat. ed. 12, II. 510; Lowe man. fl. of 
Mad. 77. — //. lalifoUiim lusitanicum Tourn. inst. 256. —^H. ciUatum 
Lamk. ene. IV. 170; Broi. phyt. lus. I. 189, t. 77. —H. dilataltm Lois. 
fl. gall. ed. 1. II. 499, t. 17."^ 

In Algarbiis pr. Lagos (Bourg.!); in subhumidispr.valledeRei (Welw.); 
c. Setúbal, Marateca et Cintra, rarius vero c. Olisip. (Brot.). Peren. Maj.-Jun. 

9. II. hyssopifolium Vill. dauph. III. 505, t. 404. — //. diversifo- 
lium DC. fl. k. V. 631; Webb it. hisp. 60. —Rchb. 1.. c. t. 351, 
f. 5190 c. 

In Cintra (Webb). Peren. 

10. II. linarifolium Vahl symb. I. 65; Brot. fl. lus. II. 321; 
Lowe man. fl. of Mad. 78. — //. lusitanicum linariaefolio Tourn. inst. 
256. —Rchb. 1. c. t. 350, f. 5190 b. —Mach. exs. n." 136. 

In subumbrosis silvaticis do Bussaco! c. Coja, Moimenta et alibi (Brot.). 
Peren. Jun.-Jul. 

M. H. lusitanicum Poir. ene. suppl. III. 702. — //. tomentosum 
lusitanicum minimmn Tourn. inst. 256. 
In Lusitânia (Poir. hb. Desf.). Peren. 



PHYSIGAS E NATURAES 109 

12. H. clodes L. sp. IIOG; Brot. íl. lus. II. 324; Drouel cat. de 
la fl. des Açores 82 n.'^ 73. — //. tomcntosum palustre Grisl. V. Lus. 
n.*' 767. — Elodes palustris Spacli ann. se. nat. 2 ser. V. 171. — Rchb. 
1. c. t. 342, f. 5182. — Mach. exs. n.° 138. 

In marginibus Mundae pr. Montemor! c. Lousã et alibi in Lusit. boroali. 
Peren. Aest. 



Ord. 15. MALVACEAE 

1. Malope L. 

1. M. malacoides L. sp. 974. —3/. ir/fida Cav. diss. II. 85, l. 27, 
f. 1-2. 

In Casas Brancas et Queluz (Wehv. Iib. Goss.)- Peren. 

2. Althaca L. 

1. A. oíficinalis L. sp. 9CC; Yand. spn. 46; Brot. íl. las. II. 280; 
Fig. fl. pharra. 379. —A. vulgaris Clus. hist. II. 24; Grisl. V. Lus. 
ri.° 70. — Gav. diss. II. t. 29, f. 3; Rchb. 1. c. t. 173, f. 4849. —Mach. 
exs. 11." 1223. 

In subliumidis pratisquc pr. Taguni; c. Óbidos (Brot.); Mundaml (A. 
de Carv.!) et alibi. Peren. Aest. 

3. Lavatcra L. 

1. L. trimestris L. sp. 974; Yand. spn. 47; Brot. fl. lus. II. 278. 
— Malva trimestris Glus. hist. II. 23. — M. segetum quod trimestris 
/lore alho fugaci Grisl. Y. Lus. n.« 952. —Gav. diss. II. t. 3, f. 1 ; 
Rchb. 1. c. t. 176, f. 4852.— Bourg. exs. n.° 1799; Mach. exs. n.'^ 120. 

In Algarbiis frequensi (Welwl Bourg. 1); c. Olisip. (Brot.); Conimbr.t et 
alibi. Ann. Yòre. 

2. L. olbia L. sp. 972; Brot. fl. lus. II. 2'Q. —Althaea Olbiae 
galloprovincialis Grisl. Y. Lus. n.° 71. —Gav. diss. II. L 32, f. 2; Rchb. 
1. c. t. 177, f. 4855. —Wehv. un. it. n.'' 209; Mach. exs. n.° 84. 

An rivulos pr. Estoi et Olhão (Welw.); serra da Arrábida (Welw.); irans 
Tagum pr. Azeitão; inter Carnaxide et Queluz (Brot.); in collibus Gintranis 
(Webb.); pr. Mundam ad Conirabr.! Peren. Maj.-.íun. 



110 JORNAL DE SCIE\CIAS MATHEMATICAS 

3. L. triloba L. sp. 972; Vand. spn. 47; Brot íl. lus. II. 276. — 
Althaea frutex Climi Grisl. V. Lus. n." 72. — Cav. diss. II. t. 31, f. 1. 

Ad pagos c. Tavira (Brot.). Peron. Jun.- Jul. 

4. L. arbórea L. sp. 972; Brot. fl. lus. II. 277. — 3Ialva arbó- 
rea indica Grisl. V. Lus. n.'' 946?— Cav. diss. V. t. 139, f. 2; Bchb. 
1. c. t. 178, f. 4857. 

In umbrosis humidis et ad ripas Durii (Brot.; Welw.I); inter fluvium 
Tâmega etCoenobium das Penduradas in Transmontana (Brot.). Peren. Jun.- 
Jul. 

5. L. erótica L. sp. 973; Cav. diss. II. l. 32, f. 1. — L. sylvestris 
Brot. fl. lus. II. 277 et pliyt. lus. II. 223. t. 179; Seub. fl. azor. 46 
n.° 337; Lowe man. fl. of Mad. 64. — Welw. un. it. n.'' 133; Mach. 
exs. n.*^ 1179. 

In ruderatis pr. Monchique! (Welw.); freq. in tota fere Lusit.! Ann. 
Mart.-Jun. 

4. Malva L. 

1. M. alcea L. sp. 971 ; Brot. fl. lus. II. 274. —Cav. diss. II. t. 17, 
f. 2; Bchb. 1. c. t. 169, f. 48i2. 

In umbrosis humidiusculis, et ad sepes c. Conimbr. et alibi in Beira et 
Lusit. boreali (Brot.). Peren. Jun. -Jul. 

2. M. moschata L. sp. 971; Vand. spn. 46. — M. laciniata Des- 
rous in Lamk. ene. III. 750; Brot. fl. lus. II. 275. —Cav. diss. II. t. 18, 
f. 1; Bchb. 1. c. t. 169, f. 4841.— Mach. exs. n.° 118. 

In umbrosis humidiusculis ad ripas Mundae! pr. Manteigas in serra da 
Estreita! et alibi. Peren. Aest. 

3. M. sylvestris L. sp. 969; Vand. spn. 46; Brot. fl. lus. II. 273; 
Fig. fl. pharm. 383. —Cav. diss. II. t. 26, f. 2; Bchb. 1. c. t. 168, 
f. 4840. —Mach. exs. n.° 1290. 

(3 mauritiana. — Malva mauritiana L. sp. 970; Vand. spn. 
46; Brot. fl. lus. IL 274; et phyt. lus. II. 223, t. 179, 
f. 1; Lowe man. fl. of Mad. 66. —Cav. diss. II. t. 23, 
f. 2; Bchb. 1. c. t. 168, f. 4839. 
Hab. in tota fere Lusitânia! Ann. Maj.-Jul. 

4. M. rotundifoUa L. sp. 969; Vand. spn. 46; Brot. fl. lus. II. 



PHYSICAS E NATURAES 111 

273; Fig. fl. pharm. 381; Seub. íl. azor. 46 n.° 338. — Cav. diss. II. 
t. 26, f. 3; Rchb. 1. c. t. 167, f. 4836. — Mach. exs. n.'' 119. 
Hab. in tota Lusitânia. Ann. Maj.-Jul. 

5. 31. nkceensis Ali. fl. ped. II. 40. —Cav. diss. II. t. 25, f. 1; 
Rchb. 1. c. t. 168, f. 4838. — Welw. it. lus. (1851) n.° 82; Mach. exs. 
n.° 1171. 

In herbidis pr. Barreiro trans Tagum! pr. Lumiar (Wew.I). Ann. Apr.- 
Jun. 

6. M. parviflora L. sp. 960; Vand. spn. 46; Lowe man. fl. of 
Mad. 64; Drouet cat. de la fl. des Açores 81 n.° 67; Cav. diss. II. t. 26, 
f. 1; Rchb. 1. c. f. 4833. —Mach. exs. d.° 1357. 

In ruderatis Algarb. pr. Tavira! Ann. Apr. 

7. M. hispânica L. sp. 970; Desf. fl. atl. II. t. 170; Brot. fl. lus. II. 
274. — Wew. it. lus. (1851) n." 84; Bourg. exs. n.° 1798; Mach. exs. 
n." 1042. 

In agris pr. Albufeira in Algarb. (Bourg.!); c. Olisip.! (Welw.!); Co- 
nimbr.! Ourentã! Ann. Apr.-Jun. 

5. Abutilon Gaei tn. 

1. A. Aviccnnac Gaertn. de fruct. II. 251 t. 135. — Sida abutilon 
L. sp. 963. —Rchb. 1. c. t. 166, f. 4832. —Mach. exs. n.° 921. 
In agris pr. Alcanhèes (B. B. Gomes!). Ann. Jun.-Aug. 



Ord. 16. LIMCEAE 
1. Radiola Gm. 

1. R. liíioides Gm. syst. veg. I. 289. — R. millegrana Lowe man. 
fl. of Mad. 99. —Limim radiola L. sp. 402; Brot. fl. lus. I. 485. — 
Rchb. ic. VI, t. 325, f. 5152. —Welw. it. lus. (1851) n.° 76; Bourg. 
exs. n.° 1797; Mach. exs. n." 116. 

In humidis c. Monchique! serra da Picota (Bourg.!); trans Tagum pr. 
Seixal (Welw.!); c. Conimbr.! Bussacol etc. Ann. Maj.-Jul. 



112 JORNAL DE SClEyCIAS MATHE>[ATICAS 



2. Liimm L. 



1. I. gaUicum L. sp. 401 ; Brot. íl. lus. I. 483; Lowe man. íl. of 
Mad. 96. — L. sylvestre supimim altefum flore exíguo Grisl. V. Lus. 
n.° 892. — Rchb. 1. c. t. 326, f. 5168. — Welw. it. lus. (1851) n.° 81; 
Mach. exs. n.° 917. 

In Algarbiis! pr. Monchique (Bourg.I); in herbidis transTagum pr. Santo 
António (Welw.I); c. Conimbr.! inter Luso etBussaco! etc. Ann. Maj.-Aug. 

2. L. setaceum Brot. íl. lus. I. 484; et phyt. lus. I. 93, t. 41. — 
L. sylvestre asperum virgatum sparsis ramulis ma jus Grisl. V. Lus. 
n.° 896. —Welw. it. lus. (1851) n.° 80; Mach. exs. n.'' 115. 

In Algarbiis! pr. Moncarrapaxo (Welw.!); in herbidis pr. Setúbal (Welw.!); 
c. Conimbr. 1 Ann. Maj.-Jun. 

3. L. ténue Desf. íl. atl. I. 280, t. 81. —I. virgatum Schousb. 
maroc. I. 36. — L. melianlhum Brot. íl. lus. I. 434 (ex Link). — L. 
sylvestre supinum flore luteo amplo Grisl. V. Lus. n.° 891. — Welw. it. 
lus. (1851) n.° 78; Mach. exs. n.<^ 1037. 

In Algarbiis! pr. Lagos (Bourg.I lib. Coss.); serra da Arrábida (Link); 
in herbidis Extremadurae pr. Lumiar (Welw.!) ; c. Thomar (Link). Ann. Apr.- 



4. L. strictum L. sp. 400; Vand. spn. 19; Brot. íl. lus. I. 484; 
Lowe man. fl. of Mad. 97. — L. sylvestre aspermn flore luteo iimhellato 
Grisl. V. Lus. n.° 895. —Rchb. 1. c. t. 327, f. 5170. —Mach. exs. 
n.° 895. 

[i corymhulosiim. — L. sylvestre asperum virgatum sparsis ra- 
mulis miniis Grisl. V. Lus. ii.° 897. —Rchb. 1. c. t. 326, 
f. 5169. —Mach. exs. n.° 1170. 

y spicatum. — L. sylvestre asperum flore luteo spicato Grisl. 
V. Lus. n.° 894. —Rchb. 1. c. t. 327, f. 5170 C. — 
Mach. exs. 894. 

In agris Algarbiorum! (Bourg.!); herbidis pr. Cintra (Welw.); c. Co- 
nimbr.! Bussaco! var. 3 c. Olisip.! var. y in Algarbiis! c. Lagos (Bourg.!), 
etc. Ann. Maj.-Jun. 

5. L. angustifolium Huds. angl. 134; Lowe man. fl. of Mad. 97. 
—L. sylvestre flore coeruleo Grisl. V. Lus. n.° 890. —I. agrestre Brot. 



PHYSICAS E NATURAES 113 

íl. lus. I. 481. — Rchb. 1. c. t. 329, f. 5138. — Mach. exs. n.° 113. — 
[Linho gallego bravo]. 

In Algarbiis! pr. Faro (Bourg.!); in montosis de Cintra (Welw.!); Mafra 
(Brot.); c. Gonirabr.! etc. Peren. Maj.-Jun. 

L. usilatissimum L. sp. 397; Vand. spn. 19; Brot. fl. lus. I. 
481; Fig. fl. pharm, 16o; Lowe man. fl. of Mad. 98. — L. viilgare 
Grisl. V. Lus. n.° 889. —Rchb. L c. t. 329, f. 5135. —Mach. exs. 
n." 1175. —[Linho]. 

Coluntur in agris monnulae varielates. Ann. Aest. 

6. L. catharticum L. sp. 401; Brot. fl. lus. I. 485. —Rchb. 1. c. 
t. 325, f. 5153. —[Linho purgante ex Brot.]. 

In humidis et ad rivulos in Gerez et alibi in Duriniinia (Brot.). Ann. 
Jun.- Jul. 



Ord. 17. ZYGOPHYLLACEAE 

1. Tribulus Tourn. 

1. T. terrestris Clus. hist. II. 241; Grisl. V. Lus. n.'' 1423; L. 
sp. 554; Vand. spn. 27; Brot. fl. lus. II. 70. —Rchb. ic. V, t. 161, 
f. 4821. —Mach. exs. n.° 141. —[Abrolho terrestre]. 

In solo sabuloso et inter segetes pr. Caparica trans Tagum (Brot.) : c. Oli- 
sip. (Welw.); Belém! pr. Buarcos! Conimbr.l etc. Ann. Jun.-Sept. 

Ord. 18. (íERANIACEAE 

Trib. I. Geranieae 

1. GeraDlum LHérit. 

1. G. sanguinetim L. sp. 958; Brot. fl. lus. 11. 71. — Cav. diss. 
IV. t. 76, f. 1; Rchb. ic. V, t. 198, f. 4894. 

In dumetis et collibus silvaticis ex Leiria usque ad Montejunto (Brot.) 
pr. Batalha (Henr.!). Peren. Aest. 



114 



JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



2. G. colimíbimm L. sp. 956; Brot. fl. lus. II. 73. — Cav. diss. 
IV, t. 82, f. 1; Rchb. 1. c. t. 189, f. 4875. — Macli. exs. n.° 121. 

In subumbrosis et subhumidis c. Conimbr.! valle de Coselhas! (Brot.). 
etc. Ann. Jun.-Jul. 

3. G. dissectum L. sp. 956; Vand. spn. 46; Brot. fl. lus. II. 73; 
Seub. fl. azor. 47 n.° 349; Lowe man. fl. of Mad. 88.— Cav. diss. IV, 
t. 78, f. 2; Rchb. 1. c. t. 189, f. 4876. — Mach. exs. n.° 122. 

In pratis humidis et ad sepes fere c. Conimbr.! et alibi. Ann. Vère- 
Aest. 

4. G. molle L. sp. 955; Brot. fl. lus. II. 72; Lowe man. fl. of 
Mad. 87; Drouet cat. de la fl. des Açores 83 n." 85. —Cav. diss. IV, 
t. 83; Rchb. 1. c. t. 191, f. 4879-80. —Mach. exs- n.° 123. 

In arvis, cultis, viis, etc. freq. in tota Lusitânia! Ann.Vère-Aest. 

5. G. rotimdifolmm L. sp. 957; Vand. spn. 46; Brot. fl. lus. IL 
72; Fig. fl. pharm. 377; Lowe man. fl. of Mad. 87; Drouet cat. de la 
fl. des Açores 83 n.° 86. —Cav. diss. IV, t. 93, f. 2; Rchb. 1. c. t. 190, 
f. 4878. —Mach. exs. n.° 1268. 

In arviis, cultis, viis, etc. freq. in tota Lusitânia! Ann.Vère-Aest. 

6. G. lucidum L. sp. 955; Brot. fl. lus. IL 72; Lowe man. fl. of 
Mad. 86. —Cav. diss. IV, t. 80, f. 2; Rchb. 1. c. t. 187, f. 4872. — 
Welw. un. it. n.° 32; Mach. exs. n.° 957. 

In umbrosis pr. Monchique! (Welw.!); pr. Conimbr. (Brot.); Bussaco! 
Ann. Jun.-Jul. 

7. G. rohertianim Lob. adv. 296; Grisl.V. Lus. n.° 555; Vand. 
spn. 46; Brot. fl. lus. II. 71; Fig. fl. pharm. 377; Seub. fl. azor. 47, 
n.° 350; Lowe man. fl. of Mad. 84. —Cav. diss. IV. t. 86, f. 1; Rchb. 
1. c. t. 187, f. 4871. —Welw. un. it. n.° 49; Mach. exs. n.° 124. 

In tota Lusit. freq. ad muros, sepes, etc. Ann.Vère-Aest. 

2. Erodium L'Hérit. 

1. E. laciniatum Willd. sp. III. 633. — Geranhim lacimatiim Cav. 
diss. IV. 228, t. 113, f. 3. —Rchb. 1. c. t. 186, f. 4869. —Welw. un. 
it. n.° 74. 

In sabulosis siccis pr. Faro sparsim (Welw.l Willk.). Ann. Maj. 



PHYSICAS E NATURAES 115 

2. E. cicutarium Willd. sp. III. 629; Lowe man. íl. of Mad. 89. 

— Geranium cicutarium L. sp. 951; Vand. spn. 46; Brot. fl. lus. II. 
75. — Rchb. 1. c. t. 4864-5. — Welw. un. it. n." 388; Mach. exs. 
n." 129. 

í3 chaerophijUum. — Welw. it. lus. (1851) n.° 85. 

In asperis pr. Moncarrapaxo (Welw.!); c. Faro! (Bourg.l);c. Olisip.l 
Conimbr.! etc. var. |6 in collibus basalticis pr. Olisip. (Welw.); c. Conimbr.! 
serra da Estrellal etc. Vère-Aest. 

3. E. romanwn^hM. sp. III. 630. — Geranium romanum L. sp. 
951; Yand. spn. 46. — Cav. diss. IV. t. 94, f. 2. 

Hab. in Lusitânia (Welw. lib. Coss.). Peren. 

4. E. moschatum WiM. sp. III. 631: Lowe man. íl. of Mad. 89; 
Drouet. cat. de la íl. des Açores 84 n.° 89. — Geranium moschatum 
L. sp. 951; Vand. spn. 46; Brot. íl. lus. II. 74; Fig. íl. pharm. 378. 
—Cav. diss. IV. t. 94, f. 1; Rchb. 1. c. t, 184. f. 4867. —Mach. exs. 
n.*' 127. — [Herva de alfinete no Algarve]. 

In arvis, cultis, viis, etc, frcq. in tota Lusitânia. Ann. Vère. 

5. E. hotnjs Bertol. amoen. ilal. 35; Lowe man. íl. of Mad. 91. 

— Geranium creticum acu praelonfja Grisl. V. Lus. n.'^ 552. — G. grui- 
wíí/Ai Vand. spn. 46. —G. hotnjs Cav. diss. IV, 218, t. 90, f. 2; Brot. 
íl. lus. 11. 74. — xMach. exs. n.° 126. 

In arvis et incultis Algarbioruml pr. Setúbal I Olisip. (Brot.I) ; Conimbr.! 
et alibi. Ann. Vère. 

6. E. chium Willd. sp. III. 63i; Lowe man. íl. of Mad. 93.— 
Geranium chium L. sp. 951; Cav. diss. IV, 221 t. 92, f. 1. — Welw. un. 
it. n° 530. 

In sabulosis ad muros et vias pr. Faro (Welw.). Ann. Maj. 

7. E. malacoides WiM. sp. III. 639; Seub. íl. azor. 47 n.° 348; 
Lowe man. íl. of Mad. 92; Drouet cat. de la íl. des Açores 84 n." 88. 

— Geranium malacoides L. sp. 952; Vand. spn. 46; Brot. fl. lus. II. 
74. —Cav. diss. IV. t. 91, f. 1; Rchb. 1. c. t. 185, f. 4868. —Mach. 
exs. n." 125. 

In arvis etviis Algarb.l c. Olisip. (Brot.): Conimbr.! etc. Ann. Vòre-Dec. 



MC JORNAL DE SCIENOIAS MATllEMATICAS 

Trib. II. Oxalideae 
3. Oxalis L. 

1. 0. cormculata L. sp. 623; Brot. íl. lus. II. 223; Fig. fl. pharm. 
224; Seub. 11. azor. 47 n.° 351; Lowe man. íl. of Mad. 9d.—0xys 
flavo flore Clus. hist. II. 269. —Oxys liitea cormculata Clusii Grisl. 
V. Lus. n.° 1096. — Rchb. 1. c. t. 199, f. 4896-7. — Mach. exs. 
n.° 139. 

In hortis, graminosis, cultis, sepibus totae Lusitaniae! Ann. Vère-Aug. 

0. cerfma Thunb. diss. ox. n.° 12 t. 2, f. 2; Lowe man. fl. of 
Mad. 100. — Bot. Mag. t. 237. — Mach. exs. n.° 140. 

In segetibus, cultis, sepibus, etc. c. Conimbr. ex horlo botânico. Ann. 

Oíd. 19. RITACEAE 

Trib. I. Ruteae 
1. Ruía L. 

1. R. momana Clus. liist. II. 136: Grisl. V. Lus. n.'' 1249. —R. 
tenui folia Desf. íl. atl. I. 336; Brot. íl. lus. II. 16; Fig. íl. pharm. 206. 
—Rchb. ic. V. t. 154, f. 4811. —Welw. un. it. ri.°619, et it. lus. (1851) 
n." 87; Mach. exs. n.° 973. — [Arrudão]. 

In Algarbiis ! pr. cabo de S. Vicente (Welw) ; serra de Monsanto (Welw.); 
e. Conimbr.! Bragança I etc. Peren. Aest. 

2. R. chalepensis L. mant. I. 69. — R. angtistifolia Pers. ench. I. 
464. —Rchb. 1. c. f. 4813.— Welw. un. it. n.° 692. —[Arruda]. 

;3 hracteosa. — R. hortensis Grisl. V. Lus. n." 1248. — R. gra- 
veolefisYanà. spn. 27; Brot. íl. lus. II. 16; Fig. íl. pharm. 
204. —R. hracteosa DC. prod. I. 710; Seub. fl. azor. 
47 n.° 347; Lowe man. fl. of Mad. 103. —Rchb. 1. c. 
t. 157, f. 4815. —Mach. exs. n.° 142. 
In. incultis pr. Lagos (Bourg.l); cabo de S. Vicente (Welw.): var. /3 freq. 
in fere tota Lusitânia! Peren. Vère-Aest. 



PHYSICAS E NATUHAKS 117 

Tril). Aurantieae 
Cifrus L. 

C. medica Riss. ann. mus. XX. 199, t. 2, f. 2; Lour. íl. coch. 
II. 46o var. 1; Brot. fl. lus. II. 281 var. 4; Lowe man. íl. ofMad. 71.— 
Malus citria sim medica vidgaris Grisl. V. Lus. n.*^ 964. — M. citria 
pulpa dulci Grisl. 1. c. n." 963. — [Cidreira]. 

Colilur in pomariis. Arb. Yère. 

C. limonium Riss. ann. mus. XX. 201; Lowe man. íl. ofMad. 72. 

— C. medica^voL íl. Lus. II. 281. var. \. —Malus limonia fructii acido 
Grisl. V. Lus. n." 957. — [Limoeiro]. 

j3 dulcis. — Malus lima fructu dulci Grisl. V. Lus. n." 963. 

— Citrus medica Brot. íl. lus. II. 281 var. 2. —C. limetta Riss. I. c. 
195, t. 2, f. 1.— [Limeira]. 

Colitur in pomariis. Arb. Yère. 

C. anrantium Lour. íl. coch. 11. 466; Brot. íl. lus. II. 282 p. 
p.; Lowe man. íl. of Mad. 73. — Malus áurea sive aurantia fructu 
dulci Grisl. V. Lus. n.° 954. — [Laranjeira doce]. 

(3 bigaradia. — Mulus áurea, sive aurantia fructu acido Grisl. 
V. Lus. n." 954. — Citrus Bigaradia Duham. ed. nov. 
VII. 99. — [Laranjeira azeda]. 
Colitur in pomariis. Arb. Yère. 

C. nobilis Lour. fl. coch. 11. 466. |3 tangerina Lowe man. íl. of 
Mad. 74. — Bot. Reg. t. 211. —[Tangerineira]. 
Colitur in pomaris. Arb. Yère. 

Ord. MELIACEAE 

Mclia L. 

M. azedarach L. sp. 550; Vand. spn. 27; Brot. fl. lus. II. 77. — 
Azadarach herbariorum Clus. hist. I. 30. — Azedarach Avicennae Grisl. 
V. Lus. n.° 183. — Cav. diss. VIL 363, t. 207. — Mach. exs. n." 1307. 

— [Sycomoro bastardo, Amargoseira]. 

Colitur in horlis et ambulacris. Arb. Ycre. 



118 JORNAL DE SCIENCIAS MATllEMATICAS 

Ord. 20. S4PI1\DACEAE 

Trib. Sapindeae 
Acsculus L. 

A. hippocastamim L. sp. 488; Vaiid. spn. 23; Brot. fl. lus. II. 5; 
Fig. fl. pharm. 199. — Castanea equina Clus. hist. I. 6-7. — Rchb. ic. 
V. t. 161, f. 4822. — Mach. exs. n.° 1316. —[Castanheiro da índia]. 

Colitur in hortis et ambulacris. Arb. Vére, 

Trib. I. Acerineae 
1. Acer L. 

1. A, pseudo-platatitis L. sp. 1493; Vand. spn. 64; Brot. fl. lus. II. 
35. — A. latifolhm Clus. hist. I. 9-10. — A. majus Grisl. V. Lus. n.° 13. 
—Rchb. 1. c. t. 164, f. 4829. —Mach. exs. n.° 1255. —[Plátano bas- 
tardo]. 

Ad sinuosa montium Gerez (Brot.). Colitur etiara in hortis et ambulacris. 
Arb. Vère. 

2. A mompessulanum L. sp. 1497; Brot. fl. lus. II. 35. — Rchb. 
1. c. t. 162, f. 4826. 

In Transmontana (Brot.). Arb. Vère. 

3. A. campestre L. sp. 1497; Brot. fl. lus. II. 35. — A. minus 
Grisl. V. Lus. n.° 14. —Rchb. 1. c. t. 162, f. 4825. —[Bordo commum]. 

In serra da Arrábida (Brot.). Arb. Apr. 

Negnndo Moench. 

N. fraximfolium Nutt. gen. amer. I. 253. — Acer negtmdo L. sp. 
1497. — Michx. fil. arb. ÍI. t. 16. —Mach. exs. n." 1241. 
Colitur in hortis et ambulacris. Arb. Apr. 



PHYSICAS E NATURAES 119 

Oíd. VITACEAE 

Vitis L. 

V. vinifera L. sp. 293; Vand. spn. 13; Brot. fl. lus. I. 300; Fig. 
fl. pharm. 74; Lowe man. íl. of Mad. 81. — F. viniferae variae spe- 
cies Grisl. V. Lus. n.° 1490. — [Videira, Parreira]. 

Coluntur plurimae varietales. Peren. Vère. 

(Continua) 



120 JOIL\AL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



2. Plantas da serra de Moiicliique observadas em 1866 



S. P. M. ESTAGIO DA VEIGA 



Começava a correr o aiino de 18GG, quando na cidade de Tavira 
me encontrei com o conde Ilermann de Solms-Laubach, illustre natura- 
lista allemão, que andava explorando a ílora meridional d'este paiz. Es- 
tava eu separando uma porção de plantas por mim coUigidas nos arre- 
dores da cidade, para o pequeno jardim da minha casa de campo, quan- 
do pela primeira vez nos avistámos. 

Companheiros inseparáveis durante alguns mezes, percorremos en- 
tão diversas terras do Algarve, e fomos ultimamente fixar a nossa tem- 
porária residência na mui pittoresca e magestosa serra de Monchique, 
a mais elevada de todas as do sul de Portugal. 

Ali, onde a minha altenuada saúde parecia querer lograr algum al- 
livio, emprehendi escrever uma Memoria descriptiva das bellezas da 
serra, incluindo a villa e suas tão nomeadas thermas; e de todos os 
assumptos que me pareceram interessantes, tomei apontamentos, que 
de muito me serviram para poder levar a cabo o meu trabalho. 

A vegetação da serra attraiu sobre tudo a minha curiosidade e de- 
dicação: constituía ella um opulento jardim, que o conde de Solms, me- 
lhor do que eu, soube aproveitar para enriquecer o seu já abundante 
hervario. 

Sob a influencia d'aquelle clima salutar, d'aqueUes límpidos ceos, 
d'aquellas encantadoras paragens, aíigurava-se-me, poucos dias depois, 
que todos os soífrimentos physicos se tinham de mim apartado, e que 
um novo alento me instigava á contemplação das variadas e grandiosas 
paizagens, que todo o viajante ali observa e admira. 

Ousei então, assas ajudado do meu prestadio companheiro, ence- 
tar o estudo das plantas, com que a fecunda primavera cobria e mati- 
sava aquelles accidentados campos, de que todos, os que os visitam, se 
despedem com saudosa recordação. 



PHVSICAS E NATURAES 121 

No baixo Algarve fiz alguns reconhecimentos para poder formar 
aproximada idéa da vegetação geral da província ; mas em Monchique 
herborisei quanto esteve ao meu alcance; e como não podesse logo es- 
tudar todas as plantas colligidas, chegando a Lisboa, não poucas verifi- 
quei nas melhores obras que possuem as bibliothecas publicas e as de 
vários estabelecimentos scientificos; nos jardins botânicos d'Ajuda e da 
escola medico-cirurgica, e com superior vantagem nos hervarios da Aca- 
demia Real das Sciencias, os quaes me foram franqueados por amigos 
muito obsequiosos. 

O único individuo que me coadjuvou no estudo de algumas d"aquel- 
las plantas, e mais especialmente no das cryptogamicas, foi o conde de 
Solms, a quem já se deve um importante estudo acerca dos musgos do 
Algarve *, publicado o anno passado, pouco depois de organisado o ca- 
talogo das plantas de Monchique, que em G de maio ultimo entreguei 
ao sr. Félix de Brito Capello, meu antigo amigo e condiscípulo, para 
ser publicado n"este jornal, como primeiro ensaio meu n^estes lavores. 

Com relação á fauna e formação geológica de Monchique também 
colligi vários apontamentos, que coordenei sob os valiosos auxílios de 
distínctos naturalistas, cujo nome e favor cito na referida Memoria, já 
concluída e prompta para poder ser impressa. 

Por em quanto limito-me porém á publicação do seguinte catalogo 
das plantas d'aquella seira, por mim observadas n'uma determinada épo- 
ca, e por isso n"elle deixam de figurar muitas espécies de differentes 
géneros, tribus e ordens, que a ílora monchicaiia pôde fornecer ao sá- 
bio investigador que se propozer intentar um mais aturado o dilatado 
estudo em meio d'esse jardim, que nada pede aos primores da arte, 
para ser grandioso e bello, porque todo se alimenta da benignidade da 
terra e dos doces orvalhos do ceo, como obra que unicamente é da pró- 
vida natureza. 

Devo advertir que n'este catalogo sigo, quanto ás phanerogamícas, 
a mesma disposição de ordem do Catalogm plantarum horíi hotanici 
da escola medico-cirurgica de Lisboa, e que relativamente ás cryptoga- 
micas adoptei o systema empregado pelo abalisado botânico o sr. D. 

' Tentamen Bryo-Geofjraphiae Algarviae Regai Lusitani Provinciac. — Com- 
mentatio quani consensu et auctoritate amplissimi pkilosophonim ordinis in aca- 
demia fridericiana halensi mm vitehergenn consociata pro vénia legendi rite im- 
petranda dic xri maii mdccclxviu hora xii ia auditório máximo una cum thesi- 
bus publice defende — //. comes de Solms- Laubach philos. doctor, sócio ad respon- 
dendum assumpto: Knipling, stud. oec. — Halis, typis orphanotrophei. 

JORN. DE SCIENC. MATH. PHYS. E NAT. — N. YL 9 



122 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Miguel Colmeiro, no seu importante trabalho acerca das plantas d'esta 
classe tanto de Portugal como de Hispanha, com excepção dos musgos, 
cuja nomenclatura e disposição ordinal deduzi da Bryologia Européa. 



I. ACOTYLEDONEAE 

(Cr yptog arnicas) 

Onlo — FILICES 

(Feto$) 
Tribus — Grammitideae 

1. Gi/mnogramma leptophylla.BQSw — Pobjpodium leptophylhim. 
L. Brot. Schl. — Vulg. na primavera. 

2. Ceterach officinarinn. C. Bauh. — Aspleniiim Ceterach. L. Brot. 
— Douradinha. 

Tribus — Polypodieae 

3. Polypodium vuUjare. L. Brot. Engl. bot. t. 1149. — Polyp. jw- 
lymorpJmm. Villers. — Polypodio. 

Tribus — Pterideae 

4. Pteris aquilina. L. Brot. Engl. bot. t. 1679. —Feto fêmea das 
boticas. 

5. Adianthiim capilkis-veneris. L. Brot. Engl. bot. t. 1564. 
— Avenca. 

6. Blechmím spicant. Botli. — Osmunda spicant. L. 

Tribus — Asplenieae 

7. Aspleniiim palmatum. Lam. Pluk. Phyt. t. 287, f. 4. — A. lu- 
sitamciim. Pourr. — A. Hemionitis. Brot. non L. 



PIIYSICAS E NATURAES 123 

8. Asplenitim Trkhomanes. L. Engl. bot. t. 576. — A. Trichoma- 
noides. Cav. — Avencão, Polytricho das boticas. 

9. Asplenium lanceolatum. Huds. Engl. bot. t. 240. 

10. Asplenium adíanthiim nigrum. L. Brot. Engl. bot. t. 1950. 
— Avenca negra. 

11. Asplenium acictum (?). Bary. *■ 

12. Athyrium Filix-foemina. Roth. — Polypodium Filix-foemina. L. 
— Feto fêmea dos italianos. — Somente foi visto na serra da Picota. 

13. Scolopcndrium ofpcinale. Sm. Engl. bot. t. 1150. — Scolop. 
officinarum. Swartz. — Asplenium scolopcndrium. L. Brot. — Lingua cer- 
vina. — Muito raro. 

Tribus — Aspidieae 

14. Polystichum spinulosum. DC. — Aspidium spinulosum. Sw. 
— Não vulgar. 

15. Cistopteris fragilis. Brhd. — Polypodium fragile. L. et P. re- 
gium. L. 

16. Aspidium acideatum. Koch. — Polypodium aculeatum. L. 

Sub-Ordo — Osíiiundaceac 

17. Osmunda regalis. L. Brot. Engl. bot. t. 209. — Feto real. 
— Habita, com grande desenvolvimento, nas margens da ribeira de João 
de Galles, entre a villa de Monchique e o povo dos Casaes. 

Ordo-LYCOFODIiCEAE 

18. Selaginella denticiilata. Spreng. — Lycopodium dcntictilatum. 
L. — Habita nas barreiras da estrada entre Monchique e os Casaes. 



^ Não se tendo visto em estado do friictilicação, não aífirnio que seja esla 
espécie; pois que bem pôde ser uma variedade do A. adiantimm nifjvum. L. 
Brot. 

9. 



124 JOHN AL DE sci::ngias mathematicas 

MUSCI 

Ordo I 
mm ACROCARPI 

Weisiaceae 

19. Weisia viridula. Brid. 

20. Gymnostomimi ctirvirostmm. Hedw. 

21. Gymmstommn microstonmm. Hedw. Br. germ. 

Dicianaceae 

22. Dicramim scoparium. Lin., Hedw. 

23. Campylopus longipilus. Brid. ! — C. polytrichoides. D. Not. ? 

24. Campylopus hrevipiliis. Br. et Scli. 

Físsidentaceae 

25. Fissidens bryoídes. Web. et JM. 

26. Fissidens taxifolius. Hedw. 

Pottiaceae * 

27. Trichostonmm barbula. Schwffr. 



* No tom. II áa. Brijologia Europaea compõe-se a. Familía Pottiacea dos gé- 
neros Pottia, Anacalypta, e Desmatodon; e forma-se do género Trichostomum a 
Família Trictiosíomaceae, contendo os géneros Barbula, Trichostomum, Didy- 
modon, e Ccratodon; mas no Corollarium da mesma obra, tom. VI, a Família 
Pottiaceae comprehende os géneros e subgeneros seguintes: Pottia, Anacalypta, 
Desmatodon, Didipnodon, Trichostomum — Subgenus — Eutrichum, Trichosto- 
mum, Leptotrichum — , Barbula — Subgenus — Tortula, Barbula, Syntri- 
chia — , Trichodon, Ceratodon, e Distichiiim. É pois isto que adopto, por ser 
trabalho especial de Schimper. 



PHYSICAS E NATURAES 125 

28. Trickostomum flexípes. Br. et Sch. 

29. Barhula miiraUs. Hedw, 

30. Barhula laevipila. Br. et Sch. 
3i. Barhula ctinei folia. Dicks,^ Brid. 

32. Ceratodon piirpureus. Dill., Brid. ^ 

Orthotrichaceae 

33. Orthotrichmn diaphanmn. Sclird. 

Grimniiaceae 

34. Grimmia pulvinata. Dill., Hook. 

Hedwigeaceae 

35. Hedwigia ciliata. Dicks., Hedw. 

Funariaceae 

36. Ftinaria hygrometrica. Lin., Schreb. 

37. Funaria calcar ea. Whl. 

Hi-jaceae 

38. Brijum torquescens. Br. et Sch. 

39. Bryum atro-purpureum. Web. et Mhr. 

40. Bryum alpimim. Lin. ^. 



* C. corsicus. Schpr.? 

2 Acha-se estéril nos altos rochedos da serra da Picota, e frutificado junto 
aos regatos que correm sobre o sitio das Lagens, próximo ás thcrmas, em frente 
da Fonte das Lagrimas. Foi o conde de Sohiis (Ilermann), nosso companheiro, 
que descobriu esta espécie nos dois indicados logares, e eu a verifiquei no her- 
vario com que o grande Schimper brindou a Academia Real das Scicncias de 
Lisboa. 



12() JORNAL DE SCF.NCIAS MATIIEMATICAS 

41. Bryiim argmUim. Lin. 

42. Brywn capillare. Hedw. (Forma typica?) 

43. Bryiim pseudotriqiietnim. Schwgr. 

Bartramiaceae 

44. Bartramia stricía. Brid. 

45. Bartramia ithyphi/Ua. Brid. 
iC. Pliiloiwtis rir/ida. Brid. 

Polytrichaceao 

47. Atrk/mm mululatwn. Lin., P.-Beauv. 

48. Pof/onatnm aloides. Dill., Brid. 

Ordo II 
mm PLEIROCARPI 

49. Fontinalifi antipyretica. L. 

Leptodontaceae 

50. Leptodon Smithii. Dicks., Brid. 

Neckeraceae 

51. Neckpra complanata. Lin., Sch. 

Ortholheclaceae 

52. Pteror/omum gracile. Dill., Swrtz, 

Leucodontaceae 

53. Leucodon sciuroides. Dill., Schwgr. 



PHYSICAS E NATURAES 127 

o4. Antitrichia curtipendula. Dill., Brid. 
Hjpnaceae 

55. Rhynchostegmm r usei forme. Dill., Sch. 

56. Thamnium alopecurnm. Lin., Sch. 

57. Eurhymhium Stockesii. Turn., Sch. 

58. Camptothechim aureum. Lagascn, Sch. 

59. Hypnwn citpressi forme. Lin. ^ 

60. Hypnwn puríim. Lin. 

Hepalicae 

JuDçierinanníae 

61. Radula complanata. Dumort. Nees. — Jimgermannia compla- 
nnla. L. — Ilahita no barranco dos Pisões, etc. 

62. FruUania Tamarisci. Nees. — Jungermannia Tamarisci. L. 

— Habita no barranco dos Pisões, etc. 

Marchantieae 

63. Lumúaria vulgaris. MicheL t. 4. — Marclianlia cruciala. L. 

— Habita no Porto do Viador, etc. 

Tartjionieae 

64. Targionia hypophylla. L. —Habita em vários logares húmidos 
e sombrios. 

Rlccieae 

65. Riccla glauca. L. —Habita na terra em vários logares húmidos. 



Encontra-se nos castanlieiros uma variedade. 



128 JORNAL DE SCIEXCIAS MATIIEMATÍCAS 

Liclienes 

Cladonicac 

6G. Cladonia rongi ferina. Iloffm. — Lichrn ranf/ifmmis. L. — Ha- 
bita em vários logares da serra da Foya. 

Stcrcocauleae 

07. Steieocaiiloii coraUínum. Sclireb. — Habita na serra da Picota, 
em fendas de rochas, etc. Raro. 



Usoeae 



G8. Usma barbata. Fries, Schoer. — Hal)ita nas arvores, e é vul- 
garissima, bem como uma variedade da espécie typica. 

Itaiualineac 

09. RamaUna caUcaris. Fries. — R. fraxima. Schoer. — Habita 
nos troncos e ramos de varias arvores, sob diversas formas, que passa- 
ram por espécies, mas que actualmente são consideradas como varieda- 
des da espécie typica. É vulgar em muitas terras do reino. 

Peltigereae 

70. Nephroma rempinala. Ach., Schoer. — Lichen restipinatus. L. 
— Habita na terra, arvores e rochas. 

71. Peltigera canina. Hoffm., Schoer. t. 2, f. 4, — Lichen cani- 
7UIS. L. —Musgo dos cães damnados, Brot. — Habita na terra e pe- 
dras, etc. 

Parmelieae 

72. Sticta pulmonacea. Ach, — Lichen pulmonar ias. L. — Hepá- 
tica das arvores, Pulmonaria dos carvalhos, Brot. 

73. Sticta scrobiculata. Ach. — Habita na terra, sobre pedras, en- 
tre musgos, etc, na serra da Picota. 



i 



PHYSICAS E NATURAES 129 

74. Sticta aurata. Ach. — Lkhen aiiratus. Sm. Engl. bot. t. 2339. 
— Habita em troncos de arvores, entre musgos, ele, na serra da Picota. 

75. Sticta fuliginosa. Ach. 

76. Ricasolia glonmlifera. De Not. — Habita em arvores velhas e 
pedras da serra da Picota. 

77. Ricasolia herbácea. De Not. — Lichen herbaceus. Huds. — Ha- 
bita em arvores, pedras, e entre musgos, na serra da Picota. 

78. Parmelia caperata. Ach., Schoer. t. 3, f. 2. — Lichen capera- 
tiis. L. — Habita em arvores e pedras da serra da Picota. 

79. Parmelia perlata. Ach. — Lichen perlatus. L. — Habita em ar- 
vores e pedras, na serra da Picota. 

80. Parmelia tiliacca. Sch. —Lichen íiliaceiís. Ehrh. — Habita em 
troncos de arvores e sobre pedras, na serra da Picota. Rara. 

81. Parmelia olivacea. Ach. — Lichen olivaceiís. L. — Imbricaria 
olivacea. DG. — Habita nas arvores e pedras, na serra da Picota. 

82. Physcia parietina. Nyl. — Lichen parietinus. L. — Habita nas 
arvores, pedras e muros, em vários logares. Vulgarissima. 

83. Physcia leucomela. Mich., Dub. — Lichen leucomelas. L. — Ha- 
bita em varias arvores. Pouco vulgar. 

84. Physcia stellaris. Nyl. — Lichen stellaris. L. — Imbricaria stel- 
laris. Ach. —Habita em troncos de arvores, em vários logares. 

Gjroiihoreae 

83. Umbilicaria piistiilata. Hoffm. — Lichen pustulatiis. L. — Ha- 
bita sobre pedras, em vários logares. Não vulgar. 

lecanoreae 

86. Pannaria plúmbea. Delise. — Lichen plumbeus. Lightf. Scot. 
t. 26. — Habita em rochas e arvores, na serra da Picota. Não vulgar. 

87. Lecanora atra. Ach. — Lichen ater. Huds. — Habita em tron- 
cos de arvores, e pedras, na serra da Foya. 



130 JORNAL DE SGIENCIAS MATHEMATIGAS 



Lecideiueae 

88. Lecidea geographica. Schoer. t. 5, f. 3. — Lichen geographi- 
cus. L. — Habita na serra da Picota. 

Endocarpea 

89. Endocarpon jluviatile. DC. — Lkhen HuviatUis. Web. — Ha- 
bita na serra da Foya. 

(Continua) 



PHYSICAS E NATURAES 131 

IV. ZOOLOGIA 

\. Calalorto dos peixes de Porlugal que existem no Museu de lishoa* 

POR 
FÉLIX DE BRITO CAPELLO 



Fam. SALMONIDAE 

Genus Salmo. Artédi 

142. Salmo salar. Salmão. 

Gthr. Caí. of the fishes, VI, H. 

Triitta salar. Steindachner. Ichthyologischer bericht iiber eim nach 
Spanien imd Portugal. Ziceite fortsetzung, 18. 

Vulgar nas províncias septentrionaes de Portugal. 

143. Salmo fario. Truta. 

Var. Ausonii. Gthr. Cat. of the fishes, VI, 64. 

Trtitta fario. Steind. Ichthyologischer etc. Ziveite fortsetzung, 19. 

Salar Ausonii. Cuv. et Vai. Hist. natur. des poissons, XXI, 319, 
tab. 618. 

Vulgar. Alguns indivíduos provenientes do rio Zêzere e oíTerecidos 
pelos srs. Steindachner e Figueiredo. 

Genus Argentina. Artédi 

144. Argentina hebridica. Biqueirão branco. 

Gthr. Cat. of the fishes, VI, 203. 

Yarrell, British fishes, I, 300, fig. (3.=^ ed.) 

Argentina Yarreliii. Cuv. et Vai. Hist. nat. des poissons, XXI, 418. 

Raro. Um individuo obtido no mercado de Lisboa. 

^ Vid. Jorn. de scienc. math., phys. e nat., tom. f, num. Ill, pag. 233, 
num. IV, pag. 307, e tora. II, num. V, pag. 51. 



132 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Fam. SCOJIBERESOCIDAE 

Genus Belone. Artédi 

145. Belone vulgaris. Peixe agulha. 

Cuv. et Vai. Histoíre natiirelle des poissons, XVIII, 398. 
Yarrell, British fislies, I, 459, íig. (3.=^ ed.) 
Gthr. Cat. of the ftshcs, VI, 254. 

Genus Exocoetus. Artédi 

146. Exocoetus lineatus. Peixe voador. 

Cuv. et Vai. Histoíre naturelle des poissons, XVIII, 399. 
Gthr. Cat. of thc fishes, VI, 287. 

D. 13; A. 11. 

Altura do corpo no comprimento total 1 : 7,50 

Comprimento da cabeça no total 1 : 6,00 

Dorso cinzento azulado muito escuro, tornando-se mais claro nos 
flancos onde a cor é francamente azul prateado de aço; branco prateado 
no ventre. Uma faxa escura a partir da base da peitoral e estendendo-se 
por todo o corpo até á caudal. Peitoral, dorsal e caudal da cor do dorso; 
ventraes com os raios medianos pretos e os lateraes brancos; anal bran- 
ca. Uma mancha preta na axilla das ventraes. 

Raro. Dois indivíduos, um d'elles proveniente dos mares do cabo 
de Santa Maria, do logar denominado Baleeira. 

Fam. CYPRI^IDAE 

Genus Cyprinus. Auct. 

147. Cyprinus carpio. Salmão. 

Cuv. et Vai. Histoíre naturelle des poissons, XVI, 23. 
Yarrell, British fishes, I, 354, fig. (3.=^ ed.) 
Bp. Fauna itálica —pesei, tab. 25, fig. 2. 
Steind. Catalogue préliminaire des poissons d'eau douce de Portu- 
gal, 3; Ichthyologischer etc. Ziveíte fortsetzung, 1. 
Gthr. Cat. of the fishes, VII, 25. 
Vulgar. 



PHYSICAS E NATURAES 133 

Var. Regina. 
Cyprinus Regina. Bp. Fauna itálica — pesei:, tab. 25, fig. 1. 

Genus Carassius. Nilssoii 

148. Carassius auratus. Peixe doirado. 

Cuv. et Vai. Histoire naturelle des poissons, XVI, 101. 
Yarrell, British fishes, I, 371, fig. {^.^ ed.) 
Gthr. Caí. of the fishes, VII, 32. 

Espécie exótica, iioje aclimada e abundantíssima nas lagoas e tan- 
ques. 

Genus Barbus. Cuv. 

149. Barbus Bocagii. Barbo. 

Sleind. Catalogue préUminaire ele. 3 ; Ichthyologischer etc. Ziveite 
fortsetzung, 2, tab. I. 

Gthr. Cat. of the fishes, VII, 92. 
Vulgar. 

150. Barbus comiza. Barbo; Cuia. 

Steind. Catalogue préUminaire etc. 4; Ichthyologischer etc. Zweite 
fortsetzung, 3, tab. II. 

Gthr. Cat. of the fishes, VII, 93. 

Pouco vulgar. Alguns indivíduos colligidos e oíferecidos pelo sábio 
ichthyologo acima citado: um de grandes dimensões (0'",740) obtido no 
mercado de Lisboa com o nome de Ctwa. 

Genus Leuciscus. Auct. 

151. Leuciscus aula. Ruivaca, Pardelha. 

Cuv. et Vai. Histoire naturelle des poissons, XVII, 151. 

Gthr. Cat. of the fishes, VII, 215. 

Squalius aula. Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 34, fig. 4. 

Vulgar. 

152. Leuciscus (Leucos) Arcasii. Ruivaca, Pardelha. 

Steind. Ichthyologischer etc, 9, tab. III, fig. 2. 

Gthr. Cat. of the fishes, VII, 216. 

Vulgar nas ribeiras do Crato; enconlra-se egualmente no rio d'Al- 



134 JORNAL DE SCIENGIAS MATHEMATICAS 

cobaça, de Thomar, de Leiria, e no das Maçãs próximo de Collares e 
Cintra. 

153. Leuciscus macrolepidotus. Ruivaca. 

Steind. Sitzgsber Ak Wiss. Wien, 1866, 15, 272, taf. 1, f. 4. 
Gthr. Cat. of the pJies, VII, 217. 
Vulgar nas ribeiras de Coimbra e Cintra. 

154. Leuciscus alburnoides. Nom. viilg. ? 

Sleind. Ichthyologíscher etc. Dritte fortsetzung, 3. 

Gthr. Cat. of the fishes, VII, 217. 

Mertola. Um individuo offerecido pelo auctor da espécie. 

155. Leuciscus pyrenaycus. Escalo, Bordalo, Bobalinho. 

Gthr. Cat. of the fishes, VII, 223. 

Squalius cephalus. Steind. Ichthyologischer etc. Ztveite fortsetzung, 



!3. 



Leuciscus cephalus. Id. Sitzgsber Ak. Wiss. Wien, 1866, 18, 262. 
Squalius cavedanus. Id. Catalogue préliminaire etc. 4. 



Genus Clioiidrosloma. Agass. 

156. Chondrostoma polylepis. Boga. 

Steind. Catalogue préliminaire etc, 5; Ichthyologischer etc. Zweite 
fortsetzung, 14, tab. VI. 

Gthr. Cat. of the fishes, VII, 274. 

157. Chondrostoma Wilkommii. Nom. vulg. ? 

Steind. Ichthyologischer etc. Dritte fortsetzung, 6. 
Gthr. Cat. of the fishes, VII, 275. 
Guadiana, Mertola. 

Fam. CLIIPEIDAE 

Genus Engraulis. Cuv. et Vai. 

158. Engraulis encrasicholus. Bigueirão, Anchova. 
Cuv. Règne Anim. 

Cuv. et Vai. Histoire naturelle des poissotis, XXI, 7, tab. 607, 



PHYSICAS E NATURAES 135 



Risso. Etir. mérid. III, 454. 

Yarrell, British fishes, I, 515, fig. (3/'^ ed.) 

Gtlir. Cat. of the fishes, VII, 385. 



Geniis Clupea. Ciiv. 

159. Clupea alosa^ Savd. 

Gthr. Cat. of the ftshes, VII, 433. 

Almisa communis. Yarrell, British fishes, I, 133 (fig. 3.''). 

» » Steind. Ichthyologischer etc. 20, nec synonimia. 

Valgar e abundante no rio Tejo. 

160. Clupea finta. Savelha, Saboga. 

Gthr. Cat. of the fishes, VII, 435. 

Alausa finta. Yarrell, British fishes, I, 127, fig. (3.''' ed.) 

Vulgar, porém menos abundante que a espécie antecedente. 

161. Clupea pilchardus. Sardinha. 

Bloch. pt. XII, lab. 406. 

Gthr. Cat. of the fishes, VII, 439. 

Alausa pilchardus. Cuv. et Vai. Hist. natur. des pois., XX, 445. 

» » Yarrell, British fishes, I, 137, fig. (3.^ ed.) 

Vulgarissimo e abundantíssimo. 



Farn. MIRAE^IDAE 

Gcniis Anguilla. Cuv. 

162. Anguilla acutirostris. Enguia. 

Kaup. Catai, of apodai fish. in the collection ofthe British Museum, 
39, tab. V, fig. 27. 

Yarrell, British fishes, I, 44, fig. (3.=^ ed.) 
Vulgar e abundante. 

163. Anguilla latirostris. Eiroz. 

Kaup. Catai, of apodai fish. etc. 38, tab. V, fig. 26. 
Yarrell, British fishes, l, 62, fig. (3.^ ed.) 
Vulgar e abundante. 



136 



JORNAL DE SCIENGIAS MATIIEMATICAS 



164. Anguilla Bibroni. Enguia macha. 

Kaup. Catai, of apodai físh. etc. 33, tab. III, fig. 16. 
Raro. Alguns indivíduos obtidos no mercado de Lisboa. 

Geniis Conger. Cuv. 

165. Conger vulgaris. Congro (ad.), Safio (jun.) 

Kaup. Catai, of apodai fish. etc. 111. 
Yarrell, British fishes, l, 68, fig. (S.'"^ ed.) 
Vulgar. 

166. Conger nig-er. Safio preto. 

Kaup. Catai, of apodai fish. etc. 113, et synonimia. 
Raro. Três indivíduos obtidos no mercado de Lisboa. 

Genus Muraena. L. 

167. Muraena helena. Moreia. 

Kaup. Catai, of apodai fish. etc. 55. 
Yarrell, British fishes, I, 73, fig. (3.^ ed.) 
Vulgar. 

Genus Opliisiirus. Lacép. 

168. Ophisurus serpens. Peixe-cobra. 

Kaup. Catai, of apodai fish. etc. 7. 

Pouco vulgar. Alguns indivíduos obtidos no mercado de Lisboa: 
um proveniente de Setúbal, sr. Cunlia Freire. 

Fam. DIODO^TIDAE 

Genus Orlliagoriscus. Schn. 

169. Orthagoriscus mola. Roda, Lua. 
Yarrell, British fishes, II, 432, fig. (3.'^ ed.) 

Raro. Três indivíduos : um da coUecção antiga, e dois obtidos no 
mercado de Lisboa em 1865 e 1867. 

170. Orthagoriscus oblongus. Nom. vulg. ? 
Yarrell. British fishes, II, 439, fig. (3.=^ ed.) 
Raríssimo. Um individuo pertencente â collecção antiga. 



PllYSICAS E NATURAES 137 

Genus Tctraoilou. L. 
i71. Tetraodon Pennantii. Nom. vulg. ? 

Yarrell. British fishes, II, 426 fig. (3/'^ ed.) 

Lagoccphalits Pcnnanti. Bp. Fauna Itálica — pesei, tab. 66. fig. 2. 

Fam. BALISTIDAE 

Genus Balistes. L. 

172. Balistes capriscus. Cangiillo. 

Yarrell, British fishcs, II, 422, fig. (3.^ ed.) 
Raro. Dois indivíduos provenientes de Setúbal e enviados pelo sr. 
Cunha Freire; um secco fazendo parte das collecções antigas. 

Fam. PEGASIDAE 

Genus lli|)poi'ainpus. Guv. 

173. Hippocampus brevirostris. Cavallo marinho. 

Yarrell. British fishes, II, 394, fig. (3.^ ed.) 
Pouco vulgar. 

Fam. SY^G^ATHÍDAE 

Genus Syiignallius. L. 

174. Syngnathus açus. Marinha. 

Yarrell. British fishes, II, 400, fig. (3.^ ed.) 

Pouco vulgar. Alguns indivíduos obtidos no mcitado de Lisboa. 

Fam. ACIPE^SERIDAE 
Genus Acipcnser. L. 

175. Acipenser sturio. Solho. 

Bp. Fauna Itálica, — pesei, tab. 47, fig. 1. 

Ac. Thompsoni. Yarrell, British fishe., II, 442, fig. (3.'' ed.) 

Raro. Dois individues pertencentes á coUecção antiga. 

JOKN. DE SCIliiSC. MATH. PlliS. E NAT. — N. YI. 10 



138 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

17G. Acipenser Naccari. Solho. 

Bp. Fauna itálica, — p(?5c/^ lab. 47, fig. 2. 
Ac. latirostris. Yarrell, British fishes, II, 460, fig. (3.-'' ed.) 
Pouco vulgar. Três individuos provenientes do mercado de Lisboa: 
offerecidos por sua magestade el-rei. 

Fain. CHIMAERIDAE 

Genus Cliimaera. L. 

177. Chimaera monstrosa. Peixc-coelho. 

Bp. Fauna itálica, — pesei, tab. 48. 

Yarrell, British fishes, II, 464, íig. (3.-'^ ed.) 

Vulgar. Vários individuos obtidos no mercado de Lisboa. 

178. Chimaera affinis. Rato. 

F. Capello, Jon/al de scieucias mathematicas, phi/sicas e naturacs, 
num. IV, 314 e 320 (descripção); num. III, tab. III, fig. 1. 

Raríssimo. Um individuo enviado de Setúbal em 1864 pelo sr. João 
de Brito. 

l am. SCYLLIIDAE 

Genus Scjlliuiii. Guv. 

179. Scyllium canicula. Pata-roxa, Pinta-rnxa. 

Bp. Fau7m Itálica, — pesei, tab. 49, fig. 1. 

Mull. et. Henle, Plagiostomen, 6, tab. 7. 

Yarrell, British fishes, II, 470, fig. (cop. de Bp.?), (3.^ ed.) 

A. Duméril. Elasmohranches, I, 315. 

Bocage e Capello, Peixes plagiostomos, 11. 

Vulgar. 

180. Scyllmm catulus. Gata. 

Mull. et Henle, Plagiostomen, 9, tab. 5. 
Yarrell, British fishes, II, 477, fig. (3.^^ ed.) 
A. Duméril, Elasmohranches, 316. 
Bocage et Capello, Peixes Plagiostomos, 11. 
Vulgar. Alcança dimensões superiores ás da espécie antecedente; 
existem no museu exemplares com mais de 1™ de comprimento. 



PHYSICAS E NATURAluS 



139 



Geims Prisliurus. Bp. 

181. Pristiurus Artédi. Leitão ou Litão. 

Bocage e Capello, Peixes plagiostomos, 1 1 . 

Scyllium Artedi. Risso, Hist. nat. Enr. méríd. III, 117. 

Sc. Mclanostomum. Bp. Fauna itálica, — pesei, tab. 49, íig. 3. 

Pristiurus melanostomus. Mull. et Henle, Plagiostomen, 15. 

Yarrell, British fis/ies, II, 479, fig. (cop. de Bp.?), (3.^ ed.) 

A. Duméril, Elasmobranches, 325. 

Pouco vulgar. 

Genus Pseiuloiriakis. Capello 

182. Pseudotriakis microdon. Peixe carago. 

Capello, Jorn. de scinc. math., phys. c nat., tom. I, 315 (portu- 
guez), 321 (frança is), tab. V. Extracto, 10 e 10. 

Peixe de fundura: raro. Um individuo obtido em Setúbal, 1807. 
Sr. Cunha Freire. 

I am. LUIMDAE 

Genus Lamiia. Cuv. 

183. Lamna cornubica. Sardo. 

Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 52, íig. 2. 
Mull. et Ilenle, Plagiostomen, 07. 
Yarrell, British fishes, II, 498, íig. (3.^ ed.) 
A. Duméril, Elasmobranches, 405. 
Bocage e Capello, Peixes plagiostomos, 12. 
Vulgar. 

Genus Oxyrliiiia. Ag. 

184. Oxyrhina gompliodon. Annequim. 

Mull. et Henle, Plagiostomen, 08, tab. 28. 

Bocage e Capello, Peixes plagiostomos, 13, tab. III, fig. 3, juv. 

Ox. spallanzani. Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 54, fig. 1. 

» » A. Duméril, Elasmobranches, 408. 

Vulgar. 



10. 



140 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

Genus Carcliaroíloii 

185. Carcliarodon Rondeletii. Tubarão. 

Mull. et Ilenle, Plagiostomen, 70. 
A. Duméril, Elasmobranches, 411. 
Bocage e Capello, Peixes plagiostomos, 13. 
Carch. lamia. Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 53. 
» capensis. Smith, ///. Zool. S. Afr. Fish., lai). IV. 

Genus Selaclie. Guv. 

186. Selache máxima. Peixe-carago. 

Mull. et Henlc, Plagiostomen, 71. 
A. Duméril, Elasmobranches, 413. 
Bocage e Capello, Peixes plagiostomos, 14. 
Sqiiahts maximus. L. Sijst. nat., ed. Gm. 1498. 

Fam. ALOPIADIDAE 

Genus. Alopias. Raf. 

187. Alopias vulpes. Raposo. 

Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 52, fig. 1. 
Mull. et Henle, Plagiostomen, 74. 
A. Duméril, Elasmobranches, 421. 
Bocage e Capello, Peixes plagiostomos, 14. 
Squalus vulpes. L. Syst. nat., ed. Gm. I, 1496. 

Fam. ^OTIDA^IDAE 

Genus Hexaiichus. Rafin 

188. Hexanchus griseus. Albafar. 

Rafin, Caratt. 14, et índice, 47. 
Mull. et Henle, Plagiostomen, 80. 
A. Duméril, Elasmobranches, 431, tab. 4, fig. 9-12. 
Notidanus griseus. Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 55, fig. 1. 
■ » » Bocage et Capello, Peixes plagiostomos, 15. 



PHYSICAS E NATURAES 141 

Genus Hepíaiichus. Rafm. 

189. Heptanclius (Heptranchias) cinereus. Boca doce. 

Rafin, Caratt. 13. 

Mull. et Henle, Plagiostomen, 81, tab. 35, fig. 3. 

A. Duméril, Elasmohranches, 432. 

Notidanus cinereus. Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 55, fig. 2. 

Fam. MtSTELIDAE 

Genus Muslelus. Giiv. 

190. Mustelus vulgaris. Cação. 

Mull. et Henle, Plagiostomen, 64 et 190, tab. 27, fig. 1. 

Yarrell, British ftshes, 495. 

A. Duméril, Elasmohranches, 400, tab. 3, fig. 1-3. 

Bocage e Capello, Peixes plagiostomos, 16. 

Must. plehejus. Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 50, fig. 1. 

Vulgar. 

191. Mustelus loevis. Cação. 

Mull. et Henle, Plagiostomen, 190, tab. 27, fig. 2. 

A. Duméril, Elasmohranches, 401, tab. 3, figs. 4-6. 

Must. equestris. Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 50, fig. 2. 

Esta espécie é mais vulgar que a antecedente. Na excursão zooló- 
gica que fizemos em Setúbal (1868) encontrámos em abundância ambas 
as espécies, mas esta em maior quantidade. 

Fam. SOIIALIDAE 

Genus Spliyriía. Raf. 

192. Sphyrna zygaena. Peixe-martello. 

Squalus zygaena. L. Syst. nat., ed. Gm. I, 1494. 

Sph. zygaena. Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 51, fig. 1. 

» » Mull. et Henle, Plagiostomen. 51. 

» » Bocage c Capello, Peixes plagiostomos, 17. 

Cestracion zygaena. A. Duméril, Elasmohranches, 382. 
Pouco vulgar. 



142 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Genus Carciiarias. Mull et Henle 

193. Oarclianas (Prionodon) glauctis. Tintureira. 

]Mull. et Henle, Plagiostomen, 36, tab. II. 

A. Duraéril, Elasmohranches, 353. 

Prion. glaucas. Bocage e Cape! lo, Peixes plagiostomos, 17. 

Squaliis glancns. BI., tab. 86. 

» » Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 51, fig. 2 (ex- 

cellente desenbo o pintura). 

Vulgar. Um individuo $ medindo 2"\480 de comprimento. Conti- 
nha nos oviductos oitenta indivíduos novos, alguns de O™, 450 de com- 
primento. 

194. Carciiarias (Prionodon) lamia. Olho-branco. 

Risso, Hist. nat. Eur. mérid. III, M9. 

Mull. et Henle. Plagiostomen, 37, tab. 12. 

A. Duméril, Elasmobranches, 356. 

Prion. lamia. Bocage c Capello, Peixes plagiostomos, 18. 

Raro. 

Genus Galeus. Cuv. 

195. Galeus canis. Dentado, Perna de moça. 

Rondelet, De piscibus, 377. 

Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 50, fig. 3. 

Mull. et Henle, Plagiostomen, 37, tab. 12. 

A. Duméril, Elasmobranches, 390. 

Bocage e Capello, Peixes plagiostomos, 18. 

Vulgar em Lisboa; vulgarissimo em Setúbal, onde todos os dias o 
encontrámos ás dezenas no mercado de peixe (excursão zoológica de 
1868). 



PHYSICAS E NATURAES 143 

Fam. SPI^ACIDAE 
Genus Acaiitliias. Bp. 

auxxm 

Í9G. Acanthias Blainvillii. GaUmdo. 

Risso, Hist. nat. Eiir, mérid. III, 133, tab. 3, fig. I. 

Mull. et Henle, Plagiostomen, 84. 

A. Duméril, Elasmobranches, 438. 

Bocage e Capei lo, Peixes plagiostomos, 21. 

Spinax BlainvilUi. Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 58, fig. 1. 

Vulgar. 

197. Acanthias vulgaris. Galhudo. 

Mull et Henle, Plagiostomen, 83. 

A. Duméril, Elasmobranches, 437. 

Bocage e Capello, Peixes plagiostomos, 21. 

Spinax acanlliias. Bp. Fauna itálica —pesei, tab. 57. 

Vulgar. 

Genus Ceiílropliorus. ^ Mull. ot Henle 






198. Centrophorus granulosus. Lixa de lei (ad.), Barro- 
so (jun.) 

Mull. et Henle, Plagiostomen, 89, tab. 33. 
A. Duméril, Elasmobranches, 447 (syn. partim). 
Bocage et Capello, Peixes plagiostomos, 25, tab. I, íig. 3 adult. ; 
tab. Ill, fig. 1 júnior. 



Vid. Peixes phif)iosf ornas, 22. 



144 JORNAL DE SCIEN^IAS MATHEMATICAS 

Cenlrophorus lusitanims (partim. Bocage c Capello. Proceed. Z. 
S. L. i8G4, 2G1, fig. 4. 

Vulgar : pesca-se com os espinheis a grande profundidade. 

199. Centropliorus squamosus. Arreganhada. 

Mull. ot Ilenle, Plagiostome??, 90, tab. 34. 
A. Duméril, Elasmobranches, 448. 
Bocage e Capello, Peixes plagiostomos, 27. 
Menos vulgar que a espécie antecedente : enconlra-se nas mesmas 
paragens e pesca-se com os mesmos apparelhos. 

200. Centropliorus crepidater. Sapata preta. 

Bocage e Capello. Proceed. Z. S. L. 18G4, 2G2, fig. 3; Peixes jola- 
giostomos, 27, tab. 2, fig. 2. 

Pouco vulgar. É peixe de fundura e pesca-se também com os es- 
pinheis. As suas dimensões não excedem 0"',9. 

201. Centrophorus crepidalbus. Sapata branca. 

Bocage e Capello. Proceed. Z. S. L. 18G4, 262, fig. 2; Peixes pla- 
giostomos, 18CG, 28, tab. 2, fig. 1. 

Yar. a, sctitellis minoribus rostro obttmuscido. 

Acanthidium cakeiis. Lovve, Proceed. Z. S. L. 1839, 93. 

Centrophorus calceiís. Lovve, Proceed. Z. S. L. 1843, 9. 

Pouco vulgar; comtudo temos obtido alguns exemplares da varie- 
dade X. 

Genus Ceiílroscyiiiilus. Bocage e Capello 



KXSXúTn 



202. Centroscymnus coelolepis. Arreganhada. 

Bocage e Capello. Proceed. Z. S. L. 18G4, 263, fig. 4; Peixes pla- 
giostomos, 1866, 30, tab. 2, fig. 3. 

Pouco vulgar. Pesca-se juntamente com as fixas, com os espinheis. 

O sr. James Yattes Johnson obíove uni excm[)lar da nossa espécie 
nos mares da Madeira. 



• PHYSICAS E NATURAES 145 

Genus Scymiiodon. Bocage e Capello 



203. Scymnodon ringens. Arreganhada. 

Bocage e Capello. Proceed. Z. S. L. 1864, 263, fig. 5; Peixes pla- 
giostomos, 1866, 32, tab. 1, fig. 1. 
Pouco vulgar. 

Gemis Ceiílrina. Cuv. 



M 



fm 



204. Centrina Salviani. Peixe-porco. 

Sqitahts centrina, L. Syst. nat., ed. Gm. I, 1502. 

Ccntr. Salviani. Risse, Hist. nat. Eiir. mérid. III, 135. 

Bp. Faium itálica — pesei, tab. 59, fig. 2. 

Mu 11. et Henle, Plagiostomen, 87. 

Bocage e Capello, Peixes plagiostomos, 32, tab. 1, fig. 2. 

Oxynotus centrina. A. Duméril, Elasmobranches, 444. 

Raro. 

Fam. SCYM^IDAE 

Genus Sqmnus. Mull. et Henle 

205. Scymniis lichia. Carocho í; Pailona $. 

Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 
Mull. et Henle, Plagiostomen, 92. 
A. Duméril, Elasmobranches, 452. 
Bocage e Capello, Peixes plagiostomos, 34. 



146 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Sc. nicaeensís. Risso, Hist. nat. Eiir. mérkl. III, 136 (não citamos 
o desenho porque é realmente uma coisa fabulosa!). 
Vulgarissimo. 

Geniis Laemargus. Nob. (ex uuci.) 
20C. Laemargus rostratus. Pailomi. 
(Tab. IX, fig. 2) 

Scymnus rostratus. Risso, Hist. nat. Eur. mérkl. III, 1 38, fig. 7 (má). 

Sc. (Laemargus) rostratus, MuU. et Ilenle, Plagiostomen, 95. 
« » » A. Duméril, Elasmohranches, 458. 

Quando os srs. Maller e Henle, e ultimamente o sr. A. Duméril, 
publicaram, os primeiros a sua obra intitulada Si/stemastische Beschrei- 
buufj der Plagiostomen, e o segundo a sua Histoire NaliireUe des pois- 
sons, I, Elasmobranches, ainda não eram conhecidos os typos novos de 
peixes plagiostomos descobertos nos mares de Portugal e da Madeira; 
typos tão diversos de tudo o que era então conhecido, que nos vimos 
obrigados (o dr. Rocage e eu primeiramente para com os peixes de 
Portugal, e ultimamente o sr. Yatte Johnson para um peixe da Madei- 
ra) a constituir com elles novos géneros, fundados principalmente na 
forma e disposição dos dentes. 

A dentição d'estes novos typos constituo varias combinações com 
os dentes de certos typos já conhecidos. Com cffeito, temos o género 
Ccntroscymmis que apresenta na maxilla superior dentes de Scymnus e 
na inferior dentes de Centrophorus ; o género Scijmnodon que tem exa- 
ctamente a dentição do género Scymnus; e finalmente o typo novo do 
sr. Y. Johnson (MachephUlus) que apresenta dentes de Centrophorus na 
maxilla superior e dentes de Scymnus na inferior. 

Os auctores, não tendo conhecimento d'estas fórmulas de dentição, 
julgaram desnecessário desmembrar do género Scymnus as espécies que 
apresentam, como a de Risso, dentes de Scymnus na maxilla superior 
e dentes de Centrophorus na inferior : formaram unicamente com estas 
espécies um subgenero denominado Laemargus. 

Para sermos coherentes com o que fizemos a respeito dos géneros 
Centroscymnus e Scymnodon, elevaremos á categoria de género o sub- 
genero dos auctores, assignando-lhc por caracter principal a existência 
de dentes sulmliformes, recurvados, muito agudos e affastados na ma- 
xilla superior (vid. Peixes plagiostomos, tab. II, íig. 3 a; tab. III, fig. 21), 
e na inferior dentes pares, isto 6, sem dente mediano, sccuriformes, 



PHYSICAS E NATURAES 147 

com O gume cortante e liso, e dirigindo-se cm sentido inverso a partir 
da linha mediana. 

Ficam, pois, pelo nosso modo de ver, distribuídas as espécies do 
género Scijmnus dos auctores, da seguinte maneira : 

Sci/mnus Laemargns 

licliia (typo) rostratus (typo) 

Labordii borealis 

brasiliensis brevipinna. 

Caracteres do L. rostratus. Corpo delgado e prismatico-triangular. 
Focinho comprido e chato, semelhante ao das espécies do género Cen- 
trophorus. Dentes da maxilla superior em 7 a 8 ordens, subuliformes, 
recurvados, agudos e aíTastados. Na maxilla inferior dentes pares, secu- 
riformes, com o gume muito ol)liquo, cortante e liso, e dirigindo-se em 
sentido inverso a partir da linha mediana, em 8 a 9 ordens, duas ante- 
riores levantadas, as posteriores reclinadas para a parte interior da boca. 
Boca mui pouco curva, com uma prega profunda em cada canto. Nari- 
nas um pouco mais próximas da boca que da extremidade do focinho, 
com duas pregas da peile formando válvulas (vid. fig. 2 a). 

Spiraculos muito pequenos, collocados atraz e acima do nivel do 
olho. 

Peitoraes pequenas; distanciadas da ponta do focinho proxima- 
mente -/7 do comprimento total. 

A primeira dorsal acha-sc exactamente no meio do comprimento to- 
tal do corpo : é baixa e comprida, prolongando-se em ponta aguda no 
angulo posterior. Segunda dorsal egual proximamente na forma e com- 
primento á primeira; a distancia entre as duas dorsaes (medida entre 
as extremidades posteriores das bases ^) eguala proximamente a que vae 
da 2.* ao extremo do lóbulo inferior da caudal, e da 1.^ á origem da 
peitoral. A abertura anal acha-se distante da ponta do focinho ^"/as do 
comprimento total, e a sua distancia á extremidade da caudal eguala a 
que vae á origem da peitoral. 

Caudal muito larga, com o lóbulo inferior muito desenvolvido. Es- 
cutellas pequenas e análogas na forma às do Sc. lichia. 

* Preferimos fazer as mediçíjes que se referem ás dorsaes c ventraes, da 
extremidade posterior das suas bases, por isso que as origens d'estas barbata- 
nas são na maior parte dos casos muito incertas e portanto bastante d iíTiccis de 
determinar. 



148 JORNAL DR SCIENCIAS MATHEMATICAS 

MEDIDAS 

Da ponta do focinho â origem da peitoral O^jSS^ 

Da origem da peitoral ao extremo da base da \.^ dorsal 0™,188 

Do extremo da base da i.^ dorsal á abertura anal 0'",li2 

Da abertura anal ao extremo da base da 2.^ dorsal 0^,080 

Do extremo da base da 2/ dorsal á extremidade da caudal. . . 0"\220 

Comprimento total 0"\832 

Genus Ecliiiioiiiiiiiis. Blv. 

207. EchinorMnus spinosus. Peixe-Prefjo. 

Squalus spinosus. L. Syst. nat., ed. Gm. I, 1500. 
Ech. spinosus. Bp. Fauna itálica — pesei:, tab. 
Muli. et Henle, Plagiostomen, 96, tab. CO. 
Yarrell, British fishes, II, 529, íig. (3.-'^ ed.) 
A. Duméril, Elasmobranches, 459. 
Bocage c Capello, Peixes plagiostomos, 35. 
Vulgar. 

1 ani. FKISTIDAE 

Genus Prislis. Latr. 

208. Pristis antiquorum. Espadarte. 

Mull. et Henle, Plagiostomen, 106. tab. 60. 
A. Duméril, Elasmobranches, 473. 
Bocage e Capello, Peixes plagiostomos, 35. 
Raríssimo. Um individuo medindo 1™,68 de comprimento total (in- 
cluindo a serra). 

Fam. StllATIlDAE 

Genus Squaliiia. Dum. 

209. Squatina vulgaris. Peixe-anjo. 

Squalus squatina. L. Sijst. nat., ed. Gm. I, 1503. 

Squatina vulgaris. MuUer et Henle, Plagiostomen, 99, tab. 35. 

Bocage e Capello, Peixes plagiostomos/ 2ò. 

Squat. angelus. Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 

Rhina squatina. A. Duméril, Elasmobranches, 464. 

Vulgar. 



PHYSICAS E NATURAES 149 

Fam. RAJIDAE 

Genus Rliiiiobatiis. Schw. 
210. RMnobatus Colomnae. Rebeca. 

Mull. et Henle, Plagiostomen, I, 113. 
Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 
A. Duméril, Elasmobranches, 486. 
Pouco vulgar. 

Genus Torpedo. Dom. 

2H. Torpedo oculata. Tremelga. 

Mull. et Henle, Plagiostomen, I, 127. 
Var. I. A. Duméril, Elasmobranches, 506. 
Torjh nane. Bp. Fauna itálica — yesci, tab. 
Vulgar. 

212. Torpedo marmorata. Tremelga. 

Bisso, Ichthyologie de Nice, 20, tab. III, fig. 4 ; Hisl. nat. Eur. 
mérid. Ill, 143, tab. IV, fig. 9. 

Mull. et Henle, Plagiostomen, 128. 

A. Duméril, Elasmobranches, 508. 

Torp. Galvanii. Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 

Pouco vulgar. 

Genus Ríija. L. 

213. Raja clavata. Raia pregada. 

Mull. et Henle, Plagiostomen, 135. 

A. Duméril, Elasmobranches, 528, tab. 12, íig. 7-10. 

Yarrcll, British fishes, 11, 581, fig. (3.'"' ed.) 

Dasybatis clavata. Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 67, íig. 4. 

Um exemplar fazendo parte da collecção antiga do museu. 

214. Raia undulata. Raia. 

Fide Lowei. 

Em uma relação que o sr. Lowe fez o favor de nos dar, con lendo 
os peixes que este distinclo zoologista estudou cm Lisboa, vem citada 
a R. undulata ; por isso a incluímos no catalogo sem designação de va- 
riedade, porque não vinha especificada na dita relação. 



150 JORNAL DE SCIENC^AS MATflEMATIGAS 

Var. IV. Raia mosaica. 

(Tab. IX, fig. 3) 

Lacepède, PoissoJis, IV, G75, tab. 16, fig. 2, 

Risso, Hist. nat. Eur. mérid. III, 154. 

O museu possue um exemplar, pertencente ás coUecções antigas, 
de uma variedade da R. undidata, differente das três ciladas pelo sr. 
A. Duméril. 

O nosso exemplar assemelha-se bastante ao que se acha desenhado 
na Histoire naturelle des poissons, de Lacepède t. IV, tab. 16, fig. 2. 
Com effeito, apresenta as duas ordens incompletas de espinhos lateraes 
da cauda, e as malhas brancas espalhadas por toda a superfície dorsal 
— malhas não ciladas pelo sr. Duméril nas suas Ires variedades da es- 
pécie: finalmente a nossa variedade é evidentemente a R. mosaica de 
Lacepède ; comtudo, como apresenta algumas differenças descreveremos 
minuciosamente a sua pintura. 

Região superior uniformemente cor de castanha (no exemplar pre- 
parado a secco), com malhas brancas orladas de escuro, irregularmente 
dispostas mas egualmenle espaçadas ; estas malhas tem, como no dese- 
nlio de Lacepède, um diâmetro proximamente metade do diâmetro do 
olho. Linhas escuras onduladas, orladas de pontos pequenos brancos, 
estão symetricamente dispostas do modo seguinte : duas na parte ante- 
rior de cada peitoral e parallelas ao seu bordo anterior, uma d ellas par- 
tindo do olho e a outra do spiraculo ; uma pequena e curva de um e 
outro lado na parte anterior da cintura scapular : uma outra fechando 
quasi um circulo, com uma das malhas brancas no centro, d'um e ou- 
tro da cintura scapular; duas linhas curvas fechando incompletamente 
um circulo, tendo no centro Ires malhas brancas reunidas, se acham no 
meio de cada peitoral ; finalmente duas linhas parallelas no bordo pos- 
terior e interno cVestas barbatanas. 

Vè-se, pois, que o nosso exemplar differe na pintura de todas as 
variedades descriptas pelo sr. Duméril, aproximando-se bastante do de- 
senho de Lacepède, do qual se differença comtudo pelo maior numero 
e elegante desenho das linhas escuras, e pela orla escura das malhas 
brancas *. 



^ Ultimameníe, já depois de composto este artigo, recebemos um exem- 
plar d'esta variedade, J adulto. A pintura é exactamente a mesma, á excepção 
da cor do fundo, que é cinzento. 



PIIYSICAS E NATURAES 151 

215. Raja capensis? Raia pintada. 

Mull. et Henle, Plagiostomen, 151. 

A. Duméril, Elasmobranches, 540. 

Com bastante duvida referimos a esta espécie três exemplares, in- 
felizmente todos fêmeas, que existem no museu. 

Entre os caracteres pelos quaes se aproxima da R. capensis cita- 
remos a existência de três carreiras de grossos cravos recurvados com 
base larga, sobre a cauda, começando a carreira mediana um pouco 
adiante da origem das ventraes, e reapparecendo mais adiante na parte 
anterior da cintura scapular ; estes, porém, são muito mais pequenos e 
não existem em todos os indivíduos. 

O que a distingue no emtanto de todas as outras, mesmo da fnl- 
lonica, vem a ser a existência de grande quantidade de fortes espinhos 
(além dos que tornam toda a superfície superior áspera) na margem 
posterior das peitoraes : estes espinhos são curvos e formam uma faxa 
bastante larga. 

216. Raja Scliultzii. Raia. 

iMull. et Ilenle, Plarjiostomen, 138 et 194, tab. 47, íig. 1 et 1 a. 

A. Dumeril, FJasmobranches, 541. 

Um individuo, Setúbal. Excursão Zoológica de 18C8. 

217. Raja asterias. Raia pintada. 

Mull. et Henle, Plagiostomen, 139 et 194, tab. 47, fig. 2. 
A. Duméril, Elasmobranches, 543. 
R. batis. Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 07, fig. 1. 
Dois indivíduos de Setúbal: um enviado pelo sr. Cunha Freire; ou- 
tro obtido na nossa excursão zoológica de 1868. 

218. Raja miraletus. Raia quatro olhos. 

Risso, Ichth. de Nice, 4; Hist. nat. Eur. mérid. III, 149. 

Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 63. 

Mull. et Henle, Plagiostomen, 141. 

Yarrell, British fishes, II, 570, fig. (3.=^ ed.) 

A. Duméril, Elasmobranches, 547. 

Um individuo obtido em SetuJjal na excursão zoológica de 1868. 

219. Raja naevus. Raia quatro olhos. 
Mull. et Henle, Plagiostomen, 138. 



J 52 JORNAL DE SGIENCIAS MATHEMATICAS 

A. Duméril, Elasmobrcmches, 549. 

R. radula. Yarrell, British fishes, II, 574, Og. (3/'' ed.). 

Três indivíduos : um 5 secco pertencente ás collecções antigas do 
museu; um í em álcool, mercado de Lisboa; um secco, enviado de 
Setúbal pelo sr. Cunha Freire. 

220. Raja fullonica. Raia pregada. 

Rondellet, De pise. lib. XII, 356. 

A. Duméril, Elasmobranches, 554. 

Dasybatis fullonica. Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 68, fig. 1. 

Ura individuo $ proveniente de Setúbal : sr. Cunha Freire. 

221. Raja lintea. Grega. 

MuU. et Henle, Plagiostomen, 147. 
Yarrell, British fishes, II, 555, fig. (3.=^ ed.) 
A. Duméril, Elasmobranches, 557. 

Um individuo medindo 1™,82 de comprimento total (disco : largura 
l'",4; comprimento 1"',2). Lisboa. 

222. Raja batis. Raia. 

Fide Lowei. 

Na lista de que falíamos a propósito da R. imdulaia acha-se tam- 
bém citada a R. batis. 

223. Raja Salviam. Raia bicuda. 

A. Duméril, Elasmobranches, 569. 

Laeviraga oxyrhinchus. Bp. Fauna itálica — iiesci, tab. 69, lig. 1. 

Geniis TrygOH. Adans. 

224. Trygon pastinaca. Uge, Urze. 

Cuv. Regn. anim. 

Bp. Fauna itálica — jjesci, tab. 

Mull. et Henle, Plagiostomen, 161. 

Yarrell, British fishes, II, 591, fig. (3.^' ed.) 

A. Duméril, Elasmobranches, 600. 

Raia pastinaca. L. Syst. nat. 

» » Risso, Ichthyologie de Nice, 10; Ilist. nat. Eur. 

merid. III, 160. 

» » Bloch, tab. 82. 



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PHYSICAS E NATURAES 153 

Pouco vulgar. Vários indivíduos da collecção antiga ; um de Setú- 
bal — excursão zoológica de 1868. 

Genus Mjliobalis. Cuv. 
225. Myliobatis aquila. Ratão. 

Cuv, Rcgu. aiiim. 

Yarrell, British /ishcs, II, 59o, fig. (3.'^ ed). 
MuU. et Henle, Plagiostomen, 176. 
Guich. Expl. SC. de VAlgérie, 138. 
Raia aquila. L. Syst. nat. 
Risso, Ichthyologie de Nice, 9. 

Vulgar. Vários indivíduos da collecção antiga, outros obtidos em 
Setúbal —excursão zoológica de 1868. 

Fam. PETROMYZOMDAE 

Genus Petromjzoii 
22(). Petromyzon marinus. Lampreia. 

Lin. Bloch. III, tab. 77. 

Yarrell, British [ishcs, I, 32, Dg. (3.=^ ed.) 



A fig. 1.^ da est. IX representa a Synaptura kisitanica que des- 
crevemos no numero anterior, e a cuja descripção faltam somente os 
números dos raios da dorsal e anal que são: 

D. 72-76; A. 58-60. 

Cor geral (do lado direito) castanho claro em uns exemplares, cin- 
zento em outros, com pontuação miúda escura por toda a superfície e 
barbatanas; algumas malhas escuras, irregulares na forma e disposição; 
três series de malhas ocellares, claras no centro e orladas de escuro, ao 
longo do corpo, uma seguindo a linha mediana, e as outras parallelas 
aos bordos superior e inferior, próximo das bases das respectivas bar- 
batanas dorsal e anal. Lado esquerdo totalmente branco. 



JORÍÍ. DE SCltiNC. MATIl. PHYb. E NAT. — N. VI. 11 



154 JORNAL DE SGIENCIAS MATHEMATICAS 



2. Sur lideiililé du «Promelleus paradoxiis. Cap. 
et du «I\esiarchus iiasutus. J. Y. JoIiiisoh« 



FELlX DE BRITO CAPELLO 



Nous nous empressons à faire une rectificalion à Tégard de nolre 
Promeiteus poradoxus ^ espèce déjà dócrito par M. James Yattc Johnson 
dans les Proceedings ç,e la Société Zoologique de Londres de 18C2 sous 
le nom de NesiarcJms nasutus. 

Deux circonstances ont beaucoup contribua à notre méprise. 

,Le savant auteur du Catalogue des poissons du muséum brltanni- 
que a le soin d'ajouter dans le fin de cliaque volume, sous la forme 
d'addenda, une liste des espèces appartenant à des familles comprises 
dans tous les volumes antérieurs et décrites après leur publication. Or 
le volume V de ce remarquable ouvrage contenant Tindication d'une es- 
pèce publiée en 1863 par M. J. Y. Johnson dans les Proceedings (le 
Ckiasmodm niger) et ne portant pas aucune reférence au Nesiarclms 
nasiitiis, décrit en 1802 et appartenant à une famille déjà publiée (vol. II), 
nous avons cru pouvoir nous dispenser de faire des recherches minu- 
tieuses parmi les publications antérieures à 1863. Quant aux écrits pos- 
térieures à cette année, nous y avons inutilement cherché notre espèce. 

L'autre cause d'erreur a été Fincorrection de la planche qui repre- 
sente le Nes. nasutus, dont le dessin est cependant du à M. Ford, Tun 
des plus habites dessinateurs de notre époque. Dans ce dessin on ne 
volt pas de nageoires ventrales ; et comme la présence de ces nageoires 
bien tléveloppées est précisement le caractere principal qui éloigne ce 
poisson du genre Gempykis, quoique nous ayons eu plusieurs fois cette 
planche sous les yeux, il ne nous est venu jamais à Fidée la possibi- 
lite de trouver indiques dans le texte les caracteres qui étaient absents 
dans le dessin, et nous avons jugé superflu de le consulter. 

1 Y. Jortial de sciencias Mathcmnticaí, Physicas eNaturaes, vol. I, num. III, 
pag. 260, est. IV, íig. 5. 



1'HYSIGAS E NATURAES 155 



Molluscos lerrestrcs c lliiviacs de Porluíial 



A. LUSO DA SILVA 



Proponho-me tratar dos mulluscos terrestres e íluviaes de Portugal, 
que tão pouco explorado está, com o fim de servir de algum proveito 
aos coUectores curiosos, por não haver, até agora, nada escripto n'este 
género em portuguez que lhes possa servir de auxilio. A dcscriptiou 
des moUusqiies terrestres et fliwiatiles da Portugal por Arthur xMo- 
relet, não só não preenche o fim que levo em vista, por ser mais um 
Índice ou catalogo dos moliuscos terrestres e fiuviaes de Portugal e 
por descrever apenas as espécies novas, mas também por serem estas 
descriptas em latim, o que confunde muito aquelles que principiam col- 
ligindo, os quaes muitas vezes nem latim sabem, sem comtudo lhes fal- 
tar o gosto para o estudo da natureza. Aqui no Porto tem-se espalhado 
o gosto pelas collecções, e entre ellas algumas ha, ainda que pequenas, 
que mereciam ser ordenadas e ter uma classificação. Porém, em todas 
ellas, exceptuando a do coUegio de Nossa Senhora da Guia, aonde apa- 
rent rari nantes. . . aqui e ali se vêem um hélice, uma lymnea, ou uma 
clausilia, os moliuscos terrestres e de agua doce faltam totalmente, o que 
me leva a crer que a maior parte das pessoas ignoram a sua existência. 

Para que se possa pois, vulgarisar o conhecimento do que possuí- 
mos n'esta parte malacologica, dei-me ao traljalho de o apresentar aos 
leitores, acrescentando que, principalmente no Porto e seus arredores, 
muitas horas gastei de paciência, correndo as aldeias, deitado na relva, 
voltando as pedras, ariancando hervas, e revolvendo as aguas : mas são 
os moliuscos que descrevo por mim próprio procurados, encontrados, 
colhidos, examinados, guardados e conservados; c creio ter a collecção 
completa do Porto e seus arredores, na área d'um circulo descripto com 
o raio de duas léguas pouco mais ou menos. Além d'este minucioso 
exame de exploração, nos passeios, apesar de breves, que tenho feito 
em alguns dos dias de ferias, não me esquecendo os moliuscos, alguns 



15G JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

lenho encontrado em varias partes do paiz, como depois se verá. Se este 
primeiro ensaio me animar a continuar na emprcza de explorador, ouso 
conceber a esperança de encontrar algumas espécies novas; fiado em 
que M. Morelet, distincto naturalista, deixou ainda muitos logares por 
visitar. E não será provável haver ahi espécies desconhecidas, visto ter 
elle achado tantas nos logares que visitou? Demais, n'esses mesmos lo- 
gares, alguma coisa escapou á penetrante e prescrutadora vista do sá- 
bio e intelligente naturalista, que nos veiu lembrar que é necessária con- 
tra a preguiça a diligencia: por quanto, se não achei ainda muitas es- 
pécies novas, duas achei já, pertencentes aos géneros Clausilia e lymnea: 
bem como encontrei a pupa fragilis, sticcinea amphíbia, helix pisana, 
auricula minima, e outras que elle dá para Lisboa ou Alemtejo; e a 
helix amleata, bidimus lubricus, etc. que só apresenta em Traz-os-Mon- 
tes: e além d'estas e d'outras, algumas achei aqui, que elle não encon- 
trou em parte alguma do paiz, pois que as não nomeia; como são a he- 
lix piílchella, h. costata, pupa pigmea, achatina acicula e bythinia 
brevis. 

Com esta esperança por norte, e tendo por pilotos os illustres e 
sábios naturalistas, com as suas instructivas visitas á minha collecção, 
os excs. srs. barão do Castello de Paiva, dr. Eduardo Augusto Allen 
e dr. José Vicente Barbosa du Bocage, affoito-me a entrar no mar, ape- 
sar 'de encapelado. Se não posso dar já uma obra mais completa dos 
molluscos do paiz, é por ter só disponível o tempo de ferias para as 
minhas explorações, nas quaes se gastam muitos dias : porém, a esta pri- 
meira parte, logo que tenha numero sufficiente, irei juntando outras, 
até poder formar um todo completo: e se esta, por pequena vale pouco, 
parece-me que são motivos bastantes para que os leitores me concedam 
a sua indulgência, os nenhuns auxílios que tenho, se não o gosto e von- 
tade de generahsar e enriquecer as collecções particulares, e o servir 
ella de brecha para ataque de maior fortaleza. 

(Continua) 



PHYSICAS E NATURAES 157 



4. Sobre duas espécies de « Plectroplerus » (Palo-íerrão) 
da Africa occideulai porlu«iieza 



J. A. DE SOUSA 



Em abril de 1859 (Proceedings of thc Zoologkal Society of Lon- 
don, p. 131) o sr. Sclater, em uma nota sobre a divisão em duas espé- 
cies do género Plcctropterus, representado no jardim zoológico de Lon- 
dres por quatro indivíduos, sendo dois originaes da Africa oriental e os 
outros dois da Africa occidental, consigna as diíTerencas características 
d estas espécies do seguinte modo : 

Plcctropterus gambensls. L., da Africa occidental. De menores dimen- 
sões: os lados da cabeça são revestidos de pennas em ambos os sexos: 
o macho tem a protuberância frontal muito mais pequena que o P. Riip- 
pellii, e na fêmea não existe. 

Plcctr. Riippcllil. Sclater, da Africa oriental. Tem uma dcsnudação de 
cada lado do pescoço, que falta na primeira espécie, o bico é maior, e 
a protuberância óssea da fronte mais larga e mais elevada. Não pos- 
suindo a fêmea, reporta-se o sr. Sclater á descripção de Riippell, que 
diz ter uma raia implume entre o olho e a base do bico. 

A observação de quatro exemplares vivos d'este género, que exis- 
tem ha tempo no pequeno jardim annexo ao museu de Lisboa, leva-nos 
a admittir a existência de duas espécies distinctas, das quaes uma po- 
derá referir-se ao P. gambensis, mas a outra não parece concordar por 
forma alguma com o P. Riippelli. 

Os nossos quatro exemplares differem entre si em dimensões: dois 
são sensivelmente maiores. 

Os dois maiores, originários de Benguella ', orçam pelas dimensões 
de um exemplar de Moçambique"^ do museu real, o qual mede r",02. 

* Offerecidos em 1800 pelo sr. Freitas Branco. 

2 Dimensão do vertex á extremidade da cauda, tomada antes de dissecado. 



158 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

Como este teem ambas as faces cobertas de pennas até aos cantos da 
boca, com reflexos purpúreos as coberturas das azas e dorso, e cor de 
carne os tarsos e pés, sendo no individuo maior mais viva. A proeminên- 
cia da fronte é pouco elevada, e as palmuras são rasgadas até o meio 
dos dedos. As pennas das faces, até um pouco acima do canto externo 
do olho, e as da garganta são brancas. 

Os dois exemplares menores, originários de Bissau, teem o reflexo 
do dorso e coberturas das azas de um verde-bronze, caracter mui sa- 
liente quando se comparam com os outros individues : os tarsos e pés 
cor de laranja. Divergem estes dois individues entre si. Um * tem a face 
nua e d'um azul mui claro até dois centímetros de distancia da base da 
mandíbula. A região frontal é n'elle guarnecida de uma crista longitu- 
dinal, composta de duas series de papillas cónicas; e a meia altura do 
pescoço, existe de cada lado uma calva de forma irregular e de um ver- 
melho coral, idêntico á cor do bico e carunculas. O outro exemplar^, 
um pouco mais pequeno, não apresenta desnudação nas faces nem no 
pescoço ; da fronte rompem através das pennas algumas pequenas pa- 
pillas em serie longitudinal; a cor dos tarsos e pés é muito desvaneci- 
da. As pennas dos sobrolhos e faces são brancas, as das tibias pretas 
mescladas de branco. 

Na supposição de que os exemplares oriundos de Bissau possam 
ser considerados como uma espécie nova, propomos que esta se chame 
Plectropterus Sdaterii. 

* Offerecido pelo sr. José Maria Tavares de Almeida. Vindo de Bissau em 
1865. 

^ Offerecido pelo sr. Leyguarde Pimenta. 



PHYSICAS E NATURAES 159 



O. Épouges siliceuses iiouvelles de Portugal el de Tile Sainl-Iago 
(areliipel de Cap-verl) 



J. V. BARBOZA DU BOCAGE 



1. Podospongia Lovenii. (PI. X, fig. 1) 

Synon. Lovenia borealis. Bocage. Ann. and Mag. Nat. Hisl. July, 
I8C8, p. 37. 

Éponge composée d'une tige verticale légèremenl courbe et d'une 
tôte elliptique, adherant aiix corps sous-marins par une base élargie non 
divisée en radicules (fig. 1). Un osculum terminal s'ouvrant au point le 
plus culminant de la têle. La surface de la tète présentant beaucoup de 
depréssions et d'inégalités et herissée de petites pointes aigues; celle 
de la tige égale et presque lisse, à Texception de Ia base oíi elle se mon- 
tre couverte de petites pointes três rapprochées. Couche dermale distin- 
cte, spiculeuse, contenant deux sortes de spicules : les uns longs, cylin- 
driques, en forme d'aiguilles, prolongeant leurs pointes au dessus de la 
surface du derme (fig. I e et 1 g), les autres beaucoup plus petils et for- 
tement épineux, enchassés pcrpendiculairement dans le derme, et for- 
mant par leur juxtaposition une enveloppe qui recouvre et protege en- 
tiérement Téponge dans toutes ses parties (fig. 1 b et 1 d). L'axis de la 
tige cst constituo par de nombreux faisceaux de longs spicules cylindri- 
ques, droits ou legérement innéchis, scmblables à ceux du derme; ces 
faisceaux s'associent entre eux par leurs extremités dune maniére regu- 
lière (fig. 1 f et 1 h). L'axis se prolongo supérieurement jusqu'à la moitié 
de la hauteur de la tête, et de celte extremité de Taxis, dans Tintérieur 
de la têle, partent en irradiant vers la surface plusieurs faisceaux de 
spicules identiques à ceux de Taxis (fig. 1 a). Le tissu sarcodique qui 
occupo les intervalles de ces faisceaux divergents, contient un certain 
nombre de longs spicules épineux scmblables à ceux qui forment Ten- 
veloppc extérieure (fig. 1 b). 



160 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

Nous possédons trois exeraplaires de cette curieuse óponge, que 
nous avions d'abord nommée Lovenia borealis; mais le nom génórique 
ne peut pas être conserve, parce quMl a été antérieurement appliqué à 
un genre d^Echinodermes. Nous nous résignons donc à dédier non pas 
le genre, mais 1'espécc, au savaiit zoologiste de Stockolm, qui de son 
côté vient de découvrir une aulre petite éponge à tige, le hyalonema bo- 
reale, tout-à-fait dislincte de la notre ^ 

Notre espéce nous semble se rapprocher des Tcíhcadae par les 
principaux traits de son organisalion. Elle habite les mers de Portugal. 
Nos trois spécimens étaient implantes sur une large pierre, rapportée 
d'une grande profondeur par des pêcheurs de squales, et se trouvaient 
en compagnie de plusieures éponges appartenant à divers genres et 
d'autres animaux inférieurs, petits crustacés, coralliaires, etc. 

± Reniera(?) Grayi. (PI. X, fig. 2) 

Éponge solitaire, allongée, claviforme, un peu sinueuse, élargie à 
la base (fig. 2). Surface herissée de petites pointes, inégale et présen- 
lant des lignes saillantes et des dépressions profondes dans le tiers ter- 
minal de réponge. Couche dermale distincte, spiculeuse, soutenue par 
de reseaux de spicules longs, recourbés, pointus aux deux extremités 
(fig. 2 a). Un axis intérieur forme par des spicules identiques à ceux du 
derme, disposés en faisceaux reguliers qui se reunissent par leurs ex- 
tremités (fig. 2 b). 

Groyant inédite cette espèce, que nous rapportons avec doute au 
genre Reniera, nous la dédions à notre ami le docteur Gray, le savant 
directeur du muséum britannique. 

Habitat — les Mers de Portugal. 

3. Discodermia polydiscus. (PI. XI, fig. i) 

Synon. Dactylocalyx polydiscus. Bowerb. 

D"après M. Bowerbank, h qui nous avons envoyé nos dessins et un 



^ Pour nous la petit éponge découverte par M. Loven n'apparlicnt pas au 
genre Hyalonema, lequel est essentielleraenl caracterisé par la présence d'un 
axis de spicules enormes, continus, s'étendant sans interruption de la base à 
Textremité opposée (celle ou se trouve la grossa éponge). Si Ton compare main- 
tenant les spicules de notre éponge avec celles du Hyalonema horeale. Lõv. on 
conviendra, nous Vespérons, qu'elles n"appartiennent pas au même genre, 
comme nous Tavions supposé d'al)ord à cause de Textrème ressemblance de 
leur aspect general. 



PHYSICAS E NATURAES 



161 



petit fragment de Téponge, elle est identique à un^spécimen des Indes 
occidentales, appartenant au muséum britannique, que M. Bowerbank a 
rintention de décrire sous le nom de DaclyJocaUjx polydiscus. 

Quoique nous ayons reçu derniòrement du docteur Gray plusieurs 
échantillons des espèces du genre Dactylocalyx qui se trouvent au mu- 
séum britannique, Tespèce de M. Bowerbank n'y est pas comprise, de 
sorte que ne possédant pas les éléments indispensables pour juger la 
question, nous devons nous rapporler entièrement à M. Bowerbank, 
dont Tautorité dans la matière est incontestable. Cependant nous nous 
permettons de proposer dans la famille Dactylocalycidae une nouvelle 
coupe générique pour les espèces dont Tenveloppe extérieure est con- 
stituée par des disques superposés, semblables à ceux representes dans 
nos fig. 1 a et I b de la pi. XI. 

Cette espèce, dont nous possédons à peine un exemplaire presque 
complet et deux petits fragments d un autre, habite les mers de Portu- 
gal. Nous les avons trouvés implantes sur une éponge de la famille ha- 
lichondridae. 

4. Latninculia cratera. (PI. XI, fig. 2) 

Éponge de forme irregulière, s'altachant aux branches des Gorgo- 
niadae, à surface mammelonée et três finement chagrinée (fig. 2). Dans 
chacune de ces élévations s'ouvre, plus ou moins distinctement, un os- 
culum. Couche dermale distincte, spiculeuse; les spicules de forme ex- 
trémement curieuse, rappelant d'une manière frappante les pièces d'un 
jeu d"échecs (fig. 2 c a 2 f), forment par leur juxtaposition une enveloppe 
complete à Téponge (fig. 2 b). Le squelette intérieur est represente par 
de faisceaux de spicules disposés en divers plans ; les spicules sont longs, 
légèrement courbes, se rétrécissant graducUemente vers les extremités 
oíi elles finissent en pointe (fig. 2 li) ; mais il y a encore, associes à ceux-ci, 
d'autres spicules épineux, semblables à ceux du derme (fig. 2 g). 

Plusieurs individus de cette espèce, les uns de couleur grisâtre, les 
autres dun noir profond, tous implantes sur des trones de Gorgonia, 
précisement à la bifurcation de leurs branches, nous ont été envoyés de 
Tile de Saint-Iago (arcliipel de Cap-verl) avec d'autres échantillons in- 
téressants de la faune sous-marine de cette région. 



1 02 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

EXPLICATION DES PLANCIIES 

PLANCHE X 

Fig. 1 — Podospongia Lovenii. Bocage, de grandeur naturellc. 

» 1 a — Coupe verticale de la lête de Téponge pour montrer les faisceaux ir- 
radiants X2. 

» i b — Aspcct extérieur de la couclie dermale X'140. 

« 1 c — Tissu occupant les intervalles des faisceaux irradianls dans rinté- 
rieur de la tèteX220. 

» 1 d — Spicules épineux du derme et du tissu lacunaire X320. 

» I e, 1 f, 1 g — Spicules en forme d'aiguille de Taxis, des faisceaux irra- 
dianls et du derme Xl^O. 

» 1 li — Composition de Taxis, montrant le mode d'associalion des spicu- 
les X 65. 
Fig. 2 — Beniera Grayi. Bocage, | de grandeur naturelle. 

» 2 a — Spicules de la couche dermale X220. 

» 2 b — Spicules de Taxis X 140. 

» 2c — Spicules de plus fortes dimentions qui se trouvcnt dissemines dans 
le tissu du derme. 

PLANCHE XI 

Fig. 1 — Discodermia polydiscus. | de grandeur naturelle. 

» la — Spicules en forme de disques qui forment Tenveloppe extérieure 
de Téponge X 140. 

» 1 b — Ces mêmes spicules isoles X220. 

» 1 c — Spicules du tissu placés immédiatement au-dessous de la couche ex- 
térieure de disques X 140. 

» 1 d, 1 e — Ces spicules à un plus fort grossissement X220. 

» 1 f — Réseau siliceux formant le squelette de Téponge Xl40. 
Fig. 2 — Latruncnlia cratera. Bocage, | de grandeur naturelle. 

» 2 a — Un fragment de l'éponge grossi 

» 2 b — Aspect extérieur de la couche dermale de Téponge X220. 

» 2 c à 2 e — Spicules du derme X400. 

» 2 f — Un de ces spicules jeune X400. 

» 2 g — Tissu de Téponge à Tintérieur X 220. 

» 2 h — Spicules des faisceaux intérieurs de Téponge x320. 



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litkdeVãSf.:.': ã C~-Rdn Chàdo, 61 



PHYSICAS E NATURAES 163 

V. BIBLIOGRAPHIA 

I. Bíhlioj^rapliío botaiiíque 

PAR 
EDMOND GOEZE 

(Connluido de pag. 74 do num. ti) 



Traité General de Boíamqne descriptive et mialylique, par MM. le do- 
cteur Le Maout et J. Decaisne, membre de Tlnstitut, 1 fort vol 
in 4°, p. p. 800. F. Didot Frères. Paris, 18G7. 

Cette importante publication, qui vieiít de paraítre, offre aux bo- 
tanistes comme aux horticulteurs liconographie la plus riche et la plus 
mélhodiqne qui aie paru jusquà ce jour sur la structure des végétaux; 
elle reproduit intégralement TAtlas élémentaire de botanique édité par 
lun des auteurs. MM. Le Maout et Decaisne, en le reproduisant, ont 
voulu lui donner une extension qui en fit un livre utile à tous ceux qui 
aiment à s'occuper sérieusement de Tétude du règne vegetal. lis ont, 
en conséquence, donné de nouveaux développeraents aux questions or- 
ganographiques et anatomiques, qui occupent la première partie de lou- 
vrage, et cette partie a été complétée par des notions générales de phy- 
siologíe. 

La deuxième partie comprend la description et la diagnose de tou- 
tes les familles indigènes et de la presque totalité des exotiques, avec 
lexamen comparatif de leurs affinités reciproques, suivies de considé- 
rations détaillées sur leur station géographique, et leur application aux 
besoins de Ihomme. 

L"ouvrage compte 5500 figures, executées par les meilleurs artis- 
tes, et rien, mème dans les plus petits détails, n'a étó épargné pour 
donner à ce livre une place eminente dans la bibliographie du i-ègne 
vegetal. 



164 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Memoire siir k Groíipe des Tiliacées. — Par H. Borquillon. Paris, 18G7. 

Sous ce titre M. le docteur Borquillon a Tintention de publier une 
série de Memoires sur cette faraille. La premiòre qui vient de paraitre, 
11 n'y a que quelques móis, nous donne d'abord quelques notices histo- 
riques sur les Tiliacées du temps d'Adanson, 1783, jusqu'au «genera 
plantaruni» de Bentham et Hooker. Un second chapitre presente Ténu- 
meration et description des genres, et dans un troisième nous trouvons 
quelques considérations interessantes sur les alliances et les affiniíés de 
cette famille. 

Genera Plantarum, ad exemplaria imprimis in herbariis Kewensibus 
servata definita; auctoribus G. Bentham et I. D. Hooker. Yol. I, 
pars 3. London, royal 8'°. 

Chacun qui s'occupe de la botanique, doit savoir que les «Genera 
Plantarum» d^Endlicher, publiés il y a déjà plus que 30 ans, laissaient 
entrevoir de plus en plus la necessite d'une nouvelle édition, compléte- 
ment revisée, ou, ce qui valait encore mieux, d'un nouvel ouvrage plus 
conforme à la science actuelle. C'est ce que les deux botanistes anglais 
ont compris et Famour pour la science leur a donné le courage d'entre- 
prendre un travail d'une si vaste étendue. 

Deux parties du premier volume ont paru en 1863 et 1865, la troi- 
sième partie vient de paraitre ii n y a que quelques móis, et nous n'a- 
vons pas voulu laisser échapper Toccasion d'appeler Tattention des le- 
cteurs, sans cependant oser d'entrer en aucun détail sur cet ouvrage 
important. Qu'il suffit d'ajouter que les familles suivantes: 

Mclaslomacées , plantes exclusivement tropicales, et dont beaucoup 
de représentants font un des plus grands charmes de nos serres chau- 
í\es,—Lythrariacées, Onagrariacées, Loasées, Popiflocées, Cticurbilacées, 
CacUcs, Ficoidées, Umbellifères et Araliacées, y sont traitées, qu'il y a 
en outre un supplément des familles precedentes, et que les opinions 
des deux auteurs diffèrent assez de ce qu'on a publié jusquà présent 
sur toutes ces familles. 

Nous laisons des voeux pour la prompte continuation d'un ouvrage 
aussi utile. 

Lois de la Nomenclatiire Bolaniqiie, par M. Alphonse de CandoUe. Ge- 
nève, 1867, 8^ p. p. 60. 

Rien d'arbitraire ne doit se rencontrer dans la science, mais quant 
à la botanique descriptive au moins, il faut avouer que depuis un nom- 



PIIYSICAS E NATURAES 1C5 

bre d'années bien de petites libertes, pour employer ce mot, y sont 
entrées, sans qu'on s'cn soit aperçu, ou sans qu'on ait voulu y faire at- 
tention. 

Le celebre botaniste de Genève a voulu mettre une limite à ce pro- 
cede, et dans ce sens 11 a presente au congrès International de botani- 
que, qui eut lieu à Paris Tannée passée, une brochure dans laquelle il 
expose ses vues sur cette question vues dautant plus de poids si nous 
considérons qu'elles nous sont offertes par un homme qui en a fait une 
de ses principales études. Cest à un code de lois, pour ainsi dire, ren- 
fermant (38 articles, que nous avons affaire et il nous menerait certes 
trop loin, si nous voulions essayer d'en donner seulement un extrait, 
surtout en étant bien loin à pouvoir y choisir les points les plus sail- 
lants. Nous devons laisser cette tache, qui admettra peut-ôtre même la 
critique sous quelque point de Mie, à des plumes plus capables que la 
nòtre, et nous contenter ici de conseiller la lecture de cette brochu- 
re, qui, nous Tespérons au moins, contribuera beaucoup à simpliíier 
ce chãos dans la nomenclatura botanique. 

Die Geschlechter Vertheilung hei deu Pflanzen, und das Gesetz der ver- 
miedenen und unvortheilliaften stetigen Selbotbefruchtung (L'arran- 
gement sexuel chez les plantes ect.) von Friderich Hildebrand. Lei- 
pzig, 1867. 

Dans cette brochure lauteur passe en revue toutes les publications 
qui ont paru sur ce sujet, celles de Sprengel, de Darwin, de Naudin et 
d'autres. Mais il y ajoute ses propres observations, basées sur une lon- 
gue série d'expériences, entreprises avec tous les soins possibles. Les 
maximes de Darwin : 

«Nature tells us the most emphatic manner Ihat she allows perpe- 
tuai self fertilisation. No hermaphrodite ferlilises itself for a perpetuily 
of generalions» 
sont sou ténues et mòme développées par lui. 

Presque toutes les familles naturelles lui ont servi comme exem- 
ple, même les Cryptogames, complètement oubliées et negligées sous 
ce rapport, y rencontrent quelques considera tions sérieuses. 

Uehcr die geographische Verbreilwig der Larheergewâchse (Sur la dis- 
tribution géographiquc des Laurinées), par C. F. Meisner. Munich, 
1860, 4°. p. p. 34. 

Les Laurinées forment une famille Irès-nombreuse et se trouvent 
répandues sur presque toutes les parties du globe. 



106 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEíMATICAS 

Lorsque Linnée publia, il y a environ 100 ans, ses «Species Plan- 
tarum» on connaissait seulement 13 espèces de cette famille, Lamarck, 
dans ses ouvrages, en cita 24, Wildenow 40, Person 54 et Sprengel 
98, Nees van Esenbeck, plus tard, devint Tauteur d une excellente mo- 
nograpliie des Laurinées, dans laquelle il divisa Tancien genre Laiinis 
en beaucoup de genres avec 400 espèces. Depiiis ce temps, c'est-à-dire, 
depuis 30 ans, ont a tellement explore les pays loinlains, et ces explo- 
rations ont fait connaitre tant d'espèces nouvelles des Laurinées, que 
M. le docteur Meissner, le savant monographiste de cette famille pour 
le Prodrome de De Candolle, n'en a pas décrites moins de 957 espè- 
ces, auxquelles nous ajouterons encore 25, découvertes depuis cette pu- 
blication. — Mais c'est d'une brochure, sortie des raains du même au- 
teur, et qui, formant ainsi un supplement de la monographie, contient 
un grand nombre de détails intéressants sur leur distribution géogra- 
phique, que nous allons nous occuper ici. 

En regardant d'abord les continents, nous y trouverons 974 espè- 
ces qui sont distribuées de la manière suivante: 

Amerique, 447 espèces, dont 425 se rencontrent sur le continent 
et 41 dans les iles. 

Asie, 445 espèces, dont 135 sont continentales et 310 insulaires. 

Aiistralie, 56 espèces en tout, 51 appartiennent au continent et 10 
aux íles. 

Afrique, compte 25 espèces, dont 9 sont propres au continent et 
17 aux iles. 

L'Europe n'a qu'une seule espèce indigène. 

Pour designer de plus prés les zônes dans lesquelles elles crois- 
sent, M. le docteur Meissner a divise le globle terrestre dans 5 zònes, 
savoir : 

1, La zòne équatoriale ou torride, 

2, La zône septentrionale des tropiques. 

3, La zône méridionale des tropiques, 

4, La zône méridionale extra-tropique, 

5, La zône septentrionale extra-tropique, 

et en le suivant sur cet itinéraire, nous trouverons 907 espèces dans 
les 3 zônes des tropiques, et 177 dans les deux zônes extra-tropiques. 

Les espèces sont presque toutes endémiques, c'est-à-dire, elles sont 
presque absolument restrictes à une de ces zônes, et on pcut dire la 
même chose de 40 genres parmi les 56 genres qui constituent cette fa- 
mille. 

L'analogie entre les Laurinées et les Myrtacées est reraarquable. 



1'HYSICAS E NATURAES 167 

Quoique bien éloignées Ics unes des autres dans la botanique systema- 
tique, les deux familles se ressemblent en étant composées presque ex- 
clusivement par des arbustes aromatiques, et s'approchent de plus par 
leur distribution géograpbique. Chez toutes les deux nous observons la 
même concenlration dans les régions tropiques de lAmerique et de 
TAsie, la même absence presque complete du contincnt de TEurope, 
comme ainsi absence totale de latitudes considérables. Dans les deux 
cas, quoique la superfície de terre est beaucoup plus étroitc, il y a plus 
d'espèces dans la zône méridionale que dans la zône septentrionale en 
dehors des tropiques. 

Les espèces et les genres des deux familles sont limitées d'une ma- 
nière analogue dans leur portée géographie. Nous voyons que, quant 
aux superfícies continentales, pas une seule espèce n'est commune à deux 
de ces zônes, et que, même si nous y joignons les iles, la première co- 
lonne nous donne seulement le nombre de 974 espèces; restent donc 2 
espèces, qui se rencontrent dans plus qu'im des districls ainsi obtenus. 
Le règne animal nous montre chez les singes et les perroquets des exem- 
ples d'une restriction géograpbique pareille. Dans la flore de TAustra- 
lie le tjT^e des Myrtacées est beaucoup plus répandu que celui des Lau- 
rinées, cela tient surlout à la prédominance, dans les individus et dans 
le nombre d'espèces da gcnre caracterislique Eucalyptus. 

Manuel de lAinatenr des Jardins. Traité general dliorticulture. Tome II, 
comprenant la mesure des plantes dagrément de pleinair et d'ap- 
parlemenls dans les différents climats de la Trance. Par J. Decaisne 
et Ch. Naudin, 8", p. p. 8á4. 

II y a déjà quelque temps que le second volume de cet important 
ouvrage vient de paraítre, car on pense déjà, comme un des deux au- 
leurs vient de nous écrire, à la publication du troisième volume; nous 
ne voulons pas cependant le passer ici sous silence, étant súrs que tous 
les amateurs de Thorticulture en Portugal y rencontreront une foule de 
rensignements précieux pour rorneraent de leurs jardins. Le climat de 
ce pays, Tagent le plus important pour la culture de plantes est três 
favorable, néanmoins Thorticulture y est encore bien en arrière, si nous 
voulons parler en general. 

Mais pour avancer, pour être súr du succès, il faut avoir des gui- 
des, et il será difficile de rencontrer des hommcs aussi compélents à 
nous rendre ce service que les deux auteurs de ce livre, honores com- 
me savants botanistes, non moins admires comme horticulteurs zélés. 



108 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

2. Biblíograpliin zooloojca 



Voyage du dr. F. Welwitsch, execute par ordre du gouvernement 
porlugais, dans les royaumes d'Angola et Benguella. — Mollusques ter- 
restres et fluviatiles par A. Morelet. 

Faunula malacologique terrestre de File San-Thomó par//. Crosse 
(Journal de Conchyliologie, t. VIII, 18G8, p. 125). 

A Sketch of the birds of Portugal hy Rev. A. C. Smith (Ibis, 1868, 
p. 428). 

Entendemos dever registar aqui a publicação d'estes escriptos que, 
por se referirem á fauna do paiz e das colónias, nos interessam dupla- 
mente. 

Do primeiro pode ler-se no Journal de Conchyliologie, 1868, p. 196, 
uma apreciação conscienciosa e uma analyse muito exacta. 

O auctor dos Molluscos terrestres e fluviaes de Portugal:, tornando 
proveitosos á sciencia uma parte dos materiaes coUigidos pelo hábil ex- 
plorador das nossas possessões d'Africa occidental, é mais uma vez ainda 
nosso credor pelo muito que aproveita á nossa boa fama não ficarem 
eternamente desconhecidas e ignoradas as riquezas naturaes do nosso 
território e das regiões que nos são subjeitas. 

Análogo serviço, com quanto muito mais modesto, nos prestou o 
sr. H. Crosse publicando no Journal de Conchyliologie a faunula ma- 
lacologka de S. Thomó. É uma lista de 9 espécies determinadas por este 
hábil concliyliologista â vista de exemplares authenticos, parte dos quaes 
havíamos submettido ao seu exame por occasião da nossa ultima viagem 
a Paris. 

A resenha das aves de Portugal pelo sr. Smith comprehende 193 
espécies, algarismo que está longe de representar a totalidade d'ellas, 
como se dá pressa em declarar este erudito escriptor. Este trabalho é 
o fructo das rápidas averiguações que o sr. Smith pôde fazer durante a 
sua recente visita a Portugal, e funda-se em boa parte nos materiaes que 
lhe foram patentes no museu de Lisboa, onde todavia existem, além das 
espécies mencionadas, varias outras que escaparam ao seu exame. Cum- 
pre-nos agradecer muito cordealmente ao sr. Smith o favorável conceito 
em que tem o nosso museu zoológico, e as expressões de extrema be- 
nevolência com que nos honi'a. 

B. B. 



PllYSlCAS E NATURAES 109 

1. MATHEMATIOA 

I. INola sobre al«uiiias proposições de geomelria 

POR 
FRANCISCO DA PONTE HORTA 



Demonslra-se em geometria analytica que o producto das tangen- 
tes dos ângulos que duas cordas supplementares, partindo dos extre- 
mos do eixo maior da ellipse ou transverso da liyperbole formam para 
o mesmo lado com o dito eixo, é egual a T a razão entre os quadra- 

_ h^ 
dos dos respectivos semieixos • • . tg «p . tg cp^ = + — • 

Esta propriedade de que pretendemos agora fazer uso, e que não 
demonstrámos cm nossa Memoria — Estudo synthctico sobre as secções 
co7iicas, havendo limitado esse trabalho a deduzir pelos novos metho- 
dos algumas das proposições mais conhecidas sobre as cónicas, pôde 
obter-se mui facilmente por esses methodos como se segue : 

Sabe-se (Géometr. sup. de M. Charles) que a fórmula 

tg(AiW) = /i tg. (A'3Í')....(1) 

representa a homographia de dois feixes de raios partindo de dois pon- 
tos dados, quando a dois raios d'um dos feixes, perpendiculares entre si, 
correspondem homólogos no outro que lhes são respectivamente per- 
pendiculares; e por conseguinte também mutuamente perpendiculares*. 
Esta circumstancia dá-sc na ellipse e na hyperbole; onde aos dois raios 
AB e AC (fig. 1), partindo do vértice A do eixo AB, correspondem no 
outro vértice os homólogos BD e BA. 

1 Consideram-se dois centros O, O': dcsigna-se por OA o raio do primeiro 
feixe O que passa por O'. O raio designado por O' A', é no centro O' o homo- 
logo do raio OA ; e sogundo a liypolhese é perpendicular a este raio. 

JORN. PE SCIENC. MATIl. PHYS. E NAT. — N. VII, 12 



170 



JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 




Fig. 1 



Se pois designarmos por ^ e (p' os dois ângulos MAB e MBD, le- 
remos em ambas as curvas em virtude da fórmula (1): 

tgCp==:/ltgcp'....e2) 

Tome-se agora o ponto M no extremo do eixo menor da ellipse ou 
no infinito do ramo BM da hyperbole, ter-se-ha : 



lORO 



cp'=90 — cp, 



e como n'essa posição do ponto M seja tg <? = - , ter-se-lia l{=-^, e 

finalmente 

tg? = ^tgcp'....(3). 



Poderiamos obter este mesmo resultado sem recorrer á equação (1), 
como se segue: 

Tem-se na ellipse ou na hyperbole 

pb: 



ou BP' 



= MPAg cp' 



logo 

donde 

mas é 

logo 

.Na ollipse é 
logo 

>\a liypeiiíDle é 
logo 



PHYSICAS K NATURAES 171 

AP. PB, 



on AP. BP' ""^ "" 



MP , , 

o ' An no o 1 ' 



'AP. 


PB ^ 


AP. 


BP 


MP 


b'- 


AP. PB 


~~a2 


AP.BP 




'--^ 


^Ig?' 



?' = ?. — 90, 



lK?lg?,= — ^^----W- 



90 



62 

lg'f tg?, = ^^,. ...(5). 



Se lizennos ?^^=t' nas fóimulas (4 e 5),- leremos : 
para a ellipse 

para a hypeiijole 

tg^T = ^- 

Mostra a primeira, que, na ellipse não ha raios liomologos paral- 
lelos ou asymptotas. Diz a segunda que os ha na hyperbole, e ella de- 
termina os ângulos que esses raios tirados por A formam com o eixo 
transverso. 

A fórmula (2) presta-se mui facilmente em alguns casos para reco- 
nhecer SC uma curva dada é ou não uma cónica; e no caso de o ser, a 
que género pertence. Tomam-se para centros de feixes homólogos os ex- 

12. 



172 



JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



tremos de alguma corda que se saiba incidir perpendicularmente sobre 
a curva ; indaga-se depois o valor do coefficiente K. Se este valor for 
constante, a curva ó cónica. 

Os dois exemplos seguintes vão esclarecer esta applicação. 

1 ,° O logar geométrico dos centros dos círculos inscriptos em triân- 
gulos da mesma base nos quaes a somma dos outros dois lados é cons- 
tante, é uma ellipse tendo por eixo maior a dita base. 




FL'. 2 



Sejam ADB (fig. 2) um dos triângulos dados de base constante 
AB = b, e GHL o circulo inscripto. 

O logar geométrico proposto passa por A e B : 

Com effcito, quando o ponto D for inclinando para a direita até 
cair sobre a recta AB o raio do circulo inscripto será egual a zero; e 

visto que a distancia DL=-ã— é constante, o centro do circulo zero 
cairá em L : mas n'esse limite, em que o ponto D está sobre a recta AB, 
é AD-{-DB = s^AB-\-WB, d'onde DB = ^^, logo DB = DL, e 

por tanto o centro do circulo zero é o ponto B. 

O mesmo se conclue para o ponto A, imaginando o ponto D caindo 
á esquerda de A sobre a recta AB. 

O logar geométrico dos centros dos circidos inscriptos corta per- 
pendicularmente a recta AB : 

Por quanto, sendo 180° o limite do angulo ABD, verificado no ins- 
tante em que o ponto D cae sobre a recta AB á direita de B, segue-se 
que a corda BE, tornada então tangente á curva proposta no ponto B, 

I 

será perpendicular a AB visto ser ABE = -^ ABD. Repete-se o mesmo 

raciocínio e conclusão relativamente ao ponto A. 



PHYSICAS E NATURAES 1 73 



.4 curva dada é uma ellipse : 
Tem-se 

d"onde 

EG' tgcp 



AG . GB 

Mas é (vol. I, pag. 100) 



sendo 
logo 

mas 

logo 

d'onde 

e finalmente 



4 (,s + d) 



d = AH~BL = AG — BG 



—-^1 (s-b){b + AG-BG){b — iAG-BG)) 



BG = AG, b — AG = BG 



—^^ {s-b)AG.BG 
s-\-b 



EG s—b 

AG.BG~s-\-b'' 

tg 9 s — b , , 

-^ = — -r = constante. 
tgcp' s-{-b 

A curva é pois uma ellipse, como asseverámos, sendo os seus dois 

semieixos ~ ^ ^ Kl-^- 
2 2 V s + ft 

Esta ellipse nunca chega a confundir-se com o circulo de diâmetro b 
senão quando for s = x. 

2.*^ O lofjar fjeometrico das intersecções d' um dos lados eguaes de 
triângulos isosceles de base constante com a bissectriz do angulo op- 
posto é uma hyperbolc. 

Seja ABC (fig. 3) o triangulo variável, i = /i os ângulos eguaes, 
AM a bissectriz do angulo A. 



174 



JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 




Fig. 3 



O logar geométrico proposto passa por D, sendo fiD = y ifí 



Com effeito, da relação 



AC MC 
AB ~ MB ' 



deduz-se para o limite, quando o ponto C cair em O 



d'onde 
e por tanto 

logo 



AO 1 MO 
AB ~ 2 ~~ MB ' 

MB^^MO, 



oz>=y ^^=y ^^; 



Wn = BD = ^AB. 



PHYSICAS E NATURAES 175 

Ao raio AD do feixe à . . corresponde o raio perpendicular DG no 
feixe D . . : 

Com effeito tem-se 

sen ADM : sen AMD ::AM.AB; 

mas no limite, quando o ponto M cair em D, ter-se-ha 

AM = AD, logo ADM=AMD: 
ora ADM -\- AMD + 'f = 180, e no limite é 9 = o, logo 
AZ)M=iM/) = 90. 

O logar geométrico passa por A : 

Por quanto, crescendo os ângulos CAB e CBA além de 90^ a bis- 
sectriz de A approximando-se successivamente de AG, attingirá esta di- 
recção quando for A=I80; e como n'este limite o lado BC se confunda 
com BA, segue-se que o ponto A é uma das posições do ponto M, ou 
um ponto da curva. Incidentemente fica provado que ao raio BA no 
feixe B. . corresponde o raio perpendicular AG' no feixe A. . 

O logar geométrico é uma curva do 3." género: 

Do triangulo rectângulo AMP deduz-se 

i|//> = iP tg cp = (A/^ -f /)P) tg cp = (Z)fí — /)P) tg 2cp, 

donde 

1 — tg2<p 

logo 

\cy'>' 2{DB—DP) AD-\-3DP — 2DB ^ 

ig-f — 1 AD^DP ~ AD + DP ' 

e finalmente 

ZDP 

mas é também 

DP = MP Ig <f' = AP. tg 9 tg cp' ; 
logo 

tg? = 3tg9'....(6). 

Conseguintemente os dois feixes AM. . . e DM. . . são homographi- 



176 



JORXAL DE SCIENCIAS MATHEMATTCAS 



cos; e logo o legar geométrico do ponto M é uma cónica do 3.° género, 
tendo por tangentes em A e Z) as rectas AG' a DG respectivamente. 
Para determinar as asymptotas faremos na equação (6) <p'=90 — f/, 
3 
ter-se-ha então tgcp = 3cotcp^ = - — , ou tgcptg'f^ = 3: 

e fazendo em fim ? = ?/ deduzir-se-ha 

tg2cp = 3, d'onde tg(p = ±v/3. 

Descrevendo uma circumferencia do centro E da hyperbole com o 
raio EB, ella cortará DG nos pontos G a G^ e serão as asymptotas as 
rectas EG e EG,. 

Com effeito, è DG = EDlg GED, d'onde 



tg GED 



DG ^iíED'—ED 



ED ED 

O angulo DEG é de 60°, por quanto, 

1 



cos DEG 



Wi-^ifDEG 



V3, 




Fig. 4 



Poderíamos lambem determinar as asymptotas suppondo o pé da 
bissectriz no infinito, porque sendo então ?=?/ e 2'f -|-í'=180° (fig. 4), 
ter-se-ha 3 ? = 180°, e logo 9 = 60°. 



PIIYSICAS E NATURAES 177 

Quanto aos eixos, designando PB por c, teremos a = yc; avisto 

b- 4 2 c 

que -^ = 3, teremos 6^ = yc^ e portanto h = -j^. 

Conclusão. O logar descripto pelo ponto 1/éuma hyperbole, cujo 

eixo transversal é y da base AB dos triângulos isosceles; o centro existe 

a um terço da mesma base contado do vértice A. As asymptotas são in- 
clinadas do GO- sobre o eixo AD. Os semieixos teem por grandezas AE 
e AE\/ — 3: e finalmente os focos são os pontos B e B', sendo AB' = 

DB = ^AB. 

A bissectriz BM' determina uma hipérbole egual, tendo por eixo 
transverso EB. 

Pelos processos de geometria analytica obteem-se estes resultados 
mui facilmente. 

Com effeito, tomando para eixos dos x e dos y as rectas OB e OC, 
e considerando o ponto 37 como intersecção das duas rectas AMe BC, 
ter-se-ha para equação da recta AM 

e para e(|uação da recta BC 

11 = (c — x) tg 2'f , 

e substituindo n'esta, em logar de tg 2cp o seu valor M_fja ^ e elimi- 
nando depois tg '-p entre esta e a primeira equação, teremos 

y^=(c-\-x)(2x~c); 

onde se reconhece que a curva é uma hyperbole. 

A posição dos vértices deduz-se das equações c+.t=o, e 3j;— c=-o. 
E mudando emfim a origem para o ponto E, obter-se-ha 

O estudo d'esta equação conduz aos mesmos resultados que obti- 
vemos pelos processos de geom.etria pura. 



178 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

Dissemos que o ponto M' da bissectriz BM' descreve urna 2.^ hy- 
perbole egual á l."", cujos ramos ficam symetricos com os da mesma 
primeira. 

Os dois ramos symetricos DM e EM' dividem em Ires partes eguaes 
todos os arcos de circulo que terminarem nos pontos A e B, visto se- 
rem eguaes os três arcos AM', M'M e MB, como sendo a medida do do- 
bro dos ângulos eguaes ABM', M'BM e MAB. 

O conjuncto d'estes dois ramos DM e EM' forma uma figura a que 
chamaremos a trisectriz, e á qual poderemos attribuir as seguintes pro- 
priedades : 

d.^ Cada um dos dois ramos da trisectriz é a bissectriz das cordas 
da outra hyperbole tii'adas pelo vértice do outro ramo, MN'=MNj (fig 3). 

Com effeito, a hyperbole ED, referida ao centro D, tem por equação 

A recta AN^ tem por equação 

4 

d'onde se deduz para as duas intersecções N' e N, 

e logo para a abcissa do meio da corda N'N, . . . 

•^— 3(3_a2)' 
d 'onde 

e substituindo este valor na equação da recta y^={x -\-^cf a^ oblem-se 

o 

l/2 = 3a;2_|_4ç^.. 
9 

ou ainda, fazendo t. = x' — — c, 



PHYSICAS E NATUHAES 170 



que é a equação da liyperbule AD referida ao centro E. 

2.^ Tirando dois raios vectores dos focos A e B para qualquer 

ponto da trisectriz, aquelle que se dirigir ao foco mais próximo formará 

com o eixo BA um angulo duplo do que formar o outro (MBD^=2MAB). 

3.* O raio que se dirigir ao foco mais próximo será egual á parte 

do outro comprehendido entre os dois ramos {BM=MN'). 

Com effeito, 

MN'B = MAB-\-N'BA; 
mas 

MAB^M'BA = MBM' e N'BA = M'BN': 
logo 

MN'B = MBN': 
e finalmente 

MB = MN'=MN^. 

4/ Os centros dos círculos inscriptos nos triângulos AM'B, forma- 
dos pelos dois raios vectores A3/' e BM' de cada ponto da trisectriz, 
existem no mesmo ramo a que esse ponto pertence. 

Por quanto AN' e BN' dividem respectivamente ao meio os ângu- 
los M'AB e M'BA. 

^^ Todo o arco de circulo que passar pelos pontos Ae B tem por 
tangentes nos ditos pontos os raios AM' e BM, conduzidos dos focos 
aos pontos em que a trisectriz é cortada pelas secantes AI e BI tiradas 
pelo meio do dito arco. É evidente. 

6."^ A distancia MN' entre os dois ramos da trisectriz, contada so- 
bre um raio vector é meia proporcional entre as duas distancias MI e 
MA do ponto mais afastado 31 ao eixo vertical e ao dito foco. 

Com effeito, pela proposição anterior é BM tangente d'um arco de 

circulo passando por B, I e A, e logo BM^^MI . MA; 
mas, pela 3.^ 

BM=^MN': 
logo _^ 

MN^=MI.MA. 

7.* Quando um triangulo MBI girar sobre o vértice B d'um de seus 
ângulos no qual um dos lados forme angulo duplo do que forma o ou- 



180 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

tro com uma recta fixa passando pelo mesmo vértice, e com a qual re- 
cta também o 3.° lado tenha a menor d'aquellas inclinações, digo que, 
se o rectângulo dos dois primeiros lados estiver para o 3.° lado n'uma 
razão dada, também serão dados o ponto onde o dito 3.° lado corta a 
recta fixa, bem como a recta e hyperbole que os dois vértices moveis 
descrevem. 

Com eíTeito, dos triângulos semelhantes MIB e MAB deduz-se 

AB:MB::BI:MI, 

d'onde 

.45 = ^^^'. 
Mi 

Dos mesmos triângulos deduzem-se ainda as relações constantes 
AM . AJ AM 



MN' ' m 



AL 



sendo a 2.^ egual ao quadrado da 1/'' 

8.* Os pés das perpendiculares baixadas da intersecção das bisse- 
ctrizes dos ângulos eguaes do triangulo isosceles sobre os lados eguaes 
do dito triangulo, descrevem circumferencias de circulo quando o vér- 
tice do mesmo triangulo percorre a perpendicular levantada do meio da 
base. É evidente, visto ser AQ=AO. 

Esta ultima propriedade pertence ao sr. Couceiro da Costa, distin- 
cto professor do collegio militar. Este cavalheiro deu-nos a idéa de um 
compasso que tinha por fim realisar o jogo do triangulo isosceles va- 
riável munido das competetentes bissectrizes, as quaes articulavam nos 
ângulos da base do triangulo por meio de losangos etc. Era um com- 
passo trisector, mas a sua execução pratica offerecia difficuldades insu- 
peráveis, que nunca o tornariam um instrumento mathematico, como o 
compasso ordinário ou a regoa de parallelas. Havendo aceitado a idéa 
theorica em que esse compasso se fundava, e tendo procurado a natu- 
reza da curva descripta pelos pés das bissectrizes, tivemos occasião de 
fazer o presente estudo, que reputamos interessante pelas notáveis pro- 
priedades que deixamos descriptas. 

Seria possível construir um instrumento para a trisccção por meio 
d'uma lamina de metal ou madeira cortada segundo a hyperbole DM da 
figura 3, construída para uma certa corda AB. Substituindo ao arco dado 



PHYSICAS E NATURAES 181 

cuja corda fosse differente, outro arco semelhante e concêntrico de corda 
egual cá corda AB do trisector; feita a divisão d'este arco por meio do 
trisector, facilmente a levariamos ao arco proposto. Mas este processo 
reputamol-o ainda perfeitamente theorico, e não é superior ao que con- 
sistiria em tomar á vista proximamente o terço do arco dado, determi- 
nando nas proximidades d'esse ponto dois ou três pontos da hyperbole 
trisectriz, para depois traçar por elles o competente arco, e assim cor- 
tar o arco dado com a dita hyperbole. 



182 JORNAL DE SCIENCIAS MATHExMATICAS 

II, PHYSICA E CHIMICA 

i. Factos novos paru a liístoría das iiaplilalinas iiííradas 

POR 
A. A. DE AGUIAH 



O acido nítrico fumante, actuando sobre a naphtalina, produz duas 
binitronaphtalinas isomericas. 

A primeira modificarão, descripta por Laurent e mais recentemente 
por Lautemann e Aguiar, é um corpo que crystallisa em aguUias de sec- 
ção hexagonal, pouco solúvel no álcool fervente e fusivel a 210° centí- 
grados. 

A segunda modificação, que eu descrevi ha dois annos, e que foi 
n'estes últimos tempos observada também pelos srs. Darmstãter e Wil- 
chhaus, distingue-se da primeira pela maior solubilidade em todos os 
dissolventes, pela f(3rma crystallina e ponto de fusão, que é, segundo as 
minhas experiências a 1G9'' c, e segundo as d"estes últimos observado- 
res a 170° centígrados. O seu ponto de solidificação é a 160" c. 

sr. dr. Costa, que fez o estudo da forma crystallina desta bini- 
tronaphtalina, achou o seguinte: 

Formas compostas do systema triclinico (fig. 1, 2 e 3): 

p 00 'P. hemiprisma : face esquerda 

?t P tetartopyramide : face esquerda e superior 

r aoPoc macropinakoide. 

Forma composta: 

x'P. P. xPoc ? 

p. u r s 

1 Este ostudo 6 o resumo de varias nolas aprosentódas a Academia Real 
das Scienrias do Lisboa. 



PHYSicAs K .natuhaf:s 



183 






Fig. 3 



As faces s s podem ser um quarto de macropyramide. 

Algumas laminas (íig. 1) apresentam o angulo diedro /" substituído 
por uma face de lascado, que nas laminas (fig. 2 e 3) é constante como 
facetas de crystal li sacão s, s. 

Não posso achar a notação das formas a que pertencem as facetas, 
que não levam indicação de lettras. Os exemplares a que as duas figu- 
ras se referem teem estas facetas planas, e vivas as arestas em que con- 
correm, mas em geral as mesmas facetas tornam-se convexas, e d'ahi 
resulta que as arestas se obliteram mais ou menos. 

Deve notar-se que a faceta triangular entre seu está em uma po- 
sição inversa da que realmente tem: a sua posição deveria ser a mesma 
que tem na figura 2, isto é, com a base no logar em que está o vértice. 

Pôde obter-se esta modificação da binitronaphtalina bem crystalli- 
sada, quando se emprega o chloroformio ; e forma-se, em quantidade 
notável, sempre que a naphtalina se submette á influencia do acido ní- 
trico. 

No trabalho que íiz com o sr. Lautemann, apenas descrevemos a 
trinitronaphtalina p de Laurent; possuindo, porém, agora duas modifi- 
cações da dinitronaphtalina, bem caracterisadas, julguei que procedendo 
ao ataque, em separado, de cada uma d'ellas, chegaria a obter as mo- 
dificaçíjes isomericas da trinitronaphtalina, cujo estudo não foi ainda feito 
com suíiiciente rigor. 

Para differençar as duas modificações da dinitronaphtalina, os srs. 
Darmstáler e Wilchhaus chamaram á primeira áinitronaphtalina, e á 



184 JORNAL DE SCIENGIAS MATIIEMATICAS 

segunda binitronaphtalma. Creio mais vantajoso conservar as denomi- 
nações que eu lhe dera de bi ou dinitronaphlalina a, e de bi ou dini- 
tronaplitalina p. 

O processo que segui, pela primeira vez, para separar a dinitrona- 
phlalina fi, consistiu em evaporar as soluções alcoólicas, que continham 
os productos mais solúveis, resultantes do ataque do producto bruto 
(naphtalinas nitradas) pelo álcool ordinário, tirando depois, por succes- 
sivas cryslallisações, da massa impura que se obtém, a dinitronaphta- 
lina p. Este meio de obtel-a, explica a razão por que nem eu nem o sr. 
Lautemann a incluímos no trabalho que fizemos juntos. O fim principal 
das nossas experiências era então preparar as trinitronaphtalinas; e nunca 
fizemos caso dos productos menos nitrados, que, sem estudo prévio, 
eram novamente submettidos á influencia do acido nítrico. 

Com quanto os methodos de preparação e separação da binitrona- 
phtalina p sejam hoje conhecidos, julgo conveniente precisar melhor, do 
que se tem feito, as condições em que ella se forma, e por isso descre- 
verei dois processos que me deram bons resultados. 

A binitronaphtalina p forma-se em grande quantidade, quando se 
ataca a naphtalina pelo acido nítrico fumante. Podemos adoptar dois 
methodos — ou o que eu descrevi com o sr. Lautemann, a propósito 
da trinitronaphtalina, ou outro, menos moroso, em que se não obtém 
trinitronaphtalina, mas Ião somente alguma mononitronaphtalina e uma 
mistura de dinitro a e p. 

No primeiro caso, ferve-se a naphtalina com acido nitrico fumante 
por 12 ou 14 dias, e trata-se, no fim d'este tempo, o producto da re- 
acção pela agua — tantas vezes quantas forem necessárias para separar 
os corpos solúveis. Depois o producto insolúvel na agua, trata-se pelo 
álcool ordinário, separando os differentes corpos por crystallisações frac- 
cionadas. 

O álcool ordinário pôde ser vantajosamente substituído pelo álcool 
melhylico, o qual, logo ao principio, se apodera da maior parte da ma- 
téria resinosa, tão abundante n'estas preparações, e que tanto embaraça 
o tratamento pelo álcool vinico. Põe-se o producto bruto cm digestão 
no álcool methylico, durante algumas horas; —primeiro a frio e depois 
a quente. A massa crystallina, que a solução do álcool ebulliente depo- 
sita pelo esfriamento, é, na maior parte composta de dinitronaphtalina p. 
Recrystallisa-se essa massa, usando do mesmo dissolvente, e no fim de 
duas crystallisações, a dinitronaphtalina p depõe-se cm laminas incolo- 
res, muito perfeitas e n'um estado de absoluta pureza. 

Pelo segundo processo, deila-se a pouco e pouco a na[)hlalina, que, 



PHYSIGAS E NATURAES 185 

para o ataque ser completo e fácil, deve estar em laminas muito delga- 
das, no acido nitrico fumante. Mil grammas de acido podem atacar com 
facilidade 200 grammas de naphtalina. Passada a reacção enérgica, que 
ao principio se manifesta, ferve-se o acido com a naphtalina por espaço 
de doze horas sobre banho de arêa, e trata-se o producto pela agua, 
como no primeiro processo. 

A substancia insolúvel e ligeiramente amarellada, dissolve-se no ál- 
cool ordinário fervente, que deposita primeiro a mononitronaphtalina 
acompanhada por alguma matéria resinosa, depois a dinitronaphtalina p 
ainda impura, em terceiro logar uma mistura de dinitronaphtalina a e p 
e bem assim um corpo differente que trato agora de estudar, e final- 
mente a dinitronaphtalina x, que é de todos os productos o menos so- 
lúvel no álcool em ebullição. 

As soluções alcoólicas que depositaram a dinitronaphtalina p, sendo 
convenientemente evaporadas, dão nova quantidade d'esta substancia, e 
o mesmo succederá com as soluções que produziram a mistura das duas 
dinitro a e p. 

A dinitronaphtalina 8 que se obtém em seguida á mononitronaphta- 
lina, recrystallisa-se, e a mistura das dinitro x e p trata-se pelo álcool 
à temperatura de 50° c, que, sendo empregado em grande quantidade, 
dissolverá de preferencia a dinitronaphtalina p. Estas soluções evapo- 
ram-se em apparelhos distillatorios, e os crystaes obtidos, novamente 
recrystallisados no álcool fervente, dão a dinitronaphtalina p chimica- 
mente pura. 

N'esta preparação não se forma nem um só crystal de trinitrona- 
phtalina ordinária. 

A dinitronaphtalina P secca na estufa a 100^ e analysada deu os 
seguintes resultados : 

O^^SoOO matéria 
Oe^SSSO Co2 
Os^0660 H^O 



COMPOSIÇÃO CENTESIMAL 

Theorica Achada 

G 55,04 55,09 

H 2,75 2,82 

Az » » 

O ). » 

JORN. DE SUENC. MATH. PHVS. E NAT. — N. YII. 13 



180 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

Fórmula correspondente 

P 

A dinitronaphtalina p foi atacada pelo acido nitrico fumante, em 
tubos de vidro fechados á lâmpada e na temperatura de 100° c. por es- 
paço de vinte horas. Finalisado o ataque, verte-se a solução nitrica em 
agua para precipitar os productos nitrados da naphtalina. Lavam-se es- 
tes com agua e crystallisam-se em álcool fervente. 

D'este tratamento obtive três soluções. A primeira muito amarella, 
d'onde se precipita a matéria resinosa que sempre se forma n'estas ex- 
periências. Da segunda solução ao principio incolor, mas fazendo-se ver- 
melha em presença do ar, separei crystaes puríssimos de trinitronaphta- 
lina ordinária, pertencentes ao systema monoclinico. Verifiquei a iden- 
tidade d'este corpo, tomando-lhe o ponto de fusão e analysando-o. 

Ponto de fusão 214'^ c. 

ANALYSE 

08'',2438 (matéria secca a 100° c.) 
Os'-,4050 Co2 
O^^OSSO H^O 

COMPOSIÇÃO GENTESIMAL 

Theorica Achada 

G 45,70 45,30 

H 1,90 1,92 

Az 15,96 » 

O 36,44 » 

100,00 

Da terceira solução separei agulhas muito leves e flexíveis, cuja ap- 
parencia era inteiramente análoga á da tetranitronaphtalina, obtida em 
tubos fechados pela acção do acido nitrico fumante sobre a Irinitrona- 
phtalina. 

O ponto de fusão d'estes crystaes é o mesmo da tetranitronaphta- 
lina. A sua analyse deu os seguintes resultados : 

0«M92 (matéria secca a 100° c.) 
0g^276 Co2 
08^024 H^O 



PHYSICAS E NATURAES 187 



COMPOSIÇÃO CEiNTESIMAL 

Theorica Experimental 

C 38,90 39,26 

H 1,29 1,39 

Az 18,18 » 

O 41,57 .) 

100,00 

Esta composição corresponde á fórmula Cio H4 (AzO^)4 da tetrani- 
tronaphtalina. 

Já depois de concluidas estas experiências, vi, que das primeiras so- 
luções amarellas se depunham, depois de um tratamento apropriado, 
crystaes de outra substancia que não foi acima mencionada. Tratarei 
d'ella n'outro logar, porque as experiências até agora feitas não me di- 
zem que deva ser considerada como uma substancia pura. 

Pondo de parte os productos secundários que se formam em pe- 
quena quantidade, e que talvez resultem de alguma impureza da dini- 
tronaphtalina p, é fácil de ver que á binitronaphtalina p correspondem 
a trinitronaphtalinp p de Laurent e a tetranitronaphtalina de Lautemann 
e Aguiar. Se o ataque da binitronaphtalina p for menos prolongado do 
que flca dito, obteremos só trinitronaphtalina, porque ê pela acção pro- 
longada do acido nitrico, em tubos fechados, sobre este corpo, que se 
forma a tetranitronaphtalina. 



A dinitronaphtalina a, em presença do acido nitrico fumante, e nas 
mesmas circumstancias em que atacámos a dinitronaphtalina p, conver- 
te-se em productos mais nitrados. O corpo que apparece como produ- 
cto principal d'este ataque é inteiramente differente da trinitronaphta- 
lina p de Laurent. 

N'esta reacção forma-se, quando a solução nitrica se verte dentro 
da agua, uma matéria branca em flocos, differente no aspecto da que se 
formou com a dinitronaphtalina p. O álcool ordinário, dissolvendo o pro- 
ducto nitrado, produz primeiramente soluções amareUas em que predo- 
mina a matéria resinosa, e depois soluções incolores que se fazem ver- 
melhas em presença do ar. Todas ellas depositam pelo esfriamento um 
pó ligeiramente amarellado, que, a olho nú, pouco tem de crystallino. 
É este pó uma substancia que, privada de matéria resinosa, se dissolve 
com maior difficuldade no álcool ordinário que a trinitronaphtalina p. 

13. 



188 



JORNAL DE SCIENGIAS MATHEMATICAS 



Observado ao microscópio, apresenta uma forma crystallina inteiramente 
differente da d'esta substancia. 

Cedamos o logar ao sr. dr. Costa, Os crystaes que resultam do ata- 
que da dinitro a, são formas compostas do systema prismático. Umas 
teem o aspecto de pyramides de base rectangular; outras, e mais fre- 
quentemente, teem o angulo solido terminal substituído por uma aresta 
horisontal; bastantes apresentam a aresta longitudinal, ou os lados maio- 
res da base substituídos por uma faceta. 




Fig. 4 

a mPoo brachidoma 

h ooPoo macrodoma 

c ooPoo macropinakoide 



O systema é evidentemente o prismático; n'este systema pôde to- 
mar-se qualquer dos três eixos para servir como eixo principal, e a de- 
notação fica dependente do eixo que se adopta. Nas substancias crystal- 
lisadas n'este systema, que são representadas por formas variadas e em 
crystaes volumosos, pôde haver razões que determinem a preferir antes 
um do que outro eixo, mas no caso presente, a escolha não tem razão 
que a justifique e é inteiramente arbitraria. 

Quatro grammas de dinitronaphtalina y. produziram um gramma 
d'esta substancia. 

(Continua) 



PHYSICAS E NATURAHS 



189 



2. Sobre um novo apparellio 
para a demonslracão das propriedades pliysicas dos vapores 



FRANCISCO DA FONSECA BENEVIDES 



Diversos apparelhos são empregados no estudo da physica para 
demonstrar as propriedades dos vapores: muitos delles são de elevado 
preço e complicada manipulação; alguns até não podem funccionar em 




um curso publico. O apparelho representado na figura junta permitte fa- 
zer varias experiências nos cursos públicos sobre as mais importantes 
propriedades dos vapores. 



190 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

Descripção do apparellio. — Consta o novo apparelho de um balão ou 
caldeira de cobre B com 4 tubuladuras a, b, c, d. Na tubuladura b 
acha-se adaptado um manómetro de siphão de ar comprimido com mer- 
cúrio m. Em c está adaptado um thermometro /, cujo reservatório deve 
ficar acima do nivel do liquido que se introduz no balão. Em d está 
adaptado um injector de Giífard de vidro G. Em quanto á tubuladura a 
permitte estabelecer a communicação do balão com a atmosphera ou 
com um reservatório no qual se comprime ou rarefaz o ar. As tubula- 
duras a, d são munidas de torneiras. 

O balão descança sobre uma trempe de ferro T, e é aquecido por 
meio d'uma lâmpada d'alcool L. Em logar de lâmpada d'alcool póde-se 
empregar uma lâmpada de gaz, o que permitte facilmente variar á von- 
tade a intensidade do calor. 

Eis as principaes experiências qne podem ser feitas com este ap- 
parelho. 

Leis da ebulllção. — Absorpção de calórico latente. — Introduzindo agua 
no balão e aquecendo-o, deixando aberta a torneira a, e portanto esta- 
belecida a communicação entre o balão e a atmosphera, logo que a agua 
ferve, os seus vapores saem pela tubuladura a, evolem-se para a atmos- 
phera, e observa-se que o thermometro marca 100°, e se conserva es- 
tacionário, em quanto continua a ebullição, e o manómetro accusa uma 
atmosphera de tensão no vapor; o que demonstra as leis da ebullição. 

Condensação do Tapor. — Desenvolvimento de calórico latente. — Fazendo 
communicar, por meio de um tubo de chumbo, a tubuladura a com um 
vaso cheio de agua fria, e abrindo a torneira a, o vapor é injectado so- 
bre a agua fria, condensa-se, e do choque das suas moUeculas resulta 
desenvolvimento de calor latente, o qual aquece a agua do vaso, elevan- 
do-se rapidamente a temperatura a perto de 100°. 

Influencia da pressão sobre a temperatura da ebullição. — Fazendo com- 
municar a tubuladura a com uma bomba de compressão, e comprimindo 
ar para dentro do balão, augmenta-se a pressão que soffre o liquido, o 
que faz retardar o ponto da ebullição, a qual só se verificará quando a 
temperatura se elevar ao ponto em que a tensão do vapor é egual á 
pressão exercida pelo ar sobre o liquido, a qual será indicada pelo ma- 
nómetro. 

O contrario succede quando se rarefaz o ar dentro do balão por 
meio de uma bomba pneumática ; n'este caso quanto maior for o grau 
de rarefacção do ar no balão mais baixa será a temperatura a que o li- 
quido ferve. Demonstram, pois, estas experiências, a influencia da pres- 
são sobre a temperatura da ebullição. 



PHYSICAS E NATURAES 191 

Relação entre as tensões dos vapores e as temperaturas. — Para ver a re- 
lação entre as temperaturas e as tensijes dos vapores, fecha-se a tor- 
neira a, depois de ferver o liquido por algum tempo, e observa-se o 
thermometro e o manómetro. Com um apparelho ordinário as experiên- 
cias podem ser levadas até á tensão de 5 atmospheras. Para maiores 
pressões é necessário empregar uma caldeira especial mais resistente. 

Frio produzido pela dilatação do vapor com alta tensão. — Dando ao vapor 
a tensão de 4 ou 5 atmospheras, e abrindo a torneira a, o vapor lan- 
ça-se na atmosphera, dilata-se, produzindo-se um resfriamento tal, que 
se pôde impunemente mergulhar a mão no jacto de vapor a uma certa 
distancia do orifício de saida, sentindo-se mesmo uma sensação de fres- 
co, o que mostra a transformação do calórico do vapor no movimento 
da sua dilatação. 

Emprego do vapor como motor nas macbinas. — Fazendo communicar a 
tubuladura a, por meio de um tubo de chumbo, com um pequeno mo- 
delo de machina de vapor, esta receberá movimento, e obtem-se assim 
a transformação do calor da combustão em trabalho mechanico, empre- 
gando o vapor como motor. 

Acção do vapor no injector de Giffard. — Abrindo a torneira d, o vapor 
passa pelo injector G saindo pelo tubo cónico interior, atravessa com 
uma grande velocidade o espaço contido entre as duas pontas cónicas, 
resultando uma grande diminuição de pressão nas paredes lateraes, de 
modo que se produz uma certa aspiração, e por tanto a pressão atmos- 
pherica actuando sobre a agua contida no provette E, fal-a subir pelo 
tubo h até ao espaço do tubo pg comprehendido entre as duas pontas 
cónicas; ahi uma parte do vapor condensa-se, e a agua recebe um grande 
impulso, e é injectada assim pela acção do vapor e lançada pela aber- 
tura g. 

Para introduzir esta agua no balão adapta-se á tubuladura a um 
tubo de vidro que mergulhe na agua do balão, e, por meio de um tubo 
de cautchuc, faz-se communicar com a extremidade g do injector de 
Giffard ; obtera-se, assim, pela força viva adquirida, este resultado, em 
apparencia paradoxal, da agua impellida directamente pela acção do va- 
por contido no balão, penetrar no mesmo balão vencendo a resistência 
que lhe offercce ahi o vapor. 



192 JORNAL DE SCIRNCIAS MATFIEMATICAS 

III BOTÂNICA 

Plantas da serra de Ifloncliíque observadas em 18()() 

POU 

S. P. M. ESTAGIO DA VEIGA 

(Continuado di^ pag. 120 do num. fi) 



IT. DICOTYLEDONEAE 

(Phanerog arnicas) 

Ordo— RANIJ^CILACEAE 
Tribiis — Clematideae 

1. Clematis flammula. L. Brot. ^ 

2. Clematis vitalba. L. Brot. — Sipó do reino, Vide branca. 

Tribus — Ranunculeae 

3. Ranunculus blepharicarpos. Boiss. —R. monspeliacus. Webb. 

4. Ranunculus bulbosiis. L. var. adscendens. — R. adscendens. Brot. 
Phyt. t. 181. 

5. Ranunculus bullatus. L. Brot. — Monta do outomno. 

6. Ranunculus trilobus. Desf. — R. Sardous. Brot. 



' A duas ou mais espécies d'este género chama o povo do Algarve tCa- 
pellas de S. João.x 



PHYSICAS E NATURAES 193 

7. Ranuncnlus flanirnula. L. Brot. 

8. Ranunculus dimorphoriztis. Brot. Phyt. t. 180. —R. gregarius. 
Brot. Fl. \us.—R. flabellatiis. Desf. Fl. atl. 

9. Rammciilus ficaria. L. Brot. — Ficaria ranunculoides. Moench. 
— Celidonia menor. 

Tribus — Helleboreae 

10. Nigella Damascona. Trag. Brot. 

Tribus — Paeonieae 

11. Paeonia Broteri. Boiss. — P. ofíicinalis. Brot. — Peonia, Bosa 
albardeira. 

Ordo— P\PA\ERA(]EAE 

12. Papaver rhoeas. L. Brot. — Papoilas. 
1.3. Papaver duhiiim. L. Brot. — Papoilas. 

1 4. Chelidonium majus. Fuchs. Brot. — Celidonia, ílerva andorinha. 

Ordo— FllARIACEAE 

15. Fumaria capreolata. L. — Herva molarinha. 

Ordo— CRICIFERAE 

Tribus —Arabideae 

16. Cardamine hirsuta. L. Brot. 

17. Cardamine pratensis. L. Brot. 

18. Sisymbrium officinale. Scop. —Erysimum officinale. L. Brot. 
— Rinchão. 

19. Naslurtium officinale. R. Br. — iV. oquaticum. Trag. — Sisym- 
brium nasturiium. L. Brot. — Agrião. 

20. Barbarea vulgaris. R. Br. — Erysimum barbarea. L. — Herva 
de Santa Barbara. 



194 JORNAL DE SCIKNCIAS MATHEMATICAS 

Tribus — Alyssineae 

21. Alyssum maritimuni. Lamk. Brot. — A. mwimmn. L. —Ko- 
niga maritima. Lowe. 

Tribus —TMaspideae 

22. Tefísdalia iberis? DC. 

Tribus — Lepidineae 

23. Capsella biirsa-pastorís. Moench. Lowe. — Thlaspi bursa-pas- 
tnris. L. Brot. — Bolsa de pastor. 

Tribus — Brassiceae 

24. Brassica sinapistrum. Boiss. — Sinapis arvensis. L. Brot. 

Tribus — Raphaneae 

25. Rapha?ms raphanistnmi. L. Brot. — Saramago. 

Ordo— RESEDACEAE 

2G. Reseda luteola. L. Brot. — H. crispata. Link. — Lirio dos tin- 
tureiros. 

27. Reseda phyteuma. Brot. 

Ordo-CISTINEAE 

28. Cistus albidus. L. Brot. — Boselha grande. 

29. Cistus crispus. L. Brot. 

30. Cistus ladaniferus. L. Brot. — Esteva, Xará. 

31. Cistus ladaniferus (var. //. alba). L. Brot. —Esteva de flor 
toda branca. 

32. Cistus libanotis. L. Brot. — Helianthemim Uhanotis. Willd. 



PHYSICAS E NATURAES 195 

33. CisHis ocymoides. Lamk. Brot. — Raro. 

34. Cistus monspeliemis. L. Brot. 

35. Cistus pojmlifolms. L. Brot. —Estevão. 

36. Heliantheimtm guttatum. Mill. — Cistus guttatus. L. Brot. 

37. Helianthemum glohulariaefolium. Pers. — Raro. 

38. Helianthemum tuberaria. Mill. — Cistus tuheraria. L. — Alçar. 

Ordo— VIOLARIEAE 

39. Viola sylvestris. Lamk. -V. canina. Brot, —Violetas bra- 
vas, BeneíTes. 

40. Viola odorata. L. Brot. —Violeta de cheiro. 

Ordo— POLYGALEAE 

41. Polygala vulgaris. L. — Polígala. 

Ordo— CARYOPII\LLEAE 

Tribus — Sileneae 

42. Sagina apetala. L. 

43. Silene inflata. Smith. —Cucubalns Behen. L. Brot. — Herva 
traqueira. 

44. Silene meUifera. Boiss. 

Tribus — Alsineae 

45. Arenaria montana. L. 

46. Spergtda arvensis. L. 

47. Stellaria uliginosa. Brot. 

48. Stellaria media. Smith. —Alsine media. L. Brot. — Murugem 
vulgar, ou branca, Orelha de rato dos hervolarios. 



190 JORNAL DE SCMíNCIAS MATIIILMATICAS 

Ordo— MALMEAE 
Tribus — Malveae 

iO. Mahm rotiwdi folia. L. Brot. — Malva redonda. 
50. Malva sylvestris. L. Brot. — Malva silveslr(3. 

Ordo -HYPERICl^EÂE 

ril. Hjjpericum perforatum. L. Brot. — líypericão, ou Milfiirada. 
õ2. Androsaemtim ofjlcinalc. Ali. 

Ordo— GERA^IACEAE 

53. Geraniiim lucidum. L. 

54. Geranium Robertiamcm. L. Brot. — Herva de S. Bol)orto. 

55. Erodimn moschatiim. Willd. — Geranium moschatum. L. Brot. 
— Agulheira, Agulha de pastor. 

56. Erodimn nialachoides. Willd. — Gcran. malachoides. L. Brot. 

Ordo— OXAIIDEAE 

57. Oxalis cermia. Thunb. 

58. Oxalis {'ormculata. Brot. 

Ordo— RITEAE 

59. Ruía fjnwpolons. Brot. — Arruda. 

Ordo— RHAMmE 

00. Wwnwusi alnterims. L. 

Ordo— TERERI^TIIUEAE 

Tribus — Gassuvieae 

01. Wius Coriarea. L. Brot. — Siininm"o. 



PHYSICAS E NATUKAES 197 

62. Pistacia lentiscm. L. Brot. — Aroeira, Almessigueira. 

Ordo— LEGIMI^OSAE 

Tribus — Loteae 
Sub-lribus — Genisteae 

63. Vlex Welwitschicmus. Planchon. — Ul. aiistralis. Welw. Fl. exs. 
nec Clemente. — Ul. europaeiís. Brot. nec L. — Tojo. 

64. Genista spliaerocarpa. Lam. — Spartium sphaerocarpon. L. 
Brot. — Piorno amarello. 

63. Genista tridenlata. L. Brot. — Carqueja. 

66. Anthyllis Vulneraria. L. Brot. — Vulneraria. 

Sub-tribus — Trifolieae 

67. Medicago denticulata. L. 

68. Lotus hirsutus. Brot. 

69. Melilotus parviflora. Desf. 

70. Trifolium arvense. L. Brot. — Pé de lebre. 

71. Trifolium stellalum. L. Brot. 

72. Trifolium procumbens. L. 

73. Trifolium repens. L. 

Sub-tribus — Clitorieae 

74. Psoralca bituminosa. L. Brot. — Trevo bituminoso. 

Tribus — Hedysareae 

75. Ornilhopus compressas. L. B. —Serradella estreita. 

Tribus — Vicieae 

76. Vicia albicans? Lowe. 



198 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

77. Vicia saliva. L. Brot. — Ervilhaca ordinária. 

Tribus — Phaseoleae 

78. Lifpinus varhis. L. — Tremoço de flor azul. 

79. Lupimis luteus. L. Brot. —Tremoço de flor arnarella. 

Sub-tribus — Cassieae 

80. Ceratonia siliqua. L. Brot. — Alfarrobeira. 

Ordo-ROSACEAE 

Tribus — Amygdaleae 

81 . Prumts spifiosa. L. Brot. —Abrunheiro bravo, Ameixieira brava. 

Tribus — Dryadeae 

82. Agrimonia Eupatoria. L. Brot. 

83. Geiím urbanum. L. Brot. — Herva benta, Sanamunda, ou Ca- 
riophillada. 

84. Rubus fruticosus. L. Brot. — Silva, ou Sarça. 

Tribus — Sanguisorbeae 

85. Poteritm sanguisorba. L. Brot. — Pimpinella menor, ou hor- 
tense. 

Tribus — Roseae 

86. Rosa canina. L. Brot. —Rosa de cão, ou Silva macha. 

Tribus — Pomaceae 

87. Crataegifs Oxyacantha. L. Brot. — Pilriteiro, Espinheiro alvar 
de casca verde, ou Espinheiro ordinário de flor branca. 



PHYSICAS E NATURAES 199 

Oído — MYRTI^EAE 
Tribus — Myrteae 

88. Myrlus cummunis, var. lusitanica. L. Brot. —Muita. 

Oído— CICIJRBITACEAE 

89. Bryonia dioica. Brot. — Brionia, Norça branca. 

Ordo— CRASSILACEAE 

90. Sedum álbum. L. Brot. — Arroz dos telhados, ou Pinhões de 
rato. 

91. Umbilicns pendulinus. DC. — Cotilcdon umbilicus. L. Brot. 

— Conchelos, Sombreirinhos dos telhados, ou Orelha de monge. 

Ordo— SAXIFRAGAdEAE 

92. Saxi fraga ijranulata. L. Brot. — Saxifragia branca. 

Ordo— IIBELLIFERAE 

Tribus — Seselineae 

'93. Foeniculum vulgare. Gaerin.—Anethum foeniculum. L. Brot. 

— Funcho. 

Tribus — Peucedaneae 

94. Ferida communis. L. Brot. — (Janafrecha. 

Tribus — Smyrneae 

95. Smyrniwn okisalrum. L. Brot. — Salsa de cavailo. 

Ordo— ARALIACEAE 

96. Hedera heiia\ L, Brot. — Hera. 



200 JORJÍAL DE SCIENCIAS MATHEMATJCAS 

Oído— CAPRIFOLIACEAE 

97. Sambucus nigra. L. Brot. — Sabugueiro. 

98. Viburnum tinus. L. Brot. —Folhado. 

99. Lonicera caprifolium. L. Brot. — Madresilva caprina. 

100. Lonicera periclymenum. L. Brot. — Madresilva das boticas. 

Ordo— RIBIACEAE 

101. Sherardia arvensis. L. Brot. 

102. Rubia sylvestris. Brot. — -Grariza brava. 

Ordo— VALERIAI\EAE 

103. Centranthtis calcitrapa. Dufr. — Valeriana calcitrapa. L. Brot. 

Ordo— COMPOSITAE 

Tribus — Asteroideae 

104. Bellis perennis. L. — Margarita rasteira. 

105. Bellis sylvestris. Brot. — Margarita. 

106. Inula viscosa. Ait. — Erigeron viscosiim. L. — Solidago vis- 
cosa. Lam. Brot. — Taveda. 

Tribus — Senecionideae 

107. Senecio viilgaris. L. Brot. — Tasneirinha, ou Cardo morto. 

108. Smecio Jacobaea. L. Brot. — Tasna, Tasneira. 

109. Senecio Dória. Brot. 

110. Anacyclus aureus. L. Brot. — Macella galiega ordinária, ou 
maior. 

m. Xanthium spinosum. L. Brot. 



PHYSICAS E NATURAES 201 

H2. Soliva lusitanica. Less. — Hippia stolonifera. Brot. Phyt. 

113. Doronicum plantagineimi. L. 

Tribus — Cynareae 

114. Calendula arvensis. L. Brot. — Herva vaqueira. 

115. Tolpis crinita'! Lowe. 

116. Centáurea uliginosa. Brot. 

Sub-ordo— Ligulillorae 
Tribus — Cichoraceae 

117. Cichorium intyhiis. L. Brot. — Almeirão. 

118. SoncJms oleraceus. L. Brot. — S. cUiatus. Lam. et S. fallax. 
Wallr. — Serrallia. 

119. Geropogon glabriim. L. 

Ordo-CAUIPANIJIACEAE 

120. Campânula erinus. L. Brot. 

121 . Campânula primulae folia. Brot. Phyt. — C. peregrina. Hoflm. 
etLink. —Rara. 

122. Trachelium caeruleum. L. — (Indigena?) 

Ordo-ERICACEAE 

Tribus— Ericeae 

123. Eriça umhellata. L. Brot. 

124. Eriça scoparia. L. Brot. — Urze das vassouras. 

123. Eriça lusitanica. Reid. — Eriça arbórea. Brot. — Torga, Urze 
branca. 

126. Eriça mediterrânea. L. 

JORN. DE SCIENC. MATH. PHYS. E NAT. — N. VII. 14 



202 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

127. Eriça cineria. L. 

128. Eriça atistralis. L. 

129. Callima vulgaris. Salisb. — Eriça vulgaris. L. Brot. — Torga 
ordinária. 

Tribus — Andromedeae 

130. Rhododendron ponticmn. L. — Adelpheira. 

Tribus — Arbuteae 

131. Arbulus uneão. L. Brot. — Medronheiro, ou Ervodo. 

Ordo — AQOFOLIACEAE 

132. llex aqiiifoliiim. L. Brot. — Azevinho. 

Ordo— PRIMULÀCEAE 
Tribus — Primuleae 

132. Primula acaulis. Jacq. Brot. — Quejadilho. 

134. AsteroUnum steUatiim. Link. et Hoffm. — Lysimachia linum- 
stellatum. L. Brot. 

Tribus — Anagallideae 

135. Anagalis linifolia. L. — A. Monelli. Brot. — A. lusitanica li- 
nariae folio. Tourn. 

136. AnagaUis caeriilea. Brot. — A. arvensis. L. var. «. — Mur- 
rião azul. 

137. AnagaUis phacnicea. Brot. — A. arvensis. L. var. [:). — Mur- 
rião vermelho. 

Ordo — JASMI^EAE 

138. Jasminum frttticans. L. Brot. — Jasmineiro do monte. 



PHYSICAS E NATURAES 203 

Ordo — OLEACEAE 
Tribus — Oleineae 

139. Olea europaea. L. var. Oleaster, vel Olea oleaster. Hoffm. el 
Link. — Zambujeiro. 

140. Phyllyrea angiisti folia. L. Brot. — Lentisco bastardo. 

Ordo — GENTIA^ACEAE 
Sub-ordo — Gentianeae 

141. Erythraea centaiiriíim. Pers. — Gentiana centaurium. L. 
Brot. —Fel da terra, ou Centáurea menor. 

142. Microcala fíliformis. Link. — Gentiana filiformis. L. Brot. 

Ordo-APOCYMCEAE 

Sub-ordo— Apo cine ae 

143. Vinca media. Hoífm. et Linlí. — V. maior. L. Brot. - Con- 
gossa maior. 

Ordo— COAVOLYILACEAE 

144. Convolvulus arvensis. L. Brot. — Corriola, ou Verdeseltia. 

145. Convolvulus althaeoides. L. Brot. 

Ordo-SOLAMCEAE 
Tribus — Hyoscyameae 

146. Hyoscyamtis alhus. L. Brot. — Meimendro branco. 

Tribus — Datureae 

147. Dattira stramonium. L. Brot. — Estramonio '- 

' É He crer que esta planta não seja indígena de Portugal: todavia, n^, 

14. 



204 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATIGAS 

Tribus — Solaneae 

148. Solanum Dulcamara. L. Brot. — Dulcamára, Doceamarga, ou 
Uva de cão. 

14-9. Solanum nigrum. L. Brot. — Ilerva^moira. 

Oído-BORRAGINEAE 

Tribus — Cynoglosseae 

150. Cynoglosstim pictum. L. Brot. Phyl. — Habita nas proximi- 
dades do Banho. 

151. Myosotis marítima. Hochst. 

152. Myosotis stricta. Link. 

153. Omphalodes láctea. Hoffm. et Link. 

Tribus — Anchuseae 

154. Borrago officinalis. L. Brot. — Borragem. 

155. Anchusa itálica. L. Hoffm. et Link. — A. officinalis. Brot. 
— Buglossa, ou Lingua de vacca. 

156. Anchusa imdiilata. L. Brot. — Buglossa ondeada. 

Tribus — Lithospermeae 

157. Lithospermiim frtiticosum. L. Brot. Phyt. — Herva das sete 
sangrias, ou Sargaça hispida. 

Tribus — Echieae 

158. Echium plantagineiim. L. Brot. — Soagem. 

159. Echium tuberculatum,.' Link. 

serra de Monchique, bem como em outras terras do reino, nasce espontanea- 
mente. ^Será cila oriunda da America, ou da Índia, como outras do seu gé- 
nero? 



PHYSICAS E NATURAES 205 

160. Echitim vulgare. L. Brot. — Viperina. 

Ordo-LABIATAE 

TriÍ3us — Ocimoideae 

161. Lavandula staechas. Brot. — L. staechas. a L. — Rosmaninho. 

162. Lavandula viridis. Ait. Brot. Phyt. — Rosmaninho de flor 
branca. 

Tribus — Menthoideae 

163. Mentha rotundifoUa. L. Brot. — Var. hirsuta. Brot. — Men- 
thastro. 

164. Mentha pulegium. L. Brot. — Poejo. 

Tribus — Monardeae 

165. Salvia polymorpha. Iloífm. et Link. — S. hiemalis. Brot. Phyt. 

166. Rosmarinus officinalis. L. Brot. — Alecrim. 

167. Rosmarinus officinalis. Brot. (Var. fl. alba).— Alecrim de flor 
branca. 

Tribus — Satureineae 

168. Thymus cephalotos. Brot. Phyt., tab. 118. 

Tribus — Melissineae 

169. Calamintha officinalis. Moench. — Melissa calamintha. L. 
— Thymus calamintha. Brot. Scop. — Calamintha, ou Neveda maior. 

Tribus — Stachydeae 

170. Lamiiim amplexicauk. L. et Reich. Fl. Germ. et Helvet. 

171. Stachis hirta. L. 

172. Stachis arvensis. L. Brot. 

173. Marrubium vulgare. L. Brot. — Marroio branco. 



206 JORNAL DE SCIENGIAS MATHEMATICAS 

174. Phlomis purpúrea. L. Brot. — Mariôila, nome vulgar no Al- 
garve. 

Tribus — Ajugoideae 

175. Teucrium scorodonia. L. Brot. 

Ordo-SCROPHlLARimE 

Tribus — Antirrliineae 

176. Antirrhinum majus latifolium. Brot. Phyt. — A. majus. Brot. 
— A. majus. a. L. — A. latifolium. Hoffm. et Link. — A. lusitanicum. 
Tourn. — Herva bezerra. 

177. Antirrhinum calycinum. Lam. Brot. Phyt. — A. orontium. L. 
Var. grandiflorum. Cav. 

Tribus — Veroniceae 

178. Verónica arvensis. L. 

179. Verónica beccabunga. L. Brot. 

Tribus — Digitaleae 

180. Digitalis purpúrea. L. Brot. — Herva dedal, Dedaleira, ou Di- 
gital. 

181. Trixago apula. Stew. 

Ordo-OROBANCHTOAE 

182. Orobanche ramosa. L. Brot. Phyt. 

183. Orobanche foetida lusitanica. Brot. Phyt. 

Ordo— PLA^TAGINEAE 

184. Plantago major. L. Brot. — Tanchagem maior. 

185. Plantago coronopi folia. Brot. — PI. coronopus. L. — Guia- 
belha. 



PHYSICAS E NATURAES 207 

Ordo—POLYGOmE 

186. Riimex scutatus. L. Brot. — Azedas romanas. — Habita na 
quinta do Gingeira, em Santo António dos Casaes. 

187. Riimex acetosa. L. Brot. — Azedas. 

188. Emex spinosus. Campd. — Rumex spinosns. L. Brot. 

Ordo— CHE^OPODIACEÀE 

Tribus — Olienopodieae 

189. Beta vulgaris. L. Brot. — Celga, ou Acelga. 

190. Chenopodium ambrosioides. L. Brot. — Herva formigueira, ou 
Ambrósia do México. 

Ordo — PflYTOLACCEAE 

191. Pliytolacca decandra. L. Brot. — Herva dos cachos da índia, 
Herva dos cancros. 

Ordo-LAlRimE 

192. Lauriis nobilis. L. — Loureiro vulgar. 

Ordo-TH\lELAE4E 

193. Daphne gnidium. L. Brot. — Trovisco ordinário, T. fêmea. 

Ordo— ARIST0L0CHIACE4E 

194. Aristolochia siibglauca. Brot. 

Ordo-CYTimE 

19o. Cytimis hypocistis. L. Brot. — Em Portug. =Pútegas, em 
Hesp. =Espargo de lobo. — Habita nas raizes do vários Cistus, e com 
mais frequência nas do C. ladaniferus. — (Esteva). 



208 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

Ordo— EIPHORBIACEAE 

196. Etiphorbia charadas. L. Brot. — Trovisco macho, Tithymalo 
maior, ou Maleiteira maior. 

497. Euphorbia segetalis L. Brot. 

198. Mercurialis annua. L. Brot. — Mercurial. 

Ordo— CIPILIFERAE 

Tribus — Quercineae 

199. Quercus siiber. L. Brot. — Sobreiro, Sobro. 

200. Quercus ilex. L. Brot. — Azinheira, Azinho. 

201. Quercus hispânica. Brot. —Sobreiro. 

202. Quercus coccifera. L. Brot. — Carrasco, Carrasqueiro. 

Tribus— Fagineae 

203. Castanea vesca. Gaertn. — Fagus castanea. L. Brot. —Cas- 
tanheiro. 

204. Fagus castanea sativa. L. Brot. var. — Castanheiro longal. 

205. Fagus castanea sylvestris. L. Brot. var. — Castanheiro re- 
bordão. 

Ordo— SALICINEAE 

206. Salix vitellina. L. — Vimeiro ordinário. 

207. Populus alba. L.— Alemo ordinário, branco ou alvar, Choupo 
branco, Faya branca. 

Ordo— URTICACEAE 

208. Urtica lusitanica. Brot. — Urtiga menor caudada. 

209. Parietaria officinalis. L. Brot. — Parietaria, ou Alfavaca de 
cobra. 



PHYSIGAS E NATURAES 209 



Oído— BETIILACEAE 

210. Alnus ghitinosa (?) Gaertn. — Habita nas margens de vários 
ribeiros. 

Ordo-MIRICEAE 

2H. Myrka Faya. Ait. Brot. — Samôco, ou Faya das ilhas. 



MONOCOTYLEDONEAE 

Ordo— PALME 

212. Chamaerops hunúlis. L. Brot. — Palmeira das vassouras. 
— Rara nos terrenos propriamente de Monchique. 

Ordo — AROIDEAE 

213. Arum itaUcum. Lam. — Arum vulgare |3. Brot. — Jarro, ou 
Pé de bezerro. 

214. Arisarum vulgare. Targioni. — Arum arisarum. L. Brot. 
— Capuz de fradinho. 

213. Colocasia antiqtiorum. Schot. — Arum colocasia. L. — Coio- 
casia, ou Inhame do Egypto ^ 

Ordo — ALISMACEAE 

216. Alisma plantago. L. — Tanchagem d'agua. 



* Com quanto o inhame seja frequente na ribeira do Banho, não julgo esta 
planta como indígena da serra de Monchique : o que parece verosimile é que 
tivesse ella sido cultivada pelos religiosos franciscanos nas terras do seu con- 
vento de Nossa Senhora do Desterro, onde também ainda apparece, e que as 
correntes das aguas arrastassem algumas raizes até á ribeira do Banho, e ali se 
propagasse. Os que julgam ser esta planta indígena de Monchique, quer pare- 
cer-me que laboram era erro. 



210 JORNAL DE SCIEXCIAS MATHEMATICAS 

Ordo — ORCHIDEAE 
Tribus — Ophrydeae 

217. Orchis longicruris Brot. Phyt., t. 87, et Link. — Orchis si- 
mia. Lam. — Flor dos rapazinhos, ou dos macaquinhos dependurados. 

218. Orchis máscula. L. Brot. 

219. Orchis picta. Rchb. — O. Champaneuxii. Barn. 

220. Ophrys tenthredinifera. Brot. Phyt., t. 87. 

221. Spiranthes aiitumnalis. Rich. — Ophrys spiraUs. Brot. — Foi 
reconhecida na primavera, por terem sido achados uns tubérculos acom- 
panhados ainda de uma espiga floral já sêcca, pois florece em setem- 
bro e outubro. (Todas estas espécies e a de n.° 223 produzem o salepo.) 

222. Epipactis latifoUa. Sw. — Serapias latifolia. Brot. Fl. Lusit. 

223. Aceras densiflora. Welw. — Satyriíim densiflorum. Brot. 
— Raríssima. 

224. Limodoriim abortiviim. Sw. — Orchis abortiva. Brot. Fl. Lu- 
sit. — Raríssima. 

Ordo— IRIDEAE 

225. íris pallida. Lam. — /. odoratissima. Jacq. — Lírio branco. 

226. Moraea sisyrinchium. Ker. — íris sisyrinchium. L. 

227. Gladiolus serotinum. Welw. — Calças de cuco, nome vulgar. 

228. Trichonema purpurescens. Sweet. 

Ordo— AIARYLLIDEAE 

Tribus — Amarylleae 

229. Leucojum autumnale. L. Brot. 

Tribus —Narcisseae 

230. Narcissus jonquilla. Brot. — N. tazetta. L. — Narciso. 



PHYSICAS E NATURAES 211 

Oído— LILIACEAE 

Tribus — Hyacintheae 

231. Muscari comosum. Mill. — Bellevalia comosa. Kunth. — Hya- 
cinthus comosiis L. — Enfuste, nome vulgar no baixo Algarve. 

232. Muscari racemosum. Mill. — Hyacinthus racemosus. L. Brot. 

— Enfaste, do mesmo modo que o antecedente. 

233. Uropetalum serotinum. Gml— Hyacinthus serotinus. L. Brot. 
— Jacinto da tarde. 

Tribus — Scilleae 

234. Ornithogalum timbellatum. Lin. Var. longe bracteatum. Willk. 

— O. haeticum. Bss. 

233. Scilla pumilla. Brot. Phyt. —S. monophyllos. Link. 

236. Scilla amumnalis. L. Brot. 

237. Agraphis cerniia. Reichenb. Fl. Germ. —Hyacinthus cer- 
nuns. Brot. Phyt. — Endymiiim campanulatus, Willk. — Scilla cer- 
nua. Hoffm. et Link. 

238. Urginea scilla. Steinh. — Scilla maritima. L. — Ornithoga- 
lum maritimum. Lam. — Cebola albarrã. 

Tribus. — Anthericeae 

239. Asphodelus fistulosus. Brot. — A. fistulosm j3. L. 

240. Asphodelus ramosus. L. Brot. — Abrótea. 

Tribus — Asparageae 

241. Polygonatum vulgare. Desf. — Convallaria polygonatum. L. 
Brot. — Sêllo de Salomão. 

242. Asparagus albus. L. Brot. 



212 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

243. Smilax nigra. L. 

244. Smilax mmiritanica. Desf. 

245. Riiscus aciileaUis. L. Brot. — Gilbarbeira. 

Ordo-JlimCEAE 

246. Jiincus capitatus. Weigel. — J. gracilis. Brot. 

247. Jiincus efftisus. Brot. — Habita na serra da Picota. 

248. Lusula campestris. Desv. — Junctis campestris. Brot. 

249. Lusula forsteri. DC. 

Ordo-tiRAMimE 

Tribus — Phalarideae 

250. Holcus lanatus. L. Brot. 

251. Anthoxanthum, nov. sp.? — A. pumilum. Welw., ined. — Ha- 
bita na serra da Picota. 

Tribus — Agrostideae 

252. Agrostis miliacea. Brot. — Talha-dente. 

Tribus — Arundinaceae 

253. Arundo donax. L. Brot. — Canna. 

Tribus — Chlorideae 

254. Cynodon dactylon. Pers. — Digitaria stolonifera. Schrad. 
— Paspalum dactylon. Brot. — Panicum dactylon. L. — Grama das bo- 
ticas. 

Tribus — Avenaceae 

255. Aira caryophyllea. L. Brot. 



PHYSICAS E NATURAES 5113 

Tribus — Festucaceae 

256. Bromits mollis. L. Brot. 

257. Festuca rígida. Kunth. — Poa rigida. L. 

258. Poa annua. L. 

259. Poa bulbosa. L. 

260. Lamarchia áurea. Mõnch. — Cymmrus aiireus. L. 



214 JORxNAL DE SClEiNCIAS MATHEMATICAS 



IV. ZOOLOGIA 



{. Algumas observações e additamentos ao artigo do sr. A. C. Smith 

intitulado «A Sketcli of the Birds of Portugal» 

(Ibis. i868, pag. 428) 



J. Y. BARBOZA DU BOCAGE 



No numero precedente d'este jornal já tive occasião de commemo- 
rar n'uma breve noticia bibliograpliica esta interessante publicação do 
sr. Smith. Agora julgo dever consagrar-lhe uma mais extensa analyse, 
por isso mesmo que o auctor me merece um elevado conceito pelo seu 
saber, e uma decidida sympathia pela sua modéstia e pelos esforços 
conscienciosos com que procurou alcançar a verdade. 

Ao consignar no artigo citado os resultados de suas investigações 
ornithologicas durante uma rápida excursão em Portugal, o sr. Smith 
é o primeiro a reconhecer que o seu trabalho não pôde deixar de con- 
ter imperfeições, consequência inevitável da estreiteza do tempo e da 
escacez dos factos. Procurando, portanto, corrigir algumas inexactidões 
e preencher algumas lacunas, não tenho em vista depreciar o escripto 
do sr. Smith, mas sim concorrer para o tornar mais completo e pro- 
veitoso. 

Consta de 193 espécies a lista das aves de Portugal que o sr. Smith 
apresenta. O algarismo é modesto e está sem duvida muito áquem do 
numero real das espécies da nossa fauna ; porém o sr. Smith não quiz 
incluir nella senão as espécies de cuja existência se pôde certificar, ou 
porque as vira vivas, ou porque encontrara d'ellas exemplares authenti- 
cos no museu de Lisboa. Cingindo-me também ao systema adoptado 
pelo sr. Smith, não addicionarei á sua lista senão aquellas espécies de 
cuja existência tenho provas incontestáveis. 

Antes de tudo preciso justiQcar a determinação de uma espécie que 
se achava representada no museu de Lisboa, na época em que o sr. Smith 



PHYSICAS E NATURAES 215 

O visitou, unicamente por um exemplar joven, mas de que actualmente 
possuo outros exemplares adultos. ReQro-me á Aquila heliaca. Savigny, 
a respeito da qual o sr. Smith escreve o seguinte : 

«I entertain considerable doubts whether the only specimen of this 
bird in the museum of Lisbon is a genuine Imperial Eagle, inasmuch 
as there is not a single trace of ^hite on the scapulary feathers ; and 
though prof. du Bocage, whose attention I called to lhe fact, accounted 
for it by declaring the bird in question to be immature, I cannot find 
that this distinctive caracteristic of the species is ever wholly absent, 
though doubtless it is more conspicous in adult birds.» 

A este ultimo periodo acrescenta o erudito editor do Ibis, em nota, 
a seguinte observação: «It has usually been supposed that the contrary 
was the case.y> 

Ignoro se, para apresentar uma asserção tão explicita como esta, o 
sr. A. Newton se funda em observações próprias; é certo porém que 
em diversos escriptores que pude consultar, se encontra sem divergên- 
cia confirmado o facto de que a A. heliaca nas primeiras edades apre- 
senta poucos, e até nenhuns, vestígios de branco na região scapular, 
sendo característica da edade adulta a grande malha ou dragona bran- 
ca, d'onde deriva o nome por que é conhecida de Águia imperial. 

Vejamos, por exemplo, o que dizem Temminch no Manuel d'Or- 
nithologie, Degland e Gerbe na Ornithologie européeime. 

O primeiro (Man. íVOrnith. tom. I, pag. 27) diz o seguinte: 

«Les jeunes d'un et de deux ans ont les partles supérleures dun 
brun roussâtre varlé de grandes taches d'un roux três clair; sur les sca- 
pidaires sont quelques plumes à pointes Manches. . . . Les Indlvldus un 
peu plus avances en age ont des telntes plus foncées; le blanc sur quel- 
ques-unes des plumes scapulalres est plus marque.» 

Na segunda edição da Ornilhologie européenne, tom. I, pag. 25, 
encontramos o seguinte : 

«Sujets dans leurs premlère et deuxlème année: Plumage des par- 
tles supérleures dim brun roux, varlèe de roux plus clair, avec les plu- 
mes de Tocclput et de la nuque d'un roux jaunâtre et les scapulalres 
termlnées également de roux jaunâtre ; quelques-unes d'entre elles n'ont 
leur polnte marquée de blanchàtre qu'après la première année; partles 
inférieures d'une jaune roussâtre ou couleur isabelle; etc.» 

Ora ao exemplar do museu de Lisboa, que o sr. Smith hesitou em 
aceitar como da A. heliaca. compete tão perfeitamente a descripçâo dos 

' Loc. rjl.. Ditu. 'poo. 



216 JORNAL DE SCIENCIAS MATííEMATICAS 

indivíduos de um e dois annos por Degland, que parece feita esta des- 
cripção com aquelle exemplar á vista. Não é absolutamente exacto, co- 
mo diz o sr. Smith, pelo haver mui rapidamente examinado, que não 
haja no spécimen em questão vestígio algum de branco nas pennas sca- 
pulares; pelo contrario, esta região apresenta d'ambos os lados diver- 
sas pennas com as pontas brancas, e mesmo uma ou outra inteiramente 
branca : é comtudo certo que não ha malha branca distincta. 

No caso d'este exemplar se não referir á A. lieliaca, pelas suas 
dimensões não poderia pertencer senão a uma de duas espécies, á A, 
chrysaetos ou á A. naevioidcs. De uma e outra é porém incontestavel- 
mente distincta, porque a nenhuma d'estas competem, em período al- 
gum da sua existência, os caracteres que apresenta. Pelas suas cores, 
por ter a cauda toda uniformemente d'um pardo-cinzento malhado de 
pardo escuro e orlada na extremidade de ruivo, e porque as pennas sca- 
pulares não são brancas na base, não pôde ser referida á A. chysaétos. 
Também não pôde ser a A. naevioides. Comparei-a cuidadosamente com 
um exemplar d'esta espécie proveniente da Africa austral e determinado 
pelo meu amigo Jules Verreaux, exemplar d'uma fêmea adulta, e acho-o 
supenor nas dimensões do corpo e da asa, diverso nas cores e perfei- 
tamente distincto pela forma e tamanho do bico, que é no spécimen de 
Portugal muito mais grosso e mais alto. 

Por outro lado, a comparação d'elle com os exemplares adultos que 
possuímos da A. heliaca mostra uma perfeita conformidade com estes 
nas dimensões e nos príncipaes caracteres, e designadamente na forma 
do bico. 

Parece-me, portanto, que não ha motivo para reformar a diagnose 
do exemplar que se acha nas collecções do museu de Lisboa com o nome 
de A. heliaca, juv. 

Um pouco mais abaixo, na mesma pagina, escreve o sr. Smith o 
seguinte : 

«I think myself bound to add that prof. du Bocage entertains con- 
siderable doubts as to the reported abundance in Portugal of A. heliaca, 
wich he assures me he has never seen alive, or, indeed, in the flesh.» 

Aqui ha evidentemente um equivoco ou um erro typographico. Re- 
cordo-me perfeitamente de que a propósito da A. naevioides, que lord 
Lilford dá como muito abundante na Andaluzia, é que eu fiz ao sr. Smith 
a observação que elle refere á A. heliaca. 

Em Portugal a A. heliaca é uma espécie que pôde dizer-se com- 
mum; abunda nas serras da Beira e do Alemtojo. D'esta ultima provín- 
cia tenho recebido mais d'uma vez exemplares vivos d'ella. 



PHYSICAS E NATURAES 217 

Mencionarei agora algumas espécies não incluidas pelo sr. Smith 
na sua lista e de que existem actualmente no museu de Lisboa exem- 
plares authenticos : 



1. Aquila vaevia. Briss. Um exemplar proveniente de Traz-os-montes, 

morto nos arredores de Bragança. 

2. Circaetm galUcus. (Gm.) Considero esta espécie rara, porque ainda 

não pude ver d'ella senão um exemplar que recebi ha annos vivo 
do Alemtejo. 

3. Astiir paltmbarius. (Lin.) Bastante commum; representado no mu- 

seu de Lisboa por vários exemplares que escaparam á investi- 
gação do sr. Smith. 

4. Circiís cineraceiís. (iMont.) Commum. Tenho specimens de Cintra e 

do Alemtejo. 

5. Cinclus aquaticus. Bechst. Não é raro nas províncias do norte. 

6. Accentor alpinus. (Gm.) Raro. Existe d'esta espécie ha annos no mu- 

seu de Lisboa um único exemplar capturado em Cintra. 

7. Sylvia subalpina. Bonelli. Parece ser mais commum nas províncias 

do sul : os exemplares do museu são do Algarve. 

8. Sylvia orphea. Tem. Menos commum que as S. atrkapilla e S. me- 

kinocephala. 

9. Hypolais polyglotta. (Vieill). Commum. 

iO. Calamoherpe arundinacea. (Gm.) Encontra-se frequentemente nas 
margens dos regatos: tenho exemplares de Coimbra e Collares. 

H. Calamodyta aquática. (Bechst). Não é rara nos arredores de Coim- 
bra. 

12. Cettia Cetti. (La Marm.) Commum. 

13. Phillopneuste trochilus. (Lin.) Commum. 

14. Phillopneuste rufa. (Briss.) Muito commum. 

15. Aedon galactodes. (Tem.) Commum. 

10. Reguíus cristatus. (Lin.) Raro; encontra-se com mais frequência nas 

províncias do norte. 

JORN. DE SCtENC, MATH. PHYS. K NAT. — N. VIL 15 



218 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

17. Anlhns spínolelta. (Lin.) Não é raro com quanto seja menos com- 

mum que os A. pratensis, A. cmnpestris e A. arboreiís; este ul- 
timo apparece frequentemente nos arredores de Coimbra e em 
geral nas provincias do norte. 

18. Alaiida lusitana. Gm. Não existem ainda exemplares d'esta espécie 

no museu de Lisboa, porém sei que se encontra frequentemente 
no Alemtejo e Algarve; d'esta província trouxe vários exempla- 
res d'ella um ornithologista de Halle, o sr. E. Rey, que ali foi 

recentemente. 

19. Emberiza hortulana. Lin. Adquiri ha pouco tempo um exemplar 

d'esta espécie capturado nas immediações de Coimbra. 

20. Pyrrhula vulgaris. Tem. É commum nas provincias do norte, onde 

a conhecem pelo nome de Dom Fafe. 

21. Columba palumbtis. L. Mais rara que a C. livia. 

22. Ciconia nigra. Gesn. Mais rara que a C. alba: conservei durante 

alguns annos vivos dois exemplares capturados no Alemtejo. 

23. Falcmellus igneus. Gray. Accidental: existem no museu 2 exempla- 

res mortos na margem esquerda do Tejo. 

24. Totaniis fusciis. (Lin.) Raro. 

25. Totamis glottis. (Lin.) Pouco frequente. 

26. Totaniis ochropus. (Lin.) Raro. 

27. Limosa laponica. (Lin.) Commum. 

28. Gallinago major. Leach. Rara. Existe um só exemplar d'esta espé- 

cie no museu de Lisboa. 

29. Macheies piignax. Lin. Commum. Ha no museu vai"ios specimens 

em plumagem d'inverno provenientes do Ribatejo. 

30. Tringa siibarquata. (Gúldenst.) Pouco commum. 

31. Pelidna Temminchii. (Leisl.) Frequente. 

32. Calidris arenaria. III. Rara. 

33. Porzana manietta. Vieill. Commum; representada por vários spe- 

cimens no museu de Lisboa. 

34. Porzana Baillonii. (Vieill.) Pouco commum. 



PHYSICAS E NATURAES 219 

35. Porzana minuta. (Pall.) Rara. 

36. FiiUca cristata. Gm. Comraum nas províncias do sul, Alemtejo e 

Algarve. 

37. Podiceps cristatus. Lin. Não é raro; ha vários exemplares no mu- 

seu de Lisboa. 

38. Fratercula árctica. (Lin.) Ha no museu 3 exemplares, todos jo- 

vens e capturados em annos differentes na lagoa d'Albufeira, ao 
sul do Tejo. 

39. Sterna fissipes. Lin. Commum. 

40. Puffimis major. Faber. Raro. 

41. Stercorarins pomarinus. (Tem.) Não ò commum; existe um só 

exemplar d'esta espécie no museu de Lisboa : é uma fêmea adulta 
em plumagem de inverno. 

42. Fidigula ferina. (Lin.) 

43. Fidigula cristata. Steph. 

44. Clangula glaiicion. (Lin.) Esta espécie é menos commum que as 

duas precedentes, as quaes de inverno se encontram abundan- 
temente. De todas ha no museu de Lisboa exemplares authen- 
ticos. 

Para concluir observarei ainda que a Perdix cinerea. Lath, citada 
por M. Smith, existe cffectivamente em Portugal, porém circumscripta 
á região mais septentrional do nosso paiz. Os exemplares que temos 
visto d'esta espécie procedem todos da serra do Marão, nos limites das 
províncias do Minlio e Traz-os-montes. 



IS. 



220 JOHNAL DE SCIENGIAS MATHKMATICAS 



2. Sur une cspècc de «Ccplialoplius» í) taille plus forle, dAfrique 
occidenlale, qui parail idenlique au «C. longiccps.» Gray 



J. V. BARBOZA DU BOCAGE 



En 1865 le savant dirécteur du mnséum brilannique a fait mention 
dans les Proceedings de la société zoologique de Londres (pag. 204) 
d'une espèce de Cephalophus qu'il regardait comme nouvelle et qii'il a 
nommée C. longiceps. 

Etablie exclusivement sur les caracteres ostéologiques que Texamen 
d'une tête, provenant du premler voyage de M. Du Chaillu, a pu fournir 
à M. Gray, cette espèce manque encore de diagnose precise, M. Gray 
n'ayant pu faire autre chose que donner Féveil sur Fexistence três pro- 
bable d'une espèce nouvelle, tout en laissant au temps et au hasard le 
soin d'apporter de nouvelles preuves en faveur de ses prévisions. 

Or je viens de recevoir de rintèrieur d'Angola une tête de Cepha- 
lophus, par bonheur recouverte de sa peau, dont les dimensions et les 
principaux caracteres ostéologiques s'accordent assez bien avec ceux 
donnês par M. Gray pour son C. longiceps. 

Les cornes sont couchées en arriêre et placées dans le plan du front; 
elles sont arrondies, à peine rugueuses à la base et divergent un peu 
vers leurs extremitês; elles mêsurent 10 centimètres de longueur. 

La longueur de la tête est de 26 à 27 centimètres; elle a 11 cen- 
timètres de largeur, mesurée d'une apophyse zygomatique à Tautre, et 
13 centimètres de hauteur maximum. La longueur de la machoire in- 
férieure est de 20 centimètres. Ces cliiUres s^accordent assez bien avec 
ceux donnês par M. Gray pour la tête du C. longiceps. 

La forme gênêrale de la tête, la convêxitê du front et Têtroitésse 
du museau fournissent de nouveaux traits de ressemblance ; les os du 
crane et de la face reproduisent, tant dans leur conformation que dans 
leurs connêxions, les particularités que M. Gray a signalées et fait re- 



PHYSIGAS E NATURAES 221 

présenter dans la figure qui accompagne la description de son espèce 
(Proc. Z. S. 1863, pag. 205). 

Les caracteres extérieurs, fournis par les teguments de la tête, ne 
permetent pas de confondre cet animal avec les autres espèces connues 
de CephalopJws, appartenant à cette division du genre caracterisée par 
la diréction horisontale des cornes (C. coronatus, C. sylvicultrix, C. 
Ogilbyi, C. natcúensis et C. altifrom). 

Les oreilles sont relativement petites, car elles mésurent à peine 10 
centimètres de longueur — moins de la moitié de la longueur totale de 
la tête; elles sont larges, non acuminées mais arrondies aii bout, cou- 
vertes sur leur face externe de poils três courts et serres d un brua 
foncé, presque nues en dédans, excepté sur les bords et à Textremité, 
oú elles sont garnies de poils blanchatres, également courts et serres. 
Le mufle est medíocre. La face supérieure de la tête est d'un brun clair 
sur le chanfrein et d"un brun foncé, couleur chocolat, sur le front; les 
faces latérales sont en haut dim gris brunatre, puis elles deviénnent 
blanchatres en se rapprochant de la face inférieure et du menton, oú 
cette derniére couleur domine. Une raie étroite dun brun jaunatre borde 
le brun foncé de la région' frontale, au dessus des yeux; une tache allon- 
gée de la même couleur s'étend, plus ou moins distinctement, au-dessous 
de 1'orbite en diréction horisontale jusqu'au chanfrein. Le tour des yeux 
est brun, les levres teints de brunatre. La ligne muqueuse, légérement 
courbc, est placée horisontalement au-dessous de Tangle antérieur de 
loeil. 

Ce qui donne à cette tête de Cephalophus un aspect particulier, c'est 
la disposition du toupet de poils, qui se trouve entre les cornes et les 
recouvre en partie ; cc toupet se compose de trois portions, une mé- 
diane, s'elévant verticalement du milieu des cornes, et deux latérales, 
couchées horisontalement sur la face supérieure de chacun de ces appen- 
dices et se prolongcant en pointe sur leurs bords internes; la toufe ver- 
ticale est composée de poils longs de 7 centimètres, abondants et d'un 
roux vif; les deux toufos latérales sont formées de deux ordres de poils, 
les uns courts, de la couleur du front, et les autres longs, d'un roux vif. 

J'avais d'abord inscrit cette espèce sous le nom de Cephalophus ru- 
ficrista dans le catalogue des mammifères du museum de Lisbonne, 
mais Texamen plus attentif de ses caracteres ostéologiques me porte 
plutôt à le croire identique au C. longkeps. Gray. Je reconnais cepen- 
dant qu'il faut attendre de nouveaux documents pour arriver à une opi- 
nion décisive. 

J'ai reçu dans ces dei-niers lemps de TAfrique occidentale plusieurs 



222 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

individus apparlenanl à trois espèces distinctes de ce même genre; deux 
de ces cspòccs, de petite taillc, ne semblent utre le C. monticola et le 
C. Maxwellii; la troisiòme, de taille beaucoup plus forte, se trouve re- 
présentée par trois individus, deux males et une femelle, qui se rappor- 
tent assez bien à la fig. 3 des pi. I et II des Glecmings from the mena- 
gerie and aviary at Knoiosley Hall, ainsi qu'à la fig. 2 de la pi. LVII 
des Proceed. Zoological Sociely London, 1857. Je les regarde comme ap- 
partenant au C. Burchellii. 

J'ai encore recu de Tintérieur de Mossamedes, par M. d'Anchieta, 
un individu jeune du Neotragm Saltiamis, ne différant d'un autre indi- 
vidu du même age, provenant d'Abyssinie, que par des couleurs sen- 
siblement plus pâles. 



PHYSICAS E NATURAES 223 



3. Appeiidice ao Catalogo dos peixes de Portugal 
que existem iio Museu de Lisboa 



FÉLIX DE BRITO CAPELLO 



Fam. PERCIDAE 

Genus Ceutropristis. Cuv. et Vai. 

227. Centropristis hepatus. Gm. Garoupa. 

Gthr. Cat. of the fishes, l, 84. 
Labrus hepatus. Gm. Lacep. III, 424, 456. 
Holocentrus hepatus. Risso, Ichth. Nice, 292. 
Serranus hepatus. Cuv. et Vai. II, 231. Giiicli. Expl. se. Algérie, 34. 
» » Costa, Fauna dei rcgno di NapoU, tav. VII, fig. 1 . 

Algarve. Não sabemos se é rara ou vulgar, pois o único exemplar 
que trouxemos vinha de envolta cora outros de Serr. scriba. 

Fam. MAEMDiE 

Genus Suiarls. Cuv. 

228. Smaris gag-arella. Bp. Trombeiro, Trombeta. 

Bp. Fauna itálica — pesei, tab. 6, íig. I. 

Vulgarissimo e abundantíssimo; encontrámol-o no mercado do peixe 
em Lagos aos milhares. 

As cores são exactamente as do desenho de Bonaparte (Icon. fauna 
ital.J. O Smaris vulgaris tem o dorso pardo esverdeado escuro, em 
quanto que os exemplares do Algarve apresentam todos uma cor clara 
eglial por todo o corpo, com listas longiíudinaes amarello doirado, e a 
malha escura do flanco mui pouco pronunciada. 



2^4 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Fam. SPARIDAE 

229. Sargus annularis. Lin. Alcorraz (Setúbal). 

D. ii; A. ^. 

GeoíTr. Descr. Eg. poiss., pi. 18, íig. 3. 

Cuv. et Vai. Hist. nat. des poiss. VI, 35, pi. 142. 

Guich. Explor. Algér. 47. 

Gthr. Cat. of the fishes, I, 445. 

Alguns exemplares provenientes de Setúbal, uns enviados pelo sr. 
Cunha Freire, outros obtidos na exploração zoológica que ali fizemos o 
anno passado. 

Genus Cliarax. Risso 

230. Cliarax puntazo. Lin. Sargo bicudo. 

Cuv. et Vai. Hist. nat. des poiss. VI, 72, pi. 144. 
Guich. Explor. Algér. 48. 
Gthr. Cat. of the fishes, I, 453. 
Algarve. Vulgar. 

Genus Pagellus 

231. Pagellus Oweni. Gthr. Bezugo. 

Gthr. Cat. of the fishes, l, 478, et synon. 
Raro. Lisboa. 

Fam. CARA^GIDAE 

Genus Li eh ia. Cuv. 

232. LicMa amia. Lin. Doirada. 
Dois exemplares do mercado de Lisboa. 

Fam. GOBIIDAE 

Genus Gobius. Artédi 

233. Gol4lis sp. ? Cabaz. 

D- 6|i^; A. í^; L.lat. 60-64. 
Altura do corpo no comprimento total 1 : 5,5 



PHYSICAS E NATURAES 225 

Coraprimenlo da cabeça no total 1:4,5 

Diâmetro do olho no comprimento da cabeça 1 : 5,5 

» » » do focinho 1 : 2,0 

» » no espaço interocular 1 : 1,0 

Cabeça mais larga que alta. O espaço interocular é plano e sem 
escamas. Dorsaes quasi unidas, mais baixas que o corpo ; a distancia 
da primeira dorsal ao bordo posterior do olho é maior que a que vae 
da ponta do focinho á margem do preopercalo ; os raios superiores da 
peitoral decompostos em fios capillares. Ventraes com a membrana ba- 
sillar bastante desenvolvida, com um lóbulo de cada lado. Lados da ca- 
beça com algumas linhas de papillas irregularmente dispostas. 

Sobre um fundo olivaceo mais ou menos claro no dorso (mudando 
para um amarello cor de abóbora, algumas vezes mesmo alaranjado 
por partes, nos flancos e ventre) manchas mais escuras nos flancos, umas 
vezes irregulares outras formando faxas Iransversaes. Barbatanas todas 
da cor do corpo, com pontuações escuras entremeadas com pontuações 
amarellas: todas tem os bordos orlados de escuro, especialmente as 
dorsaes, anal e caudal, onde existe uma faxa larga. Ventraes e regiãa 
peitoral branco sujo. 

Var. a. Fundo olivaceo escuro com manchas irregulares muito es- 
curas, algumas vezes mesmo pretas. 

Dorsaes, anal e caudal com malhas escuras mais ou menos em se- 
ries regulares ; uma orla preta larga na dorsal e caudal : segunda dor- 
sal com uma faxa estreita branca no bordo : manchas ou pontuações 
amarello-alaranjado por todo o corpo e barbatanas ; ventraes e região 
jugular sujas de preto. 

Esta espécie tinha sido considerada como Gobiiis capito, á vista de 
cinco exemplares que tínhamos obtido no mercado de Lisboa. O anno 
passado trouxemos de Setúbal dois exemplares (var. a) e ultimamente 
doze do Algarve. 

Á vista d'estes indivíduos, e tendo confrontado os seus caracteres 
com os que se acham descriptos em Cuv. et Vai. e no catalogo do sr. 
Giinther, hesitamos hoje em os referir á espécie acima citada. 

Em primeiro logar o numero dos raios da segunda dorsal é quasi 
sempre 13 (somente em três sobre dezenove indivíduos contámos 14); 
o ultimo fendido até á base simulando dois, isto tanto na dorsal como 
na anal. Esta barbatana apresenta quasi sempre também 11 raios (so- 
mente em dois sobre dezenove indivíduos contámos 12), em quanto que 
Valenciennes lhe dá 12 e Giinther 10 a 11. 



226 JORNAL DE SCIENCIAS MATIÍEMATICAS 

Em segundo logar o esparo inlorocular não tem escamas e é ape- 
nas vermiculado nos nossos exemplares; no Gobíus capito este espaço 
6 escamoso «the interorbital space is ílat, scaly», diz o sr. Giinther. Fi- 
nalmente as cores divergem também entre esta espécie e os nossos exem- 
plares. 

Para simplificar a diagnose seguimos á lettra a descripção dos ca- 
racteres d\aquella espécie (Catalogue of acanlkopterygiam fishes, III, 55), 
indo em itálico os caracteres pelos quaes a nossa espécie se distingue 
d'aquella. 

Os maiores exemplares medem 0"\2I5 de comprimento. 

Pátria: mares de Lisboa, Setúbal e Lagos, 

234. Gobius jozo. Lin. Caboz. 

D. 6U; A. ,1 

Cuv. et Vai. Hist. nat. des poiss. XII, 35. 

Risso, Ichth. Nice, 159; Hist. nat. Europ. mérid. III, 281. 

Gthr. Cat. of the Jishes, III, 12. 

Algarve. Um só exemplar entre muitos da espécie antecedente. 

235. Gobius pag-anellus. Lin. Caboz. 

Gthr. Cat. of the fishes, III, 52. 

Quatro exemplares considerados no começo como G. niger. 

Mares da Ericeira : exploração zoológica de 1865. 

Fam. BLEN^IIDAE 

236. Blennius gattorugine. BI. Murtefuge. 

Bloch, tab. 167, fig. 2. 

Risso, Ichth. Nice, 127; Europ. mérid. III, 230. 

Cuv. et Yal. Hist. nat. des poiss. XI, 200. 

Guichen. Expl. Algér. 69. 

Gthr. Cat. of the fishes, III, 212. 

Algarve. Vulgar. 

237. Blennius ruber. Cuv. et Vai. Murtefuge. 

D. i ; A. 23. 

Cuv. et Vai. Hist. nat. des poiss, XI, 211. 

Não pôde confundir-se com o BI. gattorugine porque tem grandes 



PHYSICAS E NATURAES 227 

dentes posteriores em ambas as maxillas. Os tentaculos orbitados são 
fendidos até á base em cinco lacinias filiformes, e são vermelhos com 
pontos pretos. O resto da pintura é exactamente a que descreve Valen- 
ciennes. — Algarve. 

238. Blennius sp. ? Murtefuge. 

D. i; A. 23. 

Tentaculos orbitarios pequenos, palmados; porção molle da dorsal 
elevada. Todo preto. 

Citamos os caracteres mais salientes d'esta espécie, que nos parece 
differente de todas as conhecidas. Mais tarde, quando obtivermos mais 
alguns exemplares, a descreveremos minuciosamente, se os novos exem- 
plares não divergirem nos caracteres do único que trouxemos do Al- 
garve. 

Fam. LABRIDAE 

Genns Creiíilabriis. Cuv. 

239. Crenilabrus melops? Lin. Boclião. 

u. u , A. 10 

Gthr. Cat. of the fishes, IV, 80. 

Cor pardo esverdeado com pontuações escuras ou avermelhadas, 
grupadas formando malhas dispostas longitudinalmente; faces e opercu- 
culos amarei lo-esverdeados, com linhas longitudinaes vermiculadas cor 
de laranja ; malha escura com a forma de crescente por detrás e um 
pouco abaixo do olho. Dorsal e anal pardo claro ou verde com linhas 
longitudinaes ou reticulação cor de laranja. Uma malha preta ou pardo 
muito escuro no meio do tronco da cauda ; uma ou duas malhas escu- 
ras na porção molle da dorsal. 

Descrevemos com alguma minuciosidade as cores d'esta espécie, 
porque são raras as d'esta familia em que se dô concordância de cores 
entre os nossos exemplares e as descripções dos auctores. — Algarve. 

Fam. SY^GMTHIDAE 
Gcmis Sjnijnalluis. Lin. 

240. Syngnatlius tenuirostris. Rathke. Nome vulgar? 

Kaup. Catalogue of lopliobraiichiate fish, 44. 
Algarve. 



228 JORNAL DE SCIENGIAS MATHEMATICAS 

Fani. RAJIDAE 

Gemis Raja. Liii. 

241. Raja undulata. Lacép. Raia. 

Var.? Raia mosaica. Lacép. 

Quando descrevemos e desenhámos a nossa var. IV da Raja undu- 
lata, referimol-a â fig. 2, pi. 16, t. IV de Lacépòde por causa das ma- 
lhas brancas não citadas pelo sr. Duméril nas suas variedades da R. un- 
dulata. Hoje lemos uma rectificação a fazer á vista do exemplar que 
obtivemos do Algarve. Este exemplar é a representação fiel do desenho 
de Lacépède e da descripção de Risso. — Sobre um fundo cinzento-ama- 
rellado numerosas mallias de diversos tamanhos, brancas; estas malhas 
não teem a margem orlada de escuro como nos nossos exemplares, um 
dos quaes foi representado na est. IX, fig. 3 d'este jornal. Além d*isso 
as malhas são deseguaes em dimensões, laes como estão representadas 
na fig. de Lacépède; em quanto que nos indivíduos da costa Occiden- 
tal as malhas são todas eguaes em dimensões e mais espaçadas (vid. 
fig. 3, est. IX), isto é, menos numerosas. As linhas onduladas do nosso 
exemplar do Algarve são pouco visíveis. 

Qualquer das duas variedades não pôde ser referida á var. II do 
sr. Duméril, porque os pontos brancos a que este distincto icthyologista 
se refere orlando as Unhas onduladas escuras, também existem nos nos- 
sos exemplares, e não teem nada de commum com as malhas brancas 
espalhadas pela superfície dorsal. 

Algarve. 

242. Raja microcelata. Montagu. Raia. 

A. Duméril, Elasmohranches, II, 538. 

Um exemplar do mercado de Lisboa, onde a temos visto varias ve- 
zes 6 ejn grande numero. 

243. Raja macrorhynoha. Rafin. Raia. 

A. Duméril, Elasmobranches, II, 566. 
Um exemplar do merendo de Lisboa. 



PHYSICAS E NATURAES 229 



4. Lisla de algumas espécies de peixes 
coliiffidos ou observados na bahia de Lagos (Algarve) ^ 



FKMX DE BRITO CAPELLO 



?Beryx decadactjlus. Cuv. et Vai. Imperador. 

Labrax Iiipus. Lacép, Roballo. 

Labrax punctatus. Bloch. Varia, Baile. 

Serranas scriba. Lin. Garoupa. 

Centropristis hepatus. Gm. Garoupa. 
?Pol)prion ceroiam. Vai. Cherne. 
?Dentex valgaris. Cav. et Vai. Dentão. 

Dentex fllosus. Vai. Pai^go mitrado (ad.), Marianna (jiiv.) 

Mullns surmuletus. Lin. Salmonete. 
?Mullus barbatus. Lin. 

Smaris gagarella. Bp. Trombeiro, Trombeta. 

Cantharusllneatus. Mont. Choupa. 

Box valyaris. Cuv. et Vai. Boga. 

Box salpa. Lin. Salema. 

Sargns viil([aris. Geoífr. S&íia (jiiv), ad. ? 

* As espécies precedidas de um ponto de interrogação não as observámos, 
mas temos a certeza da sua existência, já em consequência da communidade 
de nomes com os da costa occidental, já por informaç(3es de pescadores ilhavos 
que teem pescado em todas as nossas costas. 



230 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Sargus Rondeletii. Cuv. et Vai. Sargo bicudo. 
Sarflus vetula. Cuv. et Vai. Sargo. 
Sargus annularis. Lin. Sargo. 
Charax puntazo. Lin. Sargo bicudo. 
Pagrus vulgaris. Cuv. et. Vai. Pargo. 
?Pagellus ceolrodontus. De Ia R. Goraz. 
Pagellus erythrinus. Lin. Bica. 
Pagellus acarne. Cuv. Beziigo. 
PagcIIiis mormyrus. Lin. Ferreira. 
Chrjsophrjs aurata. Lin. Doirada. 
?Scorpocna porcus? scrofa? Rascasso. 
Trigla hirimdo. BI. Ruivo. 
Trigla lineata. Lin. Ruivo. 
Trigla obscura. Lin. Ruivo. 
Trigla poeciloptera. Cuv. et Vai. Ruivo. 
Trachinus draco. Lin. Peixe aranha. 
Trachinus vipera. Cuv. et Vai. Peixe aranha. 
?Sciaena aquila. Lacép. Corvina. 

Scomber scomber. Lin. Sarda. 

Scomber eólias. Lin. Cavalla. 
?Thynnus thynnus. Lin. Atum. 
?Naucrates ductor. Lin. Romeiro. 
?Echeneis reuiora. Lin. Agarrador. 

Zeus faber. Lin. Alfaquim. 
? Brama Raii. BI. Freira. 

Trachurus trachurus. Lin. Cliicharro. 

Trachurus fallax. Capello. Chicharro negrão. 



PHYSICAS E NATURAES 231 

?Xiphias gladius. Lin. Agulha. 
?Ba(rachus didactjlus. Schn. Charròco. 
?LopLius piscatorius. Lin. Tamboril. 

Gobias sp. nova? Caboz. 

Gobius jozo. Lin. Caboz. 

Gobias paganellus. Lin. Caboz. 

Blennius pavo. Risso. Marte fuge. 

Blennins tentacnlaris. Briinn. Miirtefuge. 

Blennius gattorugine. BI. Marte fitge. 

Blennius ruber. Cuv. et Vai. Murtcfuge. 

Blennius sp. nova? Murtefuge. 

Atherina presbiter. Cuv. Peixe-rei. 
?Mugil? Tainha, Muge. 

Crenilabrns nielops? Lin. Bodião. 

Crenilabrus Baillonii. Cuv. et Vai. Bodião. 

Coris Giofredi. Risso. Cavalete d'el-rei. 
?Merlucius vulgaris. Fiem. Pescada. 

Bhombus loevis. Lin. Rodovalho. 
?Solea vulgaris. QuenseL Linguado. 

Solea azevia. Capello. Azevia. 

Exocoetus lineatus. Vai. Peixe-voador. 

Syngnathus tenuirostris. Rathke. Nome vulgar? 

Hippocampus brevirostris. Cuv. Cavallo marinho. 
?Alopias vulpes. Bp. Peixe-zorro. 

Mustclus vulgaris. Miill. et Henle. Cação. 

Centrophorus grannlosus. Múll. et Henle. Queime. 

Scymnus lichia. Cuv. Carocho í, Pailona $. 



232 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

Squatina val(|aris. Múll. et Henle. Viola. 

Torpedo niarmorata. Risso. Trcmelga. 

Raja astcrias. Rond. Raia. 

Raja capeusis. Múll. et Henle. Raia. 

Raja undulata (var. mosaica). Lacép. Raia. 

Trigon pastiuaca. Cuv. Urze. 

Myliobatis aquila. Dum. Rato. 



PHYSICAS E NATURAES 233 



S. Memoria relativa a um exemplar de « Squalus maximus » Lin. 
pescado nas costas de Portugal 



FÉLIX DE BRITO GAPELLO 



Blainville em um escripto intitulado Mémoire sur les difíérentes es- 
pèces de Squales confondues sons le nom de Squalus maximus de Lin- 
né\ descreveu e desenhou três espécies de Cetorhimis distinctas do 
Squalus maximus dos auctores. 

Mais tarde, 1811, publicou outra memoria ^ descrevendo e dese- 
nhando outra espécie que considerou diílerente d'aquellas, e idêntica á 
espécie figurada por Shaw com a designação de Squalus maximus (Bas- 
king shark, male)l 

Os auctores, porém, que depois teem faltado do Squalus maximus, 
quer descrevendo faunas diversas, quer tratando dos peixes plagiosto- 
mos em geral '\ continuaram a considerar como uma espécie única — Se- 
lache máxima — os differentes indivíduos que teem sido observados. 

O museu de Lisboa possuiu um exemplar do Squalus maximus 
proveniente das costas de Portugal ; achava-se, porém, em tão mau es- 
tado quando se preparou, que não foi possível depois da reforma do 
museu estudal-o com proveito, e foi por consequência inutilisado. No 
anno de I8G0 encontrou na Povoa de Varzim o sr. dr. Bocage a pelle 
d'um individuo d'esta espécie, porém também estava absolutamente in- 
capaz de ser aproveitada. 

Finalmente em maio ultimo obtivemos um exemplar d'csta espécie 
em perfeito estado de conservação. Este exemplar, tendo-se-lhe tomado 

' Journcd de physique, septembre, 1810. 

2 A^inales du muséum ã'histoire naturelle, t, 18, pi. 6, 88. 

^ Zoologie générale, t. V, part. II, 327. 

^ A. Duméril, Elasmohranches. 

JORN. DE SCIENC. MATH. PHYS. E KAT. — N. VII. 16 



234 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

em fresco as diversas dimensões, é o que represento na estampa que 
acompanha esta memoria. 

Se compararmos o desenho do nosso individuo com o de Blainville 
(op. cit., pi. C) veremos que se lhe assemelha bastante; no emtanto não 
podemos affirmar a sua identidade em razão de certas differenças que 
se notam nos tamanhos relativos de diversas partes do corpo, bem como 
por certos caracteres de maior importância. 

Com effeito, o focinho do nosso peixe é proeminente e prismático 
quadrangular, com um mamillo na extremidade; no exemplar de Blfiin- 
ville, tanto o desenho como a descripção accusam-no muito curto : «le 
rauseau est três court». A 1.^ dorsal é relativamente mais alta n'este, 
pois se comprehende 7,5 vezes no comprimento total: no nosso indivi- 
duo esta relação é — 9,3. A caudal é, pelo contrario, menor, pois que 
medido o lóbulo superior no comprimento dá proximamente 5, em quanto 
no nosso esta medida é pouco maior que 4. A cabeça também é menor 
no exemplar de Blainville, pois se contém no comprimento do corpo 
proximamente 5 vezes, e no exemplar do museu esta medida é — 3,5. 

O caracter, porém, mais importante em que diverge o nosso peixe 
do de Blainville, consiste na existência de uma espécie de lingua na 
juncção das cartilagens branchiaes (vid. fig. 3). Blainville diz a pag. 97 
da obra citada: «L'intérieur de cette enorme gueule étoit tapissé par 
une membrane blanche, épaisse, entièrement lisse : on y apercevoit de 
chaque còté, inférieurement et supérieurement, les cartilages que bor- 
dent les cinq ouvertures branchiales internes», tal qual como no nosso 
specimen (fig. 3); porém mais adiante diz: «à sa face inférieure on 
voyoit la jonction des six cartilages branchiaux avec les parties latéra- 
les de la série de piòces intermédiaires, sans qu'il y eut traces d^aucun 
renflement simulant une langue. » 

Não podemos obter a memoria de Blainville onde descreve e de- 
senha as espécies que julga differentes do Squalus maximus dos aucto- 
res : não sabemos portanto se o nosso specimen pôde ser referido a al- 
guma d'estas espccies ; esperando obter aquella obra passaremos a des- 
crever o nosso exemplar, nomeando-o provisoriamente 



Cetorhinus Blainvillii 

Caracteres : Corpo fusiforme e alongado ; deprimido da região pei- 
toral para diante ; comprimido no resto do corpo. Cabeça larga ; boca 
bastante curva e muito rasgada; focinho comprido (proximamente V/, do 



PHYSIGAS E NATURAES 235 

comprimento da cabeça, medida da sua ponta á abertura do primeiro 
par de guelras), quadrangular, com uma pequena eminência na extre- 
midade. Narinas pequenas, collocadas um pouco adiante do bordo an- 
terior da boca, com duas pregas de pelle formando válvulas. 

Olhos pequenos, collocados muito abaixo da linha mediana do fo- 
cinho e um pouco atrás do bordo anterior da boca. Spiraculos peque- 
níssimos, difficeis mesmo de achar (0'",007 de diâmetro), e collocados 
na parte superior da cabeça e á distancia de 0'",240 do bordo posterior 
do olho. 

Dentes pequeníssimos, em quatro ordens, em ambas as maxillas: 
a sua forma não tem sido descripta, que nos conste, pelos diversos au- 
ctores que tem tratado d'este peixe. Com effeito, todos dizem «dentes 
pequenes e cónicos» ou «en forme de crochets», porém sem descreve- 
rem a sua forma com rigor. Estes dentes pertencem ao typo descripto 
nos Apontamentos para a ichtJnjologia de Portugal, \^ parte, Squalos, 
4866, e encontram-se na maxilla superior dos géneros Centrina, Cen- 
troscymmis, Scymnodon, Scfjmnus e Laemargus. N'este typo de dentes 
a coroa acha-se em um plano anterior ao da raiz, esta é quadrangular, 
e a porção livre do dente, que denominamos coroa^ é saliente, curva, 
com uma aresta no bordo (vid. fig. 4, onde um dente amplificado duas 
vezes se acha representado visto pela parte posterior, de perfil e de fren- 
te). Aberturas das guelras muito grandes, immensamente moveis e li- 
vres; as do primeiro par são apenas separadas na parte superior por 
um intervallo de 0'°,069, e na parte inferior os bordos são unidos, quer 
dizer, não existe aqui, como nas seguintes, uma solução de continuidade 
entre uma e outra abertura, porém somente pela parte de dentro a pelle 
se acha fixa aos músculos internos por um espaço de 0™,064. 

As outras aberturas vão successivamente a£fastando-se nas extremi- 
dades, até ao ultimo par em que a solução de continuidade mede O^^jâOO, 
tanto em cima como em baixo. 

As peitoraes tem a sua raiz junto ao 5.° par das aberturas bran- 
chiaes: é triangular e aguda na extremidade. A 1.^ dorsal é triangular 
e mede proximamente O*", 400 de altura, isto é, 9,5 vezes no compri- 
mento total, como já dissemos; a extremidade posterior da sua base 
acha-se exactamente no meio do comprimento total. A 2.^ é pequena 
e acha-se nos ^3 da distancia que vae da extremidade da base da 1.* á 
origem da caudal. As ventraes são triangulares e estão collocadas entre 
as duas dorsaes. A anal é proximamente semelhante na forma e dimen- 
sões á S.'"* dorsal. 

Na base da caudal existem duas depressões semilunares, uma su- 

16. 



236 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

perior outra inferior, e finalmente de um e outro lado do tronco da 
cauda encontra-se uma prega ou aresta saliente, entre a extremidade 
posterior da base da anal e a origem da caudal. A caudal é grande, o 
lóbulo superior é maior que o inferior e apresenta no bordo posterior 
uma rasgadura. 

Ao longo da linha lateral, porém muito irregularmente dispostos, 
existem uns tubérculos ou pregos formados por duas escutellas engran- 
decidas e deformadas. 

A cor é um cinzento azulado de lousa no dorso, esbatendo a tor- 
nar-se mais claro no ventre. 

Um individuo 5 capturado em consequência de se ter embaraçado 
nas redes de pescadores do alto. 

O facto mais notável observado n'este peixe consiste na existência 
de uma peça cartilaginea unida a cada uma das guelras, collocada na 
parte interna da abertura, isto é, para a parte interior da boca. Estas 
peças constam de uma base cartilaginea, tendo perpendicularmente ao 
seu eixo numerosas laminas, pouco largas e muito delgadas, de uma 
substancia muito análoga á barba de baleia : pela disposição d'estas pe- 
ças no interior da abertura da guelra, encostadas a este órgão, é evi- 
dente que servem para obstar á entrada de corpos estranhos no interior 
do saco branchial; isto é, peneiram e obstam á entrada d"aquelles cor- 
pos no interior da guelra, deixando somente passar a agua. Assim era 
preciso attendendo a que, achando-se as aberturas internas das guelras 
n'este peixe muito na frente da cavidade bucal, tornava-se necessário 
que órgãos especiaes protegessem órgãos tão importantes. 

Esta descoberta não é nova; já Smith tinha achado uma coisa se- 
melhante no seu Rhinodon typicus, e M. R. Foulis achou uns órgãos 
idênticos em um Sqiialus peregrinus apanhado nas costas da America 
do Norte (Proc. Boston Soe. nat. hist. 1854, 202). A figura 5 da nossa 
estampa representa um dos dez órgãos protectores na razão de V4 do 
tamanho natural : a figura 6 representa uma das laminas córneas, tama- 
nho natural. 

DIMENSÕES 

Comprimento total medido da ponta do focinho á vertical baixada 

do extremo do lóbulo superior da caudal 3™,820 

Da ponta do focinho ás narinas O ,170 

» » » ao centro do olho O ,220 

Diâmetro do olho O ,040 



PHYSICAS E NATURAES 237 

Abertura da boca O-^JOO 

Da ponta do focinho á origem da peitoral 1 ,030 

Da peitoral á extremidade da base da anal 1 ,350 

Da ponta do focinho á extremidade da base da 1.^ dorsal 1 ,900 

D'esta á da 2.^ O ,830 

Da base da 2.^ dorsal á origem da caudal O ,440 

Doesta á vertical baixada do lóbulo superior O ,650 

base O ,330 

iparte livre da base O ,130 

1.^ dorsal /bordo anterior O ,457 

'dito posterior O ,450 

altura O ,400 

base O ,110 

jparte livre da base O ,100 

dorsal /bordo anterior O ,170 

'dito posterior O ,1 10 

altura O ,100 

base O ,150 

PgjtQj,3j ] parte livre da base O ,150 

(bordo anterior O ,720 

dito posterior O ,550 

base O ,250 

Ventraes ] P^^^^ ^'""'^ ^ '090 

ibordo anterior O ,320 

dito posterior O ,220 

base O ,110 

^j^^^l ] parte livre O ,085 

Ibordo anterior O ,120 

dito posterior O ,120 

Q2iuád\ \ 'obulo superior O ,890 

( dito inferior O ,620 



238 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



EXPLICAÇÃO DA ESTAMPA 

Fig. 1. — Cetorhinus Blainvillii, ^ do tamanho natural ; — a. spiraculo. 
» 2. — Cabeça vista pela parte inferior. 
» 3. —Cabeça vista de frente, cora a boca aberta, 
í 4. — Dente duplo do tamanho natural, visto de frente, de perfil e pels 

parte posterior. 
» 5. — Uma das 10 peças protectoras das guelras, | do tamanho natural. 
» 6. — Uma das laminas córneas d'este órgão, tamanho natural. 
» 7. — Escutella muito augmentada. 



i 



PIIYSICAS E NATURAES 239 



6. Molliiscos terrestres e lluviaes de Portugal 

POR 

A. LUSO DA SILVA 

(Gonlinuado de pag. 156 do num. G) 



NOÇÕES PUELIJUNARES 

Para facilitar a intelligeiícia das descripções às pessoas que quei- 
ram dar-se ao estudo d'esta parte muito interessante da nossa zoologia, 
julgo indispensável fazer preceder a enumeração e diagnose das espé- 
cies, da definição dos termos habitualmente empregados pelos zoologis- 
tas. 

As conchas, ou esqueletos exteriores, destinadas a proteger o ani- 
mal, podem ser de muitas peças, de duas, ou de uma só, a que se dá 
o nome de valva; são miil ti valvas, bivalvas, ou iinivalvas. 

A concha d'uma só peça, univalva, suppije-se, nas descripções^ vol- 
tada com o vértice para cima e a abertura para baixo, olhando para o 
observador, um pouco inclinada para o chão; de sorte que as voltas da 
spira vão, na maior parte das conchas, da esquerda para a direita, co- 
meçando no vértice, e se chamam dextras. Algumas ha no sentido in- 
verso, e se chamam esquerdas. 

Da-se o nome de peristoma á linha ou periferia da abertura : e se 
àiz conti?nio, quando forma uma curva sem interrupção; interrompido, 
quando forma um arco, cujas extremidades são separadas pela conve- 
xidade da ultima volta; reflexo, quando é voltado ou dobrado para fora; 
marginado, quando é guarnecido d'um rebordo ou margem interior ou 
exterior; dilatado, quando se alarga um pouco em forma de funil; sim- 
ples, quando nem é marginado, nem dilatado, nem reflexo. 

A reunião das voltas ou anfractos, que formam uma concha enros- 
cando-se sobre si mesmos, é o que se cliama spira. O vértice é repre- 
sentado pelas primeiras voltas mais pequeninas, e a base pelas ultimas 



240 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

maiores. O vértice pode ser agudo ou obtuso, e a base botnheada ou 
chata. 

O eixo real ou ideal, em volta do qual se enrolam os anfractos da 
spira, toma o nome de cohimella, e pôde ser recta, torcida, arqueada, 
levemente ou fortemente torcida em spiral. 

As voltas da spira, que podem ser bombeadas ou chatas, apresen- 
tam algumas vezes no meio, ou junto á margem, uma saliência angular, 
muito aguda, que se chama carina ou quilha, e n'este caso tomam o 
nome de carinadas; e quando essa saliência é levemente obtusa, se cha- 
mam subcarinadas. 

A linha spiral que marca o limite d'uma volta com a outra imme- 
diata, unindo os pontos de contacto entre os anfractos da spira, cha- 
ma-se sutura. 

A concha pôde ser globulosa e siibglohiilosa; e, se a altura for ape- 
nas egual a ^3 do seu diâmetro, diz-se subdeprimida, e se mais baixa 
ainda deprimida. 

Dorso é a parte bombeada da ultima volta, opposta ao lado da 
abertura, e este lado é a face da concha. 

Chama-se margem superior ou posterior a da parte de cima, que 
corresponde á convexidade da penúltima volta ; margem inferior ou an- 
terior é a que fica do lado opposto; margem columellar a que fica junto 
da columella; margem exterior a que fica opposta a esta. 

Umbigo é a cavidade central, perto da margem columellar e for- 
mada pelas ultimas voltas da spira. Quando o umbigo é largo bastante, 
deixando ver uma ou mais voltas da spira, a concha diz-se umbilicada; 
se o umbigo é pequeno, então chama-se perfurada; e quando é coberto 
pela porção callosa da margem columellar toma o nome de imperfurada. 

Costuma o animal algumas vezes fechar a abertura da sua concha 
com uma parede, mais ou menos branca, membranosa, papyracea, cre- 
tácea ou calcarea, mais ou menos espessa, a que se dá o nome de epi- 
phragma. 

Alguns géneros apresentam uma porta constante, cartilaginosa, cór- 
nea ou calcarea, que fecha hermeticamente a abertura da concha, á qual 
se dá o nome de operculo. 

O operculo adhere ao pé do animal, em quanto que o epiphragma 
não : este está pegado ou ao peristoma pela parte de dentro, ou á su- 
perfície interna da ultima volta da concha. Ha duas sortes do epiphra- 
gmas : um que o animal faz durante o inverno, para ser protegido dos 
rigores da estação, que parece sempre mais solido e mais espesso ; e 
outro que varia segundo as espécies, e que o animal faz quando quer 



PHYSICAS E NATURAES 241 

repousar por algumas horas ou por alguns dias. O primeiro é o epi- 
phragma de inverno, e o segundo o epiphragma de verão ou ordinário. 

A concha pode ser lisa ou striada. Strias são as linhas subtis, e ás 
vezes quasi apagadas, que caminham no sentido das voltas ou no sen- 
tido do vértice para a base, ou em ambos os sentidos. 

As saUencias ou rebordos longitudinaes, isto é, vindas do vértice 
para a base, que a concha ás vezes apresenta, chamam-se varizes. 

Quando a concha mostra listas de cores nas voltas, caminhando com 
a spira, diz-se fasciada; e jlamulada, se estas listas são ondeadas e in- 
terrompidas : malhada ou manchada quando apresenta manchas ou nó- 
doas maiores ou menores, e pontuada se mostra pontos em logar de 
manchas. 

As conchas de duas peças, bivalvas, são compostas de dois baten- 
tes, que se chamam valvas, ligadas por uma das margens por meio de 
uma charneira e de um ligamento. Nas descripções alguns costumam 
collocar a concha de maneira que a margem cortante das valvas fica 
voltada para baixo, margem inferior ou ventral; e a margem da char- 
neira para cima, margem superior ou dorsal; sendo a margem poste- 
rior a do lado do ligamento, e a anterior a outra opposta a esta. As- 
sim a valva direita corresponde á direita do observador, e a valva es- 
querda á esquerda do mesmo. Linneu, Lamarck e outros seguiram o 
opposto, collocando a concha sobre a charneira, servindo de base o li- 
gamento, e a margem cortante para o alto, ficando a valva direita para 
a esquerda, e a esquerda para a direita do observador. Seguirei a pri- 
meira determinação. As conchas são cquilateraes, quando as duas val- 
vas são semelhantes, inequilateraes, quando o não são, e subequilate- 
raes, quando mal differem. 

Se as duas valvas reunidas não ajustam perfeitamente, deixando 
uma abertura ou espaço entre as suas margens, as valvas dizcm-se eti- 
treabertas. A parte central mais elevada da superfície exterior convexa 
de cada valva se diz dorso ou ventre. A eminência mammilar, junto da 
margem superior, um pouco recurvada e algumas vezes falta de epider- 
me ou cariada, se chama vértice. O espaço que fica pela parte de den- 
tro dos dois vértices é o corcelete, e o espaço que fica pela parte detrás 
se chama l unida. Quando as duas valvas se separam apparecem duas 
chanfraduras, mais ou menos profundas, correspondentes ao corcelete e 
á lumda, uma anterior e outra posterior. Vê-se muitas vezes para o lado 
do bordo superior, pela parte de dentro de cada valva, uma impressão 
ou cavidade arredondada e superficial, que se chama impressão muscu- 
lar, lia ainda outra impressão linear e muito mais leve, determinada 



242 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

pelo manto ou membrana que cobre o animal, e que se chama impres- 
são palleal. 

A charneira compõe-se do ligamento e de dentes ou laminas de 
formas differentes. O ligamento ò escuro e convexo pela parte de fora, 
c concavo pela parte de dentro, elástico e prendendo as duas valvas, 
umas vezes interior e outras exteriormente. Os dentes são protuberân- 
cias, mais ou menos dilatadas, e mais ou menos agudas, tomando o 
nome de cardiaes os que se acham junto ao vértice, e o de lateraes ou 
laminas, os que se affastam do vértice e se estendera em forma lami- 
nar. Uns e outros entram, pela maior parte, em cavidades da valva op- 
posta, ou em sulcos que deixam cada lamina dividida em duas paralle- 
las. A distancia entre o vértice e a margem anterior e a posterior é o 
comprimento da mesma. 

Estas são as noções que me parecem sufficientes para se poderem 
distinguir as espécies. Nada direi, por agora, sobre os molluscos nus, 
por não ter podido até hoje concluir as minhas indagações sobre esta 
parte. 

Cumpre advertir aqui, que é de summa importância para as col- 
lecções o adquirir indivíduos novos e adultos da mesma espécie, para 
se não cair em erro, como acontece muitas vezes, confundindo-se as es- 
pécies ; e por isso farei notar um caracter importante para os indivíduos 
do género Helix, que o uso me descobriu. É, na verdade, fácil confun- 
dir, não prestando a devida attenção, um individuo júnior da H. nemo- 
ralis, por exemplo, com um outro da H. inchoata já desenvolvido; um 
da H. lenticula, desenvolvido, com um novo da H. barbula, etc, etc. 
Ora, para obviar a este inconveniente e ficarmos certos de que este ou 
aquelle individuo é novo, não tendo chegado ao seu completo desenvol- 
vimento, basta que attendamos á direcção da ultima volta da spira, que 
nos indivíduos novos segue a marcha das outras, em quanto que nos já 
desenvolvidos, isto é, nos indivíduos adultos, affasta-se do caminho que 
levava, e desce um pouco para a columella. 

(Continua) 



PHYSICAS E NATURAES 243 



V. GEOLOGIA 



\. Breve noticia acerca da coiisliluicão pliysica e geológica 

da parle de Portugal 

comprehendida entre os valles do Tejo e do Douro 



CARLOS RIBEIRO 



Preliminares. —No decurso dos annos de 1848 a 1853 lançá- 
mos sobre a carta geographica do coronel Wilde, as primeiras linhas e 
manchas que deviam representar de um modo muito geral a distribui- 
ção das grandes massas mineraes que compõem o solo das duas Beiras; 
e foi também durante aquelle período, que ordenámos os nossos aponta- 
mentos para a redacção da primeira parte do texto explicativo da refe- 
rida carta, convertida em esboço de carta geológica d'aquellas provín- 
cias. Chamado ao serviço publico em 1832 e encarregado de diversas 
commissões, vimo-nos forçado a differir a conclusão d'este trabalho, sem 
comtudo o deixarmos totalmente de vista. Mais tarde, em 1857, quando 
nomeado membro director da commissão geológica do reino, resolve- 
mos aproveitar este e outros trabalhos análogos que possuíamos para 
auxiliar, como de facto auxiliámos, os estudos ofQciaes que posterior- 
mente se fizeram por parte da mesma commissão; porém a má sina que 
tem perseguido a boa direcção dos trabalhos geológicos no nosso paiz, 
não permittiu que aquelles estudos vissem a luz publica. Esta noticia 
é um extracto da descripção que tínhamos planeado fazer. 

É nossa a maioria dos dados sobre que assenta este trabalho, bem 
como o é também o estudo da orographía geral do paiz que descreve- 
mos, e a determinação de numerosas altitudes do centro da Beira ; de- 
vemos porém declarar que a carta geographica e as folhas da carta cho- 
rographica do reino, publicadas pelo extincto instituto geographico, muito 
contribuíram para corrigir este nosso trabalho. 

Pelo que respeita ao esboço geológico que vae junto a esta noti- 



244 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

cia, é uma copia reduzida do reconhecimento geológico do paiz, ultima- 
mente feito pelo nosso collega Nery Delgado e por nós, em substituição 
do nosso primordial esboço. 

Postas estas breves explicações, e acrescentando que alguns d'estes 
nossos estudos já figuram na carta geológica da Hespanha e Portugal 
publicada no anno de 18G4 pelo sr. de Verneuil, e em uma noção sum- 
maria acerca da constituição geológica de Portugal, publicada no volu- 
me 8.'^ das actas da sociedade italiana das sciencias naturaes de Turim, 
começaremos a nossa descripção. 



Extensão e limites do paiz a descrever. —A parte de Por- 
tugal representada no nosso esboço tem por limites, ao sul e norte os 
valles do Tejo e do Douro; ao nascente as províncias de Cáceres e Sa- 
lamanca, das quaes nenhum accidente natural de importância notável a 
separa; e ao poente o oceano. O seu maior comprimento medido sobre 
o meridiano da Torre de S. Julião da Barra é de 273 kilometros pro- 
ximamente, e a largura media de cerca de 16S kilometros contada para 
o norte d'Abrantes. 

Linha de costa. — A costa marítima que entre as fozes dos rios 
Tejo e Douro limita este grande tracto tem de comprimento absoluto 
315 kilometros approximadamente, desde o referido sitio da Torre de 
S. Julião da Barra até ao cabedello da barra do Douro. 

Se estudarmos este vasto accidente nas suas relações immediatas 
com o solo contíguo, veremos que é por assim dizer um epilogo da es- 
tructura orographica e da composição mineral d'este ultimo. Ao alto re- 
levo do litoral comprehendido entre as alturas de Cascaes e da Marinha 
Grande, e formado de camadas secundarias e terciárias, corresponde 
uma secção de costa bastante elevada acima do mar, e cuja feição prin- 
cipal se revela pelo abrupto e aprumado das suas ribas e pela variadís- 
sima estructura das rochas que compõem estas; em quanto que ao solo 
baixo adjacente á parte do Htoral que se estende para o norte da Marinha 
Grande até perto da foz do Douro, e no qual predominam as camadas 
do período quaternário, corresponde uma secção de costa quasi toda for- 
mada de arêas, simulando uma esplanada que vae esconder-se debaixo 
do oceano. 

Não é nosso propósito fazer n'este logar uma minuciosa descripção 
da nossa costa marítima, mas sim offereccr uma simples indicação da 



PIIYSIGAS E NATURAES 245 

sua forma geral, da sua composição geológica, e dos principaes acciden- 
tes que n'ella se observam. 

Para facilitar esta indicação dividiremos a linha de costa a que nos 
referimos nas duas seguintes secções: i.^ porção comprehendida entre 
a Torre de S. Julião da Barra e as Pedras Negras ; 2.^ parte restante da 
mesma linha até á foz do rio Douro. 

1.'' Secção. — Esta parte da linha de costa tem mui vários rumos 
e mede cerca de 160 kilometros de comprimento. Começando em S. Ju- 
lião da Barra, na foz do Tejo, segue uns 14 kilometros na direcção de 
oeste alguns graus norte até cabo Baso, e dobrando n'este ponto para o 
quadrante do norte forma um seio entre o referido cabo e o da Boca. 
D'este ultimo ponto continua para o quadrante do norte com diversos 
rumos pouco afastados do norte verdadeiro até á península de Peniche, 
mas recolhendo successivamente, ainda que de um modo desegual, para 
o nascente; —menos na parte correspondente á serra de Cintra, onde 
se vè o cabo da Boca que, como a geographia ensina, é o ponto mais 
Occidental do continente europeu. 

Do cabo Carvoeiro, na península de Peniche, para a Pederneira des- 
via-se bastante a costa marítima dos rumos visinlios do norte que tra- 
zia, e inflecte-se para o quadrante do nordeste n'uma extensão de 33 
kilometros pouco mais ou menos. Por este modo o oceano avança suc- 
cessivamente para este, ganhando no parallelo da Pederneira 34 kilo- 
metros sobre o meridiano do cabo da Boca, e 28 sobre o do cabo Car- 
voeiro. Na Pederneira muda a direcção da costa para nornordéste, se- 
guindo proximamente n"este rumo até á foz do rio Mondego. 

Uma parte d'esta secção de costa que consideramos, é formada em 
geral pelas testas das camadas sedimentares, que constituem o relevo do 
solo contíguo, e pelas rochas platónicas e volcanicas, que aqui e acolá 
atravessam aquellas mesmas camadas; e a outra parte é formada d'arêas 
e dunas de antiga e moderna data. 

Vejamos porém com mais alguma individuação qual é a structura e 
a forma da costa em toda esta secção. 

Desde a foz do Tejo até perto do forte do Guincho (uns 6 kilome- 
tros ao sul do cabo da Boca) a costa marítima é constituída pelas cama- 
das calcareas das formações cretácea propriamente dita e neocomiense; 
n'umas partes, com 5 a 20 metros sobre o mar, é pouco alta c cortada 
a prumo ou mergulhando para o oceano, como se vê em Cascaes, e do 
cabo Baso para o forte do Guinclio ; n'outras partes, chegando a 30 e 
mesmo a 40 metros de altura, é também cortada verticalmente, como se 
observa na Mexilhoeíra, e ao norte do indicado sitio do Forte do Guincho. 



246 JORNAL DE SGIENCIAS MATIIEMATICAS 

Um extenso aílloramento de rochas granitoides atravessadas por fi- 
lões e massas de rochas volcanicas, rompe do Oceano para a terra fir- 
me, e deslocando as camadas secundarias dos períodos cretáceo e jurás- 
sico, penetra para o interior e forma a pittoresca serra de Cintra. Esta 
serra do lado do mar apresenta-se em ribanceiras mui ásperas e alcan- 
tiladas, em geral inaccessiveis, quasi sempre banhadas no sopé pelo 
oceano, e elevadas sobre elle de 50 a 100 metros d'altura. No cabo da 
Roca, onde a rocha está cortada a prumo, a altura da escarpa é de 140 
metros. 

Entre o cabo Raso e o cabo da Roca forma a costa um recôncavo 
de 10 kilometros de corda e pouco mais de 2 kilometros de flexa, e onde 
a navegação é mui perigosa. A corrente d'enchente, que n'esta paragem 
vem do norte passando próximo ao cabo da Roca, exerce mui poderosa 
influencia no movimento das aguas d'este recôncavo, e quando algum 
navio de vela navegando entre aquelles dois cabos acerta descair para 
dentro do mesmo recôncavo, e o vento não é de feição ou afrouxa, de 
ordinário vem á costa. 

As rochas granitoides da serra de Cintra acabam a uns 2 kilome- 
tros ao norte da Roca, succedendo-se-lhes de novo na escarpa marítima 
as camadas jurássicas e cretáceas, que nas visinhanças do mesmo cabo 
foram deslocadas até á posição vertical, formando sobre o oceano escar- 
pas aprumadas de 20 a 70 metros d'altura. 

Da praia das Maçãs, na foz da ribeira de Collares, até á costa de 
Genetias, n'uma extensão de 36 kilometros, apresenta-se a escarpa ma- 
rítima constituída por camadas de calcareos e marnes do cré tufo, do 
cré branco, e pelas camadas calcareo-arenosas da formação neocomien- 
se, as quaes mui diversamente inclinadas sobre o horisonte, offerecem 
os seus topos em paredes aprumadas e inaccessiveis de 20, 40 e até 90 
metros d'altura : taes são nomeadamente varias porções de costa entre 
a praia das Maçãs e a Ericeira, entre esta villa e Ribamar, e as que se 
levantam sobre as praias d'Assenta e de Genetias. 

Da raiz d'estas ribanceiras correm para o oceano innumeros e pe- 
rigosos recifes que tornam inabordável toda esta parte da costa, e os 
quaes a maré vasia põe a descoberto. São formados pelos topes das ca- 
madas que constituem a escarpa e que inclinam com vario pendor, ou 
são o prolongamento das camadas que servem de fundamento á mesma 
escarpa. 

N'esta porção de costa que temos considerado, mui poucas são as 
praias d'arêa que este nome mereçam; e as que ah existem são em ge- 
ral pouco extensas e teem apenas algumas dezenas de metros de lar- 



PHYSIGAS E NATURAES 247 

gura. Umas cVellas correspondem ás fozes de pequenas ribeiras; outras 
encostam ao sopé das ribas escarpadas que sobre ellas se erguem e 
quasi sempre cobertas pelo oceano. A enseada de Cascaes, a praia das 
Maçãs, a praia de Genetias, etc, correspondem ás desembocaduras dos 
pequenos valles por onde correm as ribeiras de Cascaes, de Collares, e 
o rio Sizandro que banha os muros de Torres Vedras; a praia Grande 
ao norte do cabo da Roca, a praia da Samarra ao norte da praia das 
Maçãs, a praia dos Banhos na Ericeira, as praias d'Assenta e d'Amo- 
reira ao sul e norte da praia de Genetias, e muitas outras de menor 
monta, encostam ás ribanceiras marítimas que se levantam n'aquellas lo- 
calidades. 

É egualmente notável a grande quantidade de desmoronamentos 
que continuamente se estão produzindo n"esta parte do litoral, determi- 
nados pela acção continua do oceano e dos agentes atmosphericos, ma- 
manifestando-se esta destruição em maior escala nos sitios em que as 
camadas sedimentares foram atravessadas pelas rochas volcanicas, como 
se observa por exemplo entre a torre de S. Julião da Barra e a serra 
de Cintra, cuja escarpa marítima está cortada de filijes basalticos, de dio- 
rite, e de Irachyte. 

Muitas vezes as rochas Ígneas que acabamos de nomear, achando-se 
n'um estado maior ou menor de alteração, são mais desaggregaveis e 
destructiveis que as rochas atravessadas; c nas localidades onde este fa- 
cto se verifica^ a incessante acção das aguas do mar e do tempo levam 
a matéria dos filões, invadem o espaço anteriormente por elles occupa- 
do, insinuam-se pelas fendas da rocha continente, e exercem sobre ella 
uma forte acção destruidora ; isto é, diluem e minam pouco a pouco as 
rochas mais atacáveis, derrocam as camadas, produzindo assim desaba- 
mentos e formando grutas, que facilitam cada vez mais ao oceano as suas 
conquistas sobre a terra firme. São repetidos estes exemplos desde a 
torre de S. Julião da Barra até ao cabo da Roca, merecendo especial 
menção a Boca do Inferno, perto de Cascaes, profundo e largo fojo cuja 
abertura é devida ás citadas causas. N outras localidades, pelo contrario, 
é a rocha volcanica formando dykes que mais resiste, e as massas conti- 
nentes as que mais facilmente são destruídas pelas vagas. Se os filões 
de rochas volcanicas se tornam menos frequentes nas ribas que estão 
para o norte do cabo da Roca, nem por isso deixam as mesmas rochas 
de apparecer, produzindo effeitos semelhantemente destruidores e inten- 
sos. Entre outras localidades citaremos a Lomba dos Pianos e a costa 
de Ribamar,, entre 8 e 11 kilometros ao sul e ao norte da Ericeira, ondje 
se vêem grandes massas de rocha trachytica e dioritica afifectando fór- 



248 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

mas tabulares, prismáticas e globulares, já insinuadas por entre os pla- 
nos da estratificação, e aíílorando na parede escarpada da costa como fi- 
lões-camadas com muitos metros de possança; já coroando a mesma es- 
carpa em guisa de manta. A intrusão d'estas massas, as numerosas fen- 
das produzidas em todos os sentidos nas rochas sedimentares continen- 
tes e a acção mechanica das vagas, deram á costa marítima d'aquellas lo- 
calidades uma tal estructura, que muito facilita a producção dos enor- 
mes desabamentos que se notam em innumeras paragens, e cujo volume 
em cada uma d'ellas monta a muitos milhares de metros cúbicos. 

Ainda mais : á estructura fendida dos calcareos cretáceos da por- 
ção de costa que consideramos, produzida pela intrusão das rochas vol- 
canicas, acresce a solução de continuidade que em muitos sitios mani- 
festa o solo contíguo parallelamente á escarpa. O exemplo mais frisante 
d'esta natureza pôde observar-se no porto da Calada, a uns 8 kilometros 
ao norte da Ericeira. Ahi encontra-se uma d'essas soluções de continui- 
dade determinada por uma falha vertical correndo de norte a sul, a qual 
isolou da terra firme uma porção de solo de alguns centos de metros 
de largura por cerca de um kilometro de comprimento. 

Ainda mal que as perdas occasionadas por estas invasões do oceano, 
tanto aqui como na maior parte da nossa costa marítima, não teem tido 
compensação como deviam e podiam ter, conquistando ao mesmo oceano 
em outros pontos do litoral centenas e mesmo alguns milhares de he- 
ctares de solo que pôde facilmente tornar-se uberrímo, mas que a nossa 
incuría tem deixado no mais triste e condemnavel abandono. 

Esta porção de costa que temos considerado, é interrompida por 
numerosas aberturas que n'ella vem abrir-se; mas estas interrupções são 
em geral estreitas e correspondem a valles de curta extensão^ apertados 
entre ásperas e elevadas ribanceiras que lhes formam os respectivos flan- 
cos. Apenas as fozes dos ribeiros de Cheleiros, Safarujo e Sizandro of- 
ferecem uma largura de algumas centenas de metros. 

De passagem notaremos a importantíssima influencia que a parte da 
linha de costa que temos descrípto exerce sobre a defesa de Lisboa. Con- 
clue-se das indicações que temos feito, que esta porção de costa forma 
uma imponente muralha, cuja força junta ás restingas e aos escolhos que 
a cingem e ao apertado das suas praias, tornam mui perígoso ou quasi 
impossível um desembarque, e mui diíTicil o accesso a forças invasoras 
que pretendam introduzir-se para o interíor do paiz; d' onde resulta 
que a escarpa marítima é uma excellente linha de defesa, que completa 
o systema de accidentes orographicos, sobre parte dos quaes assentam 
as fortificações de Mafra e de Torres Vedras, hoje tão descuradas e es- 



PHYSICAS E NATURAES 249 

quecidas, mas cujo valor e importância foram no principio d'este século 
habilmente comprehendidos quando se pretendeu cobrir a capital e se 
fez de Lisboa a principal base das operações da guerra da Peninsula. 

Aos lados da foz do Sizandro eleva-se a costa marítima com 40 a 
75 metros de altura sobre o mar, formando uma escarpa aprumada e 
constituída pelas testas das camadas marno-arenosas e calcareas, por 
nós consideradas como as camadas mais modernas do nosso terreno ju- 
rássico, mas que o nosso collega o sr. Delgado, pelo estudo ultimamente 
feito dos fosseis n'ellas encontrados, e pelo logar geognostico que occu- 
pam, julga corresponderem á formação waldiense de Inglaterra. Para o 
norte da foz do rio Sizandro até ao sitio de Porto Novo, 3 kilometros 
a oeste do Vimeiro, continua a costa a elevar-se de 20 a 40 metros so- 
bre o mar, formando ribas mui escarpadas e cortadas a pique, compos- 
tas em geral de camadas de calcareo, de marnes e de grés das forma- 
ções jurássica e cretácea, em partes profundamente metamorphicas e 
muito accidentadas, como succede em Santa Cruz, 14 kilometros a oes- 
noroéste de Torres Vedras. 

Nos 20 kilometros restantes, até próximo da pequena peninsula de 
Peniche, continua a costa marítima quasi sempre cortada a pique com 
20 a 50 metros de altura, c formada pelas camadas do jurássico supe- 
rior. O oceano nem sempre toca o sopé d'estas ribanceiras, que cm gran- 
de parte estão defendidas por longas praias de aréa de 100 a 300 me- 
tros de largura. A costa muda inteiramente de aspecto n'estas paragens. 
A escarpa diminue e muito de altura, por modo que junto ao Forte da 
Consolação acabam as ribanceiras para darem logar a uma suave espla- 
nada de rochas arenosas quaternárias, que vae esconder-se debaixo do 
mar, formando junto a este uma larga praia de 35 kilometros de com- 
primento. 

Esta praia d"arêa forma no seu extremo norte o isthmo, de um ki- 
lometro de largura, que liga o pequeno tracto insular de Peniche com a 
terra firme. Se não fora ellc, esta porção do solo formaria uma ilha, como 
por exemplo a Berlenga, posto que a menor distancia do continente. 

Raras vezes o corso, e só junto ao fosso da fortificação, passa de 
um ao outro lado do isthmo. 

A costa em torno do pequeno tracto de Peniche é formada pelas 
camadas da formação liasica, cortadas a pique em quasi todo o seu pe- 
rímetro e com alturas de 10 a 30 metros; formando na parte mais 
avançada para o occidente o cabo Carvoeiro. 

N*estc pequeno tracto de solo tem havido, e continua a haver, mui- 
tos desabamentos devidos á acção das vagas. 

JORN. DK SCIENC. MATH. TIIY?. E NAT. — N. VII. 17 



250 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

Do cabo Carvoeiro para o lado do norte a linha de costa muda re- 
pentinamente de direcção seguindo para nordeste, direcção que conserva 
até á Pederneira, como já íica dito. 

Ás arêas do istlimo de Peniche segue-se uma costa também d'arêa, 
mas brava, formando uma profunda reintrancia ou enseada aberta para 
nornoroéste, e com cerca de 2,5 kilometros de comprimento. Ao cabo 
doeste areal levanta-se na direcção norte -sul uma espessa muralha de 
rocha viva a que chamam o Baleai, interrompida em dois pontos, com 
pouco mais de um kilometro de comprimento por 100 a 200 metros 
de largura. Esta muralha é constituída por camadas de calcareo do pe- 
ríodo jurássico, as quaes inclinam fortemente para o nascente e dão as- 
sento na sua coroa a uns casaes que recebem d'ella o nome. 

Do Baleai até â foz da Lagoa de Óbidos, e em 10 kilometros de 
extensão, é a costa formada por uma praia d'arèa de uns 200 metros 
de largura média, sobre a qual se segue uma ribanceira de altura va- 
riável de 20 até 40 metros, em que aíiloram as camadas do terreno cre- 
táceo que se estendem para o interior. Esta ribanceira acaba na foz da 
Lagoa de Óbidos, amplo recipiente com perto de 1000 hectares, onde 
se reúnem as aguas de differentes ribeiros, que ali se misturariam com 
as aguas do oceano, se a referida praia d'arôa, continuando para o norte, 
não obstruísse a indicada abertura, e impedisse quasi permanentemente 
a entrada e saida das aguas. 

Entre a foz da Lagoa de Óbidos e a concha de S. Martinho segue 
uma costa escarpada e inaccessivel de 10 a 11 kilometros de compri- 
mento, banhada pelo mar em muitas partes, e cortada verticalmente na 
altura de 20 até 60 metros. As camadas de calcareo argilloso, marnes 
e grés vermelhos que a constituem, pertencem todas, segundo observa- 
ções próprias e mais principalmente segundo as do nosso coUega o sr. 
Delgado, ao período jurássico. 

A pequena angra ou concha de S. Martinho, de forma quasi circu- 
lar e com pouco mais de um kilometro de diâmetro, também interrompe 
a escarpa marítima n uma extensão de 200 metros, que tal é a largura 
que tem a barra na sua parte mais estreita. 

A linha de costa prosegue para o nordeste por uns 10 kilometros 
até á Nazareth, depois de ter descripto uma pequena curva a um kilo- 
metro de S. Martinho, com a convexidade voltada para a terra firme. 

As camadas de grés e calcareos pertencentes ao andar superior do 
terreno jurássico, n'umas partes cortadas em áspero pendor, n'outras 
escarpadas sobre o mar, formam uma porção da costa marítima d 'estes 
logares com alturas de 30 até 100 metros. Esta elevada parede, uns 3 



PIIYSICAS E NATURAES 251 

kilometros a contar de S. Martinho, afasta-se do oceano para formar as 
vertentes de uma serra alongada na direcção de sudoeste a nordeste, 
transformando-se a linha de costa propriamente dita em praia d'aréa que 
se segue até á Nazareth. N'este local a costa marítima ergue-se de novo 
á altura de 30 a 40 metros sobre o mar, e corre de nascente a poente 
sobranceira á povoação da Praia da Nazareth. Apresenta-se cortada em 
escarpas abruptas e constituída por camadas arenosas e calcareas do 
terreno cretáceo, cujos planos vão mergulhar por baixo do oceano. Esta 
parte mais alta do litoral recolhe porém successivamente para o interior, 
na extensão de uns 8 kilometros, ganhando alturas de CO a 80 metros 
á distancia de 1000 metros do mar, e deixando para o lado d'este uma 
praia ou costa baixa de 100 a 500 metros de largura. No extremo norte 
d'esta praia, a parte alta do litoral acerca-se de novo do oceano e vae 
formar as altas ribas cortadas a pique sobre o mar e que se estendem 
d'Azeche cá Senhora da Victoria n'um comprimento de 4 kilometros, se- 
guindo-se a estas mais uns 9 kilometros de costa também alta até ás 
Pedras Negras, semelhantemente cortada em escarpadas ribas de 15 a 
40 metros de altura. 

Algumas pequenas porções de praia arenosa interrompem aqui a 
costa alta, como a praia que separa as ribas denominadas Pedras Ne- 
gras das de S. Pedro de Muel. D'Azeche á Senhora da Victoria com- 
põem a escarpa as testas das camadas do terreno cretáceo inferior (?), 
predominando os grés, os marnes e os calcareos, ferruginosas, bitumi- 
feros e asphalticos, contendo algum gesso. Da Senhora da Victoria até 
á costa de S. Pedro de Muel são as camadas de marnes e calcareos do 
terreno liasico que se mostram nas ribas e mettem por baixo do ocea- 
no. Nas Pedras Negras mostram-se outra vez nas ribas os marnes e cal- 
careos gypsosos vermelhos e annegrados, os marnes e calcareos, asphal- 
ticos e bituminiferos 

As camadas quaternárias, em geral arenosas e sensivelmente hori- 
sontaes, cobrem para o interior todo o solo secundário que constituo o 
relevo d'esta porção do htoral, e vem figurar também em muitas par- 
tes da linha de costa, como succede d'Azeche á Senhora da Victoria, e 
em S. Pedro de Muel, formando com os seus topes a parte superior 
da escarpa marítima. O conglomerado, os grés ferruginosos avermelha- 
dos d'este periodo que se vêem n'aquelles sitios, chegam a mostrar uma 
possança de 10 metros e mais; n'outras partes formam apenas a aresta 
da mesma escarpa. 

Grandes são os desabamentos que se manifestam em quasi toda 
esta porção do litoral ao norte da Nazareth, devidos á estructura fen- 



252 JORNAL DE SCIENGIAS MATHEMATICAS 

(lida e á desaggregação das rochas que constituem a escarpa marítima 
6 á acção das vagas. Da costa d'Azeche para a da Senhora da Victoria, 
e na costa de S. Pedro de Muel, os desabamentos succedem-se uns após 
outros, e as aguas desfazem e diluem as rochas provenientes d'aquelles 
desabamentos com tanta faciUdade e promptidão, que a conquista do 
oceano sobre a terra firme é incessante e muito attendivel. 

Perto do sitio da Senhora da Victoria, e onde agora é mar, diz a 
tradição que existira outr'ora uma villa conhecida pelo nome de Pare- 
des. O certo é que ainda ha bem poucos annos se viam n'aquellas pa- 
ragens, sepultados no oceano, restos de construcções e lapides com ins- 
cripções romanas, uma das quaes, segundo nos informaram, existia em 
poder do padre Manuel Ribeiro, residente em Pataias. 

(Continua) 



PHYSICAS E NATURAES 253 

VARIEDADES 

Bíblío^rapiíía 



Dr. W. Peters. Viagem a Moçambique. Zoologia. IV. Peixes *. 

Já no 4.° numero d'este Jornar^ se fez menção dos assignalados 
serviços que o dr. Peters prestara á sciencia, explorando com inexcedi- 
vel zelo e corajosa perseverança uma extensa porção dos nossos territó- 
rios na Africa oriental, e das importanlissimas publicações em que se 
achavam consignados até âquella data os magníficos resultados d'essa 
feliz exploração. 

Agora cabe-nos saudar o recente apparecimento de um novo volu- 
me, o 4.° de zoologia, consagrado aos peixes que habitam os rios cau- 
dalosos d'aquellas regiões. 

É tido com razão o dr. Peters por um dos mais sagazes e enten- 
didos zoologistas nos variados ramos que cultiva. Ninguém se lhe avan- 
taja em solida erudição, poucos se lhe podem comparar no ardor do 
estudo e na facilidade do trabalho. A par d'estes dotes que lhe con- 
ferem um preeminente logar na sciencia, devem regislrar-se o seu ve- 
hemente amor á verdade, a paciência c escrúpulo com que procede na 
investigação dos factos, a rectidão do seu elevado caracter: estas quali- 
dades conquistam-lhe a estima e o respeito de quantos teem a fortuna 
de o conhecer. 

Não é nosso fim, nem cabe nas nossas forças, analysar extensa- 
mente o trabalho com que o dr. Peters vem dilatar os nossos conheci- 
mentos acerca da ichthyologia da Africa oriental. Diremos apenas que 
ali se acham descriptos 5 novos géneros e 3G espécies novas, e que nas 
magnificas estampas que acompanham o texto vem representadas 47 es- 
pécies, algumas já conhecidas anteriormente, mas quasi sempre por des- 
cripções imperfeitas, que o dr. Peters tratou de completar agora por 
meio de desenhos fidelíssimos. 

' Dr. W. Peters. Reise nach Mossambique. Zoologie. IV. Flussfische. Ber- 
lin, 1868. 

2 Vol. I, pag. 343. 



254 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

A nitidez typograpliica e o primor das estampas são n'este volume, 
como já eram em outros, dignos da obra e do auctor. 

Cifra-se por agora o nosso intuito em annunciar a continuação da 
grande obra que o dr. Peters vae publicando com o auxilio do governo 
da Prússia. Cumprimos um dever de bem entendido patriotismo com- 
memorando e applaudindo esta publicação, que tem por fim tornar co- 
nhecidas as riquezas naturaes dos vastos territórios da Africa oriental 
sujeitos ao dominio portuguez. 

Perante a sciencia desapparecem as raias que dividem os povos e 
caem as barreiras que extremam as nacionalidades. Que um sábio es- 
trangeiro consumisse os melhores annos da sua mocidade, visitando re- 
giões inhospitas e selvagens para acrescentar mais algumas paginas aos 
archivos da sciencia, que expozesse mil vezes a saúde e arriscasse a vida 
ao serviço desinteressado de tão nobre causa, motivo é sem duvida não 
para lastimarmos que não nascesse na nossa terra e fosse com auxilio 
estranho explorar o que é nosso, mas sim para o acolhermos com o af- 
fecto de irmãos, para o saudarmos como nosso conterrâneo. 

E n"isto não fazemos mais do que pagar uma divida de justiça e de 
gratidão. Se na apreciação dos trabalhos de alguns sábios que se teem 
occupado das nossas coisas convém muita vez esquecer a injustiça com 
que nos tratam, com o dr. Peters não succede assim, pois a ninguém 
devemos mais benevolência e cortezia, mais estima e até reconhecimento 
pelas sympathias que em toda a parte o seu nobre caracter lhe con- 
quistou. 

Exploradores assim não esquecem nunca; e na apreciação dos seus 
serviços não ha que escurecer ou perdoar asperezas de caracter, defei- 
tos de educação ou demasias de vaidade. 

Sente-se um verdadeiro contentamento quando se pôde a um tempo 
admirar a obra e apertar com effusão cordeal a mão que a traçou. 

B. B. 



ERRATAS 

PAO. LIN. ERROS EMENDAS 

176 penult. 2cp + cp' = 180 2cp + cp; = 180 

177 19 i-tgSco 1— tg^cp 

178 l'ò ED ' EB 



l-MVSICAS E NATURAES 255 



Conlribuíçòos para o estudo comparativo do movimento da população 
em Portuíial 



DANIEL AUGUSTO DA SILVA 



A falta de estatísticas dignas de confiança impossibilita a garan- 
tida apreciação das condições médias do movimento da população. 

E ainda quando, a partir d'uma certa data, se manifeste maior ri- 
gor, sobre aquelle assumpto, nas publicações oíJQciaes, é necessário que 
se accumule uma longa serie de exactas determinações annuaes a fim de 
com mais segurança se poderem formular os números médios, que re- 
presentam, para uma dada época, os verdadeiros elementos da evolução 
demographica. 

Entre nós, pelo que respeita ao conhecimento dos factos geraes re- 
lativos á população, começou já a approximada representação da ver- 
dade; resta apenas, que a nova era comprehenda um periodo mais diu- 
turno. 

Antes porém que tal aconteça, urge que dos recentes recenseamen- 
tos sejam extrahidos os elementos provisórios, que nos dispensem de 
recorrer, como se tem feito no nosso paiz, ás estatísticas das nações se- 
ptentrionaes, que as mais das vezes serão inapplicaveis a Portugal, isto 
é, a um clima, a uma raça, e a condições sociaes essencialmente diver- 
sas. 

Como seja condição essencial a sufficiente exactidão dos dados offi- 
ciaes, servirão quasi exclusivamente de fundamento ás nossas conclusões 
os excellentes resumos de 1860, 1861, e o mappa desenvolvido de 1862 
sobre os baptismos, casamentos e óbitos, accuradas publicações feitas 

JORN. DE SCIENC. MATH. PHYS. E NAT. — N. VIII. 18 



256 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEM ATIÇAS 

pelo ministério dos negócios ecclesiasticos e de justiça, e que respecti- 
vamente se imprimiram em 18G4, 1807, 18G9; e o importante Censo 
da população de 1864, feito pelo ministério das obras publicas, e que 
se refere ao ultimo dia de 1863. 

Para o estudo da mortalidade scrvir-nos-hão muito especialmente as 
estatísticas, que coUigimos nos montepios geral e de marinha, nas quaes 
o relativamente pequeno numero de observações é de alguma sorte com- 
pensado pela sua incontestável exactidão, constantemente abonada pelos 
authenticos registos d'aquellas associações. 



I. Distribuição da população por edades 

Ainda que a inscripção cVeste capitulo se refira á estatística, e não 
ao movimento da população, transcreveremos do Censo de 1864, a cu- 
riosa apreciação comparada do nosso recenseamento por edades, pois 
que a approximação dos seguintes dados nos fornecerá occasião de fa- 
zer uma observação importante, que posteriormente confirmaremos com 
o exame dos registos obituários. 



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258 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

«O quadro precedente mostra, que na primeira cathegoria de 10 an- 
«nos temos superioridade pouco invejável sobre a França e a Bélgica. 
«Dos 11 aos 20 annos só somos superiores á França. Dos 21 aos 30 
«annos, a edade mais válida para a geração, e para o trabalho, edade em 
«que se é soldado, marinheiro, artista, operário, agricultor, estamos 
«pouco inferiores á Hespanha, á Itália, á Inglaterra, mas ainda assim a 
«par, ou um pouco acima da França, e da Bélgica. Dos 41 aos 50 an- 
«nos excedemos a Hespanha, a Itália, a Inglaterra. Dos 51 aos 70 annos 
«estamos inferiores á Itália, á França, á Bélgica » 

A estas reflexões, que acompanham o mappa transcripto, julgamos 
necessário acrescentar, que se do quadro precedente se deprehende, que 
a constituição da nossa população, em relação ás edades, frequentemente 
denuncia inferioridade incontestável em presença de outras nações, ha 
notavelmente entre nós uma vitalidade proporcionalmente exaggerada 
nas edades, que são o limite da macrobia. 

Dos 70 aos 80 annos predominamos á Hespanha, e á Itália, mas de 
um modo pronunciadissimo, ficamos preteridos pelos outros três paizes. 
Semelhantemente acontece no periodo dos 81 aos 90 annos. 

Já porém no decurso dos 91 aos 100 não só mantemos uma ex- 
cessiva superioridade em relação á Hespanha e á Itália, mas ainda avul- 
tadamente nos avantajamos ás outras três nacionalidades. 

Finalmente, em relação á vida privilegiada dos centenários, conta- 
mos, para um egual numero de habitantes, cinco vezes mais indivíduos 
d'essa velhice excessiva que a Hespanha, e a Inglaterra; oito vezes mais 
que a França; dez vezes mais que a IlaUa *; e treze vezes mais que a 
Bélgica. 



^ No mappa acima ha ovidentcmentc um orro de calculo na determinação 
da percentagem dos centenários italianos. 



PllYSICAS E NATURAES 259 

II. Augmento annual da população 

Os censos dos quatro annos, que consideramos, dão o seguinte re- 
sultado geral para o continente : 

Poimlaçâo Augmeuto auuual 

1860 3608311* 152 8^^8 

1861 3761139 ggggg 

1862 3844804 g^ggg 

1863 3927 392 2 

Dos três números inscriptos na terceira columna o primeiro pare- 
ce-nos exaggerado, se o compararmos com os dois seguintes; estes mes- 
mos porém se afiguram demasiados, se os confrontarmos com o excesso 
dos nascimentos sobre os óbitos n'aquelles annos : com efleito, esse ex- 
cesso achamos que é apenas 

em 1860 41941 

1861 44203 

1862 38460 

Cumpriria ainda abater d'estes números o computo da emigração, 
que, segundo os documentos officiaes, anda annualmente por seis a sete 
mil pessoas, suppondo todavia que a insufficiencia d'esta determinação 
seja compensada pela importância da immigração, que é muito menor. 
Effeituada essa correcção, obteriamos números, que devendo approxi- 
mar-se muito dos excessos annuaes de população acima escriptos, d'el- 
les se distanciam comtudo notavelmente. 

Tal discordância não é de estranhar no nosso paiz, onde é de mo- 
derna data a organisação de um serviço, algum tanto regular, para a ve- 
rificação das estatísticas do movimento da população. 

1 No mappa de 1860 faltam os números relativos a dezeseis das noventa e 
seis freguezias do districto de Beja: augmentáinos por isso, proporcionalmente 
a tal omissão, o recenseamento d'aquelle districto. 

^ Este numero é a população de facto, que se obteve no censo de 1863, e 
parece-nos que é também essa, que vem inscripta nos mappas do ministério da 
justiça, relativos aos trcs annos antecedentes, correspondendo cada um dos re- 
censeamentos ao fim do anno respectivo. 



260 JORNAL DE SCIENGIAS MATHEMATIGAS 

Na França, apesar do intelligente e desvelado empenho, que a ad- 
ministração publica desde largos annos tem consagrado áquelle interes- 
sante estudo, os recenseamentos de população accusam variações, que 
destoam muito dos resultados, que fornecem as estatísticas dos nascimen- 
tos, e dos óbitos. 

Como specimen de semelhante imperfeição, transcreveremos parte 
de ura mappa, que se encontra na obra de M. A. Guillard K 



• Recenseamentos Ditos rectificados Desvio dos recen- 

absolutos pelo registo civil seamentos 

1830 325C9223 329493G4 —380141 

1835 33 540 910 33 687 334 — 14G424 

1840 34230178 34 485 404 —255226 

1845 35 401761 35 435689 — 35 928 

1850 35783208 35941919 —158715 



E posto que o auctor deixe de mencionar, que tomou em conside- 
ração a importância da emigração, e da immigração (talvez por tacita- 
mente suppôr que esses dois movimentos se compensam) aquellas dis- 
crepâncias mostram bem, que a despeito das recommendações instan- 
tes dos homens de sciencia, e da illustrada sollicitude do governo, n'a- 
quella nação adiantada, a estatística e a verdade ainda não chegaram a 
ser duas coisas coincidentes. 

Voltando porém á contemplação dos números portuguezes, pode- 
remos facilmente convencer-nos, de que o exaggerado augmento annual, 
que nos deparam os censos da população, signiíicam apenas, que estes 
caminham rapidamente para attingir a exactidão. O augmento da popu- 
lação deverá pois ser mais accuradamenle representado pelo excesso 
dos nascimentos sobre os óbitos. 

Como succeda, porém, que entre os nascimentos se não incluíram 
os que falleceram sem baptismo, ao passo que todos, ou quasi todos 
estes são computados nos óbitos; e como pelo mappa de 1862 se enu- 
meram, entre os 125129 baptismos, 5208, que se verificaram no anno 
posterior ao do nascimento, não será muito, suppôr, que as omissões 
nos nascimentos por falta de baptismo compensem de algum modo o 
excesso da emigração sobre a immigração, e por conseguinte tomaremos 
a differença entre os baptismos e os óbitos, como representando com al- 
guma approximação o augmento annual da população ; teremos pois : 

* Élémcnts de Statistiquc humaine, pag. 49. 



PHYSICAS E NATURAES 261 

augmento médio annual da população 41 53S 

para uma população média de 3 785 4M 

a qual de certo peccará por deficiente. 

D'esses dois números se infere uma percentagem de augmento an- 
nual de população representada por 1,10, o que corresponderia, sup- 
pondo que tal proporção de crescimento fosse constante, a um periodo 
de 63,4 annos, necessário para a duplicação da população. 

Se em vez de tomar, como fizemos, a média dos três annos, com- 
parássemos o ultimo augmento annual de população com o censo de 
18C3, números aliás mais auctorisados, obteríamos apenas o algarismo 
0,97 para designar a percentagem de accrescimo annual. Esse numero, 
suppondo-o constante, exigiria o decurso de 71,8 annos para a dupli- 
cação da população. 

Em relação ás ilhas adjacentes, os dois mappas de 1861, 1862 dão 
as seguintes percentagens de crescimento annual, resultado da compara- 
ção do excesso dos nascimentos sobre os óbitos com a população : 

18C1 18G2 

Açores 0,41 0,95. 

Funchal 2,65 2,35 

Não são muito dignos de confiança, pela sua disparidade, os núme- 
ros relativos ao archipelago dos Açores; nem são acceitaveis, pela sua 
exaggeração, os achados para a Madeira. 

A percentagem de augmento annual varia successivamente de paiz 
a paiz, e mesmo de época a época, como se vê do seguinte quadro * : 

Estados-Unidos 1800-1810 2,83 

1810-1820 2,74 

1820-1830 2,64 

1830-1840 2,52 

1840-1850 2,39 

Rússia 1828-1840 1,35 

1840-1846 1,27 

18Í6-1849 0,45 

18Í9-1852 1,08 

1852-1855 0,53 

* M. M. Block, Diction. Gén. de la Polit., art. Popul. 



262 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

Grã Bretanha 4821-1831 1,40 

1831-1841 1,07 

1841-1851 0,23 

1851-1861 0,56 

Áustria 1818-1827 1,25 

1831-1846 0,74 

1842-1850 0,18 

Bélgica 1831-1840 0,81 

1840-1846 1,08 

1846-1856 0,42 

HoUanda 1830-1840 0,93 

1840-1849 0,69 

Suécia 1825-1835 0,88 

1835-1845 0,92 

1845-1855 0,93 

Em França, as ultimas estatísticas * dão as seguintes percentagens 
de augmento annual : 

1861 0,37 

1862 0,49 

1863 0,44 

1864 0,39 

1865 0,22 

Em Hespanha, segundo a estatística de 1867^ a diíTerença entre 
os nascimentos e óbitos comparada com o censo da população de 1860, 
dá um augmento annual de população de 0,88 por 100. 



* Anuuaiie WEcon. Pui. 1869. 

~ Gaccfa de Madrid .le II, o 27 ilc aiíoslt. de 1869. 



PHYSICAS E NATURAES 



263 



III. Nascimentos, natalidade 

Segundo os mappas do ministério da justiça, a que nos temos re- 
ferido, os números absolutos de nascimentos foram os seguintes : 











PONTA 






CONTINENTE 


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8325 2 


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2 081 


65266 


1734 


106 635 


4356 


103487 4050 

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o numero total dos nascidos-mortos é conliecido pelo mappa dos 
óbitos; mas não poderíamos abater, como 6 preceito da sciencia, essa 
verba de mallogradas concepções, da totalidade dos nascimentos desi- 
gnados pelos baptismos, por se comprehender no numero d'estes, como 
já dissemos, só uma parte, cuja importância nos é desconhecida, dos nas- 
cidos-mortos. Essa parte talvez seja compensada pelos indivíduos, que 
se não incluíram na columna dos baptismos, por terem fallecido, não ba- 
ptisados, pouco tempo depois do nascimento. 

Se attendermos ao augmento annual dos nascimentos accusado pelo 
precedente mappa, acharemos, no continente 

de 18G0 para 18G1 augmento annual S 971 

.) 1801 » 1802 » » 1 978 

O primeiro dos dois números é tão desmedidamente superior ao 
segundo, que por tal motivo deve ser regeitado como inadmissível. Tal 



' Estes dois números foram augmentados pelo motivo indicado na primeira 
nota do capitulo precedente. 

2 Os números, que no mappa de 1801 são precedidos da designação Angra, 
referem-se visivelmente a todo o archipelago dos Açores. 



264 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

excessiva discrepância prova claramente, segundo entendemos, a imper- 
feição relativa do mappa de 18G0, da qual aliás encontrámos outra prova 
no computo da população, como se viu no capitulo anterior. 

Nem de modo algum é de estranhar, que o importante trabalho 
estatístico iniciado n'aquelle anno, sob a intelligente direcção do sr. H. 
O' Neill, então chefe da repartição do archivo do ministério da justiça, 
não conduzisse desde logo a resultados de extrema approximação, a 
qual tão somente pôde ser a consequência de diuturnos e perseverantes 
desvelos. 

E com effeito, se por exemplo em França, onde a estatística desde 
largos annos é sciencia conhecida, e pratica administrativa devidamente 
organisada, os dados officiaes podem offerecer uma satisfactoria concor- 
dância, como o prova o seguinte mappa \ 

Numero total de nascimentos 

18GI 1005078 

1862 993107 

1863 1012 794 

1864 1005881 

1865 1005 753 

na ílespanha, onde é de recente data a investigação, por parte do go- 
verno, dos elementos demographicos, ainda se observam notáveis des- 
harmonias entre os números correspondentes a annos próximos. Assim, 
pelo que diz respeito aos nascimentos, as estatísticas do governo dão os 
seguintes resultados: 

Numero de nascimentos 

1858 5461582 

1859 5563233 

1867 624212^ 

O primeiro dos quaes proporcionalmente diífere do segundo mais do que 

* Ann. de VÉcon. polit. 1869. 

^Anuário Estadistico de Espann, publicado por la Comision de Estadís- 
tica general dei reino, 1859-1861. Só mui tarde nos foram presentes os dois 
volumes d'esta noticiosa publicação relativos a 1860-61, c 1862-63, onde se en- 
contrara os mappas do movimento da população respectivos a 1860, 61, 63, 64. 
Por tal motivo não nos foi possível referir-nos n'este escripto a essas estatísticas. 

^ Idem. 

'* Gaceta de Madrid de 11 de aiíosto de 1869. 



PHYSICAS E NATURAES 265 

acontece em relação aos algarismos portuguezes de 1861, 1862; sendo 
muito maior ainda, em proporção, a discrepância dos dois resultados de 
1859 e 1867. 

As três ultimas estatísticas portuguezas, que estudamos, dão rela- 
tivamente á população as seguintes percentagens de nascimentos : 

1860 3,30 

1861 3,33 

1862 3,31 



O numero relativo a 1860, menos digno de confiança pelas razões 
ditas, approxima-se porém aos outros dois, talvez porque a inexactidão 
no computo dos nascimentos, corresponda a uma inexactidão proporcio- 
nal no censo da população. 

Se nos referirmos a documentos oííiciaes anteriores, e por isso com 
menos garantia de serem rigorosos, acharemos todavia números bastante 
próximos d^aqueiroutros : assim teremos : 

1838 3,08* 

1841 3,11 

1843 3,11 

1849 3,30 

1850 3,14 



Poderemos approximar os resultados, que se tem obtido no nosso 
paiz, dos que correspondem a outras nações, em épocas próximas áquella 
que consideramos^. 



^ Os nuQieros (l'esta columna foram deduzidos dos que se encontram na 
Memoria sobre Estadística do sr. A. 0. Marreca, collecção da Academia Real 
das Sciencias de Lisboa, nova serie, S."" Classe, tom. I, part. I. 

2 Os dados estatísticos estrangeiros, que citarmos, continuarão a ser, quan- 
do não fizermos advertência em contrario, deduzidos dos números que se en- 
contram no citado artigo de M. M. Block. Como seja uso frequentíssimo, e in- 
conveniente, designar o numero de habitantes a que corresponde cada dado de- 
mographico, substituiremos sempre (com excepção nos casamentos) taes pro- 
porções pelas percentagens, que representam mais claramente a grandeza nu- 
mérica d'csses factos em relação á população. 



266 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

Hespanha 4,00 * 

Saxonia 3,8o 

Áustria 3,82 

Prússia 3,77 

Sardenha 3,59 

Baviera 3,42 

Hollanda 3,33 

Inglaterra 3,33 

Noruega 3,16 

Dinamarca 3,10 

Suécia 3,09 

Hanover 3,06 

Bélgica 2,91 

França 2,69 

A natalidade, isto é, a relação dos nascimentos para a população, 
corresponde, por uma lei admirável da constituição pliysiologica das so- 
ciedades humanas, á duração média da vida. 

Onde e quando se exacerba a mortalidade, quasi indefectivelmente 
se exaggera correlativamente a natalidade: de maneira, que esta quasi 
sempre representa, com bastante exactidão, o grau de vitalidade da na- 
ção. 

Não devemos porém considerar tal característico como absoluta- 
mente rigoroso, quando se dêem no paiz circumstancias extraordinárias. 
Assim, a prosperidade rapidamente crescente de uma nação, a partir 
de uma certa época, c que se não segue a um periodo de excepcional 
decadência, deve produzir augmento considerável no numero dos nas- 
cimentos, sem que este accrescimo seja symptoma de excessiva mortali- 
dade contemporânea, ou proximamente anterior. 



* Estatistica dos nascimentos de 1867 comparada com o censo de 1860. Esta 
percentagem parece muito exaggerada. Se a diminuirmos porém na proporção 
do algarismo ofíicial dos nascimentos de 1867 para o correspondente numero 
de 1859, approximando d'este modo chronologicaraente o numero dos nasci- 
mentos da data do censo, obteremos a percentagem 3,56, que diíTere pouco da 
portugueza. 



PHYSICAS E NATURAES 267 



rv. Legitimidade e illegitimidade nos nascimentos 

Em relação á legitimidade nos nascimentos, os dados oíBciaes no 
nosso paiz apresentam-nos resultados de natureza bem pouco lisongeira. 

E com eíTeito, se consultarmos a estatística recente da França, acha- 
mos entre os nascimentos, com exclusão dos nascidos-mortos : 

Annos Naturaes Legítimos Proporção approximada 

18G1 76697 928381 

1862 73 919 921248 

1863 76 483 936 311 

1864 75 900 929 980 

1865 77 004 928 749 

Médias 76000 928934 1 : 12 

Em Hespanha: 

1858 30040 516 118 1 : 17 

1859 31 080 525 243 1:17 

1867 34 656 589 556 1:17 

Em Portugal as três ultimas estatísticas dão no continente : 





Legítimos 


Legitimados 


Naturaes 


Expostos 


1860 . . 


.. 99698. 


. . . - . . . 


. 8655.. 


.. 10177 


1861 . . 


.. 104 628 . 


. . . 525 . . . 


. 9544.. 


.. 10 623 


1862 . . 


. . 105 695 . 


. . . 797 . . . 


. 10202 .. 


.. 10 504 



Se compararmos a totalidade dos nascimentos naturaes com os le- 
gítimos (acrescentando a estes os legitimados) acharemos a proporção 
de 1:11. 

Mas como entre os expostos, cujo numero é muito considerável, 
a proporção da illegitimidade é excessiva (talvez a de 2 : 1), patcntear- 
se-ha d'esse modo a nossa deplorável inferioridade respectivamente á 
regular situação das relações sexuaes. E com effeito, mesmo se suppo- 
zermos, que só metade dos expostos são illegitimos, a proporção pre- 
cedentemente achada se mudaria em 1 : 7,42. Essa lastimosa depressão 
moral será posteriormente confirmada pela estatística dos casamentos. 



268 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

No districto do Funchal ainda se accentua mais o predominio da 
illegilimidade. Eis o resultado geral da respectiva estatística dos nasci- 
mentos : 

Legítimos Legitimados NaturacB Expostos 

18G1 3711 19 384 195 

1862 3 468 ■ 14 . . . . . . 399 169 

Sommas 7 179 33 783 364 

Comparando a totalidade dos nascimentos naturaes com a reunião 
dos legítimos e legitimados, teríamos a proporção de 1 : 9,2, deixando 
ainda de tomar em consideração os expostos, entre os quaes predomina 
enormemente a illegitimidade. 

No archipelago dos Açores deram-se as seguintes espécies de nas- 
nascimentos : 





Legítimos 


Legitimados 


Naturaes 


Expostos 


1861 .... 


. . 7014.. 


.... 28 ... , 


. . . 426 . . . 


... 857 


1862 .... 


.. 6848.. 


.... 33 ... . 


, . . 505 . . . 


... 785 


Sommas. . 


.. 13862 .. 


.... 61 ... . 


. . 931 . . . 


. . . 1 642 



e posto que achemos aqui a proporção de 1 : 14,95 entre os nascimen- 
tos naturaes e os legítimos, avulta demasiadamente a verba dos expos- 
tos, que tenderá a fazer baixar muito aquella relação. 

Se nos dois archipelagos distríbuissemos em partes eguaes os ex- 
postos entre as duas cathegorias de nascimentos, legítimos e illegitimos 
(os primeiros devem aliás exceder os segundos), obteriamos as seguin- 
tes deploráveis proporções n'essas duas classes : 

na Madeira 1 :7,66 

nos Açores 1 :8,41 



V. Proporção dos sexos nos nascimentos 

Bem como acontece, em virtude d'essa lei, por assim dizer provi- 
dencial, que o excesso dos óbitos é compensado pelo augmento contem- 
porâneo, ou consecutivo dos nascimentos ; assim também, por actuarem 
as causas de destruição mais poderosamente na população masculina, 
a deficiência, que d'ahi tenderia a apparecer na espécie, é sempre con- 
trariada, em virtude da maior proporção de nascimentos masculinos. 



PHYSICAS E NATURAES 269 

Esse predomínio pôde considerar-se como norma demographica, talvez 
sem excepção em paiz algum. 

Acontece ainda, que essa percentagem addicional de nascimentos 
masculinos cresce, ou diminuo, conforme o desequilíbrio dos dois sexos, 
na população existente, se pronuncia com excessiva, ou com diminuta 
accentuação. 

Em geral, para cada 100 nascimentos femininos, os nascimentos mas- 
culinos variam entre 103, e 107, como se reconhece do seguinte quadro : 

Inglaterra 1839-1845 nascimentos masculinos 105,0 

Rússia (rito grego) 1841-1848 » )> 105,1 

Prússia 1845-1849 » » 105,8 

Bélgica 1846-1850 » » 100,3 

Saxonia 1846-1850 » » 106,4 

Baviera 1846-1050 » » 106,5 

França 1846-1850 » » 100,7 

Áustria 1839-1847 » » 106,7 

Ilanover 1848-1852 » » 107,1 

Nova York (estado) 1844 » » 109,0 

Em França deram-se, nos últimos annos, as seguintes oscillações no 
predomínio dos nascimentos masculinos *■ : 

1861 104,97 

1862 105,25 

1863 104,93 

1864 105,40 

1865 104,88 

Dos documentos hespanhoes^ obtem-se para 

1858 106,42 

1859 107,07 

1867 108,63 



1 Ann. de VÉcon. polit. 1869. 

* Anuário citado, c Gaceta de Madrid, agosto. Supprimimos no calculo as 
verbas relativas á província de Canárias, por ser uma região profundamente 
dissemelhante do continente hespanhol. 



270 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Em Portugal acha-se : 

1860 105,97 

18G1 106,03 

1862 106,07 

Em França, onde durante muito tempo o excesso masculino man- 
teve o numero 106, tende nos últimos annos a diminuir; em Hespanha 
e Portugal, pelo contrario, pronuncia-se o movimento ascendente. 

Nas ilhas adjacentes achamos os seguintes números * : 

Açores Madeira 

1861 103,85 101,92 

1862 108,34 101,99 

em que é de notar a disparidade dos dois números relativos aos Aço- 
res, 6 a pequenez dos que se referem á Madeira. 

Esses números, suppondo exactas as respectivas estatísticas, não se 
acham muito em harmonia com a regra observada do accrescimo dos 
nascimentos masculinos correspondente á superabundância feminina da 
população; pois que sendo, pelo censo de 1864, o numero dos homens 
para cada 100 mulheres : 

no Continente 93 

» Açores 82 

» Funchal 90 

na Madeira, onde a proporção sexual na população é quasi egual á do 
continente, deveria dar-se quasi a mesma desegualdade entre os nasci- 
mentos masculinos, e femininos, quando, pelo contrario, existe proxima- 
mente a egualdade a tal respeito ; e inversamente nos Açores dá-se em 
média quasi a mesma proporção nos nascimentos, que no continente, 
quando ali a população masculina é muito mais pequena. 

Nos nascimentos illegitimos ha menos desvio entre os números de 
nascimentos dos dois sexos. Assim, em Franca, desde 1817 a 1860, o 
excesso dos nascimentos masculinos, n'essa classe, é representado era 
média por 104 *; e em Hespanha, para os annos 1858, e 1867, achamos 
os dois números 104,03, 103,56. 

* O resumo de 1860 não comprehende as ilhas adjacentes. 

2 Annuaire du hureau des longit. 1869. 



PHYSICAS E NATURAES 271 

Infelizmente não podemos apresentar o correspondente elemento 
demographico relativo ao nosso paiz; porquanto nos mappas portugue- 
zes não apparece a distribuição por sexos nos nascimentos illegitimos. 



VI. Nascidos-mortos 

Em relação ao continente de Portugal temos a consignar os seguin- 
tes números: 

Annos Kascimentos Nascidos-mortos em fofuatcTmen?os 

1860 118 470 1C24 1,37 

1861 125320 1 732 1,38 

1862 127 202 1 864 1,47 



Em Hespanha achamos para 1867 



Nascidos-mortos 
em 100 nascimentos 



Nascimentos Nascidos-mortos 

694112 6 676 1,07 



Estes números são excessivamente diminutos, se os compararmos 
com os de outras nações, como se vê no seguinte quadro * : 

Percentagem 
Paizes Períodos dos nascidos-mortos 

em relação aos nascimentos 

Sleswig-Holstein 1840-1843 4,88 

Saxonia 1846-1830 4,33 

Bélgica 1846-1830 4,33 

Hanover 1832-1841 3,88 

Baviera 1841-1843 3,03 

Áustria (baixa) 1846-1830 2,47 

Suécia 1733-1763 2,41 

Dinamarca 1843-1849 2,33 

Sardenha (terra íirme) . . . 1827-1838 1,07 

A média em França, de 1861 a 1863, tem sido 4,32. 
A desproporção dos números achados pôde provir, em grande parte, 
da maior, ou menor extensão, que se attribue á designação nascidos-mor- 

* A. Guillard, Élém. de Stat. humainc, pag. 134. 

JORN. DK SCIENG. MATH. PIIYS. E NAT. — N. VIII. 19 



272 JORNAL DK SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

tos. Em França entram n'essa cathegoria, não só as creanças fallecidas du- 
rante o parto, ou antes cVelle; mas também todas aquellas, em que o 
óbito se verifica antes de ser feita a participação do nascimento ao offi- 
cial do registo civil. 

Em Hespanha entram na mesma classe os nascidos-mortos propria- 
mente ditos, e os que falleceram sem baptismo. 

A proporção dos nascidos-mortos é sempre muito mais frequente 
nos nascimentos illegitimos, em virtude de causas conhecidas. Não po- 
demos porém verificar numericamente essa regra em Portugal, porque 
nos mappas, que nos tem servido, falta a distincção de legitimidade e 
i Ilegitimidade n'esses óbitos prematuros. 



VII. Vida média deduzida dos nascimentos 

O quociente da população dividida pelo numero annual dos nasci- 
mentos, dá, quasi sempre com sufficiente approximação, a grandeza da 
vida média em qualquer paiz. 

Em Portugal, seguindo esse processo, achamos, pelas ultimas esta- 
tísticas, as seguintes grandezas para a vida média : 

Continente Açores Madeira 

J 860 .... 30,28 annos — — 

1861 30,01 » 28,89 annos 22,98 annos 

1862 .... 30,23 » .... 29,92 » .... 2S,55 » 

Os documentos officiaes proximamente anteriores offerecem-nos re- 
sultados algum tanto diversos. Acharemos pois, que a vida média no 
continente, obtida pelo mesmo processo 

nos annos 1838, 1841, 1843, 1849, 1850 ' 

seria respectivamente*... 32,5 32,2 32,1 30,3 31,8 annos. 

Se confiássemos demasiadamente nos documentos officiaes, que nos 
fornecem estes números, e os comparássemos com os precedentemente 
achados, affirmariamos, que a vida média propende sensivelmente a bai- 
xar no nosso paiz. 

' Memoria citada do sr. A. 0. Marreca. 



PnVSICAS E NATURAES 273 

A observação constante de quasi todas as nações da Europa indica 
porém, que por toda a parte o nivel da vida média tende a elevar-se, 
correlativamente com o progressivo melhoramento das condições da vida 
social. 

Entre nós, especialmente, não se verifica a existência de circumstan- 
cias que contrariem a prosperidade individual da população: pelo con- 
trario, todos os symptomas denunciam o successivo crescimento do bem 
estar geral. 

Attribuiremos, por taes motivos, mais probabilidade de exactidão 
aos elementos que nos fornecem as estatísticas de 1860, 1861, 1862, 
os quaes obterão subsequentemente uma espécie de confirmação, pelo 
exame dos registos obituários. 

A confrontação da vida média em Portugal com a de outras nações, 
coUocar-nos-ha entre as menos favorecidas, sob esse ponto de vista. 

Acharemos, pois, ainda pelo quociente da população dividida pelos 
nascimentos, os seguintes números : 

Saxonia 25,98 

Áustria 26,18 

Prússia 26,50 

Sardenha 27,82 

Baviera 29,22 

Hollanda 30,00 

Inglaterra 30,06 

Noruega 31,64 

Dinamarca 32,28 

Suécia 32,39 

Hanover 32,66 

Bélgica 34,35 

França 37,16 ' 

Se o infortúnio alheio vai como auxiliar para a consolação da infe- 
licidade própria, as estatísticas hespanholas poder-nos-hão aproveitar 
para que consideremos, como relativamente elevada a nossa vida mé- 

^ M. Block na sua obra recente (1869) UEurope polit. et soe. aflirma, que 
a vida media em França tem baixado consideravelmente desde 1853, acbando 
o numero 33,02 para a sua grandeza relativamente ao período 1854-1860. Esse 
numero inacceilavel é o resultado do processo inexacto^ que o auctor empregou 
para o determinar. 

19. 



274 



JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEíMATICAS 



dia, pois que acharemos, para esse elemento, no reino visinho nos três 
annos 1858, 1859, 1860 os números* 28,31, 27,80, 25,08. 



VIII. Casamentos 

Os casamentos effeituados no continente portuguez manifestam os 
seguintes números e proporções : 





Numero de casamentos 


Proporções 


1860 


.... 23 584 ... . 


1 entre 152,1 habitantes 


1861 


.... 25 018 .... 


1 » 150,3 D 


1862 


25 222 


1 y> 152,4 



As estatisticas recentes d'outros paizes dão-nos os subsequentes re- 
sultados : 

1 casamento entre 115,01 habitantes 
» 118,13 



Prússia . . 
Inglaterra 
Áustria . . 
Dinamarca 
Saxonia. . 
Hanover 
França . 
Noruega 
HoUanda . 
Sardenha 
Suécia. . 
Bélgica . 
Baviera . 



119,28 
121/17 
121,91 
124,40 
126.92 
129,29 
130,27 
130,72 
138,54 
145,11 
151,59 



Portugal occupará pois, no quadro precedente, o numero inferior ao 
ultimo n'essa escala decrescente da moralidade social. 

Em relação a esse importante elemento demographico, os deplorá- 
veis algarismos nacionaes acham-se lambem na mais desanimadora har- 
monia com a nossa exaggeradissima percentagem de illegilimidade nos 
nascimentos, como precedentemente vimos. 



* Os dois primeiros numeres são determinados pelo censo de 1857, e o ul- 
timo pelo de 1860. 



PHYSICAS E NATURAES 275 

Também desagradavelmente devemos reconhecer, que a Hespanha 
nos antecede bastante na proporção dos matrimónios, como egualmente 
se nos avantaja na proporção dos nascimentos legítimos. 

As estatísticas do paiz visinho dão * : 

em 1858 1 casamento entre 136,32 habitantes 

1839 .... 1 » )) 136,97 

1867 .... 1 » » 133,00 » 



IX. Fecundidade dos casamentos 

Legoyt^ acha decididamente erróneo o processo frequentemente em- 
pregado para determinar a fecundidade dos casamentos, e que consiste 
em dividir pelo numero d'elles, em cada anno, o numero dos nascimen- 
tos legítimos verificados no mesmo periodo. Pensa elle, que apenas po- 
derá dar-se approximação á verdade, procedendo por largos períodos 
de annos, e suppondo quasi constante o numero annual de casamentos. 

Bem ao contrario de tal convicção, afigura-se-nos, que o censurado 
methodo não tem menos rigor, que outros geralmente seguidos para a 
determinação dos elementos demographicos. 

E com efi"eito, seria absolutamente exacto, para conhecer a fecundi- 
dade dos casamentos contrahidos n'um anno qualquer, comparar o nu- 
mero d'elles com a reunião dos nascimentos provenientes d'essas aliian- 
ças, e verificados n"esse anno, ou nos seguintes. 

Na impossibihdade de discriminar directamente semelhante prove- 
niência, nas estatísticas dos baptismos, podemos todavia indirectamente 
conhecel-a, suppondo que approximadamente se conservam constantes 
o numero dos casamentos, e a sua fecundidade. Por exemplo, em rela- 
ção ao anno 1862, os nascimentos, resultantes dos casamentos d'esse an- 
no, e verificados no anno seguinte, podem suppor-se, nas hypotheses in- 
dicadas, que egualam em numero os nascimentos de 1862, provenientes 
dos casamentos do anno anterior; e da mesma maneira, os nascimentos 
de 1862, provenientes dos casamentos de 1860, pode-se suppôr, que 
egualam os nascimentos de 1864, provenientes dos casamentos de 1862. 

1 Afiuario Estad. de Espana, 1860, e Gaceta de Madrid, 27 de agosto de 
1869. 

- Annuairc de rÉcon. pnlit. 1860. 



276 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Procedendo semelhantemente na comparação dos annos seguintes, e an- 
teriores a 18G2, podemos assegurar, sempre nas hypotheses presuppos- 
tas, que o numero total dos nascimentos de 1862 é egual ao numero 
total dos nascimentos que devem proceder dos casamentos d'esse anno, 
e que se verificaram no mesmo anno, ou teriam de realisar-se nos se- 
guintes. 

A equivalência, approximada embora, não tem menos rigor que, 
V. g., a determinação da vida média, pelo numero annual dos nascimen- 
tos, ou pela edade média dos fallecidos em qualquer anno. 

A diíficuldade principal para no nosso paiz designar numericamente 
a fecundidade média dos casamentos, consiste em se ignorar a propor- 
ção dos filhos legítimos, que corresponde á totalidade dos expostos, cujo 
numero é sobremaneira considerável, para que o desconhecimento d'a- 
quella proporção influa bastante na determinação do elemento, que se 
pretende calcular. 

Admittamos todavia, por uma supposição seguramente bem gra- 
tuita, que apenas um terço dos expostos são filhos legitimes. 

Resumindo pois em cada anno a totalidade dos nascimentos, expres- 
samente legítimos, com a terça parte dos expostos, teremos : 

Annos Nascimentoa legítimos Matrimonies do^maWmoílcs 

1860 103 403 23 584 4,37 

1861 108 169 23018 4,32 

1862 109 196 25 222 4,33 

Em Hespanha, onde todos os nascimentos se distribuem entre a le- 
gitimidade, e a illegitimidade, acha-se : 

1858 516118 113 443 4,55 

1839 525 243 112903 4,65 

1867 589 556 113409 4,98 

Em França, o elemento, que determinamos nos dois povos da pe- 
nínsula, tem tido, durante este século, as seguintes variações : 

1800-1815 .... 3,93 1841-1845 .... 3,21 
1816-1830 .... 3,73 1846-1850 .... 3,11 
1831-1835 .... 5,48 1851-1855 .... 3,10 
1836-1840 .... 3,25 1836-1860 .... 3,03 
1861-1865 .... 3,08 



PHYSICAS E NATIJRAES 277 

Como se vê, é pronunciadamente mais intensa a fecundidade ao sul 
do que ao norte dos Pyreneos; e um tanto menos considerável no nosso 
paiz, do que no reino visinho. Taes diíTerenças estão longe de ser um 
symptoma lisongeiro para os dois povos, que separa a nossa fronteira: 
correspondera ellas, em virtude da harmonia providencial que tende a 
manter o equilibrio nas populações, ás variações da vida média, e da 
mortalidade. 

Em relação á vida média já foi reconhecido precedentemente, que 
nos achamos acima da Hespanha, e abaixo da França. 

O processo empregado para achar a fecundidade dos casamentos, 
não é, como dissemos, senão uma representação approximada d'esse ele- 
mento. Não podemos portanto confiar tão demasiadamente no seu valor 
absoluto, que seja licito asseverar, pelo exame dos precedentes núme- 
ros, que essa fecundidade se conservou quasi estacionaria em Portugal, 
no triennio considerado, e que em Hespanha cresceu constante, e nota- 
velmente de l8o8 a 1867. 

E já que acceitámos esse processo, que Legoyt regeita, cabe n'este 
logar também dizer, que desattendemos, por inadmissível, uma regra que 
esse notável escriptor propoz, para determinar a fecundidade annual re- 
lativa dos casamentos, e das ligações illegitimas, e que consiste em refe- 
rir d'um lado os nascimentos legítimos ao numero de mulheres casadas 
de 18 a 45 annos; e d'outro lado os nascimentos naturaes ao numero 
de mulheres solteiras, ou viuvas d'aquella mesma edade. 

Custa a conceber como tão esclarecido espirito se deixou obcecar 
pela abusão de que todas, absolutamente todas as solteiras, e viuvas, 
devem percorrer necessariamente, em condemnaveis allianças, o inteiro 
período da reproducção. Sobre tal base inconsistente assenta esse au- 
ctor a seguinte inexacta asserção: «la fécondité du mariage est environ 
onze fois supérieure à celle des iinions illicites *.» 



Aanuairedc VÉcun. polil. Í8(VJ, pag. 8, 



278 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 



X. Estado civil dos contrahentes 

Quatro correlações se podem dar nos matrimónios respectivamente 
ao estado civil dos contrahentes, a saber : 

1." Solteiro e solteira; 2.° solteiro e viuva; 3." viuvo e solteira; 
4.° viuvo e viuva, as quaes devem fornecer quatro columnas aos map- 
pas do movimento da população reíativo aos matrimónios. 

Infelizmente nas estatísticas portuguezas não foi adoptada essa clas- 
sificação ; em vez d'ella formularam-se quatro columnas com as seguin- 
tes inscripções : 

Estado anterior do marido Estado anterior da mulher 

solteiro viuvo solteira viuva 

Dos números das quatro primeiras cathegorias, que escrevemos, in- 
ferem-se immediatamente, por simples sommas, os números das ultimas. 
Reciprocamente, porém, não é possível deduzir dos últimos a grandeza 
dos primeiros. 

A forma que se deu, n'esta ordem de factos sociaes, ás nossas es- 
tatísticas officiaes, aliás a muitos outros respeitos credoras de merecido 
louvor, impossibilila-nos de apreciar algumas relações, que não são des- 
tituídas de interesse. 

No continente do reino achamos, em relação ao estado civil dos que 
contrahem matrimonio, os seguintes números: 

Solteiros Viúvos Solteiras Viuvas 

em 1860 .... 19895 .... 3698 21 504 ... . 2080 

1861 .... 21 422 3 596 22 874 2 144 

1862 .... 21 783 .... 3 439 23 252 .... 1 970 



d'onde se infere que houve 

Para cada 100 casamentos de Para cada 100 casamentos de 

em 1860 solteiros 18,59 de viúvos; solteiras 9,67 de viuvas 

1861 .... » 16,78 )> » 9,37 » 

1862 » 15,79 » )) 8,47 » 

Os números precedentes mostram, que para o mesmo numero de 



PHYSICAS E NATURAES 



279 



casamentos de solteiros, ou de solteiras, se casam quasi duas vezes mais 
viúvos do que viuvas ; e que, em ambos os sexos, a proporção dos ca- 
samentos dos viúvos seguiu, no triennio, uma serie continuamente de- 
crescente. 

Em Hespanha achamos: 



Para cada 100 casamentos de 



Para cada 100 casamentos de 



em 1858 
1859 
1867 



solteiros 2^2,82 de viúvos; solteiras 13,34 de viuvas 
» 22,21 » » 12,64 » 

» 17,44 » » 9,68 D 



Como em Portugal, é no reino visinho a proporção dos casamentos 
de viuvas para o mesmo numero de casamentos de solteiras, um pouco 
mais da metade da proporção análoga para o sexo masculino. 

Também em Hespanha, como no nosso paiz, as duas series de pro- 
porções nos casamentos dos viúvos de ambos os sexos, tem sido, nos 
annos considerados, constantemente descendentes. 

Succede, porém, relativamente ao valor absoluto d'essas duas or- 
dens de proporções, serem entre nós algum tanto menores os respecti- 
vos números. Ainda assim os números hespanhoes de 1867 approxi- 
mam-se consideravelmente da media dos três annos portuguezes, que 
foram objecto do nosso estudo. 

N'uma recente serie de cinco annos, deparam-se-nos em França, em 
relação aos mesmos elementos, os seguintes resultados : 



Por cada 100 casamentos de 



Por cada 100 casamentos ( 



1861 . 


. . solteiros 13,8 de 


viúvos ; 


solteiras 


7,62 de viuvas 


1862 . 


. . » 


13,4 


» 


» 


7,25 


1863 . 


. . » 


13,1 


» 


» 


7,03 


186't . 


. . » 


13,3 


» 


» 


7,01 


1865 . 


. . » 


13,3 


» 


» 


7,30 



Estes números affastam-se dos nossos em sentido contrario dos 
hespanhoes ; mas conservam entre si, pôde asseverar-se, relações aná- 
logas ás que se dão na nossa península. Assim os números correspon- 
dentes ás viuvas excedem um pouco a metade dos números dos viúvos; 
e em uns e outros se reconhece a tendência para a diminuição. 

Mais uma vez se patentêa n estes exemplos, que apesar da diver- 
sidade de climas, de instituições, e de Índole physica, por toda a parte 
o desenvolvimento da espécie humana é sujeito, em relação ao movi- 



280 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

mento collectivo das massas, a certos princípios fundamentaes, que, ou 
são de natureza inalterável, ou se transformam em correspondência á 
modificação progressiva d'ontras leis demographicas. 

Respectivamente ás analogias ultimamente achadas nos três povos 
da raça latina, pareceria até, que taes coincidências seriam menos o co- 
roUario d'um principio de physiologia humana, do que influencias dos 
costumes, e das condições especiaes da vida social, que sendo diversos 
nos três paizes, não se presumiria à priori, como devessem conduzir á 
manifestação de phenomenos análogos nas relações civis mais dependen- 
tes da opinião, e da vontade individual. 



XI. Edade dos contralieiites 

Nos mappas porluguezes não é designada a edade dos contrahen- 
tes senão de um modo absoluto para cada um d'elles, e sem distincção 
do seu estado civil. Por tal motivo, não nos é possível fazer a compara- 
ção da edade média da mulher, correspondente a cada periodo da edade 
do marido. O conhecimento de semelhante correlação, além de outras 
applicações, poderia utilmente ser aproveitada para o estudo das bases 
económicas, em que devem constituir-se as sociedades philanlhropicas, 
em cujo compromisso entra a concessão de pensões de sobrevivência. 

A edade média dos contrahentes, no continente de Portugal, foi nos 
annos 

no marido na mulher diíferença 

1860 30,92 28,25 2,07 

1861 31,36 28,14 3,22 

1862 31,13 28,00 3,13 

Deveria oíferecer interesse a confrontação d'estes números com os 
correspondentes ás estatísticas do reino visinho. Porém n'essas falta de 
todo a designação de edade nos matrimónios de 1858, 1859; e nos de 
1867 adoptaram-se períodos excessivamente longos, e cujos limites não 
coincidem com os dos mappas portuguezes, o que não permittirla fazer 
uma approximada comparação *. 

' Os períodos adoptaclos nos mappas hespaniioes são apenas quatro: 14 aos 
25 annos ; 25 aos 35 ; 35 aos 50; o mais de 50. Vid. Gaceta de Madrid, de 24 
de agosto de 1869. 



PHYSICAS E NATURAES 



281 



Em França, respectivamente a 1863, deram-se as seguintes edades 
médias nos contrahentes, classificados segundo o sexo, estado civil, e 
a natureza da povoação : 



solteiros e solteiras solteiros e 



i e solteiras viúvos e viuvas 



marido mullier marido mulher marido mulher marido mulher 

an. m. an. m. an. m. 'an. m. an. m. an. m. an. m. an. m. 

Sena (dep.).. 29 8 23 2 36 7 37 3 417 312 49 10 44 6 

nas cidades.. 28 5 24 4 35 5 36 1 413 316 48 5 42 11 

no campo ... 28 O 2311 342 343 408 310 474 420 



XII. Mortalidade geral 

O movimento obituário no continente de Portugal, e ilhas adjacen- 
tes foi o seguinte, no triennio a que nos temos referido : 





NO CONTINENTE 


AÇORES 


MADEIRA j 


< 


f 


1 


■1 
1 


£ 
O 


1 


1 

o 


1860 


3608311 1 


77312» 


_ 


_ 








1861 


3761139 


81021 


240480 


7131 


99025 


1687 


1862 


3 844 804 


88742 


2Í4464 


4842 


103 487 


1617 



Estes números dão para a percentagem annual de mortalidade : 



Continente 

em 1860 2,14 . 

1861 2,15 . 

1862 2,31 . 



Açores 

2,96 

1,98 



1,70 
1,56 



Também aqui a muita discrepância das duas percentagens relativas 



' Estes dois números tiveram uma correcção análoga á que se indicou em 
a primeira nota do cap. ii. 



282 JORNAL DE SCIExNCIAS MATHEMATíCAS 

aos Açores, e a excessiva pequenez das que correspondem á Madeira, 
fazem-nos propender muito para reputar pouco exactas as estatísticas 
obituárias das ilhas adjacentes. 

Se nos referirmos a documentos officiaes de annos anteriores, adia- 
remos para o continente respectivamente ^ : 

em 1838, 1841, 1843, 1849, 1850 
2,10, 1,90, 2,11, 2,48, 2,27 

Quasi todos estes números se approximam bastante 'dos acima achados. 
Respectivamente a épocas próximas áquella que estudamos em Por- 
tugal, encontraremos em outros paizes, classificados pela ordem ascen- 
dente da mortalidade, as seguintes percentagens annuaes : 

Noruega 1 ,80 

Suécia 2,04 

Dinamarca 2,04 

Inglaterra 2,28 

França 2,30 

Hanover 2,32 

Bélgica 2,36 

HoUanda 2,53 

Saxonia 2,75 

Baviera 2,78 

Prússia 2,80 

Sardenha 2,96 

Áustria 3,31 

Em Hespanha achamos nos três annos 1858, 1859, 1867 as per- 
centagens ^ 

2,81; 2,90; 2,95. 

Em França durante o ultimo quinquennio, de que possuímos esta- 
tísticas obituárias ^ a percentagem de mortalidade teve as seguintes va- 
riações : 

em 1861, 1862, 1863, 1864, 1865, 
2,32; 2,17; 2,25; 2,28; 2,43;, 

números cuja média é 2,29. 

1 Memoria citada do sr. A. 0. Marreca. 

2 Anuário citado, e Gaceta de Madrid de agosto de 1869. 
^ Annuairc de VÉcon. polit. 



PHYSICAS E NATURAES 283 

A média das três percentagens relativas ao continente portuguez, 
que primeiro escrevemos, e que são as mais dignas de confiança, dão 
uma mortalidade annual de 2,20. 

Este numero colloca-nos numa situação bastante vantajosa em pre- 
sença das outras nações que citámos; occupariamos o quarto logar na 
precedente lista, avantajando-nos consideravelmente á Hespanha, e al- 
gum tanto á França, 

Deve porém advertir-se, que não é o algarismo do obituário ge- 
ral, que completamente representa a vitalidade de um povo; mas sim 
a constituição d'elle respectivamente ás edades dos seus habitantes. 

É de lastimar, que nas estatísticas portuguezas não seja determi- 
nada separadamente a mortalidade das cidades, á semelhança do que se 
pratica em Hespanha, e em França. A falta de taes esclarecimentos inhi- 
be-nos de fazer algumas comparações, que não seriam destituídas de 
interesse. 

Limitar-nos-hemos pois, a apreciar a mortalidade de Lisboa, e Por- 
to, servindo-nos dos dados fornecidos pelos interessantes relatórios do 
Conselho de saúde publica do reino, respectivos aos annos 18G2, 1863. 

No segundo d"esses documentos é avaliada a percentagem obituá- 
ria de Lisboa em 3,57 para o segundo anno citado, e declara-se por 
essa occasião, que tal mortalidade é symptoma de incontestável, e ver- 
dadeiramente excepcional insalubridade da capital; por quanto a mor- 
talidade no de|)artamento do Sena foi de 2,57 em 1861, tendo sido em 
Bruxellas 2,4 em 1862, e em Londres 2,45. 

Mas na determinação dessa percentagem relativa a Lisboa conta- 
ram-se indevidamente os nascidos-mortos. O Conselho, que reconhece 
essa causa de exaggeração, attende seguidamente a ella, e reduz conse- 
quentemente a mortalidade a 3,31. 

Depois, reflectindo ainda a mesma illustrada corporação, que é ad- 
mittido no hospital de S. José um grande numero de doentes, que vie- 
ram de fora da cidade, abate, como é de razão, todos os óbitos de pes- 
soas, que só entraram na capital para receber o tractamento hospitalar, e 
contrahe finalmente d'esse modo a mortalidade de Lisboa ao numero 3,00. 

Este algarismo ainda avulta consideravelmente ; mas se em absoluto 
se pôde reputar grande, longe está de relativamente dever ser capitu- 
lado como excepcional. 

As estatísticas annuaes de mortalidade de Londres, e Paris dão o 
seguinte resultado * 

' Annuniri; dr VEcon. polit. do 1866. 



284 



JORNAL DE SGIFACIAS MATIIEMATICAS 



Annos 

1853 . . 

1854 . . 

1855 . . 

1856 . . 

1857 . . 

1858 . . 

1859 . . 

1860 . . 

1861 . . 

1862 . . 
Medias. 



Paris Londres 

2,95 2,44 

3,51 2,94 

2,99 2,43 

2,43 2,21 

2,73 2,21 

2,73 2,39 

2,86 2,27 

2,53 2,25 

2,57 2,32 

2,49 2,36 

2,78 2,39 



d'onde se pôde concluir, que a mortalidade de Lisboa, em 1863, foi quasi 
egualada pela de Londres em 1854, e pela de Paris de 1853, e 1855; e 
foi muito excedida por a da ultima capital em 1854. 

Cumpre ainda accrescentar, que na comparação que fizemos entre 
Paris, e Lisboa, se deve ter em consideração, que na primeira d"essas 
cidades é uso muito geral, passarem as crianças no campo a época da 
amamentação, prolongando-se a ausência muitas vezes além d'esse pe- 
ríodo : ora dando-se, como é sabido, excessiva mortalidade na primeira 
infância, o indicado habito tende a fazer descer apparentemente, e de 
um modo sensível a mortalidade de Paris. 

Outra consideração de algum valor se pôde ainda adduzir, para en- 
curtar mais o algarismo da apparente mortalidade de Lisboa, 

Esse numero refere-se a uma supposla população de perto de 170 
mil habitantes. 

Razões ha de sobejo para n'este ponto considerarmos escasso o 
censo de 1863. 

Se suppozessemos, que a população de Lisboa era então de 183 mil 
habitantes, o algarismo correspondente da mortalidade desceria logo a 
2,78, isto é, exactamente ao valor da mortalidade média de Paris no 
decennio citado. 

Não ousaríamos todavia asseverar, que a inexactidão do censo da 
capital chegasse a ponto de verificar a precedente hypothese. 

Se porém compararmos Lisboa com algumas cidades hespanholas, 
acharemos a nossa capital n'uma cathegoria obituária, relativamente muito 
vantajosa. 



PHYSICAS E NATURAES 285 

Assim notamos * que para o anno de 1867 foi a mortalidade de 

4.2 em Madrid, Ávila, Ciudad Real, Guadalajara ; 

4.3 » Hnesca, Málaga, Samora, Santader; 

4.5 » Alava, Badajoz, Granada, Valhadolid; 
4,8 » Logronlio, Saragoça; 

5,0 » Falência, Temei; 

5.6 » Gerona. 

As estatísticas de 1858 e 1859^ fornecem-nos em geral menores 
percentagens de mortalidade. Ainda assim, achamos para Madrid 3,4, 
3,6 em relação a esses dois annos. 

Não se deprehenda, comtudo, das consideraçijes, que deixamos ex- 
pendidas, que é nossa intenção contestar a insalubridade de Lisboa. É 
bastante para confirmal-a a verdade de reconhecidos factos, sem que 
para semelhante demonstração possa aproveitar a exaggeração, que ca- 
sualmente escapou, por muito desculpável inadvertência, nos extensos 
relatórios acima citados, onde aliás abundam curiosos esclarecimentos, 
e sensatas considerações. 

No segundo d'esses relatórios apresenta-se o algarismo 2,1 para de- 
signar a mortalidade do Porto em 1863, considerando-se a pequenez 
d'aquelle numero como symptoma de invejável salubridade- Cumpre ad- 
vertir todavia, que tal percentagem foi deduzida na supposição de que 
a população d'esta cidade era de 87:064 habitantes. Dando-nos porém o 
censo de 1863 apenas 73:325, o quantitativo de mortahdade deve subir 
a 2,5, e ainda este numero o consideramos deficiente, concorrendo talvez 
para isso, o deixarem de ser computados na respectiva estatística os óbi- 
tos relativos a corporações que tem cemitérios privativos. Corrobora a 
nossa desconfiança a enorme desproporção, que se encontra entre o nu- 
mero dos baptismos do Porto n'aquelle anno, 2484 ^, e o numero oflB- 
cial dos óbitos 1879. — Semelhante desconformidade, em vez de pro- 
var, como opina o Conselho de saúde, as excellentes condições hygie- 
nicas da segunda cidade do reino, parece-nos levar muito mais á con- 
clusão, de que é inexacto o citado censo obituário. 



* Gaceta de Madrid de 26 d"agoslo de 1869. Rod ázimos a percentagem os 
numeres, que designam a mortalidade nas cidades do reino visinho. 

- Anuário Estnd. d'Esp. do 18.59, 60. 

^ Este algarismo corresponde á natalidade 3,38, um pouco inferior a 3,45 
que se deu em Lisboa em 1863. 



286 



JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 



XIII. Mortalidade por edades. 



No triennio, que tem sido objecto particular (Veste estudo, o obi- 
tuário do continente classificado pelas edades dos fallecidos, offerece os 
seguintes números, junto aos quaes deixaremos de mencionar os nasci- 
dos-mortos, e aquelles que falleceram em edade que não foi determi- 
nada. 

Edades Annos 






a 


1 


inno 


1 


» 


3 


innos 


3 


» 


7 


» 


7 


» 


10 


» 


iO 


» 


13 


» 


15 


» 


20 


» 


20 


» 


23 


)) 


23 


» 


30 


» 


30 


» 


40 


» 


40 


» 


30 


» 


30 


» 


CO 


» 


CO 


» 


70 


» 


70 


» 


80 


» 


80 


)) 


90 


» 


90 


» 


100 


» 


mais 


de 100 


» 


Sommas 


. . . . 


. . . . 



1860 

13984 



iG4ee 



3311 ... 

4276 . . . 

4847 . . . 
4713 . . . 
C041 . . . 
8C33 . . . 
7222 . . . 
3362 . . . 
377 ... 
67 ... 



73523 . 



18G1 

17333 .. 
12834 . . 

4366 . . 

1406 .. 

1.383 .. 

1577 .. 

2133 .. 

1941 . . 

4677 . . 

3017 .. 

3675 . . 

8603 . . 

7321 . . 

3366 . . 

389 .. 

79 .. 



F8933 



1862 

19073 
14933 
4941 
1433 
1438 
1712 
2259 
2089 
4652 
3420 
6015 
9338 
8699 
3809 
715 
114 



86680 



O exame d'este quadro confirma uma observação, que nos sugge- 
riu a descripção da população portugueza por edades, que se encontra 
no censo de 1864; e é a proporção relativamente avultada, que se ma- 
nifesta no nosso paiz em relação á macrobia, particularmente nos cen- 
tenários. 

Assim, pelo que diz respeito á Hespanha, os obituários dão para os 
três annos 1858, 1859, 1867 os seguintes números absolutos de pes- 
soas fallecidas cora mais de cem annos : 



80, 



92, 



111 



PHYSICAS E NATURAES 287 

A média, 94, d'estes números excede pouco a média, 87, do trien- 
nio portuguez, quando, em altenção á população dos dois paizes, a pri- 
meira devia ser quadrupla da segunda. 

Em França, no periodo 1840-1849, achamos a média 131 * para o 
numero de óbitos de centenários. 

Augmentando porém a média portugueza 87, em proporção do ex- 
cesso da população média da França, n"aquelle periodo, sobre a popula- 
ção continental do nosso paiz, segundo o censo de 1863, acharíamos que 
deveriam ter fallecido em França 784 centenários, numero seis vezes 
maior que o effectivo. 

Em quanto aos fallecidos entre os 90, e os 100 annos, encontra- 
mos em Portugal a média annual 027. 

Em Hespanha obtemos para 1858, 1859, 1867 os números 1976, 
1685, 2020 ^ cuja média é 1894, devendo ser proximamente 2500, se 
o numero de óbitos da edade indicada se verificasse nos dois paizes pro- 
porcionalmente á população. 

Em França,' escolhendo o periodo de 1840-49, acharíamos 5870' 
para o mesmo periodo da edade nos óbitos. Em proporção da popula- 
ção respectiva, comparada com a de Portugal, deveríamos ter o numero 
5653. Se aquelle numero é algum tanto maior, não prova isso, que se 
dê inferioridade no nosso paiz em relação á vitalidade dos indivíduos 
de 90 e tantos annos ; a proporção da existência d'estes para os que vi- 
vem em França é segundo vimos (mappa do cap. I) como 56 para 41 ; 
e por isso o maior numero proporcionadamente de óbitos em França, 
n'essa edade, explica-se por lhe corresponder um coeíBcíente de mortali- 
dade maior, como veremos subsequentemente. 



^ Este numero foi calculado pelos dados, que nos fornece o mappa da pag. 
306 do livro citado de M. A. Guillard. 

2 Estes números foram calculados pelos óbitos de 91 a 99 annos addicio- 
nando dos óbitos de 85 a 90 a parte requerida pela tábua de Deparcieux. 

^ Este numero foi calculado pelas sobrevivencias, e pela mortalidade nos 
dois sexos dos 90 aos 95 annos, e dos 95 aos 100, segundo a tábua de A. Guil- 
lard, pag. 306. 

JOHN. DR Sr.IENC. MATII. PUYS. E NAT. — N. VIII. 20 



288 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



XIV. Vida médip„ deduzida dos óbitos. 

A vida média acha-se com bastante exactidão pelo quociente da po- 
pulação dividida pelos nascimentos. Outro meio podemos empregar para 
obter o mesmo elemento, approxiinado em muitos casos, e consiste em 
tomar a média da edade dos fallecidos em um anno, ou n uma serie 
d'annos. 

Legoyt * afíirma, que a França é o único paiz em que os dois pro- 
cessos dão resultados proximamente eguaes. Como abaixo veremos, dá- 
se tal concordância no nosso paiz, mais ainda do que em França, e ve- 
rifica-se também em Ilespanha, postoque muito menos satisfactoriamente. 

A determinação da vida média pelos nascimentos é absolutamente 
rigorosa à priori, quando for constante o numero d'elles, egual ao nu- 
mero dos óbitos, e invariável a mortalidade em cada edade. 

Ora, em taes hypotheses, é fácil de reconhecer, que a vida média 
determinada pela edade média dos fallecidos, é mathematicamente egual 
â determinada por aquelFoutro processo. 

Mas fora d'aquellas supposições, meramente theoricas, e que ra- 
ríssimas vezes se verificam, as variações pouco consideráveis, e sobre- 
tudo as oscillações, que proximamente se compensam, podem occasio- 
nar, e explicar completamente a concordância dos dois modos de cal- 
cular. 

No continente portuguez acharemos pois : 

Vida média pelos 
nascimentos óbitos 

1860 30,28 31,48 

1861 30,01 30,31 

1862 30,23 30,37 

Em França deram-se os seguintes números : 

1815-1825 . . 32,20 31,80 

1815-1854 .. 3i,30 33,30 

1847-1855 . . 37,40 36,40 

1855-1860 . . 37,80 36,40 

1860-1865 . . 37,50 36,50 

* Ann. de VÉcon. pol. 1869, pag. 29. A mesma asserção se encontra nos 
precodRntos voliinips, postoque de um modo menos peremptório. 



PHYSICAS E NATURAES 

E finalmente, enti Hespanha obtemos: 

Vida média pelos 
nascimentos óbitos 

1858 28,31 24,98 

1859 27,80 23,91 

1867 25,06 25,95 

Os números, que inscrevemos no cap. VII para designar a vida mé- 
dia no Funchal, poderão ter parecido excessivamente diminutos, posto- 
que a situação geographica d'esse districto, muito ao sul do continente 
portuguez, fizesse presentir o decrescimento em relação a esse elemento 
demographico. Motivos ha bastantes para suppòr, que peccam bastante 
por escassos os censos da população madeirense, de que nos servimos 
para achar esses dois algarismos relativos a 1861, e 1862; e talvez o 
censo de 1863 represente com mais verdade a grandeza da população 
em qualquer d'esses annos. Se refizermos o calculo com o ultimo censo, 
e compararmos os resultados com a vida média deduzida da edade dos 
fallecidos, acharemos 

P. 1863 




N. 1861 


V. med fal. em 1861 


25,71 


25,68 


P. 1863 




N. 1862 


V. méd. fal. em 1862 


27,35 


27,88 



Como vemos cresce agora a vida média deduzida dos nascimentos, 
e coincide quasi inteiramente com a fixada pelos óbitos. 



20. 



290 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



XV. Tábuas de sobrevivência, e de mortalidade 

Mais correctamente se denomina tábua de sobrevivência, o que vul- 
garmente se chama tábua de mortalidade, e que consiste na designação, 
para um determinado paiz, ou para uma certa classe de pessoas, do nu- 
mero dos indivíduos que, em média, deverão atlingir cada uma das eda- 
des successivas, suppondo um grupo numericamente expresso de exis- 
tentes na edade em que começa a tábua. 

Propriamente se chama porém tábua de mortalidade, a que designa, 
para cada edade, o coefficiente, que se deve applicar ao numero dos exis- 
tentes d'essa edade, para ter o numero annual de óbitos corresponden- 
tes. A tábua de sobrevivência, ou de mortaUdade, extrahida unicamente 
do registo obituário, chama-se tábua mortuária. 

Differentes tábuas de sobrevivência tem sido apresentadas, havendo 
entre ellas notáveis discordâncias. A differença de paiz, de época, e de 
classe, em relação ás quaes se fez o calculo, explica em parte semelhante 
desharmonia; porém d'ella são frequentemente causa a diversidade, e a 
inexactidão dos processos, que se empregaram; a grandeza maior, ou 
menor do numero dos elementos de observação; e a authenticidade mais, 
ou menos garantida, com que elles foram, colligidos. 

Como seja incontestável, que o numero considerável de factos obser- 
vados é circumstancia importante, para com mais rigor ser conhecida a 
média, que se procura, o estudo da população inteira dum paiz, e du- 
rante uma serie de annos, seria o mais adequado meio para formar uma 
boa tábua de sobrevivência, se existissem, desde uma larga serie de an- 
nos, e merecendo inteira confiança, as estatísticas dos nascimentos, e dos 
óbitos, classificados por edades, a fixação do censo da população, bem 
como os registos de emigração, e de immigração, quando estes movi- 
mentos tiverem alguma importância. 

Taes esclarecimentos porém jamais são credores de fé absoluta, 
ainda mesmo nos paizes, em que a admistração publica mais intelligente 
e zelosamente se empenha no reconhecimento, e avaliação exacta dos fa- 
ctos sociaes. 

D'aqui resulta, que na impossibilidade de ser conhecida a inteira 
verdade, a ella se substituem hypotheses mais, ou menos inconsistentes. 

A tábua de sobrevivência, suppondo exactos os dados officiaes, re- 
sultaria, com incontestável rigor, da comparação dos óbitos de cada eda- 
de com o algarismo dos nascimentos correspondentes a essa edade dos 



PHYSICAS E XATLRAES 291 

fallecidos, suppondo comtudo a compensação, ou a pouca importância 
dos movimentos de emigração, e immigração. 

Todavia paiz algum apresenta registos do movimento da popula- 
ção, que referindo-se a um periodo egual á duração máxima da vida 
humana, possuam, por todo esse longo decurso, as necessárias condições 
de satisfactoria exactidão. 

Á falta d'esses elementos normaes de calculo, frequentemente se 
admitte a hypothese da egualdade dos nascimentos, e óbitos, ou do es- 
tacionamento da população, e d'ahi resultam as tábuas mortuárias, que 
até certo ponto podem representar a lei da sobrevivência, sobre tudo 
quando são feitas pelo exame dos registos de um certo numero de an- 
nos, e quando n"ellas se inscreve a sobrevivência relativa a períodos, 
V. g., de o annos de edade, suppondo sempre a população, ou estacio- 
naria, ou variando muito lentamente. 

A tábua de Halley, feita para a cidade de Breslau na Silesia, que 
ainda hoje é bem conceituada, e que foi feita sobre o exame do registo 
dos nascimentos, e dos óbitos, no periodo de 1G87-1691, é por assim 
dizer um meio termo entre o processo absolutamente exacto, que indi- 
cámos, e a simples redacção das tábuas mortuárias. 

Montferrand no seu immenso, e justamente apreciado trabalho so- 
bre a mortalidade em França, procurou apreciar, e corrigir a vasta col- 
lecção de elementos do seu estudo, empregando para a critica d'elles 
os processos, que os astrónomos costumam usar para discutir a segu- 
rança, e exactidão dos diversos números, que fornece a observação. 

DifTiculta porém, e ás vezes impossibilita a efficacia de tal exame 
a circumstancia, de que frequentemente, ou durante um certo periodo, 
ou em referencia a certa localidade, deixam excepcionalmente de verifi- 
car-se as leis geraes dcmographicas, que só exprimem a verdade em 
relação ao conjuncto dos factos. 

Parece-nos pois, que o meio mais seguro para estabelecer uma boa 
tábua de sobrevivência, ou de mortalidade, é preferir a observação de 
certo numero de factos, embora relativamente não seja excessivo, mas 
de cuja exactidão não possa haver a menor duvida. Assim, a tábua de 
Deparcieux formada apenas pelo estudo dos óbitos nas tontinas france- 
zas. que se estabeleceram em 1689, 1GÍ)0, 1706, 1709, e 1734, é jus- 
tamente considerada como uma das mais verdadeiras, e ainda hoje serve 
de base á útil instituição oíTicial Caisse de rcíraites potir la vieillesse *, e 

* No relatório d'esse estabelecimento, relativo a 1867, lè-se o seguinte: 
«Au point de vue de la vérificalion de cette table de mortalitc (de Depar- 



292 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

deverá regular também outro instituto do governo, a caixa de seguros 
para o caso de morte. 

O testemuntio da experincia de muitos annos na applicação d'essa 
tábua á citada instituição; a confissão de Montferrand, que não duvida 
classifical-a como excellente, contrariam authenticamente a irrisão com 
que A. Guillard denomina la loi des petits iiombres a ordem de morta- 
lidade fixada pelo consciencioso auctor das Recherches siir la probabilité 
de la diirée de la vie humaine. 

Inspirando-nos de taes considerações, tratámos de colligir subsí- 
dios para uma tábua portugueza de mortalidade, fundando-nos sobre o 
exame das edades de admissão, e de óbito de todos os sócios, que tem 
pertencido ao montepio geral, e ao de marinha. Mais algumas palavras 
diremos adiante em relação a esse trabalho. 

Aproveitando os números, que se acham inscriptos no obituário do 
cap. XIII, formulámos as seguintes tábuas mortuárias, que, com as re- 
stricções que havemos indicado, poderão servir de tábuas de sobrevivên- 
cia portuguezas. 



tcieux) ces resultais confirmeiíl ce qui a été déjà cnoncé plusicurs fois dans 
«ces rapports; c'est que les erreurs de détail, qu"elie renfermecvidemment, se 
«compensent lieureusement, au point de vue de son application aux tarifs de 
«la Caisse des retraites pour la veillesse, ot de finfluence de ces dcrnicrs sur 
«la situation fmancière de oetle instituition.» 



PHYSICAS E NATURAES 



293 







S3in9AJA3jqOg 


ii^i 

o X -< LO 

o C^ CD LO 


OCOt-— «CDOCD-^IOCO-HCD 
00 l^ 00 CO n 50 ■^-' OO >^ CD O ■"-• 
|>.00-5tC5COOC5^^COC5"!H 1 

CO 3-1 O t^ >^ Ci CO LO LO LO 1 

LO LO LO >^ -ij' CO CO CM -H 












BOlUlO 


21 994 
16 755 

5742 


C5 t-- CD O LO CD ^ LO CD CM C?l LO CD 
CMOOOLOCO^OCDCOOOCDOO-^ 
l^l>.OCD>:l<OCOOOOl-^-^t^-^ 
^■^^SvlG^;OCDt^OC5>^ 




í 
1 


BajnsAiAajqos 


100000 
77 996 
60746 
55046 


53 370 

51711 

49 736 

47 130 

44 720 

39353 

33100 

26160 

15 387 

5351 

957 

132 




so}[qo 


22004 

17250 

5 700 


CDClLOCDOr^COOCOCD^LOO-l 
1-- ;0 t^ o -sH CD LO >r< t^ CO C5 CM CO 
CDCDOCD-5Í<C0 3>ÍC3C^OCOOO-!^ 
^-ji^G<«í>ILOCDCDOO-^ 




|< 


saiuaATAeaqog 


g2 5^ 

o o t^ Oi 


-^-^^í-t-^O-ICOCSOOOCOOO"^ 1 




SOltqo 


2198'i 

16259 

5785 


t^ 1-- Cí i-^ >;^ C2 CO — 1 00 IO LO l^ •^ 

■^-rt"^a-ioiLocDi>iOC5>^ 




1 


sajueAiAajqog 


100000 
78836 

57 033 


C5 r^ ocDt^t^^cocs 

• G^ O O --^ CD «í? LO 1 
LO •;* »# CO G-1 '^ 














sojiqo 


21 164 
21803 


CO CD ^<MD5^LO-*l^ 
■^ LO CDCOr^-^Cl^íí 








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j,a«a»«««~oaa« 






H 


.-5 
-^ CO l^ 

O 


3 i2 g g^ ^ § g § g 8 g § i 








O -^ CO 


C^ O LO O LO O O O O O O O í 
■^ -^ CM ai CO ^ LO CD l< GO o S 



Se compararmos os números correspondentes nos três annos, adia- 
remos diíTerenças relativamente pequenas, e exactamente da ordem das 
fluctuarões, que necessariamente existem, de anno para anno, em elemen- 
tos dessa ordem. 

Preferimos tomar a média somente dos últimos dois annos, por nos 
parecerem menos merecedores de confiança os números de 1860. 

Para confrontação da tabeliã acima, julgamos ser digno de attenção 
o seguinte mappa mortuário relativo á França, e que foi feito sobre os 
registos obituários do quinquennio 1855-1859*: 

' Vide Annuaire de l'Écon. polit. 1806, pag. 26. 



294 



JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 





SEXO MASCUI.INO 


SEXO FEMININO 


Edades 


1 
1 

O 


1 


1 

o 


1 


annos 


21120 


100000 


17692 


100000 


1 » 


12342 


78588 


12172 


82308 


5 » 


3856 


66246 


4052 


70136 


10 » 


2176 


62390 


2481 


66104 


15 » 


2782 


60214 


3049 


63 623 


20 » 


5319 


57 432 


3368 


60574 


25 . 


3460 


52113 


3175 


57206 


30 . 


2800 


48653 


3073 


54|031 


35 » 


2736 


45853 


3023 


50958 


40 » 


3094 


43117 


3139 


47 935 


45 » 


3 366 


40023 


3188 


44796 


50 » 


3935 


36657 


3680 


41608 


55 » 


4835 


32 722 


4585 


37 928 


60 , 


5424 


27887 


5917 


33343 


65 » 


5266 


22463 


6696 


27426 


70 . 


6290 


17197 


7378 


20730 


75 , 


5573 


10907 


6249 


13 352 


80 . 


3491 


5534 


4453 


7103 


85 , 


1398 


1843 


1974 


2650 


90 , 


357 


445 


537 


676 


95 )> 


79 


88 


123 


139 


100 » 


9 





16 


16 



A simples approximaçâo da tábua mortuária portugueza, e da fran- 
ceza explicará facilmente o motivo, porque tendo nós achado a mortali- 
dade geral quasi equivalente nos dois paizes, encontrámos todavia no 
nosso sensivelmente menor a duração da vida média. Para explicar essa 
apparente contradicção, bastará reflectir na maneira diversa como se dis- 
tribuem, por edades, os óbitos nas duas nações. Assim, aos 25 annos so- 
brevivendo em França de 100000 nascimentos 52113 pessoas do sexo 
masculino, e 57206 do sexo feminino, em Portugal apenas chegam a 



PHYSICAS E NATURAES 



295 



essa edade 47431, em média, para egual numero de nascimentos, ex- 
cluindo d^elles, como é uso fazer-se, os nascidos-morlos. 

Nas edades macrobias, como já tivemos occasião de observar, re- 
conhecer-se-ha agora de novo, pela inspecção dos números dos dois map- 
pas, notável predomínio de vitalidade no continente portuguez. 

Calculando semelhantemente duas tábuas mortuárias por meio dos 
obituários hespanhoes de 1859, e 18G7, acharemos: 





1859 






1867 


Edades 


'2 
O 


1 


Edades 


a 

'2 
o 


1 







100000 









100000 


a 1 annos 


23799 


76 101 


). 


1 annos 


23754 


76 246 


1 ., 5 » 


25934 


50 267 


1 » 


6 » 


25207 


51039 


5 r, 10 » 


4716 


45 551 


6.) 


11 B 


3597 


47442 


10 ). 15 D 


2443 


43108 


11 .) 


16 » 


1820 


45 622 


15 p 20 » 


2352 


40 756 


16 » 


21 . 


2231 


43 391 


20 .) 25 ). 


2 756 


38000 


21 V 


26 ). 


2733 


40 658 


25 .) 30 » 


2671 


35 329 


26 » 


31 » 


2498 


38160 


30 .. 35 » 


2842 


32 487 


31 ,) 


36 r, 


2560 


35 600 


35 . 40 .. 


2873 


29 614 


36 « 


41 . 


2940 


32 660 


40 » 45 » 


2976 


26 638 


41 .. 


46 y> 


3185 


29 475 


45 í 50 í 


2715 


23 923 


46 » 


51 . 


3 285 


26190 


50 )) 55 .) 


3092 


20831 


51 . 


56 » 


3274 


22916 


55 » 60 r, 


3679 


17 152 


56 » 


61 . 


3 756 


19160 


60 » 65 » 


4508 


12 644 


61 )) 


66 » 


4299 


14 861 


65 » 70 D 


3 748 


8 896 


66. 


71 » 


4624 


10 237 


70 D 75 » 


3524 


5 372 


71 ). 


76 » 


4198 


6039 


75 » 80 D 


2 436 


2 936 


76» 


81 » 


2997 


3 042 


80 » 85 » 


1799 


1137 


81 ). 


86 . 


1843 


1199 


85 » 90 » 


791 


343 


86 ). 


91 » 


841 


358 


91 .. 95 .. 


262 


81 


91 ). 


96 » 


266 


92 


96 y> 100 . 


60 


21 


96 )) 


100 » 


69 


23 


mais de 100 » 


21 


— 


m.'d 


elOO ). 


23 


— 



296 JORNAL DE SCIENCIAS MATilExMATlCAS 

Approximando estas tábuas mortuárias das portuguezas de d 801, e 
1862, reconhece-se, que n'estas ha, quasi sem excepção, muito mais con- 
cordância no movimento obituário correlativo aos mesmos periodos de 
edade. 

Outrosim facilmente se verifica, haver maior mortalidade em Hes- 
panha nas primeiras edades. Assim aos 10 annos sobrevivem n'esse paiz, 
por cada 100000 nascimentos, 46490 indivíduos (média dos dois annos) 
ao passo que entre nós existem ainda n essa edade 53780. 

Também poderá reconhecer-se como, do movimento comparativo 
nos diversos periodos de existência, resulta para Portugal muito maior 
numero absoluto de óbitos nas edades avançadas. 

Accrescentaremos agora breves esclarecimentos acerca do modo co- 
mo foram calculadas as duas tábuas de mortalidade do montepio geral, 
e do de marinha, que se encontram no mappa com que encerramos 
este escripto. 

Em ambas as associações enumerámos as admissões, e a respectiva 
edade de todas as inscripções, desde a fundação até 31 de dezembro 
de 1865. 

Para o recenseamento dos óbitos parámos em 30 de junho de 1866, 
porque em todas as admissões annuaes, supposemos por simplicidade, 
que todos os sócios eram inscriptos a 30 de junho em cada anno re- 
spectivo. 

Como um mesmo sócio inscripto pôde representar muitos elemen- 
tos distinctos para o computo da mortalidade, conforme os annos suc- 
cessivos, que vae attingindo, desde a sua admissão até ao seu falleci- 
mento, o exame dos registos das inscripções e óbitos durante muitos 
annos, n'uma sociedade de limitado numero de sócios ^ equivalerá, para 
a segurança das determinações médias, ao estudo de um, ou de poucos 
annos n'uma reunião numerosíssima de societários. 

Por esse modo de proceder obtivemos para o exame da mortali- 
dade, em grupos de edade quinquennaes, números não só muito superio- 
res aos de Deparcieux, para cada serie annual de edade, mas compará- 
veis aos grupos quinquennaes de que se serviu Hubbard, que teve á sua 
disposição as estatísticas de todas as sociedades francezas de soccorros 
mútuos 2. 

* No montepio geral, a mais numerosa das associações que estudámos, o 
máximo numero de sócios existentes foi, no íim de 1865, 1390. Esta sociedade 
completou 24 annos de existência em 1866, e o montepio de marinha 26, no 
mesmo anno. 

- De rorfinidmtion des fiociétés de prpvoíjrunc. 



PHYSICAS E NATURAES 



297 



Eis, nos dois montepios, os números 
os successivos annos de edade, e os óbitos 
veram loRar : 



de sócios, que atravessaram 
que correspondentemente ti- 





Montepio greral 


Montepio do 


narinha 


Edades 


Existentes 


Óbitos 


Existentes 


Óbitos 


17.. 


. . 0,0 1 . . 





2 . . 


.. 


18.. 


.. 2,5... 


» 


0.. 


. . » 


19.. 


. . 6,5 .. . 




13.. 


. » 


20.. 


.. 12,5... 




21 . . 


. . » 


21 .. 


.. 22,0... 




34 . . 


. . » 


22 . . 


.. 29,0... 




01 . . 


. 1 


23 . . 


.. 39,0... 




80.. 


. 


24 . . 


.. 03,0... 




101 . . 


. 1 


25.. 


.. 94,5... 




128 . . 


. 3 


2G.. 


.. 117,5... 




154.. 


2 


27.. 


.. i38,0... 


1 


102.. 


. 1 


28.. 


.. 173,5... 





183 . . 


. 5 


20 . . 


.. 213,5... 


3 


201 . . 


. 2 


'M) . . 


. . 253,5 . . . 





200 . . 


. 2 


:m . . 


. . 308,5 . . . 


1 


202 . . 


. 4 


:í2 . . 


..315,5... 





206 . . 


. 4 


X] . . 


. . 357,5 . . . 


5 


217.. 


. 3 


:\'t . . 


. . 385,0 . . . 


5 


220 . . 


. 4 


:{;) . . 


. . 424,5 . . . 


2 


240 . . 


. 


:{(> . . 


. . 455,0 . . . 


3 


251 . . 


. 1 


:{7.. 


. . 50(),() . . . 





202 . . 


. 4 


:i8 . . 


. . 543,5 . . . 


I 


274 . . 


. 3 


:{í) . . 


. . 555,0 . . . 


2 


282 . . 


. i 


'lO . . 


. . 534,5 . . . 


3 


287 . . 


2 


il . . 


. . 538,5 . . . 


8 


299 . . 


. 4 


42 . . 


. . 533,0 . . . 


7 


304 . . 


. 


43 . . 


. . 520,0 . . . 


2 


311 .. 


. 7 


44 . . 


. . 490,5 . . . 


9 


311 .. 


. 9 


45 . . 


. . 404,0 . . . 


5 


303 . . 


. 1 


40.. 


. . 448,5 . . . 





297 . . 


.10 


47 .. 


. . 427,0 . . . 





285 . . 


. 2 



' As fracções, que acompanham alguns dos números d'esta columna, pro- 
redein de se ter considerado, que, em média, alguns sócios |)ersistirani. no 
montepio, apenas seis mezes da edade correspondente. 



298 



JORNAL DE SGIEiNCIAS MATHEMATICAS 





Montepio geral 


Montepio de marinha 


Edades 


Existentes Óbitos 


Existentes Óbitos 


48... 


. 413,( 


).... 8 


280 ... . 4 


49 . . . 


. 399,^ 


).... 7 


277 ... . 5 


50... 


. 371,^ 


).... 2 


264.... 12 


51 ... 


. 352,r 


).... 6 


242 ... . 5 


52 . . . 


. 320,1: 


).... 6 


241 ....14 


53 . . . 


. 291, ( 


).... 8 


220 ... . 9 


54... 


. 272,^ 


).... 10 


205 ... . 1 


55... 


.251,( 


).... 3 


203 ... . 6 


56... 


. 240,^ 


).... 6 


205 ... . 7 


57... 


. 226,t 


).... 6 


194.... 9 


58... 


. 203, r 


).... 5 


179 ... . 3 


59... 


. 180,.^ 


).... 6 


172.... 10 


60... 


. 168,^ 


>.... 1 


159.... 6 


61 ... 


. 165,? 


).... 2 


150.... 5 


62... 


. 142,? 


).... 6 


143.... 6 


63... 


. 114,( 


).... 8 


137.... 5 


64... 


. 92,? 


).... 4 


129.... 2 


65... 


. 75,( 


).... 4 


124.... 5 


66... 


. 60,( 


).... 4 


114.... 6 


67... 


. 49,? 


).... 1 


102 .... 7 


68... 


. 43,( 


).... 4 


95 .... 7 


69... 


. 35,( 


).... 3 


86.... 10 


70... 


. 27,( 


) _ _ 2 


74 .... 2 


71 . . . 


. 21,( 


).... 1 


71 .... 4 


72... 


. 16,C 


).... 2 


64 .... 7 


73... 


. 12,C 


).... 1 


56 .... 4 


74 ... 


. 10,( 


).... 2 


51 .... 7 


75... 


. 3,( 


).... 


43 .... 4 


76... 


. 3,C 




38 .... 3 


77... 


• i,c 




33 .... 5 


78... 






27 .... 2 


79... 






25 .... 2 


80... 






22.... 4 


81 . . . 






17 .... 3 


82... 






12.... 1 


83... 






10.... 1 


84... 






9 .... 4 


85 . . . 






4.... 1 



PIIYSICAS E NATURAES 



299 



Montepio de marinha 



87 
88 
89 
90 



Existentes 

.. 3. 



Óbitos 
. 1 

. O 



Não julgámos inulil transcrever extensamente os números prece- 
dentes. Poderão elles servir, ou para proseguir, nos dois montepios, um 
recenseamento semelhante ao que encetámos, ou para juntar aos alga- 
rismos, que acabamos de escrever, dados da mesma natureza, que com 
análoga authenticidade se possam colher em qualquer outra reunião de 
indivíduos, no nosso paiz*. 

Contrahindo a estatística acima em grupos quinquennaes, obtere- 
mos o seguinte quadro : 

Montepio geral Montepio de marinha 

Óbitos Existentes 

.0 42 . 

-247,5.... » 404. 

890,0 G 899 . 

1791,0.... 13 1085. 

2594,0.... 15 1356. 

2546,0 .... 31 1528 . 

2059,5.... 29 1403 . 

1487,5.... 33 1111 . 



Edades Existentes 

17 a 20 annos 21,5 
25 
30 



21 
26 
31 
36 
41 



51 
56 
61 
66 
71 
76 
80 



35 
40 
45 
50 
55 
60 
65 
70 
75 
80 
86 



1019,5 

589,5 

214,5 

62,0 



24 
24 
14 

6 



909 
683 
471 
285 
145 
52 



Óbitos 

. O 
. 5 
. 12 
. 15 
. 17 
.27 
.33 
.35 
. 35 
.23 
.32 
. 26 
. 16 
. 10 



* A Helarão nominal jmr 7ninisterios dos emprcfiados do estado, publicação 
annual, ha pouco tempo interrompida, poderia vantajosamente servir como 
extensa base para a determinação da mortalidade na classe do funccionalismo 
publico. Bastaria inscrever authenticamente em um d'esses vastos almanacks a 
edade de todos os funccionarios, e verificar em poucos dos annos subsequen- 
tes os óbitos, que tivessem logar. A inscripção das edades acha-se feita na co- 
piosa relação de todas as pessoas que percebiam vencimentos pelo ministério 
da Fazenda, e que foi publicada officialmente em 1840. Reconhecemos porém 
a falta completa de rigor, em muitas d'essas designações. 



300 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Foi d'estes números, que deduzimos as duas tábuas de mortalidade 
inscriptas no mappa final. Pareceu-nos útil juntar, para confrontação, os 
números que correspondem aos nossos nas mais auclorisadas tábuas de 
sobrevivência ^ 

As nossas tábuas devem apenas considerar-se como limite para me- 
nos na mortalidade das duas associações, principalmente no montepio 
geral. 

N'este houve sempre, para as matriculas, a obrigação de prévio exa- 
me sanitário do candidato. O mesmo tem acontecido, mas somente desde 
1857, no montepio de marinha. 

De tal prescripção resulta, que os sócios, nos annos consecutivos á 
admissão, acham-se dotados de uma vitalidade excepcional, e por esse 
motivo apparecem na tábua do montepio geral, até ao periodo dos 36 
aos 40 annos, coeíTicientes de mortalidade, que se devem reputar como 
anormaes, se os compararmos aos correspondentes em outras tábuas de 
mortalidade. 

Essa transitória situação accentua-se mais na época, que considera- 
mos; não só por não haverem decorrido muitos annos desde a fundação 
do montepio geral, mas também porque tendo sido muito grande o nu- 
mero das admissões nos últimos annos, esses novos sócios, de vitalidade 
anormal, predominam muito ainda em relação ao numero total dos sócios. 

No periodo dos 41 aos 4o annos, quando já actua mais debilmente 
a influencia da inspecção sanitária, depai'a-se-nos no montepio geral um 

1 Os números do nosso mappa comparativo foram calculados pelos que se 
encontram no substancioso escripto deVuhrer. <íBases et élémens des tables de 
tnortalité les plus connues. Journ. des économ., t. xxvi. A tábua de Hubbard foi 
iranscripta da obra já citada. 

Os coefficientes de mortalidade do mappa foram geralmente deduzidos di- 
vidindo a quinta parte do numero dos óbitos, n'um quinquennio qualquer, pelo 
numero dos sobreviventes no principio d'elle. 

Em virtude d'esse modo de calcular, se quizermos, para qualquer das tá- 
buas, achar o numero annual de óbitos para um grupo de m individues da eda- 
de V. g. ^m-\-p, correspondendo o coelhciente f de mortalidade ao periodo Sm 
a t)w + 5, será o numero procurado expresso pela fórmula 

Af 



A 

pois que é — — o numero dos sobreviventes no principio do quinquennio. 

Nas tábuas onde os periodos são decennaes, procederemos semelhante- 
mente, substituindo na explicação precedente o algarismo 10 ao algarismo 5. 



PHYSICAS E NATURAES 



301 



coeíliciente de mortalidade superior ao de Habbard * (classes operarias 
principalmente) e ao de Deparcieux, Montferrand (população inteira da 
França) e Farr (Surrey) ; e pouco inferior ao que apontam as outras tá- 
buas do nosso mappa. 

No periodo dos 46 aos 50 annos ha no mesmo montepio egual- 
dade em relação aos números de Deparcieux, Finlaison, Montferrand, e 
menor mortalidade que nas outras tábuas. 

Dos 50 aos 55 a sociedade manifesta superior mortalidade a res- 
peito das tábuas de Hubbard, Deparcieux, Muret, Milne, Finlaison, Mon- 
ferrand, ás duas piimeiras, e á ultima de Farr, e egualdade, ou inferio- 
ridade respectivamente ás outras tábuas. 

Dos 5G aos 60 annos ha ascendência de mortalidade a respeito da 
tábua de Hubbard, quasi egualdade quanto ás de Monferrand, e Farr 
(Surrey) e inferioridade em relação ás outras. 

Dos 61 aos 65 a mortalidade apenas apresenta leve diminuição a 
respeito da das tábuas de Siilsmilch (Berlim), Wargentin, Halley, Suls- 
milch (Brandburgo), Muret, Farr (Northampton), Farr (Liverpool) e di- 
minuição mais intensa em relação ás tábuas de Súlsmilch (Vienna), Farr 
(Manchester) e quasi egualdade em vista da de Farr (Londres). 

Dos 66 aos 70 tão somente a tábua de Siilsmilch (Vienna) a de Mu- 
ret, e as de Farr (Northampton, Manchester, Liverpool) apresentam mor- 
talidade superior á do montepio geral. 

Finalmente dos 71 aos 75 annos nenhuma tábua de mortalidade 
(se exceptuarmos a de Hubbard) nem mesmo a de Duvillard, attinge a 
excessiva mortalidade do montepio geral. 

Vê-se pois, que nas edades, em que se attenua a influencia da prévia 
inspecção sanitária, manifesta-se na nossa associação um numero de óbi- 
tos, que se pôde allirmar ser superior, comparativamente, ao que é dado 
pelas outras tábuas de mortalidade, se attendermos a que muitas d'ellas, 
onde mais avulta o coeíliciente obituário, referem-se á população inteira 
de paizes, e, frequentes vezes, de cidades industriaes, onde a mortali- 
dade deve, em análogas circumstancias de edade, ser superior á que se 
verifica n'uma socidade de previdência, quasi exclusivamente formada 
de individues da classe média. 

' A labua de Hubbanl pareceu accusar diminuta mortalidade, e por esse 
motivo não foi recommcndada pela Commission svpérieur-e cCencovraíjemetit et 
surveillance des sociétés de secoiirs mutueis, apesar de ler sido elaborada por 
esse '.Ilustrado secretario d'aquella corporação oflicial. Deixaremos de fazer com- 
paração com a tábua de Duvillard, porque esta representa actualm.enie, e repre- 
sentou sompre, a exaggeracão notável da mortalidade francc7,a. 



302 JORNAL DE SCIE^•CIAS MATHEMATICAS 

Não (leve surprehender, que assim aconteça; por quanto fazendo nós 
o parallelo entre a mortalidade do nosso paiz, e o de outras regiões 
mais ao norte, deve a estatislica confirmar o principio fixado na physio- 
logia comparada, de que tendo a duração média dos animaes uma re- 
lação determinada com o periodo do seu total crescimento, onde este 
for mais rápido, como succede nos paizes quentes, deve corresponden- 
temente contraliir-se a extensão da vida. 

Essa lei todavia pôde ser modificada, n'uma ou n^outra edade, em 
que a suavidade dos climas meridionaes se torne uma boa condição hy- 
gienica (da classe circumfma de Hallé). Tal excepção é realisada, como 
vimos, no nosso paiz relativamente á vitalidade na derradeira velhice. 

Dispensar-nos-hemos de fazer para o montepio de marinha, e á 
semelhança do que praticámos para a outra associação, uma confronta- 
ção circumstanciada em presença das tábuas de mortalidade do nosso 
mappa. Semelhante parallelo conduziria a conclusões menos gratas ainda. 

Dois motivos explicam a condição de inferior vitalidade, em que se 
acha aquella sociedade : um é haver quasi inteiramente faltado n'ella a 
inspecção sanitária anterior á admissão ; outro é terem muitos dos só- 
cios, por dever da sua profissão, de se expor aos perigos da vida ma- 
rítima, e da residência em climas inhospitos. 

A primeira causa de aggravação de mortalidade, consideramol-a 
nós superior á segunda K 

Concluímos o nosso mappa com quatro tábuas de mortalidade por- 
tugueza para os adultos, deduzidas das tábuas de sobrevivência, que in- 
screvemos precedentemente, n'este capitulo. Aquellas tábuas exprimem 
a ordem de mortalidade que, respectivamente corresponde aos obituá- 
rios de 1860, 1861, 1862, e á média dos dois últimos annos. 

* Por uma estatística, que nos foi fornecida, e que reputámos exacta, fal- 
leceram no ultramar, ou era viagem 43 sócios até ao iim de 1865, sendo 282 
o numero total dos óbitos até áquelladata. Ora deveadverlir-se, que d'esse nu- 
mero 43 de óbitos, uma parte considerável se teria realisado em Portugal, pois 
que se tracta do obituário relativo a um periodo de 23 annos. No nosso conti- 
nente europeu encontrariam elles, além das causas ordinárias e geraes, que de- 
terminam a cessação da existência, as febres endémicas de algumas localidades 
inteiramente comparáveis, na insalubridade, á Guiné portugueza, as guerras ci- 
vis, e as epidemias de 18o6, 1837. Paraespecialisar um pouco, não será ocioso 
reflectir, que os seis óbitos de sócios, com que o montepio de marinba contri- 
buiu para a lamentosa catastroplie da fragata D. Maria II, horrível, mas rarís- 
simo acontecimento, poderiam dar-se num desencarrílbamento de caminho de 
ferro, ou n'um naufrágio nas nossas costas; e naufragar não é privilegio exclu- 
sivo dos officiaes de marinha. 



PHYSIGAS E NATURAES 303 

Attribuimos importância moderada a essas tábuas : nem aproveita- 
ria demasiadamente effeituar um parallelo minucioso da ultima d'ellas 
com todas as outras, que a precedem no mesmo mappa, por quanto as 
tábuas mortuárias frequentemente representam com inexactidão a mor- 
talidade d'um paiz, e ainda mais quando, como a nossa, se referem a 
período de muito poucos annos. 

Limitar-nos-liemos apenas ás seguintes reflexões. 

A nossa tábua final, superior na intensidade obituária á do monte- 
pio geral nas primeiras edades, é bastante inferior a ella, a partir do 
periodo dos 50 aos 60 annos. 

A tábua do montepio de marinha accusa em todas as edades, de 
um modo sensível, constante excesso de mortalidade cm relação á nossa 
tábua portugueza. 

Na tábua de Hubbard, em que ha maior intensidade respectiva- 
mente á nossa até ao periodo dos 00 aos 70 annos, ha durante elle quasi 
equivalência, e attenuação constante nas subsequentes edades. 

Na tábua de Deparcieux ha quasi equivalência no periodo dos 50 
aos 60 annos, attenuação antes, e aggravação depois. 

Na tábua de Kerseboom, em que se manifesta quasi equivalência 
no periodo dos 40 aos 50 annos; antes, e depois d'elle ha constante, e 
sensível exacerbação. 

Notaremos finalmente, que a tábua de Duvillard ostenta algarismos 
bastante mais fúnebres em todas as edades. 

A inspecção das tábuas de mortalidade dos dois montepios, c a sua 
comparação com as outras, que apresentámos, dão-nos ainda logar a uma 
observação, que não consideramos destituída de interesse. 

Nas tábuas de Hubbard, de Deparcieux, de Kerseboom, de Montfer- 
rand nota-se uma transitória depressão no coeíTiciente de mortalidade, em 
correspondência ao periodo dos 30 aos 40 annos. O mesmo phenomeno 
se nos depara nas tábuas dos dois montepios, manifestando-se elle muito 
mais pronunciadamente no montepio geral : a ultima circumstancia é 
facilmente explicável, se attendcrmos a que tendo sido, no anno 1805, e 
nos proximamente anteriores, muito considerável o numero das admis- 
sões, em todas ellas predomina excessivamente a classe dos 30 aos 40 
annos, resultando, da inspecção sanitária, apresentar-se essa classe com 
uma vitalidade muito superior á normal. 

Em quasi todas as outras tábuas de mortalidade poder-se-ha obser- 
var também um estacionamento do coefliciente de mortalidade, no mes- 
mo periodo dos 30 aos 40 annos, ou a sua diminuição transitória no 
periodo immeditamente seguinte. 

JORN. DE SCIENC. MATH. PHYS. E NAT. — N. VllI. 21 



304 



JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 



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O^ O O^ '0_ o_ o^ o^ o^ o^ o_ O^ -H — .^ 
d" d" d' d" d~ d" d" d~ o" d~ d" d" d" 


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d' d' d' d" o" d" d" d' d' d~ d" o" d" 


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PIIYSICAS E NATURAES 



305 



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21. 



306 JORNAL DE SCIFNCIAS MATHEMATICAS 



ERRATAS 

Na pag. 271, lin. 11, onde se lê 694112 deve lêr-se 624212 

» 285, » 33, » percentagem s percentagens 

D 300, » 32, » de n indivíduos » de A individues 

» 302, » 26, » mortalidade que, » mortalidade, que 



PHYSICAS E NATURAES 307 

PHYSICA E OHIMICA 

1. Nota sobre as díamínas derivadas das bínítronaplitalínas a e |3 

POR 
A. A. DE AGUIAR 



O estudo das bases, que resultam da reducção de algumas naphta- 
linas nitradas, foi, ha três annos, publicado n'uma extensa memoria, 
feita por E. Lautemann e pelo auctor d'este artigo K N'essa occasião, 
apenas nos occupámos de duas polyaminas, derivadas da tri e tetrani- 
tronaphtalina, porque, depois de vários ensaios, não conseguimos se- 
parar as modificações isomericas da trinitronaphtalina, descriptas por 
Laurent e Marignac. 

Voltando, hoje, de novo ao mesmo assumpto, tenho em vista am- 
pliar a historia destes corpos, que não pôde infelizmente ser feita, du- 
rante a vida do meu amigo Lautemann. 

Na citada memoria, dissemos que um dos nossos desejos, era in- 
vestigar, até onde fosse possível, a constituição das modificações isome- 
ricas da trinitronaphtalina, julgando que a esse resultado se poderia che- 
gar pelo exame dos caracteres distinctivos das aminas correspondentes. 
Não tendo, porém, conseguido nenhum de nós a separação das trinitro- 
naphtalinas isomericas, pelo menos em condições perfeitamente defini- 
das, que não podessem deixar duvida acerca da existência d'ellas, tive- 
mos de limitar as investigações ao estudo de uma única triamina, deri- 
vada da nitronaphtale de Laurent. 

Actualmente, porém, que já consegui não só duas modificações iso- 
mericas da binitronaphtalina, uma das quaes foi também descripta por 
Wichelhaus e Darmstãdter, mas além d'isso algumas modificações isome- 
ricas da trinitronaphtalina, e de outros compostos nitrados da naphtalina, 
já descriptos em notas que apresentei á Academia Real das Sciencias de 

* Bulletin de la Societé chimiquc de Paris, t. III, p. 256. 



308 JORNAL DE SCIExXCIAS MATIIEMATICAS 

Lisboa, vou continuar o estudo das polyaminas derivadas d'estes diíTe- 
rentes corpos. 

Tratarei, n'este primeiro artigo, de alguns saes a que dão origem 
as binitronaphtalinas a e p. 

A binitronaphtalina, que Laurent descreveu pela primeira vez, tem 
sido objecto do muitos estudos, principalmente desde que se conheceu, 
que esta substancia poderia dar origem a matérias corantes. Laurent 
primeiro, e depois Charles Wood e Hoffmann, tratando a binitronaphta- 
lina, dissolvida no álcool saturado de ammoniaco, pelo acido sulphy- 
drico, obtiveram dois productos — a ninaphtylamina Cio Hg AzaO e a azo- 
naphtylamina CioHioAza ^ 

O acido sulphydrico foi substituído pelos reductores alkalinos, taes 
como os sulfuretos, polysulfuretos, cyanurctos, sulfocyanurelos queTroost 
empregou ^, podendo usar-se ainda, em logar d"esles, segundo Roussin ^ 
os protosaes de estanho dissolvidos em soda ou os saes de ferro, segundo 
Tichborne. Com os derivados da binitronaphtalina fizeram também mui- 
tas experiências Perkin, Carey Lea, J. Persoz e outros, tendo estes chimi- 
cos principalmente em vista a producção da matérias corantes, que até 
hoje não poderam ser ainda utilisadas na tinturaria. 

O methodo de reducção que empreguei differe dos que acima re- 
feri. Mais enérgico que qualquer d'elles^ rouba todo o oxygenio á sub- 
stancia nitrada, e é o mesmo que Lautemann empregou pela primeira 
vez no seu trabalho sobre os saes de picrammonium, e que também nos 
serviu na reducção da tri e tetranitronaphtalina. 

No presente artigo achar-se-hão não só as experiências relativas á 
nova binitronaphtalina, senão as que se referem a antiga binitronaplita- 
lina, por isso que todos os compostos por mim preparados são novos. 

O acido iodhydrico nascente, que se evolve pela acção da agua so- 
bre o iodureto de phosphoro, converte em poucos instantes, e de uma 
maneira completa, as binitronaphtalinas nos ioduretos das aminas cor- 
respondentes. 

Qualquer dos dois corpos nitrados se dissolve com rapidez, para 
pouco depois se precipitarem os ioduretos orgânicos, que são pouco 
solúveis n'um liquido com excesso de acido iodhydrico. 

Os ioduretos orgânicos formam-se em virtude da seguinte equação: 



í fíopertoire de chimique pnre, t. I, p. 515, 1859. 

~ BuUetin de la Societé chimique, p. 74, 1861. 

^ Comptes Rendus de VAcadémie des Sciences, t. LII, p. 961. 



PHYSICAS E NATURAES 309 

Cio He (Az02>2 + 1 4 Hl = Cio H12 AZ2I2 + 4 H2O + 6I2 

biuitronaphtaliua ac. iodhydrico iodui-eto orgânico agua iode 

Theoricameníe uma gramma de binitronaphtalina deve produzir 
l"^899 de iodureto; effecti vãmente achei, n'uma experiência cora a bi- 
nitronaphtalina 13, 1='',700, sendo a diCferença para menos devida a uma 
pequena quantidade de iodureto, que fica sempre na solução iodhydrica, 
e que não é fácil obter por simples evaporação. 

A binitronaphtalina p, crystallisada em laminas rhomboidaes, muito 
pura e separada dos corpos nitrados que a acompanham por meio do 
benzol, converte-se, n"esta experiência, no iodureto de naphtyldiamina p. 
Logo que a reducção finalisa, aquece-se o precipitado crystallino com 
agua até dissolver os crystaes, pouco solúveis na solução acida, e filtra-se 
o liquido por amianto. Minutos depois deposita-se o sal em crystaes 
miúdos, se a solução não tiver sido excessivamente diluida. Querendo 
recrystallisar este iodureto, pôde empregar-se a agua ou o álcool: em 
ambos os vehiculos se poderá obter, no fim de dois ou três dias, crys- 
taes de maiores dimensões, que se não decompõem facilmente, havendo 
cuidado na preparação. 

Os crystaes de iodureto, seccos sobre porcelana crua, e depois no 
dessecador por espaço de algumas horas, deram, pela analyse, os seguin- 
tes resultados. 

ANALYSE DO CAIiBO.NEO E DO HYDKOGEMO 

0s'-,300 —matéria 
0"^323 — CO2 
Ofe''-,0875 — H2O 

ANALYSE DO IODE 

0"^20G8— matéria 
Qi^^^âOSo — iodureto de prata 

COMPOSIÇÃO CENTESLMAL : 

Theoria Experiência 

C — 28,98 29,54 

H— 2,89 3,24 

Az— 6,78 » 

1 — 61,3o. 61,55 

100,00 



310 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

Estes resultados concordam com a fórmula 



Cio Ho " 
H2 
H2 
H2 



AZ2, I2 



Este iodureto não é muito estável. Basta deixal-o ao ar secco, ou 
crystallisal-o mais de uma vez, para que a percentagem do carboneo 
augmente, o que é devido á facilidade com que este corpo perde o 
acido iodhydrico. Esta transformação manifesta-se até certo ponto pelo 
exame das propriedades physicas do composto, porque sendo elle per- 
feitamente branco, quando contém 2 equivalentes de acido, á medida 
que os perde toma desvanecida cor de palha, fazendo-se depois amarel- 
lado, e até vermelho. 

Se o iodureto for aquecido na estufa, mesmo a baixa temperatura, 
perde acido iodhydrico. Se o aquecimento não for demasiado, pôde 
transformar-se n'um composto com um equivalente de acido iodhy- 
drico. 

ANALTSE DO CARBONEO E DO HYDROGEMO 





Oe^4176- 


-matéria 




0^^6390- 


-CO2 




0M530- 


-H2O 




ANALYSE DO IODE 


Qgr 


,2285 — matéria 


Qgr 


,1895 — iodureto de prata 



Fórmula : 



COMPOSIÇÃO CENTESIMAL : 

Theoria Experiência 

G — 41,95 41,71 

H— 3,84 4,07 

Az— 9,79 » 

I — 44,42. 44,82 

100,00 

Cio Hf, "1 

H2 /AzalII 
Ih \ 



PHYSICAS E NATURAES 



311 



Este facto é semelhante ao que se dá com outras bases, e também 
se observa no iodureto da triamina derivada da trinitronaphtalina. 

O acido iodhydrico do iodureto saturado, evolve-se com grande fa- 
cilidade. Apesar de já conhecer este facto não evitei o repetir analyses, 
porque em muitas d'ellas a percentagem do carboneo não attingiu as 
proporções da segunda fórmula, e era comtudo superior ás que exige 
a primeira. 

Citarei para exemplo três analyses, duas de carboneo e uma de 
iode. 

Em 100 partes 

matéria — 0,25035 

CO2 — 0,28550 .... 30,37 — G 

H2O —0,08600.... 3,72— H 

matéria — 0,44480 

CO2 —0,63300.... 38,83 —C 

H2O —0,15000.... 3,89— H 

matéria — 0,37520 

Agi — 0,32310.... 46,54— I 

O iodureto de naphtyldiamina p, obtido por evaporação espontâ- 
nea da sua solução alcoólica, forma bellos crystaes. 

O estudo da forma crystallina d"este composto foi feito pelo sr. 
dr. Costa, que desde o principio d'estes trabalhos me tem coadjuvado, 
com valioso auxilio, em tudo que se refere á parte crystallographica. 
Mais uma vez agradeço tão distincta collaboração. 

Systema orthorhombico. 

Forma (íig. 1): 




OP. X Pn. ao P X 00 p 00 

O lí ii ii 

Os crystaes do iodureto são pequenos prismas de base rectangu- 
lar O, modificados sobre as arestas longas das bases pelas facetas lí. 
Tomando a face O como o pinakoide oP, as faces verticaes ií, ii são o 
brachi e macropinakoides, o as faces lí as de um brachidôma 00 P n. 



312 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

Estes crystaes são translúcidos, de brilho fracamente resinoso e sub- 
luzente; teem as faces lisas, a cor branca, declinando mas muito pouco 
para a amarella de palha, e manifestam pela divisão um lascado verti- 
cal, no sentido das faces de um prisma de secção transversal rhombica. 
— Protoprisma ocP? 

O iodureto dissolve-se na agua sem muita difficuldade, sendo muito 
mais solúvel no álcool. Quando esta neutro e se trata pela agua, córa-se 
a solução de vermelho em poucos instantes, e assim permanece por al- 
gum tempo até que finalmente se decompõe. A solubilidade do iodureto 
decresce muito em presença do acido iodhydrico, o qual dá ao com- 
posto orgânico bastante estabilidade. 

As soluções alcoólicas ou aquosas d'este iodureto são todavia me- 
nos alteráveis que as do iodureto de naphtaltriammonio. Podem evapo- 
rar-se sobre banho-maria quando sejam diluídas, e obter crystaes de 
grandes dimensões apenas ligeiramente amarellados. Estes já não con- 
tém a mesma porção de acido iodhydrico, que se encontra nos que são 
separados a frio de uma solução acida. 

Os crystaes que estão perdendo acido iodhydrico manifestam di- 
versas colorações; passam da cor branca á amarella, á vermelha, e as- 
sim successivamente vão escurecendo até decomposição total. Se nos 
primeiros períodos de decomposição, os tratarmos pelo acido iodhydri- 
co, regeneraremos em grande parle o sal primitivo. 

Ao abrigo da luz conservam-se bem, e apenas no fim de muitos dias 
apresentam alteração de cor. Que houve desenvolvimento de acido iodhy- 
drico, observa-se pelas rolhas dos tubos em que está a substancia. 

Pela acção do calor perdem acido iodhydrico, depois iode com appa- 
recimento de um sublimado branco, e de substancia oleosa, a qual, quan- 
do o calor é mais forte, se decompõe deixando residuo carbonoso. 

Reduzem o nitrato de prata e o bichlorureto de platina. 

O carbonato de soda secco, aquecido com o iodureto n'um tubo de 
ensaio, dá origem a um sublimado branco; se o aquecimento for gra- 
dualmente augmentando, todo o sal se decompõe com formação de cya- 
nureto de sódio. 

Se em vez de um tubo de ensaio, empregarmos um tubo de analyse 
com dois decimetros de comprimento, caso que se verifica no dosea- 
mento do iode, veremos formar-sc ao principio, assim que o calor che- 
ga á substancia, nos pontos de contacto com o carbonato de soda, co- 
loração vermelha ; pelo augmento de temperatura, forma-se uma substan- 
cia oleosa difficil de queimar, e evolve-se naphtalina, e outras substan- 
cias voláteis que atravessam toda a camada de carbonato, aquecido ao 



PHYSICAS E NATURAES 313 

rubro. Se recolhermos esses productos n'uma solução de carbonato de 
soda, obteremos uma solução incolor, que neutralisada pelo acido ní- 
trico, se fará encarnada. O ammoniaco e as bases alkalinas descoram este 
liquido, e a solução encarnada abandonada a si de um dia para outro 
deposita um pó violete, tornando-se o liquido pardo. Talvez ainda volte 
a este assumpto n^outra occasião. 

A potassa dá com o iodureto, dissolvido em álcool, um pó esbran- 
quiçado, que se funde pelo calor em glóbulos amarellados. É a base 
provavelmente. O mesmo resultado produz o ammoniaco. 

O perchlorureto de ferro, em presença da solução acida do iodu- 
reto, dá um precipitado que ennegrece rapidamente. 

O acido oxalico, a quente, manifesta um phenomeno que até agora 
não observei com o iodureto derivado da binitronaphtalina a. Publico 
por em quanto estes resultados com toda a reserva, porque preciso re- 
petir as experiências. Em todo o caso, o acido oxalico não actua a frio, 
mas auxiliado com brando calor, forma com o iodureto um liquido denso 
amarellado, que, chegando a certo grau de concentração, deixa precipi- 
tar uma substancia vermelha que se não dissolve facilmente na agua. 
Este precipitado vermelho parece adquirir, em presença do ar, cor mais 
intensa. 

O sulfato de naplilyldiamina p foi obtido do modo seguinte: 

Dissolve-se em agua o iodureto, e trata-se a solução pelo acido sul- 
fúrico, diluído n'um volume de agua egual ao seu. Precipita-se immedia- 
tamente o sulfato, que é pouco solúvel n'um excesso de sulfúrico. Aque- 
ce-se para completar a reacção em banho-maria, e algumas horas de- 
pois, deitam-se os crystaes de sulfato sobre um filtro com amianto. La- 
vam-se com agua ligeiramente acidulada pelo sulfúrico, depois com ál- 
cool e finalmente com ethor até reacção neutra. 

O sulfato sccco na estufa a 100^ c. não diminuo de peso. Se o aque- 
cimento for muito prolongado far-se-ha superficialmente vermelho. 

ANALYSE DO C E DO 11 

0"^1942 matéria secca a 100*' c. 
Os^0860 Ih o 

ANALYSE DO AcmO SULFÚRICO 

0«^095I matéria 
Oe^OSòi sulfato de barvla 



314 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

COMPOSIÇÃO CENTESIMAL : 

Theoria Experiência 

G 46,87 46,69 

H 4,68 4,97 

Az 10,95 » 

S 12,50 12,32 

O 25,00 » 

100,00 

Sulfato de baryta calculado em S03 

Theoria Experiência 

S03 31,25 30,83 

Fórmula correspondente 

CioHioAza, H2, S04 

Além d'este sulfato, julgo ter obtido sulfatos ácidos, que mais tarde 
descreverei. 

O sulfato neutro dissolve-se na agua a frio, mas melhor a quente, 
ficando o liquido com ligeira cor rosada. 

O acido chlorhydrico fumante produz, nas suas soluções aquosas, 
um precipitado branco crystallino, que se dissolve pelo aquecimento, não 
havendo excesso de HCl que difíiculte a solubilidade do composto for- 
mado. 

O liquido pode esfriar de todo sem que o precipitado reappareça, 
mas pela agitação, com uma vareta de vidro, deposita-se novamente o 
precipitado. 

O acido sulfúrico produz um precipitado crystallino. 

O acido nitrico forte não precipita, porém pelo esfriamento do li- 
quido, se a reacção se fizer a quente, depositam-se laminas delgadas e 
crystallinas. 

O sulfato dá com o chlorureto de bário sulfato de baryta e chloru- 
reto da base por dupla decomposição. 

O chlorureto de naphtyldiamina p pôde obter-se por este meio, 
mas é melhor empregar o acido chlorhydrico fumante, e uma solução 
aquosa e neutra do iodureto. 

Deita-se acido chlorhydrico n'esta, em quanto se formar um preci- 
pitado, e logo que este vá ao fundo, o que succede depressa, decanta- 



PHYSICAS E NATURAES 



315 



se o liquido, e recrystallisa-se o sal em agua com pequena quantidade 
de acido chiorhydrico. Se a recrystallisação não for feita com cuidado, 
isto é, se se empregar calor forte para dissolver os crystaes, o sal de- 
compõe-se e faz-se negro. 

A melhor maneira de obter o chlorureto puro, ainda que em pe- 
quenos crystaes, é precipitar o iodureto pelo acido chlohydrico fuman- 
te, decantar o liquido e lavar o precipitado uma ou duas vezes com 
agua acidulada pelo chiorhydrico. Deita-se depois o precipitado sobre 
um filtro com amianto, lava-se ainda uma vez com acido chiorhydrico 
diluído, e os crystaes miúdos do chlorureto enxugam-se sobre um tijolo 
de porcelana crua, e depois na estufa entre 60 e 70". 

ANALYSE DO CaRBO.NEO E DO HtoROGEMO 

Os^2232 matéria 
0«^4á40 Co-2 
Oí-MOSOHâO 

COMPOSIÇÃO CENTESIMAL : 



C . 
H . 

Az. 
Cl . 



Thcoria Experiência 

51,94 rjl,80 

5,19 5;í7 

12,12 » 

30,75 » 

100,00 



Estes resultados correspondem á fórmula 



Cio He" ] 

H2 / 
H2 í 

Ha ) 



AZ2, CI2 



Pôde ser que este composto dê também origem a um sal com um 
só equivalente de acido chiorhydrico, todavia, nas circumstancias ordi- 
nárias, é muito mais estável que o iodureto, e nem mesmo aquecido a 
70° c. perde acido chiorhydrico. 

O sal neutro dissolve-se na agua com coloração rosada, mas jun- 
tando HCl precipita-se logo. 



316 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEíMATíCAS 

Todos OS compostos descriplos, sendo mais ou menos solúveis na 
agua, no estado neutro, diminuem consideravelmente de solubilidade em 
presença dos ácidos. 

O chlorureto reduz o nitrato de prata. Pela acção do calor n'um 
tubo de ensaio, deixa evolver HCl, dá um sublimado branco crystallino, 
e resíduo carbonoso. 

A binitronaplilalina a posta cm circumstancias convenientes na pre- 
sença do iodureto de pbosphoro e da agua, converte-se em iodureto de 
naphtyldiamina «. 

Para obter os crystaes puros procede-se cm tudo, como fica dito, 
para a binitronapbtalina p, sendo todavia melhor recrystallisar o produ- 
cto na agua do que no álcool, porque n'este se não obtém crystaes tão 
perfeitos nem tão depressa. 

Parece que este iodureto não perde tão facilmente, como o outro, 
acido iodhydrico. Os crystaes seccam-se sobre porcelana crua, e depois 
no dessecador. 

ANALYSE DO CARBONEO E DO HYDROGENIO 

Os^ail matéria 
0"^331 C02 
0^^089 H O2 

ANALYSE DO IODE 

ÍF%29630 matéria 
0&''",33o95 iodureto de prata 

COMPOSIÇÃO CENTESIMAL 

Theoria Ex]ierlencia 

C 28,98 29,02 

II 2,89 3,18 

Az G,78 » 

I Gi,35 01,28 

100,00 

A sua fórmula é egual á do iodureto antecedente 

CioIIio Azá, I2 

Não verifiquei se forma combinação com um equivalente de acido 
iodhydrico. 



PllYSICAS E NATURAES 317 

Em quanto á forma crystallina, este corpo é completamente distin- 
cto do iodureto já descripto ; os seus crystaes pertencem, como verifi- 
cou o sr. dr. Costa, ao systema monoclinico ; sendo a inclinação do eixo, 
no plano da brachi diagonal, não menor de 80". Forma (fig. 2) : 



OP. xP. ooí(x.(x^oo: 

cc' clino diagonal, bb' orlhodiagonal. 

Os crystaes são laminas delgadas e mui pequenas, que, pelo auxi- 
lio do microscópio, se reconhece serem prismas oblíquos de base rhom- 
bica, ou rliomboidal, cujos ângulos planos mui pequena diíTerença apre- 
sentam para mais e menos de 90", d'onde resulta que, á primeira vista, 
parecem rectangulares. As arestas obtusas do prisma inclinado co P são 
sempre truncadas pelas faces do clinopinakoideoc^oc, e ás vezes lam- 
bem as arestas agudas pelas do orthopinakoide ooE oo. As bases ou fa- 
ces das laminas, OP teem brilho resinoso luzente, uma estriação paral- 
lela á orlhodiagonal bb', e uma cor branca declinando para amarella 
de palha; as laminas são semitransparentes, frágeis e o pó que produ- 
zem é branco. 

Em presença dos reagentes comporta-se geralmente como o iodu- 
reto de naphtyldiamiiia p. Reduz o nitrato de prata e bichlorureto de 
platina. 

Com o cobre e mercúrio parece formar saes duplos. 

Decompõe-se pelo calor, dando acido iodiíydrico, iode e residuo 
carbonoso. 

Faz-se vermelho em presença do pcrchlorureto de ferro, depois vio- 
láceo e finalmente cnnegrece. 

O carbonato de soda secco, aquecido com o iodureto, dá um subli- 
mado. Se a experiência se fizer n'um tubo que possa ser aquecido ao 
rubro, deposila-se na extremidade menos quente uma substancia aver- 
melhada, que se sohdifica pelo esfriamento em agulhas crystallinas, ecujo 
cheiro é análogo ao da naphlalina. 



318 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

Recebendo os productos mais voláteis n'uma solução de carbonato 
de soda, nada se observa, mas neutralisando esta pelo acido nitrico, 
apparece o liquido corado de vermelho mui intenso, com reflexo vio- 
láceo. 

A solução nitrica vermelha, tratada pela soda cáustica, faz-se in- 
color e depois ligeiramente azulada, podendo o acido nitrico, chlorhy- 
drico e também o acético reproduzir a coloração primitiva. Póde-se co- 
rar e descorar o liquido repetidas vezes, empregando alternadamente os 
ácidos e os alkalis. 

A solução nitrica vermelha tratada pelo ether, sulfureto de carbo- 
neo ou chloroformio, não lhes abandona a matéria corante, porém, 
quando se verte sobre o liquido algum ammoniaco até quasi desappa- 
recer a matéria vermelha, o resto d'esta dissolve-se completamente pela 
agitação, nos três líquidos citados. Tornando a deitar acido nitrico, os 
três corpos cedem á agua a matéria vermelha. Esta experiência pôde re- 
petir-se. 

Julgando que a matéria corante estivesse também no corpo a que 
acima alludi, e que achei condensado na parte mais fria do tubo, tra- 
tei-o pelo carbonato de soda. Este sal dissolveu uma parte d'aquella sub- 
stancia, e a solução depois córou-se de vermelho pelo acido nitrico. 
Grande porção, porém, se não dissolve no carbonato, e as soluções se- 
guintes á primeira não se coram pelo acido nitrico. 

O sulfato d'esta base prepara-se como o sulfato, que procede de 
binitronaphtalina p. Crystallisa, porém, diversamente. Verte-se acido sul- 
fúrico na solução aquosa do iodureto de naphtyldiamina a, e para puri- 
fical-o, lavam-se os crysiaes com álcool e ether, enxugando-os por fim 
na estufa a 100° c. 

Uma analyse de carboneo e hydrogenio confirma a fórmula 

Cio Hio AZ2, H2 SO4. 

0^\\\1^ matéria 
Oe^^OâO Co 2 
0g^0520HO2 



ANALYSK DO ACmO SULFÚRICO 



0'"^07985 matéria 
08^07220 sulfato de bai-yta 



PHYSICAS E NATURAES 319 

COMPOSIÇÃO CENTESIMAL 

Theoria Experiência 

C 46,69 46,88 

H 4,97 4,91 

S 12,50 12,42 

S03 31,25 31,05 

Até agora no que tenho achado perfeita dessemelhança entre os 
saes das bases derivadas das binitronaphlaUnas isomericas, é na forma 
cryslaUina, pois não só os iodui-etos, senão também os sulfatos e chlo- 
rurelos crystallisam em syslemas diíTerentes. 

Conto poder apresentar a descripção completa de todos estes crys- 
taes, porque a isso se promptiíica o sr. dr. Costa. 

Em conclusão: as binilronaphlalinas a e p, pela acção do acido 
iodhydrico, dão dois ioduretos dislinclos pela forma cryslaUina. É pro- 
vável que as bases d"estes saes sejam também distinctas; o estudo (i'el- 
las fará parte da segunda publicação. No numero seguinte d'este jornal 
publicarei, além dos caracteres crystallographicos, differentes reacções 
que facilitam a distincção entre os derivados das dinitronaphtalinas, que 
constituem, sem duvida, pelo que vimos já, um curioso exemplo de iso- 
meria. 

Novembro, 1869. — Laboratório da Escola Polytechnica. 



JORN. DE SCIENC. MATH. PHTS. E NAT. — N. VllI. 22 



320 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



2. I\ota sobre uma nova base homologa da kyanéthina 

POR 
ALEX. BAYER 



O anno passado annunciei o descobrimento de uma nova base ho- 
mologa da kyanéthina, descripta em 1848 por Frankland e Kolbe^ Para 
obter este resultado empreguei um methodo análogo. Fiz actuar o só- 
dio sobre o acetonitrile, que obtive desliydratando a acelamida pelo aci- 
do phospborico anhydro, e distillando o producto d'esta reacção sobre 
magnesia e clilorureto de cálcio. 

Verifiquei, antes de proceder ao ataque, a pureza do acetonitrile 
pelo ponto de ebuUição constante a 77° c. e por meio da sua analyse 
orgânica. 

Prepara-se a base do modo seguinte : corta-se o sódio em peque- 
nos fragmentos, e lança-se dentro de uma retorta, juntando depois a 
pouco e pouco o acetonitrile até que haja um excesso d'este ultimo cor- 
po. A retorta, sobre banho de arêa, pi^e-se em communicação com um 
refrigerante de Liebig. A reacção do sódio sobre o acetonitrile é vio- 
lenta; ao principio, formam-se muitos gazes, que julgo análogos aos que 
Kolbe e Frankland acharam nas experiências relativas á kyanéthina. 

O liquido da retorta torna-se cada vez mais espesso, e depois de 
separado o excesso de acetonitrile, transforma-se n'uma massa amarella 
sem vestígio algum de sódio. Ensaiei a quantidade de producto obtido, 
o que para mim era interessante, por isso que Kolbe e Frankland o não 
poderam fazer. Apenas obtiveram vestigios da sua base, sem fixarem 
theoricamente a constituição d'ella, nem a dos seus homólogos. 

Depois de analysar a mistura existente na retorta, achei que 0^'",3765 
de substancia deram O^^^â 175 de sulfato de soda, — o que corresponde 
a 0S'",1501 de cyanureto de potássio, equivalente a 39,7 7o de cyanu- 
reto na mistura. 

^ Annalen der Chem. nnd Pharmacie, LXV, 249. 



PHYSICAS E NATURAES 321 

Este resultado está perfeitamente de acordo com a theoria. Assim 
o indica a seguinte equação, 

4 (C2 H3 Az) + Na=C6 Hg Azs + Na C Az + C Hs 

que exige 38,6 7o de cyanureto. 

Era pois evidente que se tinham transformado na base nova, quasi 
73 7o de acetonitrile. 

O contheudo da retorta, tratado pela agua e evaporado, produziu 
grande quantidade de crystaes escuros. Pelo carvão animal consegui fa- 
zel-os completamente incolores. São estes crystaes os que constituem a 
base, que é talvez o primeiro membro de uma serie homologa corres- 
pondente aos nitriles dos ácidos gordos, devendo notar-se que as diffe- 
renças do carboneo e do hydrogenio se referem a Ca He. Tenciono bre- 
vemente ensaiar se o acido cyanhydrico será susceptível, por condensa- 
ção tripla de produzir uma base análoga. Então verei a natureza dos ga- 
zes formados n'esta reacção. 

Na serie aromática já se conhece uma base correspondente, gerada 
pelo benzonitrile, como menciona HoíTmann no seu trabalho sobre os 
nitriles dos ácidos amicos. 

Proponho para a base que descobri, o nome de hjanmétkina, aná- 
logo aos nomes conhecidos de kyanéthina e de kyanphenina. 

Sêcca a 100° c. deu os seguintes resultados analyticos: 

ANALYSE DO G E H 

oe^3680 matéria 
Og^7885 C02 
0'5^2520 H2O 

ANALYSE DO Az 

0«^31125 matéria 

93'^^5 azote P =749'"" t = 20° c. 

COMPOSIÇÃO CENTESIMAL 

Theorica Achada 

C 58,50 58,44 

H 7,35 7,62 

Az 34,15 33,80 

22. 



322 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Este resultado conduz á fórmula 

Ce Hg AZ3 

Não determinei a densidade de vapor desta substancia por ser ho- 
mologa com a kyanétliina, a qual foi submellida, pelos cliimicos que a 
descobriram, a todas as determinações necessárias, 

A forma crystallina d'esta base foi estudada pelo sr. dr. Costa, lente 
de mineralogia na escola polyteclinica. Aqui apresento os resultados, que 
devo á benevolência com que me quiz honrar este distincto professor. 

Systema de crystallisação monoclinico. — Forma fundamental da serie. — 
Pyramide de base rhomba, com o eixo inclinado á base no plano da dia- 
gonal, ou macrodiagonal. Dimensões relativas da forma fundamental, e 
inclinação do eixo indeterminadas. 

Symbolo da forma composta que os crystaes apresentam — segun- 
do^o systema de notação de Naumann 

+ •^0 — ^00 ooP mP.o 
2 ' 2 * 



Consideramos o prisma de secção transversal rhomba como o pris- 
ma correspondente á forma fundamental, tendo por conseguinte a sua 
secção transversal egual á base desta forma, e por isso o notamos pelo 
symbolo ocp. Os ângulos planos da sua secção, e por tanto os ângulos 
diedros nas suas arestas obtusas e agudas são de 110" 30' e 69'' 30'. 

O prisma ooP é modificado sobre cada uma das arestas agudas por 
uma faceta egualmente inclinada sobre as faces adjacentes. A forma cor- 
respondente a esta modificação é o clino-pinacoide m.P. o. 

Em cada uma das extremidades do prisma ooP.m. P.o, ha três fa- 
cetas; duas d"estas são homologas, acham-se unidas entre si pela aresta 
terminal mais curta da forma a que pertencem, e limitam com as ho- 
mologas da extremidade opposta a metade positiva de uma pyramide 
inclinada de base dessemelhante, ou clino pyramide, cujo symbolo é 

~'~~ A terceira faceta, não homologa com as outras duas, apresenta 

mi 

uma aresta de combinação horisontal com o clino pinacoide m. P. o, e 
completa com a homologa opposta o clino doma ^ 



PHYSICAS E NATURAES 323 

Incidências das faces : 



a sobre a =122":= aresta terminal curta de 



è = 113° = aresta de combinação entre 



+ ^n — ^c 



2 2 



I ^Q 

a » c= 138" e 115°. A face de \^^ , que é pentagonal é cortada 

pelas duas faces do prisma ooP, que se 
juntam na mesma aresta obtusa: os valo- 
res indicados são os ângulos diedros d'es- 
tas duas arestas de combinação. 

a » d= 117°? Não dou por exacta nenhuma das medidas; mas esta 
é de todas a mais duvidosa. 

b » c=HC°. As arestas de combinação entre — ^ — e ooP sâo 

duas, mas de egual valor. 

^^ 

b » 6?= 133°. Esta aresta de combinação entre — r — e mPo é 

Já 

horisontal. 

c » f/= 124°,45'. As duas arestas de combinação entre ooP e mPo 
são eguaes. 

O crystal é incolor ou mui levemente tirando para amarellado, se- 
mitransparente, de brilho apenas luzente sobre as suas faces, que todas 
são um pouco deseguacs, ou ásperas. Pareceu-nos descobrir nas falhas 
indícios de lascado fácil, parallelamente á aresta terminal da chno pira- 

míde -^ 

A kyanméthina dissolve-se facilmente e em grande quantidade na 
agua; por este motivo não é precipitada pelos alkalis das suas dissol- 
luções salinas. 

É menos solúvel no álcool, e no cther, separando-se das suas solu- 
ções aquosas sem agua de crystallisação. 

Funde á temperatura de 180 a 181° c. e sublima-se sem decompo- 
sição em agulhas delgadas e mui brancas. O seu vapor tem cheiro des- 
agradável e irritante, provoca a tosse. O sabor é amargo e análogo ao 
da quinina. É tal a fixidez da nova base que pôde fundir-se com potassa 



324 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

cáustica, sem que seja possível decompor-se. Aquecida com agua n'um 
tubo fechado, á temperatura de 180° c, decompõe-se parcialmente e dá 
acido acético e ammoniaco. Reconheci o primeiro corpo pelo sal cara- 
cterístico de prata, e o segundo por uma determinação de platina no sal 
duplo de platina e ammonio. 

Tlaeoria Experiência 

Platina 44,30 44,24 

Da mesma forma, porém mais diíScilmente, se decompõe em pre- 
sença do acido iodhydríco fumante. 

Por esta occasião ensaiei a acção do acido iodhydríco sobre o ace- 
tonitrile. 

Depois de cinco horas de aquecimento a 120° c. a reacção tinha-se 
completado. O iodureto de ammonio separou-se crystallisado, e o liqui- 
do continha grande quantidade de acido acético. 

Os agentes oxydantes atacam mui pouco ou quasi nada a nova base. 
Fallarei mais circumstanciadamente d'esta acção n'outro numero d'este 
jornal. Por agora limitar-me-hei a descrever alguns saes. 

Chiorureto de kyanméthina. — Este sal obtem-se neutralisando a base 
pelo acido chlorhydrico. Forma lindos crystaes brancos que se grupam 
em feixe. 

É solúvel na agua, menos solúvel no álcool e muito estável. Subli- 
ma-se entre 200 e 250° c. sem se fundir, decompondo-se apenas uma 
parte insignificante. Aquecido com um alkali, sublima-se a base sem 
soffrer decomposição. 

Analyse do chiorureto secco a 100° c. : 

ANALYSE DO C E H 

0^^2045 matéria 
Ofc'^3400 C02 
OeM220 H2O 

ANALYSE DO ChLORO 

Os',2535 matéria 
0^^2255 Ag Cl 



PHYSICAS E NATURAES 325 

COMPOSIÇÃO CENTESIMAL 

Theorica Experimental 

C 45,14 45,45 

H 6,27 6,65 

Az 26,39 )) 

Cl 22,20 22,0i 

100,00 

A fórmula d'este sal é Ce Hg Az3 , H Cl. 

O bichlorureto de platina produz, nas dissoluções um pouco con- 
centradas d'este chlorureto, um precipitado crystallino amarello que é 
o duplo sal de kyanmélbina e platina. É facilmente solúvel este composto 
em agua quente, porém pouco no elher e no álcool. Em solução aquosa 
crystallisa em prismas delgados, que algumas vezes se unem em laminas 
cor de ouro. Cheguei a obtel-os com dois centímetros de comprimento. 

ANALYSE DA PlATINA 
I II 

OgS27000 matéria Os^06895 matéria 

0=^08025 platina 0»"'-,02050 platina 

Theoria Experiência 

Platina . . . 30,05 29,80 29,73 

Fórmula d'esle sal: 

CeHgAza, HCl, Pt CR 

O bromureto de kyanméthina crystallisa também em agulhas delga- 
das. 

lodnrcto de kyanmclhina. — Os crystaes doeste sal são mais solúveis no 
álcool e na agua que os do chlorureto. Pelo aquecimento desenvolvem 
primeiro acido iodhydrico, depois iode e productos oleosos até total de- 
composição. 

A forma crystallina parece-se com a do gesso, e foi ainda o sr. dr. 
Costa quem, a nosso pedido, a estudou. O iodureto apresenta-se em la- 
minas delgadas, que pela figura das suas faces, e pela posição relativa 



326 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEiMATlCAS 

dos estreitos planos que as limitam sobre os bordos não podem consi- 
derar-se senão como prismas oblíquos de bases de parallelogrammo obli- 
quanguio; esta forma composta nao pôde pertencer senão ao systema 
tetarto prismático de Mohs, ou o que vem a ser a mesma coisa, a um 
ou outro dos C.° e 7.° systemas de crystallisação, isto é, ao systema di- 
ou triclinico. 

Não me attrevo a estabelecer com segurança o S}'mbolo crystallo- 
graphico d'estas laminas cryslallinas; direi somente como meio de facili- 
tar a intelligencia da descripção, que pode bem ser a forma composta 
que estas laminas apresentam uma combinação dos três pinacoides, re- 
presentada pelo symbolo seguinte. 

oP . mPo . mPo 
a. c. b. 

N'esta hypotbese tomámos as faces largas das laminas como oP. 
As facetas correspondentes aos lados maiores dos parallelogrammos obli- 
quangulos que limitam oP serão as faces de mPo, e as corresponden- 
tes aos lados mais curtos, as de mPo. 

Os ângulos planos da face a são : 

a sobre h =135° a sobre c =99° 

a » 6' = 45° a » c' = 82° 

As incidências de h sobre c não se podem medir; mas pouco dif- 
ferem dos ângulos planos correspondentes na face a. 

Estes crystaes apresentam-se também unidos em composição regu- 
lar, sendo o plano de juncção parallelo á face de mPo, e o eixo de re- 
volução uma linha perpendicular a esta face. Esta composição dá ás la- 
minas um aspecto mui semelhante ao de ferro de lança. 

Estas laminas teem uma cor de ganga levemente avermelhada, ou 
uma cor de carne muita clara: são apenas translúcidas, brilhantes nas 
faces de crystallisação, e ainda mais nas de lascado, mui fáceis de obter 
nas três direcções das faces de crystallisação : se ha alguma diíTerença 
é para menos facilidade na direcção parallela ás faces de oP, nas quaes 
o brilho é também menos vivo. 

Nitrato de kyanméthina.— Este composto, que se obtém neutralisando 
a base pelo acido nitrico diluído, apresenta-se, depois de crystallisado no 
estado neutro, em prismas cortados obliquamente e grupados em feixes. 



PHYSICAS E NATURAES 



327 



Este sal é muito menos solúvel que as outras combinações já des- 
criptas. Decompõe-se a 200° c. sem entrar em fusão, e deixa residuo car- 
bonoso. Percebe-se o cheiro da acetamida que pelo esfriamento dá crys- 
taes em agulhas. Uma analyse confirma a seguinte fórmula do nitrato. 

Ce H9 Az3, H, AzOa 

Sulfatos de kyanméthina. — O sulfato neutro 2 (Ce Hg Aza OH) SO2 é 
muito diíTicil de crystallisar em sokição aquosa. 

Um excesso de acido sulfúrico dá um sulfato acido com duas mo- 
léculas de acido sulfúrico, que, pela evaporação no recipiente da machina 
pneumática, crystallisa em agulhas, mui pouco amarelladas, muito hy- 
groscopicas, e com sabor extremamente acido. 

ANALYSE DO AcmO SULFÚRICO 





0S'-,2o6 matéria 






0^^372 Ba S04 






Theoria 


Experiência 


S03 . . 


50,19 


. . 49,89 



Oxalato de kyanméthina. — O oxalato neutro crystallisa em prismas bran- 
cos de base rhomba. Secco a 100° c. deu os seguintes resultados 

I 

0"^292^5 matéria 
0s^53900 C02 
0»^15700H"2O 

II 

0«^20040 matéria 

0"^03323 CaO, que corresponde a O^^OSSii 

anhydride de acido oxalico p^Qu 

III 

0«',3619 matéria, secca ao ar, perdeu a 100° c, 0,0344 de H2O. 



328 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

Theoria Experiência 

C 50,00 50,32 

H 5,95 5,97 

cooh|-^«''« '-'''' 

2H2O.... 9,68 9,50 

Fórmula do oxalato : 

A 222*' funde, com desenvolvimento de gazes e de vapor aquoso ; 
a temperatura depois baixa continuamente, e apparece um sublimado que 
é de kyanméthina. 

Reconheci este facto, não só pelo ponto de fusão do sublimado ser 
a 180" c. mas também pela sua forma crystallina. Não contente com isto 
fiz d'elle um sal duplo de platina e dosei esta. 

Os ácidos acéticos e citrico também se combinam com a base, dan- 
do citratos e acetatos que crystailisam difficilmente. 

O acetato torna-se básico por evaporação das suas soluções, como 
Kolbe verificou que acontecia com o acetato de kyanéthina. 

É do meu dever antes de concluir este trabalho, dar publico tes- 
temunho do meu reconhecimento ao sr. dr. Costa, que examinando al- 
guns dos compostos por mim preparados, enriqueceu a historia doesta 
nova base. 

Laboratório da Escola Polytechnica. Setembro de 1869- 



PHYSIGAS E NATURAES 329 

PHYSIOLOGIA 

Funcções do nervo de Wrisberg. 

POR 
M. BENTO DE SOUSA 



Segundo o que ensina a physiologia actual, dos quatro sentidos 
alojados em cavidades limitadas só três tem nervos sensoriaes, o ópti- 
co, o olfaclivo e auditivo, e um par para cada sentido, havendo para o 
quarto, o do gosto, nervos mixtos, o glossopharyngeo e o lingual do 
trigemio, e dois em vez de um, o que faz, não uma, mas duas exce- 
pções á regra geral. 

A maior riqueza de nervos não dá, ainda assim, razão de todas as 
sensações do gosto, e o nervo corda do tympano, parecendo a muito 
notáveis physiologistas transmissor de algumas d'essas sensações, coUo- 
ca-os em tal embaraço sobre o modo de explicar o facto, que se o nervo 
facial, de que julgam provir a corda do tympano, não fosse claramente 
motor, já ha muito leriam feito d'elle um terceiro nervo gustativo. O fa- 
cial, porém, c um nervo indubitavelmente motor, e a influencia gusta- 
tiva da corda do tympano, que tenho por verdadeira, fica por explicar 
perante a corrente theoria, como por explicar ficam também alguns ca- 
sos pathologicos, e alguns resultados experimentaes que apparentemente 
se contradizem. 

Esta falta de ordem, inteiramente opposta á simplicidade com que 
a natureza dispoz a innervação nos sentidos da vista, do alfacto e do ou- 
vido, convida a estudar de novo a questão, com tanto que haja o cui- 
dado de confrontar uns com outros todos os elementos de estudo, que 
possam ser fornecidos pela dissecção anatómica, pelo exame microscó- 
pico^ pela physiologia experimental e pela observ-ação clinica. 

Dirigido o trabalho por esta forma, chega-se a um resultado, que 
está em completo desacordo com a doutrina geralmente recebida. Este 
resultado, que ó a confirmação de uma idéa que logo no começo do es- 



330 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

tudo se levanta como uma suspeita, é cabalmente demonstrado pela ana- 
tomia e pela microscopia, explica todos os fados palhologicos que se não 
entendiam, põe em harmonia as experiências que se contradiziam, es- 
tabelece no gosto a mesma unidade nervosa que ha nos outros sentidos, 
e, dando entre o gosto e o olfacto uma ligação anatómica que condiz 
com a sua ligação physiologica, torna perceptíveis os casos, até hoje 
inexplicados, de terem possuído um tal ou qual olfacto, indivíduos que 
pela autopsia se conheceu não possuírem nervos olfactivos. 

Assim, lendo toda a historia do sentido do gosto, vê-se que sendo 
indubitável a sua existência, foi a necessidade de haver nervos para elle, 
que levou os physiologistas a darem a funcção de gustativo successiva- 
mente ao grande hypoglosso, ao língual, ao glossopharyngeo, e que essa 
necessidade os levaria hoje a dar semelhante funcção ao facial, se a sua 
natureza de motor não fosse ainda conhecida. Successivamente também 
foram sendo postos de parte o hypoglosso por ser motor, o lingual por 
se distribuir só na parte anterior da língua, e o glossopharyngeo por 
se distribuir só na parle posterior, acabando-se por se adoptarem con- 
correntemente os dois últimos, por ser esse o único modo de fazer cor- 
responder a um sentido extenso em superfície de sensibilidade, uma dis- 
tribuição nervosa tão extensa como ellc;. 

Percorrendo depois a historia dos nervos craneanos, vê-se que ha 
um d'elles, para o qual se tem successivamente admittido a qualidade 
de motor, de sensitivo e de sympathíco. Successivamente também lhe 
vão sendo negadas a qualidade de motor, e a de sensitivo, e se ainda 
hoje a physiologia lhe conserva a de sympathíco, não é porque ella es- 
teja demonstrada, mas só porque, existindo o nervo, alguma funcção se 
lhe ha de dar. 

Por este parallelo, havendo de um lado uma funcção, a gustativa, 
que precisa de um nervo, e do outro um nervo, o deWrisberg, que pre- 
cisa de uma funcção, acode já a suspeita, de que ha pouco faltava, isto é, 
que o intermediário de Wrisberg possa ser o nervo do gosto. 

Vae-se então á anatomia procurar a demonstração ou a refutação 
d'esta idéa, e a anatomia responde que ha continuidade nervosa desde 
a origem do nervo até á superfície gustativa. O nervo deWrisberg, que 
as vivisecções demonstraram já não ser sensitivo, nasce do centro ner- 
voso por uma origem que não é análoga ás dos nervos motores, e vae 
terminar todo no ganglio geniculado. D'este ultimo partem três ramos 
nervosos, um que vae em grande parte constituir o nervo grande pe- 
troso superficial, outro que vae com alguns filetes do facial constituir o 
nervo pequeno petroso superficial, o terceiro e ultimo que segue o fa- 



PIIYSICAS E NATURAES 331 

ciai para com alguns filetes cFelle constituir a corda do tympano. O nervo 
grande petroso vae ao ganglio de Meckel, do qual saem ramos para a 
parte posterior e inferior das fossas nasaes, para a abobada palatina, 
para o véo do paladar, encontrando-se em alguns indivíduos um filete 
que sae pelo canal palatino accessorio e segue o pilar anterior do véo 
até á lingua. 

O pequeno petroso vae ao ganglio otico, do qual saem ramos que 
se unem ao lingual, para irem terminar na parte anterior da lingua, 
indo os filetes devidos ao facial para a glândula parotida pelo ramo tem- 
poro-auricular. A corda do tympano vae reunir-se ao lingual, e abandona 
os filetes do facial á glândula submaxillar. 

Finalmente dos dois petrosos superficiaes partem dois ramúscu- 
los, os petrosos profundos, que vão unir-se ao glossopharyngeo, com- 
pelindo ao methodo Waleriano decidir se realmente elles vão dos petro- 
sos superficiaes para o glossopharyngeo, ou vem d'este para aquelles. 

Vae-se depois buscar o auxilio do citado methodo Waleriano, e á 
excepção dos dois petrosos profundos, vê-se que para os outros ramos 
eUe demonstrou já que os filetes nervosos caminham do nervo de Wris- 
berg para o trigemio, e não do trigemio para o nervo de Wrisberg. 

Em seguida examinam-se as experiências physiologicas, e acha-se 
que aquellas que provavam a funcção gustativa para o lingual e glosso- 
pharyngeo, provam-na egualmente para o nervo de Wrisberg, e aquellas 
que negavam tal funcção aos primeiros dois nervos, continuam a demons- 
tral-a no ultimo. 

Por fim passa-se uma revista aos casos clínicos, e entende-se en- 
tão por que lesões do rochedo perverteram ou aboliram o sentido do 
gosto (do mesmo modo que os cortes dos experimentadores deram ou 
não o mesmo resultado, conforme se faziam nos nervos contidos no 
aqueducto de Fallopio, acima ou abaixo do ganglio geniculado). Egual- 
mente se fica percebendo por que as lesões intracraneanas do trigemio 
perverteram ou não o gosto, conforme comprehenderam ou não os pe- 
trosos, que passam por baixo do ganglio de Gasser. 

Depois de tudo isto, compara-se o sentido do gosto com os outros, 
e vê-se que fica existindo uma perfeita uniformidade, havendo um nervo 
óptico para ver, um acústico para ouvir, um olfactivo para cheirar, e 
um gustativo para gostar. D estes quatro sentidos dois nos apparecem 
auxiliando-se mutuamente e são o olfacto e o gosto; o olfacto auxiliando 
o gosto por meio do nervo olfactivo, o gosto auxiliando porventura o 
olfacto por meio dos ramos nasaes do ganglio spheno palatino, que se- 
riam os encarregados de receber e transmiltir a sensação nos indivi- 



332 JORNAL DE SGIENCIAS MATHEMATICAS 

duos, que (como no caso de Marie Lemens, citado por mr. Cl. Bernard) 
tinham olfacto e não nervos olfactivos. 

Todos estes pontos, que tenho indicado, tenciono desenvolver em 
escripto que apresentarei, logo que conclua os trabalhos que emprehendi 
com este filo, trabalhos que demandam tempo e paciência. É a apre- 
sentação d'esse escripto desenvolvido, que esta nota tem por fim an- 
nunciar. 

Lisboa, 2 de dezembro de 1869. 



PHYSICAS E NATURAES 333 

ZOOLOGIA 

Aves das possessões porluguezas {l'Africa ôccidenlal 

POR 
J. V. BARBOZA DU BOCAGE 



QUARTA LISTA * 



Comprehendemos na presente relação aves de diversas procedên- 
cias, remettidas durante o anno passado e o actual pelo sr. José d'An- 
chieta, que tem continuado a mostrar-se no desempenho da sua árdua 
commissão digno rival dos mais ousados e intelligentes exploradores. 

A contar dos princiíiios de 18(58, o sr. José d'Ancliieta visitou os 
sertões de Mossamedes e Bcnguella, demorando-se na Huilla, em Quil- 
lengues e Caconda, do iri." ao 14." grau de latitude meridional, e alTas- 
tando-se do littoral até á distancia de 3 graus; depois, em março do 
corrente anno, regressou a Loanda, d'onde se dirigiu pelo Quanza ao 
Dondo, localidade que tem assumido n'estes tempos uma notável impor- 
tância commercial ; d'ahi passou a Pungo-Andongo e Ambaca, mais no 
interior, e por fim á barra do Dande, d'onde voltou a Loanda em prin- 
cipies d^outubro. 

Para que se avalie devidamente a maneira por que o nosso hábil 
explorador se tem havido no desempenho de tão difficil e arriscada com- 
missão, é preciso que se attenda não só á importância e merecimento 
das coUecções que nos tem remettido, mas também á brevidade do tem- 
po e ás condições desfavoráveis em que se tem quasi sempre encon- 
trado. 

O modesto subsidio d'onde saem todas as despezas da exploração 
seria, só por si, um obstáculo invencível para qualquer outro que não pos- 

' V. Jornal de sciencias Mathematicas, Physicas e Naturaes, num. II, p. 129, 
num. IV, p. 324 e num. V, p. 38. 



334 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

suisse OS elevados dotes de intelligencia e vontade que caracterisam o 
sr. Anchieta. 

Forçado pela escacez de recursos pecuniários a reduzir a sua co- 
mitiva a menos do que exigem as necessidades da exploração e a segu- 
rança do explorador, quasi só e mal armado, ainda assim não hesitou 
um instante em aíTrontar os maiores perigos para ir devassar os inhos- 
pitos sertões da nossa Africa occidental. Senão é virtuosa abnegação este 
desprendimento de todos os interesses a que o commum dos homens 
costumam prestar fervoroso culto, se não é coragem esta fortaleza de 
animo com que a todo o momento se malbarateia a vida, se não é he- 
roísmo este sacrifício absoluto de si mesmo aos progressos da sciencia; 
n'esse caso deverão supprimir-se taes palavras por inúteis do nosso vo- 
cabulário. 

Considerados numericamente os exemplares obtidos pelo sr. An- 
chieta desde o começo de seus trabalhos, e que jâ se acham deposita- 
dos no museu de Lisboa, podem dar uma idéa da actividade e zelo do 
nosso explorador. Só as aves por elle colligidas e preparadas attingem 
quasi o numero de 700. Em reptis e mammiferos, as suas remessas não 
tem sido, proporcionalmente, menos ricas; e ha ainda a accrescenlar aos 
specimens d'estas duas classes, numerosos exemplares de peixes, crus- 
táceos, insectos e de outros grupos zoológicos. 

Não pôde porém representar-se por números o verdadeiro mere- 
cimento scientifico d'estas coUecções. Para comprehender o que ellas va- 
lem, e apreciar ao mesmo tempo todo o alcance e importância da ex- 
ploração com tanta felicidade emprehendida pelo sr. Anchieta, é indis- 
pensável examinar attentamente os elementos de que se compõem, e 
destacar d'elles tudo quanto é novo para a sciencia, tudo quanto am- 
plia ou rectifica os nossos conhecimentos acerca de uma fauna que bem 
pôde dizer-se ainda hoje em grande atraso. 

D'este exame nos temos incumbido ha tempos relativamente ás aves 
e reptis. Em vários números d'este jornal jâ consignámos os resultados 
do nosso estudo sobre as collecções successivamente remettidas pelo sr. 
Anchieta, e vamos proseguindo no mesmo empenho. 

Dos peixes e crustáceos tem-se occupado já o sr. Capello, e sem 
duvida dará a este estudo maior impulso agora que tem já terminada a 
publicação do catalogo dos peixes de Portugal, com o que se acha pre- 
enchida uma das mais importantes lacunas da fauna portugueza. 

Os mammiferos, principalmente os pequenos mammiferos, não oíTe- 
recem menos interesse, nem promettem descobertas menos importantes 
do que as outras classes de vertebrados. Para alcançar com segurança 



PHYSICAS E NATURAES 335 

a determinação de muitos exemplares, recorremos á provada competên- 
cia do professor Peters de Berlim *, e com o auxilio d'este abalisado zoo- 
logista esperamos poder em breve incluir na fauna das regiões occiden- 
taes d'Africa varias espécies, ou totalmente inéditas para a sciencia, ou 
consideradas até aqui como próprias d'outras regiões. 

Estão infelizmente por determinar as collecções de invertebrados, 
em que avultam os insectos. Quando tivermos de todo perdido a espe- 
rança de alcançar para o museu auxiliares que se occupem especialmente 
destes ramos da zoologia, e sigam o brilliante exemplo do nosso actual 
naturalista adjunto, procuraremos no estrangeiro algumas pessoas que 
no interesse da sciencia se prestem a coadjuvar-nos. 

A lista de aves que actualmente damos á estampa comprehende 
135 espécies, e é quasi exclusivamente composta dos exemplares remet- 
tidos pelo sr. Anchieta: addicionamos-lhe tão somente uma pequena, mas 
interessante, coUecção de aves d'Angola que devemos á generosidade do 
sr. Toulson, um dos mais estimáveis e inlelligenles negociantes de Loan- 
da, e vários specimens vivos que por vezes nos tem trazido de varias par- 
tes da costa occidental o sr. Freitas Branco, a quem já temos tido occa- 
sião de citar como uma das pessoas que mais tem concorrido para o 
desenvolvimento e prosperidade do nosso museu nacional. 

As espécies novas que vão precedidas do signal * foram determina- 
das pelos srs. Hartlaub e 0. Finsch, a cujo exame as submettemos. 
Como deverão ser brevemente descriptas no appendice á obra sobre as 
aves da Africa oriental^, que estes eminentes ornithologistas estão pu- 
blicando, julgámos dever por isso omittir as diagnoses d'essas espécies, 
que se encontrarão habilmente traçadas n^aquella obra. 



* Eis o que nos diz rccentfmentc o professor Peters acerca da colleccão de 
manimiferos que submettemos ao seu exame : 

«11 y a 14 Cliiropleres, dont 3 espèces nouvelles, un insectivore (macros- 
cellides intnfi) et 12 rongeurs, dont un est nouveau ; en tout 27 espèces, dont 4 
nouvelles. 11 en a 12 qui se recontrent aussi à Moçambique.» 

2 Hartlaub und 0. Finsch. Systematische Uebersiclit der Vogel Ost-afrika*s. 

JORN. DE SGIENC. MATH. PHYS. E NAT. — N. VIII. 23 



.330 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

{. Gypohicrax angolensis. (Gm.) 

Um magnifico exemplar adulto. Angola. Sr. Toulson. 

2. Butco auguralis. Salvadori. {Atti delia Soe. ilal. Sc. nat. 18G6) 

Biiteo dfísertonim. Antinori fCat. descr. di mia coll. ncc. 1864). 
Buteo Delakuidi? jov. Boc. fJorn. se. math. phys. e nat. 1867, p. 
Í3I). 

Referimos a esta espécie três exemplares qne possuímos oriun- 
dos de diversas localidades do sertão d' Africa Occidental. O primeiro 
é um exemplar joven que recebemos do Duque de Bragança e in- 
cluímos na nossa primeira lista, juntando-lhe uma breve diagnose 
(v. loc. cit.). Este exemplar examinado posteriormente pelo nosso 
amigo J. Verreaux foi por elle referido ao B. auguralis. 

Tempos depois trouxe-nos o sr. Freitas Branco um magnifico 
exemplar adulto do interior de Benguella, no qual melhor se encon- 
tram os caracteres distinctivos da espécie apontados por Salvadori. 

O terceiro exemplar de maior estatura que o precedente e com 
differenças notáveis nas cores, assemelha-se mais ao joven: suppo- 
mos que é uma fêmea adulta. Este foi-nos remettido de Mossame- 
des pelo sr. Anchieta. 

De todos daremos uma abbreviada descripção. 

Mas. ad. — Supra nigricante-fuscus, macula niichali alba, plu- 
mis dorsi et alarum hriinneo-margiimtis ; capitis lateribiis et torqne 
cervicali rufo cariegalis; fronte, spatio ante-oculari gulaque al- 
bis; gutture pectoreque dorso concoloribus ; hypocondriis abdomine- 
quc albis, maculis magnis cordatis striisqiie nigris; subalaribus 
albis nigro-maculatis ; remigibus nigro-f useis, pogonio interno ver- 
sus basin albis; primariis ápice nigricantibus, secundariis nigri- 
cante fasciatis; cauda supra rufa faseia lata ante-apicali nigra, 
subtus grisea; eera pedibusque flavis, iride alba. 

Mas. jun. — Supra rufo-fuscus, plumis fuscis rufo limbatis: cer- 
vice magis rufesce?ite, macula nuehali parum couspicua alba; sub- 
tus rufescente-albus; fronte alba fusco-striata, gula alba; macula 
magna pectorali ntriusque rufescente- fusca; hypocondriis et epigas- 
trio maeulis cordatis striisque nigricantibus; abdomine imo, crisso 
et subcaudalibus immaculalis; remigibus griseo-fuscis, pogonio in- 
terno versus basin albis; cauda supra rufa, fasciis 8 transversis 
nigris notata, subtus grisea; rostro nigricante, cera et pedibus 
flavis. Long. tot. 45 centim. 



PHYSICAS E NATURAES 337 

Foemina ad. — Supra fusca, plumis cervicis et dorsi rufo lim- 
hatis, tectricibus alae marginibus pallidioribtis ; fronte gulaqiie al- 
bis nigro striatis ; inocula nuchali alba; subtus rufescente-alba, 
pecloris lateribus magis rufescentibus et maculis magnis fuscis 
nota t is ; hypocondriis fusco-striatis ; cauda supra rufa, dimidio 
apicali obsolete fasciata, fasciis duabus ante apicem magis distin- 
ctis, subtus grisea. Rostro nigricante, cera pedibusque flavis. Long. 
tota 52 centim., alae 39, caudae 23, larsi 8, rostri 4. 

3. Buteo desertorum. Vieill. 

Ura exemplar $ de Caconda. 

4. Spizaètus corona tus. (L.) 

Um exemplar novo d"Angola. Sr. Toulsoii. 

5. Spizaétas occípitalis. (Daud.) 

Um exemplar adulto. Angola. Sr. Toulson. 

6. Helotarsus ecaudatus. (Daud.) 

Um exemplar adulto. Angola. Sr. Toulson. 

7. iEsalon Dickinsonii. Sclater. (Ibis, I8G4 p. 305. pi. VIII.) 

Um exemplar S jov. de Caconda. A iris é cor de cafle, as pál- 
pebras e tarso d'um amarello vivo, segundo nos informa o sr. An- 
chieta. 

8. Tinnunculus rupicolus. (Daud). 

Vários exemplares provenientes da Huilla, onde os indígenas lhe 
chamam Katebi. íris cor de chocolate, cera e tarso d'um amarello 
vivo. 

* 

9. Milvus parasiticus. (Daud.) 

Exemplares de Quillengues, de Caconda e de Ambaca. p]screve- 
nos acerca d'elle o sr. Anchieta: — «É a ave de rapina mais vulgar 
em Ambaca, faz grande estrago nas gallinhas, que arrebata mesmo 
á vista e a pequena distancia da gente; aílirmam porém os indige- 
genas que não ataca os pombos domésticos.» 

10. Elanas melanopterus. (Daud.) 

Três exemplares de Ambaca. Nome vulgar Kahahtúa. íris ver- 

23« 



338 JORNAL DE SCTENCIAS MATHEMATICAS 

melho rutilante; cera e tarso d'um amarello avermelhado. Mandou- 
nos também o sr. Toulson um exemplar de Loanda. 

H. Mclierax musicus. (Daud.) 

Vários exemplares de Caconda —íris vermelha no adulto, ama- 
rella avermelhada no joven. 

12. Micronisus polyzonoides. Smitb, 

Três exemplares da Iluilla. íris vermelho-claro, 

13. Circiis aeruginosus. (L.) 

Da Iluilla. 

14. Gypogeranus scrpentarius. (Gm.) 

Temos um exemplar vivo ainda novo d'esta espécie, que nos 
trouxe de Benguella o sr. Freitas Branco. A iris é d'um branco 
levemente azulado. 

15. Atliene perlata. Vieill. 

De Quillengues e Ambaca. íris castanho. 

16. Bubo maculosus. Vieill. 

Um exemplar 5 em plumagem de transição, de Caconda. íris 
castanho. 

17. Nyctaetus Verreauxii. Bp. 

De Quillengues e Caconda. íris castanho. 

18. Scops capensis. Smith. 

De Pungo-Andongo. Nome vulgar Kaceia. íris amarello esver- 
deado. 

19. Scops leucotis. (Tem.) 

De Ambaca. Nome vulgar Kacôco. íris côr de laranja. 

20. Strix flamraea. L. 

Exemplares de diversas procedências: de Loanda pelo sr. Toul- 
son, da Huilla e de Ambaca pelo sr. Anchieta; n'esta ultima loca- 
lidade chamam-lhe Kangimíbe. 



PHYSICAS E NATURAES 339 

21. Cypseliis. Nova sp.? 

Minor qiiam C. apus; capite jugidoque hrimneo-fuliginosis, fronte 
pallidiori, gula albkante; if2terscapulioJergo,pectore abdomineque 
chalijbeo-nigris ; uropygio, supracaiidalibiis , alis caudaque brim- 
neo-faliginosis nittore nonmtllo virescente; rostro nigro, pedibus ni- 
nigricantibus. Cauda furcata. Long. lota O^^/ISG; alae 0°',154; 
caudae, rect. ext. 0°\0o3, rect. med. 0"',043; rostri a rictu 0™,016. 

Um exemplar único de Loanda oíferecido pelo sr. Toulson, secco 
em carne. Assemellia-se sem duvida ao C. apus, mas parece-nos 
distincto. Desvanecer-se-hiam as nossas duvidas se tivéssemos maior 
numero de specimens a comparar. 

22. HiruDílo angolensis. Boc. fJorn. se. math., phijs. e nat. 1868, p. 47), 

De Pungo-Andongo e Ambaca. Concordam estes exemplares per- 
feitamente com o da Iluilla sobre que descrevemos a espécie. 

23. Hirundo Monteiril. Hartl. 

Um exemplar d'Ambaca. 

24. EQrystomus afer. Lath. 

Um exemplar d'Angola. Sr. Toulson. 

23. Coradas caudata. L. 

Da Huilla, Quellengues e Ambaca. 

26. Coradas pilosa. Lath. 

Da Huilla. 

27. Halcjon striolata. (Licht.) 

De Quillengues, Pungo-Andongo e Ambaca. 

28. Haicjon cinereifrons. (Yieill.) 

D'Angola. Sr. Toulson. 

29. Ceryle máxima. (Pall.) 

D'Angola. Sr. Toulson. 

30 Merops aegyplius. Forsk. 

D'Angola. Sr. Toulson. 



340 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

31. Merops apíaster. L. 

De Caconda. 

32. Merops erylhropterus. Gm. 

Ura exemplar d'Ambaca. 

33. Irrisor senegalensis. Vieill. 

Da Huilla e Quillengues. 

34. Nectarinia Jardinei. Verr. 

Angola. Sr. Toulson. 

35. Nectarinia amethistina. Selby. 

De Caconda. 

36. Melocichla mentalis. Fras. 

De Caconda. 

37. Camaroptera olivacea. Sund. 

C. hrevícaudata. Hartl. (Orn. Ost-afr. p. 62). 
Um exemplar da Biballa. íris cor d'ambar. 

38. Curruca hortensis. (Gm.) 

Da Hnilla e Biballa. 

39. Mirmecociclila nigra. (Vieill.) 

Ambaca. Nome vulgar Kilangalangimbo. 

40. Saxicola Arnotti. Tristram. (Ibis, 1869, p. 206, pi. VI). 

Um exemplar S de Caconda. 

*41. Bradyornis raurinus. Hartl. et Finsch. (Orfi. Ost-afr. App.) 
Um exemplar $ de Caconda, ttjpo d'esla espécie. 

42. Pratincola rubicola. (L.) 

Caconda. 

43. Anthus caffer. Sund.? 

Supra ftisco-rufescens, pílpo obsciiriori; subtiis rufescens, gula 



PHYSICAS E NATURAES 341 

alba, pcctore fusco obsolete macidalo; siiperdlUs aJbo-rttfescentibtts, 
stria mystacali nigricante; tectricibus alae remigibusque fuscis pal- 
lide riifescente-marginatis; cauda nigricante-fusca, rectrícibus dua- 
bus extimis pogonio externo rufescentibus ; maxilla fusca, mandí- 
bula basi pallida, ápice fusca; pedibus pallidis ; iride castanea. 
Long. tola 0™,179,: alae O'", IO; caudae 0"\077; rostri 0™,020; 
larsi 0™,026. 
Um exemplar d'Ambaca. Nome vulgar Kaparala 
Apenas conhecemos o A. caffer. Sund. pela descripção de Layard 
(B. of South Afr., p. 123), com a qual o nosso exemplar parece 
concordar. Crêmol-o dislincto do A. sórdidas. Rúpp. 

44. Anthiis angoleasis. Nova sp. 

Supra griseo-olivasccns, plumis médio fusco-brunneis ; subtus ful- 
vescente-albus, jugulo pectoreque confertim fusco maculatis; abdo- 
mim\ hgpncondriisque fusco striatis; gula et abdomine médio im- 
maculatis; superciliis fulvescente-albis; tectribibus alae remigibus- 
que V ir escente- flavo limbatis; rectricibus fuscis, intermediis vires- 
cente-flavo limbatis, tribus lateralibtts macula trangulari alba po- 
gonio interno notatis, extimis etiam pogonio externo albo marginatis; 
maxilla nigricante, mandibula pallida ápice fusco; pedibus fíavi- 
dis; iride brunnea. Long. lota — 0™,180, alae 0,095, caudae 0,075, 
roslri 0,021, larsi 0,020. 

Um exemplar $ de Pungo-Andongo. Nome vulgar Kaparala. 

Não conhecemos espécie alguma d'este género com que esta possa 
confundir-se. Encontramos porém citada uma, o A. chloris Lichl., 
cujo nome nos faz ter vontade de a conhecer e comparar. Não te- 
mos infelizmente o catalogo de Lichtenstein de 1842, onde esta 
espécie vem descripta. 

45. Tiirdus slrcpilans. Smith. 

De Quillengues. 

4G. Turdus Verreauxii. Nov. sp. 

Minor. Supra griseus, superciliis fulco-albidis, regione paroíica 
fusco striata ; subtus albo-fulvescens, mento, guttiire pectoreque 
maculis triangular ibus fuscis; abdomine médio crissoque albidis, 
laleribus dilute fulvis, plumis ápice fusco limbatis; subalaribus 
ftilvis; remigibus fuscis^ pogonio interno fulvescente marginatis; 
tectricibus alae majoribus macula apicali fulva; cauda grisea 



342 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

fusco obsolete fasciolata; rostro córneo; pedibus pallidis; iride 
brunnea. Remige prima brevíssima, secunda qiiinlam ceqtiante. 
Long. tota 0™,220, alae O^^JSS, caudae 0™,090, tarsi 0™,027, ros- 
Iri 0'°,026. 

Assemelha-se algum tanto ao T. íliacus da Europa, mas é-llie 
um pouco superior na estatura e distincto nas cores. Julgamol-o 
inédito, e por isso o dedicamos ao nosso amigo Mes Verreaux, or- 
nithologista eminente e um dos mais notáveis exploradores da Africa 
austral e da Oceania. 

47. Cossypha Hcugllni. Marti. (Joimi. fur Ornith. 1866, p. 36) 

C. siãmifescens. Boc. Proceed. Z. S. L. 1869, p. 436. 
Dois exemplares de Caconda. 

* 48. Cossypha barbata. Hartl. et Finsch. (Ornith. Ost-afrika^s, App.) 
Dois exemplares de Caconda 

49. Pelrocinela brevipes. (Waterh.) 

Um exemplar joven de Caconda. 

50. Cratcropus affinis. Boc. (Proceed. Z. S. L. 1869, p. 436). 

De Quillengues. 

51. Crateropus Harllaiibil. Boc. (Jorn. de se. math. phys. e nat. 1868, 
num. V, p. 48). 

Um exemplar de Quillengues e outro de Caconda. 

52. Orloliis laryatus. Licht. 

De Quillengues. 

53. Oriolus Auderssonii. Nov. sp. 

0. bicolori simillis, sed diversus : vitta oculari strictiori atqiie 
minus producta, remigibus primariis iníits et extiis albicante mar- 
ginatis, rectricibiis qiiatuor intermediis nigro-flavis, reliquis totis 
flavis; rostro rubente, iride rubra. Long. tota 0'",24, alae 0",15, 
caudae 0'",075, tarsi 0™,022, rostri 0'",030. 

Distingue-se facilmente do 0. bicolor (0. atiratus. Sw.) pelos 
caracteres apontados na diagnose. Julgamol-o idêntico ao que vem 
citado por Layard na sua obra sobre as aves da Africa austral nos 
seguintes termos : «Mr. Andersson brought a species from Damara- 



PHYSICAS E NATURAES 343 

land agreeing with this (0. auratusj in every particular, except in 
having the tail yellow with the two central feathers black.» 

Não conhecemos ainda a descripção do O. notatus. Pet., de Mo- 
çambique que se diz também semelhante ao O. auratus. (Joiírn. 
f. Ornith. 18G8, p. 132). 

54. Ixos tricolor. Harll. 

Um exemplar dWngola pelo sr. Toulson. Exemplares d'Ambaca 
6 Pungo-Andongo pelo sr. Anchieta. N'esta ultima localidade cha- 
mam-lhe Kikuakula. O sr. Anchieta compara o canto d"esta ave ao 
do rouxinol. 

5o. Tchitrea cristala. (Gm.) 
De Caconda. 

*56. Muscicapa cinereola. Hartl. et Finsch. (Orn. Ost-afrika's, App.) Mus- 
cicapa modesta'! Boc. (Jorn. de se. math. phys. e vaturaes, 1868, 
num. V, p. 43). 

Da Biballa. 

57. Hjliota violácea. Verr. 

De Caconda. 

58. Campcpliaga phoenlcea. (Lath.) 

De Caconda. 

59. Ceblepjris pectoralis. Jard. 

De Caconda. 

60. Dicrurus diYaricatns. (Licht.) 

De Caconda. 

61. Collurio Smithii. Fras. 

De Caconda e Ambaca. 

62. Telephonns trivirgatus. (Smith.) 

Da Iluilla e Caconda. 

63. Telephonns erjthropterus. (Shaw.) 

De Caconda e Ambaca. 



344 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

64. Telephonus Anchictac. Nova sp. 

Minar, pileo et nitcha nitide nigris, stria stiperciliari nulla, lo- 
ris nigris; interscapulio ahisqite laete riifis, tergo et uropygio pal- 
lidioribiis, fulvescentibus ; snpraccmdolifms nigris, fidvescente mar- 
ginalis; remigibus primariís et secimdariis pogonio externo rufo, 
interno nigricante rnfo-limbato. Subtus ocliraceo-fulvus, gula alba 
et abdomine médio albicante; subalaribus ochraceo-ftilvis ; cauda 
nitide íiigra, fiilvescente-albo terminata, rectrice extima pogonio 
externo ftilvescente-alba: rostro valido nigricante, tomiis et mandi- 
bitlae basi albicantibits: pedibus nigris; iride pallide brunnea. Re- 
migium 4.* et 5.* fere aequales, prima brevis, vix dimidium qiiar- 
tae siiperans. Long. tota 0'",190, alae 0'",077, caudae 0™,081, tarsi 
0™,020, rostri 0™,024. 

De Pungo-Andongo. Nome vulgar Gundo. 

Acerca de seus hábitos diz-rjos o sr. Anchieta o seguinte: «At- 
tribuem-lhe os indigenas a singularidade de não cantar de dia; res- 
ponde de noite ao primeiro e ao ultimo canto do gallo, com uma 
nota muito dobrada, que termina em xé, xé, xé.» 

É impossível desconhecer as estreitas relações d'esta espécie com 
o T. minutus. Hartl. Proceed. Z. S. L. 1858, p. 292. Com quanto 
pareçam distinguil-a d'este caracteres de certa importância, como 
são — a ausência de risca snpraciliar e a cor uniformemente ruiva 
do dorso, é possível que estas differenças sejam apenas caracteris- 
ticas da edade, apresentando os exemplares novos os caracteres 
apontados por Hartlaub, e sendo a nossa descripção a da pluma- 
gem definitiva do adulto. Esta nossa suspeita, fundada no exame 
d'um specimen joven e em mau estado, carece todavia de confir- 
mação. 

65. Enneottouus collurio. Bp. 

De Caconda. 

66. Prionops Retzii. Wahlb. 

Prionops tricolor. Gray. (Proceed. Z. S. L. 1864. 

Dois exemplares de Caconda. íris amarella. 

Ambos teem o uropygio e coberturas superiores da cauda da cor 
do dorso e as pennas caudaes com os ápices brancos, pela forma 
descripta por Gray (loc. cit.). 



PHYSICAS E NATURAES 345 

67. Laniarius chrjsogaster. Sw. 

DWngola. Sr. Toulson. 

68. Urolestes cyssoides. Bp. 

De Quillengues e Huilla. 

69. Drjoscopus guttatus. Ilaill. 

De Pungo-Andongo. Nome vulgar Kissandamiichilo. 

70. Corviis capensis. Liclit. 

De Caconda. 

71. Corvus scapulatus. Daud. 

De Ambaca. Nome vulgar KUambalambe. 

72. Lamprotornis piirpureus. Boc. 

Um exemplar de Quillengues. 

73. Lamprocolius splendidus. Vieill. 

De Loanda. Sr. Toulson. 

74. Lamprocolius acoticaudus. Nova sp. 

Splendide viridi-auratus ; rerjione anriculan coeruleo-chalyhea; 
macula scapulari violaceo-piirpurescente, nitore cupreo; tectrici- 
biis alarum mediis maciili parva holosericea nigra ápice notatis; 
sub-alaribus nigris violáceo maculatis; remigibus primariis sectin- 
dariisque supra nigricantibus, pogonio externo et ápice splendide 
viridibus, subtus griseis; cauda elorigatula, gradata, supra dorso 
concolori et sub certa luce conspicue fasciolata, subtus nigricante; 
rostrn gracili pedibusque nigris, iride aurantiaco-flava. Long. tola 
0'",2dO, alae C^.lâS, caudae 0"\108, roslri 0™,021, tarsi 0™,029. 

Da Huilla e de Caconda. 

De todas as espécies d'este género que conhecemos é do L. phoe- 
nicopterus. Sw. que mais se approxima. Distinguem-no porém sufíi- 
cientemente a estatura, que é inferior, o tamanho e forma do bico, 
o comprimento e disposição da cauda, a cor cinzenta-clara das pen- 
nas das azas na sua face inferior, etc. 

Também recebemos na mesma remessa do sr. Anchieta dois ex- 
emplares de Lamprocolius da Huilla, d'outra espécie, que pelo re- 



346 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

flexo azulado da parte inferior do dorso e pela cor azul-violacea da 
região média do abdómen nos parecem dever referir-se ao L. cha- 
lyheus. Ehr. 

*75. Pholidauges Bocagei. Hartl. et Finscti (Oníith. Ost-afrika' s , App.) 
Phol. Verreauxii. Bocage in litteris. 

Vários exemplares de Caconda, Pungo-Andongo e Ambaca. 

76. Hyphantornis nigriceps. Layard. 

De Caconda e Rio Chimba. Nome vulgar Dicole. 

77. Hyphantornis mariquensis. (Smith). 

De Benguella. Nome vulgar Janja. 

78. Hyphantornis ocularins. (Smith). 

De Pungo-Andongo. 

79. Hyphantornis xanthops. Hartl. 

De Caconda. 

80. Euplectes xanthomelas. Riipp. 

De Caconda. 

81. Vidiia paradisea. (L.) 

De Loanda, pelo sr. Toulson. 

82. Vldua principalis. (L.) 

De Caconda. 

83. Urobrachya axillaris. Smith. 

De Caconda. 

84. Spermestes cuculala. Sw. 

De Caconda. 

85. Ortygospiza polysona. (Tem.) 

Um exemplar de Loanda pelo sr. Toulson. 

80. FringiUaria flaviventris. (Vieill.) 
De Caconda. 



PHYSICAS E NATURAES 347 

87. Alanda ruficeps. Rúpp. 

De Ambaca. 

88. Calandrites minor. Cab. 

De Benguella. 

89. PjTrhuIauda verticalis. Smith. 

De Loanda pelo sr. Toulson. 

90. Crithagra flaviventris. 

Da Huilla. 

91. Colius castanolus. Verr. 

De Pungo-Andongo. Nome vulgar Kingandé. 

92. Corjlhaix erythrolophus. (Vieill.) 

De Pungo-Andongo. 

9.3. Corythaix Livingstonii. (Gray.) 
Da Huilla. 

94. Turacus giganteus. (Vieill.) 

De Angola pelo sr. Toulson. 

9o. Schizorhis concolor. Smilh. 

Da Huilla e do sertão d'Angola pelo sr. Toulson. 

96. Bucorav abjssinicus. (Gm.) 

De Quillengues. Nome vulgar Kimgungo. 

97. Buccros alraíiis. Tem. 

Dois magníficos exemplares $ e $, de Cassange, pelo sr. Toul- 
son. 

98. Toccus melanolcucus. Licht. 

De Pungo-Andongo. Nome vulgar Stinguiandondo. 

99. Toccus elegans. Hartl. 

Da Huilla. 



348 JORNAL DE SCIlíNCIAS MATHEíM ÁTICAS 

* 100. Toccus i)allidirostris. Hartl. et Finsch {Ornith. Ost-afrika's, App.) 
Um exemplar de Caconda. 

101. Toccus erythrorliynchus. Tem. 

Da Huilla. 

102. Poeoceplialus Guiliclmi. (Jard.) 

De Angola pelo sr. Toulson. 

103. Poeocephalus Mcyeri. Rúpp. 

De Caconda. 

104. Laimodon unidentatus. (Liclit.) 

Do sertão d' Angola pelo sr. Toulson. 

105. Laimodon iiicjrithorax. Gray. 

De Pango-Andongo. Nome vulgar Kibcmdahimzi. 

106. Pogonias bidentatus. Shaw. 

De Pungo-Andongo e Ambaca. 

107. TrachyphoDus cafer. (Gm.) 

Da Huilla. 

108. Buccanodon Anchietap. Boc. (Prncecõ. Z. S. L. 1809, p. 436. pi. 
XXIX). 

De Caconda. 

109. Dendrobates namaquus. Licht. 

De Caconda. 

110. Dendrobates fulviscapus. III. 

De Caconda. Nome vulgar Bangida, que significa carpinteiro. 

111. Centropus monachus. Riipp. 

Da Huilla, Caconda e Ambaca. 

Distinguem-se dos exemplares da Africa oriental que existem no 
museu em serem sensivelmente maiores. N'uns as pennas que co- 
brem a cabeça teem reflexos metallicos que tiram para azul ferrete, 



PHYSICAS E NATURAES 349 

emquanto que n outro exemplar de Ambaca os reflexos são verdes. 
Dos dois specimens de Caconda um parece-nos evidentemente muito 
novo pelas dimensões e estado da plumagem, e todavia não se as- 
semelha ao C. superciliaris. Riipp., mas apenas se distingue do 
adulto em ter as coberturas das azas e cauda, o dorso e o uropy- 
gio riscados transversalmente de negro, ao passo que nos adultos 
estas regiões apresentam uma cor uniforme. Daqui julgamos po- 
der concluir que o C. monachus e o C. superciliaris são espécies 
distinctas e não uma só espécie como quer Schlegel. 

II "2. Centrojius superciliaris. Riipp. 

De Ambaca. Nome vulgar Mucuco. 

H3. Chrysococcyx auratus. (Gm.) 

De Angola pelo sr. Toulson. 

\\\. Trcron nudirostris. Sw. 

De Angola pelo sr. Toulson. 

lio. Turtur scmitoniualns. Sw. 
Da Iluilla. 

ilG. Turtur crjlhrophrys. Sw. 

De Pungo-Andongo. Nome vulgar Diamhc. 

117. Chalcopelia afra. (L.) 

De Angola pelo sr. Toulson, e de Puiigo Andongo. 

il8. Tyrapanistria bicolor. (Ueich.) 

De Pungo-Andongo. Nome vulgar Kahuhemhe. Os indígenas pre- 
tendem que a Chalcopelia afra é a fêmea d'esta espécie. 

119. Oena capensis. (L.) 

De Angola pelo sr. Toulson. 

120, Numida mitrata. Pall. 

Da Huilla e Caconda. íris pardo; espaço nu da face e barbilhôes 
d'um azid arroxado, com o ápice dos barbilhôes e a fronte verme- 
lhos; pelle nua do alto da cabeça cor de tâmara no macho, encar- 
nada escura na fêmea. 



350 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

121. Francolinus Hartlaubi. Nova sp. 

Francolinus. Sp.? $ Bocage. Jorn. de se. matli. phys. e nat. 
1868, num. 4. p. . 

Mas. juv. Fronte nigra, postice albo-marginata, pileo nigricante- 
fiisco; supercíliis protractis albis; macula auriculari rufescente- 
brunnea; capitis lateribus, cervice, collo et corpore inferiori albis 
maculis longitudmalibus nigris vel nigricantibus ; abdomine imo 
hypocondriisque rufescentibus ; siibcaiidalibus albis faciis trans- 
versalibus nigris; inlerscapulio tectricibusque alae cinereo-fulvis 
nigro et fulvescente variegatis, dorso minus vivide tincto; remigi- 
bus fuscis; rectricibns nigricantibus albo-fasciolatis, ápice albis; 
iride rubente; pedibiis flavis ; rostro nigricante, ápice tomiisqtte 
flavis. Long. tota 0™,250, alae 0'M35, caudae 0^070, tarsi 0'",033, 
rostri 0",023. 

Um só exemplar da Huilla, d^onde também era proveniente o pri- 
meiro que descrevemos (loc. cit.). Um e outro foram examinados 
pelos srs. Harllaub e Finsch que os consideram representantes de 
uma espécie nova e mui bem caraclerisada. 

122. Pternisles Sclaterii, Boc. 

De Quillengues. 

123. Coturnix histriónica. Harll. 

De Ambaca, onde é muito abundante. Nome vulgar Dinguian- 
guia. 

124. Turnix Icpurana. Smith. 

De Ambaca. É também vulgar. 

125. Eupodotis melanogastra. (Biipp.) 

Do sertão d'Angola pelo sr. Toulson. 

12C. Oedicncmiis capcnsis. (Licht.) 

De Angola pelo sr. Toulson. 

127. Oedlcnemus seneíjalensis. Sw. 

Da Barra do Dande, ao norte de Loanda. 

128. Lobivaiiellus laleralis. Smilh. 

De Caconda. 



PHYSICAS E NATURAES 351 

129. Ardea atricollis. Wagl. 

De Quillengues. 

130. Bubulcns ibis. Bp. 

De Gaconda. 

131. Gallinuia angalata. Sund. 

Do sertão d'Angola pelo sr. Toulson. Possuímos também um 
exemplar da mesma espécie da Ilha de S. Tliomé. 

132. GalIina||o aequatoríalis. Riipp. 

Da Huilla. 

133. Anãs flavírostrís. Smitli. 

Da Huilla e Gaconda. 

134. Podiceps minor. Lath. 

De Angola pelo sr. Toulson. 

133. Phalacrocorax africanus. (Gm.) 

Vários exemplares da Huilla e Quillengues. 



Aproveitamos esta occasião para apresentar algumas rectificações 
aos nossos precedentes artigos : 



Hlrundo Ancliictac. Boc. (Jorn. se. math. phtjs. e nat. H, p. 150). =H. 
Smithii. Granch. =H. filifera. Steph. 

Drymoica Anchietae. Boc. (loc. cit. V, p. 41). =Chaetops Grayi. Sharpe. 
(Proc. Z. S. L. 1869, p. 103, pi. XIV). Deverá cliamar-se Chae- 
tops Anchietae. 

talandrella. sp.? (loc. cit. II, p. 132). =-- Calandrites minor. Cab. 

Cossypha. Nov. sp. (loc. cit. V, ^2).^=Coss?jpha Docagei. Hartl. et Finsch. 
(Orn. Ost-a[rikas, App.) 

JORN. DE SCIENC. MATH. PHYS. E NAT. — N. VIII. 24 



352 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

Pholidauges leucogasler. Boc. (loc. cit. V, p. 44). =Ph. Verreauxii. Boc. 
in lilteris. =M. Bocagei. Hartl. et Finsch. (Orn. Ost-afr. App.) 

Hyphaulornis cucullalus? Boc. (loc. cit. IV, p. 334).=//. nigriceps. Layard. 

Francolimis. sp.? Boc. (loc. cit. IV. p. 337). =F. Hartlaubn. Boc. 



PHYSICAS K NATURAES 353 



GEOLOGIA 



Breve noticia acerca da coiistiliiicão phjsica e geológica 

da parle de Torfugal 

comprclieiidida eiilre os valles do Tejo e do Douro 



CARLOS RIBEIRO 

^(".oiilinunilo dl' \k\í:. -l^ii ilo mim. 7) 



II 



2/ Secção. —Das Pedras Negras para o norte até á foz do rio 
Mondego, e no comprimento de cerca de 4*2 kilometros, desenvolve-se 
uma praia toda de arêa, á qnal snccedc para o interior um solo are- 
naceo coi:)erto de dunas de antiga data, e formando no seu lodo uma 
esplanada ou rampa de mui varia inclinação para o mar. Em alguns pon- 
tos observa-se que esta esplanada se eleva mais rapidamente do que em 
outros, attingindo até lo metros de altura próximo á linha de costa; mas 
em geral é só a 500 metros ou mais de distancia do mar, que os areaes 
e dunas ganham altitudes de ITi a '.iO metros, se abstrahirmos de alguns 
medões mais ou menos próximos da praia, que se elevam a maiores 
alturas. 

A foz do rio Liz interrompe esta extensa praia ao oeste da Vieira. 
Algumas camadas de calcareo jurássico, que se descobrem para o norte 
d'aquelle ponto, affloram entre as arêas da praia, sem comtudo exerce- 
rem notável influencia na forma geral e na disposição d esta parte da 
Unha de costa. 

Esta longa praia de arêa termina por uma faxa que occupa a maior 
parte da abertura do valle do Mondego, estreitando pelo sul a foz do 
rio d"este nome. 

Do lado norte da foz do Mondego surgem as camadas calcareas 

24^ 



354 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIRMATICAS 

O acenosas da parte mòdia do nosso terreno cretáceo, inclinando para o 
lado do sul, e assentando sobre ellas o castello da Figueira ou de Santa 
Catharina. N'este ponto começa novamente a costa escarpada, a qual 
prosegue no rumo do noroeste até ao cabo Mondego, n'uma extensão 
de pouco mais de G kilometros. É primeiramente constituída pelas tes- 
tas das camadas calcareo-arenosas do terreno cretáceo inferior, e depois 
pelas das camadas arenoso-calcareas e calcareas do terreno jurássico. 

A altura doestas ribanceiras cresce successivamente da foz do Mon- 
dego para o cabo desde 10 até 77 metros, segundo indicam as cotas 
que se lêem na follia ■13.''' da Carta Chorographica publicada pelo Insti- 
tuto Geograpbico. Entre estes dois pontos forma a costa um largo seio, 
deixando vêr na baixamar uma praia esparcelada, formada de penhas- 
cos de calcareo e de grés, e que ora estão descobertos, ora occultos 
pelas arêas, que as vagas teem ali em continuo movimento. 

Perto da ponta do cabo e atílorando nas próprias ribas, está a im- 
portante mina de carvão denominada de Buarcos, intercalada nas cama- 
das de calcareo pertencentes ao andar superior do nosso terreno jurás- 
sico. No cabo Mondego a costa é cortada a pique n'uma altura de cerca 
de 40 metros, elevando-se o solo d"ali para cima em mui áspero pen- 
dor até á cota de 180 metros. 

De passagem notaremos que esta secção da escarpa marítima é um 
dos mais inslructivos exemplares para o estudo do systema jurássico 
no nosso paiz. 

Como n"outros sítios da nossa costa, vèem-se também aqui restos 
de depósitos quaternários encravados nas pregas e ravinas das riban- 
ceiras de Buarcos ao cabo Mondego. Estes pequenos retalhos assentam 
horisontalmente sobre os topes das camadas secundarias, mostrando-se 
até 100 metros de altura sobre o mar, e em partes com possança su- 
perior a 20 metros. 

Para além d'aquelle ultimo ponto geographico inflecte-se a costa 
para nornordéste, conservando o mesmo caracter e estructura em ribas 
altas e fragosas por uns 2 kilometros; mas estas acabam logo seguindo- 
se-lhes repentinamente uma extensa praia de arêa. 

Contínua a costa marítima no rumo de norte alguns graus este, 
formada exclusivamente de arêas, desde Quiaios até ás visinhanças d'Es- 
pinho, n'um comprimento de 88 kilometros por 2 a 8 de largura. Cer- 
tamente é este um dos mais extensos areaes da costa occidental da nossa 
península, e pôde talvez considerar-se um dos maiores da Europa, depois 
dos immensos areaes das costas de Gasconha no sudoeste da França. 

Além dos medões e das dunas de antigas praias, que hoje ali se 



PHYSICAS E xNATURAES 355 

vêem sem movimento, ha também muitas outras porções de areal recente 
fixadas pela vegetação e pela cultura; porém a maior parte das arêas 
da costa propriamente dita são soltas e movem-se livremente sob a 
acção dos ventos e das vagas. 

As camadas de calcareos, de marnes, de argillas, e de grés perten- 
centes ás formações secundaria, terciária e quaternária, constituem a 
base ou o fundamento sobre que assentam estes areaes, vendo-se aíllo- 
rar no meio das arêas nas freguezias do Bom Successo, da Tocha, de 
Mirae d'Aveiro; particularmente as camadas arenosas quaternárias que 
são as que se encontram com mais frequência nestas condições. Como 
as camadas inclinam suavemente para o oceano, a costa junto á praia 
eleva-se apenas 2 a 6 metros sobre o mar, e o relevo do litoral cresce 
em esplanada para o interior, de modo que só á distancia de 2 a 4 ki- 
lometros a contar da linha da costa, é que a sua superfície ganha altitu- 
des de 20 a 30 metros. 

Os areaes do litoral entre Mira e Ovar separam do oceano o es- 
tuário do Vouga n'uma extensão de 4o kilometros. 

A antiga barra ou barrinha, a oeste de Mira, actualmente obstruída, 
punha o mar em communicação com aquelle estuário, o que hoje só 
tem logar pela barra nova, situada 8 kilometros a oésle da cidade 
d'Aveiro. 

Vem a ponto dizer n*este logar que a tradição local pretende que 
fora do porto de Mira d'onde sairam os primeiros barcos portuguezes 
com destino ao Banco da Terra Nova, para dar ali começo á pesca de 
bacalhau. Também suppõe a mesma tradição que fora elrei D. Manuel 
quem mandara semear o vasto pinhal que defendeu aquelle porto, hoje 
lagoa, dos insultos das arêas movediças; pinhal que foi completa e barba- 
i"amente destroçado em 1834 com gravíssimo prejuízo da mesma lagoa, 
(jue hoje está ameaçada de total ruina com o succcssivo entulhamento 
produzido pelas referidas arêas. 

A verdade é que as condições hydrographicas e geológicas do es- 
tuário do Vouga, e as de todo o solo com cUe confinante, em relação â 
piscicultura, á extracção do sal, á agricultura, á arborisação e ás in- 
dustrias correlativas; e bem assim o partido que a agricultura, a nave- 
gação interior e a hygiene podem tirar dos estudos da hydrologia e da 
geologia agrícola d'este tracto do nosso litoral, são tudo questões de tal 
magnitude, que o seu exame e estudo devem prender a attenção de 
lodos os economistas e homens d"estado do nosso paiz, porque impor- 
tam nada menos do que o incalculável augmento do valor e da popu- 
lação de oO:000 hectares de superfície explorável, que este trado abrange 



356 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

desde o concelho de Mira até ao de Ovar; ao passo que o repreliensi- 
vel desleixo, a que o exame d'estes assumptos está votado, trará comsigo, 
n'um futuro mais ou menos próximo, o aniquilamento do que ali ainda 
existe hoje, começando pelo successivo açoriamento e obstrucção do es- 
tuário, seguindo-se-lhe a falta de despejo das aguas, e depois o cres- 
cente resfriamento do solo dos campos, o alagamento permanente d'esle 
mesmo solo, e por fim a viciação do ar atmospherico com todo o cor- 
tejo de suas maléficas consequências. 

Entre Ovar e Espinho approxima-se a direcção da costa da linha 
norte-sul, e em seguida toma a de norte alguns graus oeste. Nos 10 ki- 
lometros que vão dEspinho á foz do Douro, a costa é em geral baixa 
n'uma largura de 500 a 900 metros. No Algueirão, a 1,5 kilometro ao 
norte d'Espinho, começam a apparecer as rochas schistosas do periodo 
siluriano em parte occuUas pelas arêas c camadas quaternárias do lito- 
ral; mais para o norte apparecem entre estes mesmos depósitos os 
schistos crystallinos e as rochas graniloides, manifestando-se com mais 
frequência na praia. Da linha de costa para o interior, sobretudo entre 
Espinho e a foz do Douro, o solo sobe suavemente em esplanada até 
encontrar os outeiros e cabeços que estão mais próximos do litoral. 

Para o norte da foz do Douro as camadas de arenatas quaterná- 
rias dão ao solo adjacente á linha de costa a forma de terrado, cobrindo 
as rochas granitoides, que aííloram com 8 a 14 metros de altura na es- 
carpa marítima. Estas rochas são visíveis até á Pedra do Cão, penhasco 
situado no extremo occidental do flanco esquerdo do valle do Douro, e 
ao qual se apoia o cabedello. 

Segundo o testemunho do engenheiro Luiz Gomes de Carvalho, 
quando as grandes cheias do Douro arrastam para longe as arêas do 
cabedello, descobre-se por baixo d'este um fundo eriçado de penhas- 
cos, que vão até á restinga que liga a penedia das Caranguejeiras com 
a das Perlongas próximo á foz do Douro *. 

Emfim, no dizer dos pescadores d'estas localidades, desde as al- 
turas do cabo Mondego até Espinho é mar limpo; o que por outras pa- 
lavras quer dizer, que o fundo do oceano próximo d'esta porção de costa 
é de arèa, mui pouco accidentado e próprio para o trabalho das redes. 
Devíamos assim presumil-o, porque é esta uma rigorosa consequência 
da disposição e da estructura geológica da parte correspondente do li- 
toral e do fundo do oceano próximo á costa. 

Terminando aqui a summai'ia noticia que nos propozemos dar 

' Memoriai; da Academia Real das Srici/riaK de Lisboa, 1.'' serio, loni. 9." 



PHYSIGAS E NATURAES 357 

acerca da linha de costa entre as fozes do Tejo e do Douro, fecharemos 
esta pai'te da nossa descripção com algumas breves considerações a res- 
peito dos depósitos de arêa que se observam no htoral do nosso paiz. 

Dissemos que a porção da costa situada entre a foz do Tejo e as 
Pedras Negras era formada em geral por altas ribas, coroadas aqui e 
ali por camadas do período quaternário: e também dissemos que na 
parte restante do litoral até á foz do Douro, predominam aquellas mes- 
mas camadas arenosas no relevo do solo, sendo ellas que, em quasi 
toda esta porção da costa, mais geralmente servem de fundamento ás 
arêas soltas. 

Indicámos também a existência de pequenos retalhos de rochas are- 
nosas e argillosas nas pregas e ravinas das altas ribanceiras do Cabo 
Mondego; devendo acrescentar que este facto é muito frequente em toda 
a costa alta descripta, deparando-se semelhantes restos, mais ou menos 
desenvolvidos, em muitas das banquetas, depressões e valleiros da es- 
carpa marítima, escapados á denudação que arrebatou a maior parte 
do terreno quaternário na zona occidenlal entre Lisboa e Leiria, e na 
montanha do Cabo Mondego. 

Acrescentaremos agora que a observação por nós feita em toda a 
costa de Portugal, tem-nos patenteado as provas as mais evidentes de 
amplas oscillações da mesma costa acima e abaixo do oceano em datas 
relativamente muito modernas, posto que anteriores aos tempos histó- 
ricos. Taes são entre outras: a denudação das camadas do terreno qua- 
ternário na zona visinha da costa, e mais determinadamente entre Cas- 
caes e a Pederneira; os cordões litoraes que occupam differenles altu- 
ras muito acima das máximas marés actuaes, chegando a dezenas de me- 
tros sobre o nível médio do mar, como por exemplo os que se encon- 
tram no cabo d'Espichel, em Cascaes, e n'outras localidades; as dunas 
e areaes de antigas praias, situadas também muitas dezenas de metros 
acima do mesmo nível, e que com tanta frequência se encontram, quer 
coroando a escai-pa desde o cabo de S. Vicente até além do Douro, quer 
terra dentro a muitos kilometros do oceano, como em Salvaterra de Ma- 
gos, em Rio Maior, etc. ^ 

Um exame attentu feito em milhares de pontos sobre as relações 
que existem entre estas dunas e arêas das praias elevadas, e a forma- 
ção quaternária da nossa zona occidental, dir-nos-ha que umas e ou- 
tras pi'Ocederam na sua maior parte das camadas arenosas da mesma 
formação. Ao norte do cabo de S. Vicente, aos lados do cabo de Sines, 

' Vid. a nota por nós publicada no Bulletin de la Société géologique de 
Frnnre, 2." serie, lom. XXIV, pag. 692 a 717. 



358 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATÍCAS 

enlre Aveiro e a foz do Douro, entre o Cavado e o Minho, emfim em 
toda a parle onde se virem arenatas quaternárias, ahi se reconhecerá 
uma passagem gradual d'estas rochas às arcas soltas da costa, e d'estas ás 
dunas de antiga data. É de semelhantes dunas e areaes, e da desintegra- 
ção das camadas dos já indicados pequenos retalhos de terreno quater- 
nário, que se mostram nas ribanceiras marítimas, e de parte dos sedi- 
mentos transportados pelas aguas dos rios, que proveio e continua a 
vir toda ou quasi toda a arêa que forma as praias actuaes adjacentes 
á costa alta. Ainda mais, estas arèas soltas não passam de uma praia 
para outra: isto é, as arêas da costa de Caparica e da Adiça, por exem- 
plo, nada teem com as dos bancos da foz do Sado, nem com as que es- 
tão ao noroeste de Cascaes; nenhumas relações prendem as arêas da 
Praia das Maçãs com as das praias de Samarra e da Ericeira; tão pouco 
as arèas de Quiaios dobram o cabo Mondego para virem cobrir os par- 
ceis de Buarcos, e augmentar o apparelho da barra da Figueira, ou 
obstruir o porto d'este nome, etc. Todas aquellas arêas, assim como 
as de outras praias cuja enumeração omittimos, devem em geral a sua 
existência ás próprias localidades, sem que soffram perdas ou recebam 
augmento sensível no seu volume, por enviarem para outras praias visi- 
nhas, ou receberem d'estas uma porção apreciável dos mesmos depósitos. 
É verdade que estas arêas movem-se e oscillam á mercê dos ventos e 
das vagas, e invadem o solo para o interior, quando não encontram obstá- 
culo que se lhes opponha; mas este facto dá-so só na própria localidade, 
e entre limites restrictos. Pelo que respeita aos grandes areaes da costa, 
como o das Pedras Negras á foz do Mondego, e os comprehendidos 
entre o Cabo Mondego e a foz do rio Douro, etc. por uma parte tiveram 
procedência semelhante á dos pequenos areaes que encostam ás altas 
ribas marítimas; por outra parte resultaram da desintegração das cama- 
das quaternárias arenosas, que das charnecas e gandaras próximas ao 
litoral se prolongam com diversos pendores para o occidente, e que fo- 
ram outr'ora cobertas pelo mar; desintegração que só se effectuaria por 
algum tempo logo depois da ultima mudança geographica por que pas- 
sou a nossa região, e em quanto as vagas não completassem a destruição 
da parte d"essas rochas, que em razão da sua pouca profundidade e fraca 
coherencia, podiam ser então destruídas pelas vagas. 

Não se deve pois julgar que as arêas das praias actuaes continuam 
a vir do fundo do oceano, nem tão pouco suppôr que os alfaques, ca- 
bedellos, e bem assim as coroas que o mar deixa ver na maré vasia, e 
d onde os ventos seccos arrastam para a terra sensível copia de arêas, te- 
nham uma semelhante procedência. 



PHYSICAS E NATURAES 359 

A opinião que a este respeito aventamos funda-se, tanto nos dados 
de observação própria, como em considerações relativas aos phenome- 
nos geológicos que delinearam as nossas costas e praias. Os sedimentos 
transportados pelas cheias dos rios, conjunctamente com as arêas pro- 
cedentes das causas acima indicadas, é que, mediante a acção das cor- 
rentes fluviateis e maritimas, dos ventos e das vagas, constituem em 
parte, tanto os apparelhos que com mais ou menos inconstância de po- 
sição e de grandeza, se formam no oceano junto ás fozes dos nossos 
rios, como os aterros e açoriamentos dentro dos portos destes mesmos 
rios. E dizemos em parte, porque o estudo dos factos geológicos pro- 
va-nos que não é somente ao incessante trabalho das causas actuaes que 
se deve a formação dos cabedellos, bancos e açoriamentos contíguos aos 
canaes das barras dos rios Sado, Tejo, Mondego, Douro, etc, senão 
também a outras causas, ainda que remotas, quer dynamicas, quer geo- 
lógicas. 

A abertura dos nossos valles principaes, devida a um movimento 
de charneira *, é que determinou em muitos pontos dos mesmos valles 
maior elevação de um flanco do que da parte correspondente do flanco 
opposto, e mais especialmente a maior altura do flanco direito nas des- 
embocaduras de alguns dos nossos valles principaes. É sem duvida este 
ultimo facto que mais de perto interessa aos estudos hydraulicos dos 
nossos portos e barras. 

Devemos porém observar que os resultados d"aquelle movimento 
não foram eguaes em toda a nossa costa. As dilTerenças de constituição 
mineral e geológica nas diversas zonas do solo do littoral entre o cabo 
de S. Vicente e a foz do rio Minho, muito contribuíram para as gran- 
des differenças que se notam na estructura physica e na configuração 
geographica das desembocaduras de muitos dos nossos valles, embora 
estes tivessem sido abertos segundo o indicado movimento geral de 
charneira. Esta é a razão por que semelhante movimento está mais bem 
expresso na parte do litoral constitiiida pelas formações secundaria e 
terciária, do que n'aquellas onde predominam as rochas granitoides e 
os schistos crystallinos, como se reconhece, por exemplo, pela compa- 
ração das desembocaduras do valle do Sado e do valle do Douro, cujas 
formas e condições hydrographicas são tão differentes entre si. 

Por outra parte a observação tem-nos mostrado que os nossos valles 
principaes já estavam esboçados quando se depositaram as camadas are- 

1 M. de Vorneuil foi quem primeiro reconheceu este modo de abertura 
dos grandes valles que cortam o relevo da península hispânica. 



360 JORNAL DE SCIENCIAS MATIIEMATICAS 

nosas quaternárias, tão desenvolvidamente representadas na região Oc- 
cidental da nossa peninsula, e por isso, em grande parte, cada um d'el- 
les foi occupado por aqueilas mesmas camadas. 

Das considerações expostas, e do facto das ultimas evoluções geo- 
gnosticas, não só terem elevado o nosso solo muito acima do nivel em 
que estava quando se depositaram os cordões litoraes de antiga data a 
que já nos referimos, como também terem esboçado as formas que hoje 
reconhecemos no relevo do mesmo solo, infere-se com relação á desem- 
bocadura de alguns dos nossos valles principaes, o seguinte : 

1." Que pela maior emersão do flanco direito dos valles do Sado, 
do Tejo e do Mondego succedeu apresentar-se este mesmo flanco consti- 
tuído pelas testas de camadas das formações secundaria e terciária, 
aliás duras e resistentes, e por consequência conservar-se mais avançado 
para o occidente; do que são testemunho, na foz do Sado, as imponentes 
costas marítimas que da Torre do Outão se estendem até ao cabo de 
Espichel, e na foz do Tejo, as que se prolongam desde S. Julião da Barra 
até cabo Raso perto de Cascaes. 

2." Que as camadas arenosas quaternárias, que occuparam os nossos 
valles principaes, foram denudadas tanto dentro d'esses valles, como na 
superfície do flanco mais emergido, e também na parte do solo a este 
contíguo. 

3.° Que o flanco esquerdo dos valles do Sado, Tejo e Mondego, por 
menos elevado ou abatido, deixou a grande profundidade no Interior da 
terra as camadas duras e resistentes que formam as ribas do flanco op- 
posto, apresentando-se por isso constituído somente pelas camadas are- 
nosas quaternárias, em parte reduzidas a arèas soltas e assentando so- 
bre outras camadas da mesma formação e de egual natureza, cuja possança 
se aprecia em dezenas de metros para baixo do nivel do oceano. 

4.'' Que o solo assim abatido e constituído por camadas arenosas 
quaternárias junto ao flanco esquerdo d'aquelles valles, e na sua respe- 
ctiva desembocadura, estende-se por debaixo do oceano e serve de fun- 
damento e apoio aos bancos e cachopos, que se formam de preferencia 
e com mais constância ao sul e em frente das fozes dos mesmos rios. 

0.° Que as desembocaduras dos nossos valles principaes, abertas 
no solo secundário e terciário, devem de ser mais amplas, como effectl- 
vamente são, do que as situadas no solo granítico ou de schlstos de an- 
tiga data. 

6.° Que se na região litoral dos nossos valles principaes não se 
tivessem depositado as camadas arenosas quaternárias, as condições hy- 
drographlcas das barras e portos dos rios, que teem as suas fozes do 



PHYSICAS E NATURAES 3G1 

lado Occidental da nossa costa, seriam bem diversas e muito mais singe- 
las do que realmente são. 

7.° Que as formas hydrographicas das desembocaduras dos valles 
do Douro, do Cávado, do Lima e do Minho, e as circunstancias hydrau- 
licas dos portos e barras d'estes rios, sendo diversas das formas e cir- 
cumstancias que respeitam ás desembocaduras dos valles e aos portos e 
barras dos rios principaes qne estão ao sul do Douro, determinam que 
as condições geraes dos problemas a resolver para o melhoramento das 
barras e dos portos dos rios primeii'o indicados, sejam differentes das 
dos problemas relativos ao melhoramento das barras dos rios Mondego, 
Tejo e Sado. 

Em fim: dentro dos portos do Sado, do Tejo, do Mondego, do Vouga, 
etc, formam-se cabeços, aterros marginaes e outros depósitos, deter- 
minados pela acção quotidiana das causas naturaes e pelo trabalho do 
homem, mais ou menos absurdo e abusivo; depósitos que, como é sa- 
bido, arruinam os portos e os ancoradouros, e perturbam o regimen 
das aguas fluviaes e marinas dos leitos salgados para o oceano, e vice- 
versa; porém não obstante estes depósitos, os nossos rios principaes 
que desaguam no mar para o norte do Cabo de S. Vicente não teem 
deltas interiores ou oceânicos de data recente ou em via de formação, 
como acontece nas desembocaduras dos rios Nilo, Pó, Rhodano, etc. 
Os grandes mouchões do Tejo, a murraceira na desembocadura do valle 
do Mondego, parte das arêas das costas da Torreira e de S. Jacinto, nas 
visinhanças dAveiro, e tantos outros exemplares semelhantes, estão muito 
longe de poderem considerar-se deltas em via de progresso; ao contra- 
rio, são depósitos que devem a sua existência, não tanto ao trabalho 
actual da natureza, como aos últimos movimentos de oscillação do nosso 
litoral. 

Se no tempo do intelligenle engenheiro L. G. de Carvalho, que 
tanto estudou os phenomenos relativos á solução do difficil problema 
de restaurar as nossas barras e ])ortos, como se vê da sua excellente 
memoria citada anteriormente, fosse menos conhecida e cultivada a geo- 
logia applicada, diversas seriam por certo muitas das suas apreciações 
acerca das causas que determinam a estructura physica e hydrographica 
dos portos, fozes e barras dos nossos rios. 

Hoje, pôde bem dizer-se, é tão indispensável o soccorro da geolo- 
gia no estudo d'estas questões, como o é para conhecer a importância 
e as condições dos jazigos mineraes úteis, e o modo de fazer a sua lavra. 



362 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS, PHYSICAS E NATURAES 

VARIEDADES 

Àpparellio de dístiilaçuo 



o sr. Miguel Ventura Pinto, preparador de cliimica no instituto in- 
dustrial de Lisboa, acaba de inventar um novo apparelho de filtração 
accelerada, que em muito pouco lempo estará prompto a funccionar 
n'aquelle estabelecimento. O novo apparelho, ao qual o auctor deu o 
nome de rarefactor hydropneumatico, pôde vantajosamente substituir 
em muitos casos, o moderno apparelho de filtração, introduzido por Bun- 
sen nos laboratórios de Alemanha. 

Julgamos a idéa do sr. Pinto bastante engenhosa e digna de appa- 
recer n'este jornal; e por esta razão promettemos apresentar n"um dos 
números seguintes, a descripção e desenho do rarefactor pneumático. 

Estamos certos que todos os chimicos nos agradecerão o cumpri- 
mento d'csta promessa. 

A. 



ÍNDICE 



ARTIGOS CONTIDOS NO SEGUNDO VOLUME 



Num. V.— agosto DE 1868 

PAG. 

Nota sobre uma proposição de statica — por Francisco da Ponte Horta ... 1 

Nota sobre um problema de geometria — idem 4 

Flora fóssil do terreno carbonifero das visinhanças do Porto, serra do Bus- 
saco, e Moinho d'Ordem próximo a Alcácer do Sal, por B. A. Gomes. 
Apontamentos pelo dr. Geinitz —pelo dr. Bernardino António Go- 
mes 7 

Catalogo methodico das plantas observadas em Portugal (continuação) 

— por C. M. Gomes Machado 19 

Aves das possessões portuguezas d'Africa occidental que existem no Mu- 
seu de Lisboa (terceira lista) — por J. V. Barhoza du Bocage 38 

Catalogo dos peixes de Portugal que existem no Museu de Lisboa (conti- 
nuação) — por Félix de Brito Capello 51 

Noticia acerca de um peixe pouco conhecido proveniente do Brasil — idem 64 

Bibliographie botanique — par Edmund Goeze 70 

Noticia de alguns niartellos de pedra, e outros objectos, que foram desco- 
bertos em trabalhos antigos da mina de cobre de Buy Gomes no Alem- 

tejo — por F. A. Pereira da Costa 75 

Livros oíTerecidos á Academia Beal das Sciencias de Lisboa, ou por ella 

comprados desde 7 de março até 12 de agosto de 1868 80 

Num. VL —MAIO DE 1869 

Deducção da fórmula que dá o volume limitado pelo intradorso d'uma 
abobada d'aresta, por o plano das impostas e por os planos verticaes 
que conteem os quatro arcos da testa da mesma abobada — por Luiz 
Porfírio da Motta Pegado 89 

Deducção da fórmula que dá o volume limitado pelo intradorso d'uma abo- 
bada de barrete, por o plano das impostas e por os quatro planos ver- 
ticaes correspondentes aos pés direitos da abobada — idem 95 

Investigações sobre as naphtalinas nitradas e bases polyatomicas derivadas 
(conclusão) — por A. A. de Aguiar e E. Lautemann 98 



PAG. 

Catalogo methodico das plantas observadas em Portugal (continuação) — por 
C. M. Gomes Machado 101 

Plantas da serra de Monchique observadas em 1866 —por S. P. M. Estacio 

da Veiga 120 

Catalogo dos peixes de Portugal que existem no Museu de Lisboa (conclu- 
são) — por F. de B. Capello 131 

Sur ridentilé du Prometteus paraduxus. Cap. et du Nesiarchus namíus. J. 

Y. Johnson — idem 154 

Molluscos terrestres e fluviaes de Portugal — por A. Luso da Silva 135 

Sobre duas espécies de Plectropterus (Pato-ferrão) da Africa occidental 

portugueza — por J. A. de Sousa 157 

Éponges siliceuses nouvelles de Portugal et de Tile Saint-Iago (archipel de 

Cap-vert) — par J. V. Barboza du Bocage 159 

Bibliographie botanique (conclusão) — par E. Goeze 163 

Bibliograpbia zoológica — por B. B 168 



Num. vil —AGOSTO DE 1869 

Nota sobre algumas proposições de geometria — por Francisco da Ponte 

Horta 169 

Factos novos para a historia das naphtalinas nitradas — por A. A. de Aguiar 182 

Sobre um novo apparelho para a demonstração das propriedades physicas 

dos vapores — por Francisco da Fonseca Benevides 189 

Plantas da serra de Monchique observadas em 1866 (continuação) — por S. 

P. M. Estacio da Veiga 192 

Algumas observações e additamentos ao artigo do sr. A. C. Smith intitu- 
lado Sketch of thc Birds of PortxKjal (Ibis, 1868, pag. 428) — por J. 
V. Barboza du Bocage 214 

Sur une cspèce de Cephalophus à taille plus forte, d'Afrique occidentale, 

qui parait identique au C. longiceps. Gray — idem 220 

Appendice ao Catalogo dos peixes de Portugal que existem no Museu de 

Lisboa — por F. de Brito Capello 223 

Lista de algumas espécies de peixes colligidos ou observados na bahia de 

Lagos (Algarve) — idem 229 

Memoria relativa a um exemplar de Squalus maximus. L. pescado nas cos- 
tas de Portugal — idem 233 

Molluscos terrestres e fluviaes de Portugal (continuação) —por A. Luso da 
Silva \ 239 

Breve noticia acerca da constituição physica e geológica da parte de Portu- 
gal comprehendida entre os valles do Tejo e Douro — por Carlos Ri- 
beiro 243 

Bibliograpbia 253 



Num. VIII. —dezembro DE 1869 

PAG. 

Contribuições para o estudo comparativo do movimento da população em 

Portugal —por Daniel Augusto da Silva 255 

Nota sobre as dianiinas derivadas das binitronaphtalinas a e p — por A. 

A. de Aguiar 307 

Nota sobre uma nova base homologa da kyanéthina — por Alex. Bayer . . 320 

Funcções do nervo de Wrisberg — por M. Bento de Sousa 329 

Aves das possessões portuguezas d'Africa occidental que existem no Mu- 
seu de Lisboa (quarta listai —por J. V. Barboza du Bocage 333 

Breve noticia acerca da constituição pliysica e geológica da parte de Portu- 
gal comprebendida entre os valles do Tejo e do Douro (continuação) 
— por Carlos Ribeiro 353 



ERRATAS DO Num. YI 



PAG. LIN. ERROS EMENDAS 

91 ultima ^^' — ^1 ^''^T 



92 4 y/f-^^,/^ y/^ 



93 9 I (Í = ?/ 



4 



\/~.^-^^ \/f-^^. 



92 4 v/Tr-fly sJj-y'-dy 








PREÇO D'ESTE VOL. —1500 rs. 



Acha-se á venda nas seguintes lojas : 

Lisboa —SILVA E COMP. praça de D. Pedro; LAVADO, PEREI- 
RA e CAMPOS JUMOR, rua Auyusta; RODRIGUES e CRUZ, rua do 
Oiro. 

Porto e Coimbra —VIUVA MORE. 



A correspondência deve ser dirigida, franca de porte, á 
Redacção do Jornal de Sciencias Mathematicas, Pliy- 
sicas e Naturaes, na Academia Real das Sciencias de Lis- 
boa, rua do Arco (a Jesus). 



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Harvard MCZ Library 



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